29 de outubro de 2017

MÚSICA DA SEMANA - 29/10


Fala, pessoal! Meio sumido, mas estou tentando postar as coisas como prometido. E vocês sabem: para falar sobre qualquer assunto por aqui eu preciso de tempo para ler, ver ou ouvir. Essa semana eu particularmente me reservei para ver a nova temporada de Stranger Things e estou planejando postar aqui até quarta-feira - inclusive para mais pessoa terem visto a nova temporada e discutirmos o que pode acontecer na próxima. Enquanto isso, nada melhor do que uma música da semana e, para hoje, escolhi uma música que acredito que é perfeita para o atual tempo de São Paulo que chove, faz sol, faz frio, frio, sol, frio, chove, chove, chove... E assim vai. Em um momento em que o tempo varia constantemente, nada melhor do que olhar ao redor e ver o que temos, seja os amigos, os amores, os familiares, os nossos animais de estimação. E a real? É que tudo isto basta. Sendo assim, segue abaixo o vídeo de Only Us, do musical Dear Evan Hansen (o qual você precisa ouvir urgentemente o álbum inteiro).


16 de outubro de 2017

MISS SAIGON - Faz cada vez mais calor nesta Saigon romantizada

Imagina viver nesse American Dream


Se você conhece um pouco sobre musicais, com certeza deve conhecer sobre o boom do West End durante os anos 1980/1990. Les Miserábles, Cats, O fantasma da Ópera, além de outras tantas produções e revivals, espetáculos grandiosos, muitos deles têm uma particularidade em comum: Cameron Mackintosh. Produtor britânico, Mackintosh é o nome por de trás de diversas produções de espetáculos que são referência até os dias de hoje e que com certeza você já ouviu falar. O fantasma da Ópera continua sendo a produção musical de maior tempo em cartaz na Broadway. Les Miserábles e Cats estão com seus respectivos revivals recentemente em cartaz na avenida. Além deles, o icônico musical que aborda a Guerra do Vietnã, o sacrifício a ser feito e o amor incondicional de um soldado e uma vietnamita, retornou aos palcos do West End e Broadway. Este musical é Miss Saigon.

Depois de colocarem Les Miserábles nos palcos londrinos ao lado de Mackintosh, a dupla Claude-Michel Schonberg e Alain Boubill já tinham em mente qual seria a próxima história que queriam contar. Miss Saigon se inicia durante a guerra do Vietnã, um pouco antes de ocorrer a invasão de Saigon. Chris, um soldado norte-americano, vai acompanhado com os outros soldados para o clube "Dreamland", um bar/prostíbulo que elege a melhor garota da noite como Miss Saigon. Lá, ele encontra Kim, uma garota de 17 anos que perdeu sua família durante a guerra e acaba no "bar" para sobreviver ao período de guerra. Kim e Chris vivem assim uma paixão intensa até que a guerra mudará a vida de ambos como eles nunca poderiam imaginar.

Ao ver Miss Saigon pela primeira vez, parei para pensar: é impressionante como os musicais ópera-rock ou os que são baseados em antigas óperas possuem histórias de amor tão fortes e relacionamentos tão intensos. Aqui ressalto Rent, com o amor intenso entre Roger e Mimi, O fantasma da ópera, que exalta o triângulo amoroso entre Fantasma-Christine-Raoul, Moulin Rouge com Christian e Satine, e agora Miss Saigon. É caloroso assistir ao romance desenvolvido entre Chris e Kim, pois você realmente compra a paixão do casal e de que eles serão eternamente felizes no primeiro ato (e que, ainda no mesmo ato, tudo muda). Ao acabar o segundo ato é quando você percebe o peso da obra e entende o motivo para ser uma das produções de maior tempo em cartaz no West End e da Broadway.

A produção em si é impecável. A cenografia, a iluminação, o elenco, o ensemble (não gosto de chamar de "coro", mas é conhecido como tal), o texto, tudo em Miss Saigon é único. A primeira produção foi um dos maiores musicais de seu tempo - colocando uma réplica de helicóptero no palco - e a nova produção não deixa de ser grandiosa. Infelizmente, são poucos os planos abertos da gravação que permitem ao espectador ver a estrutura cênica do espetáculo por completo (sensação semelhante ao assistir Os Miseráveis). Por outro lado, é perceptível ver que essa foi a intenção do diretor Laurence Connor desde o início: fazer o espetáculo parecer uma obra cinematográfica, seja pela dinâmica em cena, o foco maior na atuação do que na performance vocal e pela própria cenografia, algo que o diretor mesmo já tinha desempenhado ao criar o espetáculo de 25 anos de O fantasma da Ópera.     

O elenco da produção do revival do West End é impecável. Se comparar com a produção original, assim como a produção de Manila, é indescritível como todos os atores desempenham seus papéis nesta produção de 2014 de forma excelente. Se a intenção do diretor era de arrancar o melhor da atuação de cada um, Eva Noblezada honra o papel de Kim, originado por Lea Salonga (conhecida como a voz de Jasmine, na animação de Aladdin, e a voz de Mulan na animação de mesmo nome) e a torna ainda mais visceral. Alistair Brammer talvez não seja um dos pontos altos da produção, mas mesmo assim entrega um Chris convincente e apresenta técnica vocal para seu papel, algo que poucos Chris conseguem desempenhar em cena. Cabe aqui os destaques para Jon Jon Briones, excelente e cativante como o Engenheiro, Rachelle Ann Go como Gigi, e Kwang-Ho Hong como Thung. O ensemble é um dos melhores das produções que já assisti de espetáculo gravados, se não o melhor.

E, como eu disse anteriormente, a primeira produção do musical já trouxe muita discussão e controvérsias quando surgiu, e a segunda adaptação aos palcos não foi diferente. O espetáculo de 1989 recebeu diversas críticas pelo fato de um dos protagonistas do show, o ator britânico Jonathan Price, e um dos atores mirins, Keith Burns, não terem descendência asiática e usarem maquiagem para aparentarem ser. Na época houve boicote ao espetáculo por parte da população asiática e muitas associações criticaram a produção. Conclusão: hoje Miss Saigon é um dos espetáculos do teatro musical que mais contrata atores asiáticos no mundo. Embora as coisas tenham se resolvido para a primeira produção, a nova produção trouxe mais uma controvérsia e dessa vez nada relacionada ao elenco, mas sim ao seu material: as letras mudaram, novas canções foram adicionadas e arranjos alterados. Fãs de longa data não ficaram felizes com o que foi feito. Eu, por outro lado, nunca tinha visto ou ouvido as canções de Miss Saigon (apenas algumas das versões brasileiras) e, sinceramente, achei até melhor as novas versões criadas pela dupla do que algumas do material original.

Ouça, veja e se delicie com a história de amor de Chris e Kim e com a história incrível que há em Miss Saigon. Se emocione. Infelizmente eu não assisti ao espetáculo quando ele esteve no Brasil, estrelado por Lissah Martins, como Kim, e Nando Pradho como Chris (o ator está atualmente no elenco de Les Miserábles e é um dos melhores Javer que eu já assisti. Se ainda não foi ver ao espetáculo, corra que está nas últimas semanas!). Adoraria uma nova adaptação, mas acho impossível uma tão cedo. Resta saber agora quando o filme de Miss Saigon realmente vai sair. Mackintosh diz em entrevistas que será "o mais rápido que possível" e que tudo dependia também do sucesso do filme de Os Miseráveis (que foi um ótimo sucesso de bilheteria). E claramente que não ia deixar vocês sem um gosto do musical. Eu queria postar a minha música favorita, Sun and Moon, mas infelizmente a cena não está disponível na versão do musical do West End deste revival. Seguimos então com uma das músicas que tornou Miss Saigon um ícone: Last Night Of the World (pule para 1:15 para ir direto para a canção ou assista um pouco dos bastidores do musical).



14 de outubro de 2017

MÚSICA DA SEMANA - 14/10



Fala pessoal! Foi uma semana corrida na pós, final de módulo com provas e trabalhos para fazer (com todo trabalho e treino do dia-a-dia junto) e por isso também que ainda não consegui responder os comentários, mas prometo que irei! Ainda mais agora no feriado! E gostaria de compartilhar com vocês uma das novas músicas do álbum da P!nk (aka Pink), What About Us de Beautiful Trauma. Não sei se já cogitaram a presença da cantora em algum festival de música no Brasil - principalmente Rock In Rio que seria mais a pegada dela. Uma artista completa, o show de P!nk é incrível, assim como as letras de suas músicas e suas performance. Ouçam agora What About Us e confiram o álbum que está disponível para compra e streaming.


3 de outubro de 2017

NEWSIES - Espetáculo completo do início ao fim


Se você foi criança nos anos 1990, talvez já tenha ouvido falar sobre um filme conhecido como Extra! Extra (Newsies, no original). Estrelado por Christian Bale, Dave Moscow, Bill Pullman, Robert Duvall e Ann-Marget, o filme obteve diversos fãs e foi um fracasso de bilheteria com críticas mistas. Extra! Extra! não conseguiu pagar seu orçamento, sendo um dos piores filmes de arrecadação de bilheteria da Disney. Porém, com a força dos fãs e dos criadores (por acreditarem no material), em 2011 foi realizada uma produção ousada no Papel Mill Playhouse - casa de espetáculo conhecida por abrigar espetáculos antes de estrearem na Broadway. Em 2012, com 8 nomeações ao Tony Awards, o espetáculo musical de Newsies arrebentou todas as expectativas, sendo aclamado pelos fãs antigos, obtendo uma nova legião de fãs e sendo elogiado pela crítica. A adaptação para os palcos foi de extrema qualidade que eternizaram em uma gravação disponível em DVD e Blu-ray (lá fora). E podem ter certeza: Newsies é um musical eletrizante.

A história é sobre os newsies, garotos que entregavam jornais nas ruas de Nova York no início do século XX. Liderados por Jack Kelly, os garotos precisam enfrentar as ordens do dono do jornal, Joseph Plummer, de aumentar o preço dos jornais. Ao aumentar os preços para os newsies, os garotos teriam que vender mais jornais para obter o mesmo faturamento que conseguiam antigamente. E é assim que começa: a GREVE! Juntos, dependerá apenas dos meninos para conseguirem seu objetivo e fazer com que Plummer diminua os preços dos jornais e sem respeitados em sua profissão.
Nunca vi o filme de 1992, contudo, desde 2012 ouço a trilha sonora de Newsies porque ela é eletrizante do começo ao fim. Alan Menken (Hércules, Corcunda de Notre Dame, A Bela e a Fera, A Pequena Sereia, Pocahontas e muitos mais) é um dos melhores compositores que temos hoje em teatro musical e foi o grande responsável pelas canções do filme de 1992 e da peça. Mas foi Havery Fierstein (responsável pelo libreto de A Gaiola das Loucas, Kinky Boots e vencedor do Tony Awards ao originar o papel de eternizado como Edna Turnblad no elenco original de Hairspray) que mudou a história de Newsies e trouxe para os palcos de outra perspectiva. A união de um dos maiores compositores e um dos maiores escritores de musicais da Broadway não poderia dar errado: a história é bem balanceada, trazendo profundidade aos personagens principais de forma eficaz e mostrando que cada um tem algo que os move, que os faz seguir adiante e lutar. As canções expressam, em sua maioria, palavras de ordem, a vontade de Newsies e os sentimentos dos personagens.

Mas sabe o que realmente chama a atenção de Newsies? A coreografia. Já vi diversos Tony Awards - inclusive diversos deles estão completos e disponíveis no Youtube. Contudo, nenhuma coreografia me chamou tanto a atenção como a de Newsies. Mistura de balé, sapateado e acrobacias, a coreografia flui com o espetáculo de forma natural. O que muitos viam nas coreografias do filme Amor, Sublime Amor (o que eu nunca senti, porque sempre achei forçado), eu encontrei em Newsies. É impressionante, cada número em sua peculiaridade. Carrying The Banner, The World Will Know, Once and For All e os ápices de Seize The Day e King of New York! Com as belas canções de Menken e a coreografia de Cristopher Gattelli, Newsies é um show do início ao fim.

Na gravação para os palcos, muitos atores que originaram os papéis retornaram para interpretar seus personagens. Jeremy Jordan (conhecido pela série Smash e também o filme musical Os Últimos Cinco Anos) encarna Jack Kelly e mostra aqui o seu melhor trabalho, o que explica sua indicação ao Tony Awards de 2012. Kara Lindsay tem uma incrível veia cômica e mistura muito bem o carisma com o desejo de liberdade feminista de sua personagem. Ben Frankhauser e Andew Keenan-Bolger também estão muito bem como Davey e Crutchie, respectivamente.

Se você ainda não viu, veja! Newsies é contagiante do início ao fim, uma obra bem cuidada e com a melhor coreografia que eu já vi nos palcos (estando ao lado de coreografias como as de Wicked e O Rei Leão). Claro, para ver o filme por aqui é difícil, uma vez que é necessário ter uma conta internacional para baixá-lo em uma loja virtual estrangeira ou comprar o Blu-Ray. E óbvio, o jeitinho brasileiro está aí. Mesmo eu sendo contra baixar filmes (ainda mais em um momento em que vivemos com Netflix, Telecine Play e HBO Go), para Newsies infelizmente a dificuldade de acesso ao filme é bastante grande. Seria interessante a Disney brasileira trazer para cá Newsies, A Canção do Sul (o que nunca acontecerá pelo histórico nos EUA) e 20 mil léguas submarinas (que passa no Telecine Cult, mas nada de DVD ou Blu-Ray nacionais). Mas oveja Newsies! Aproveite o dia! E veja os garotos de Nova York dançarem e cantarem como poucos conseguem fazer no palco. 

25 de setembro de 2017

A CABANA - Religião, Deus e a arte de crer. Mas o filme é bom?

Que cara cri cri papai! 


Me lembro, em 2008, quando minha tia começou a ler um livro chamado A Cabana. Achei a capa muito bonita mas, com 15 anos, a última coisa que eu queria ler era um livro que falasse sobre Deus. Mas então minha outra tia estava lendo. E minha mãe. E minha amiga. E então aconteceu no Brasil o que estava acontecendo nos EUA: o livro se tornou uma febre. Não havia uma pessoa que não estivesse lendo A Cabana. Era visível em todo local uma moça no banco do ônibus lendo o livro, o professor da escola, um cara na livraria, era uma epidemia. Muitos anos se passaram até que, finalmente, o filme foi adaptado para as telas de cinema: praticamente dez anos após seu lançamento em terras norte-americanas, o polêmico filme chegou. E no final das contas: é bom? Ainda é forte após terem se passado dez anos desde que se tornou uma febre?

Antes de mais nada, vamos falar sobre a sinopse para começar o nosso debate: um pai de família começa a questionar sua fé após o desaparecimento de sua filha que, pelo que tudo indica, foi assassinada. Ainda casado e com mais dois filhos para cuidar, Mack é convidado por Deus para comparecer à cabana que resultou no desaparecimento de sua filha. Ao chegar na cabana, Mack passará uma semana com "Papa" (Deus) para encontrar sentido na tragédia que ocorreu com sua filha e que atingiu ele e toda a sua família.

Particularmente eu gosto da discussão e toda a desenvoltura da história sobre a possibilidade de "falar" com Deus. O cinema já nos apresentou essa temática em filmes dramáticos (Deus é brasileiro), nas melhores comédias (Todo Poderoso) e até mesmo em ficção científica (Contato). A Cabana poderia ser outro bom filme sobre a temática, mas peca em pequenas coisas que acabam afetando o resultado final, principalmente em roteiro, atuação e efeitos. Por ser um filme introspectivo, muito acaba nas mãos dos atores e do roteiro para fazer tudo acontecer e convenhamos: Sam Worthington infelizmente não entrega a carga emocional que seu personagem carrega e, sendo o foco do filme, o diretor deveria ter se preocupado mais com isso. Mas o roteiro também não ajuda. Em determinados momentos, principalmente em frases clichês em que pode estar Meryl Streep atuando, não há o que o ator possa fazer com este material. Há alguns momentos também em que a fotografia do filme (bem feita) acaba sendo estragada por efeitos computadorizados que poderiam ter sido completamente descartados. A trilha sonora também é responsável por quebrar o ritmo do filme de forma errônea e sabemos que aqui ela deveria servir principalmente para quebrar a carga dramática que o filme aborda, mas as músicas não foram bem escolhidas e até mesmo alguns efeitos são mais adequados para serem utilizados em filme pastelão da Sessão da Tarde.

A Cabana erra também ao parecer uma obra de "como ser um bom cristão no mundo contemporâneo", quando, na verdade, o tema é capaz de fazer (e às vezes faz) o papel de trazer uma incrível discussão: o que fazer quando conversamos com Deus? O que falar, o que questionar, o que julgar. O filme acerta ao querer discutir uma questão válida para os nossos dias: colocar-se no lugar do outro. Afinal, o que é colocar-se no lugar do outro? Quem somos para julgar alguém? Suas atitudes, seu estilo, sua cor, seu gênero. Deus (interpretado por uma inspirada Octavia Spencer) acaba tendo esse papel. Além de colocar-se no lugar do outro, é importante pensar na ação de "crer", outra coisa abordada no filme: como provar? Como aceitar que aquilo é verdade ou não? Não há, há apenas a crença e aqui não coloco a crença cristã, islâmica, protestante, mas sim o ato de "crer": crer em pessoas, crer no ser humano, no que somos capazes de fazer e se existe algo divino em torno de nós. O que é crer? O que fazer quando paramos de crer inclusive em nós mesmos? Muitas perguntas boas para se fazer e que poderiam ter sido melhores desenvolvidas inclusive para o filme ter maior relevância.

Com a possibilidade de trazer questões que vão além da fé cristã, A Cabana acaba dando muitas voltas em si para acabar em momentos clichês, salvos em instantes valiosos que abrem a discussão do papel de religião, mesmo que de forma rasa. Não há também muito o que fazer em um filme introspectivo se o ator principal e o roteiro não ajudam. Há diversos filmes que abordam a temática e, em uma modesta opinião, aguarde o filme sair na televisão e dê uma chance para o que ele tem a dizer. Mesmo com as falhas, ele pode te tocar de alguma forma. Os momentos de extrema tristeza com certeza possuem a capacidade de tocar, mas poucos são os momentos de reflexão. 

24 de setembro de 2017

MÚSICA DA SEMANA 24/09

"Look at me! I am the King Of New York!"

Fala pessoal! Como comentei semana passada, a minha rotina continua bem corrida (nada fora do normal). Com o trabalho, trabalho da pós, a pós em si, os treinos de madrugada (das 23h à 1h), jogos de final de semana, enfim, têm diversas coisas acontecendo e o blog não pode parar - sendo que o que está me salvando é o final de semana para ler, ver e ouvir coisas e trazer tudo pra cá (e indiquem coisas nos comentários!). Essa semana já adianto as novas postagens: amanhã é dia de ler e discutir sobre os assuntos do filme A Cabana e ainda temos dois musicais por vir: Newsies e o revival de Miss Saigon! Falando em Newsies, a música dessa semana é uma música incrível, que acredito trazer o clima da peça e que transparece o espírito de "se sentir jovem" (o que acontece no musical inteiro praticamente). Com vocês, King Of New York!

 

18 de setembro de 2017

PRECISAMOS FALAR SOBRE PABLLO VITTAR

Linda, livre, leve e solta. É isso aí. 

Se você ainda não sabe quem é Pabllo Vittar, provavelmente não está acompanhando o atual cenário da música pop brasileira ou acompanhando o Rock In Rio 2017 (mas tudo bem, é para isso que o blog existe). Vittar chamou a atenção e marcou presença no evento ao cantar em um stand do Itaú, chamando e entretendo mais pessoas do que os tradicionais palcos da edição deste ano do Rock In Rio. Não à toa, Vittar levou todos ao delírio. Com polêmicas envolvendo a saída de Lady Gaga e o fato de Anitta não estar participando do Rock In Rio, tudo parece ter sido esquecido com a presença de Vittar, que também cantou ao lado de Fergie e esquentou o Palco Mundo. Resultado: uma das aparições mais marcantes da edição de 2017. E a justificativa está clara para quem a acompanha: Vittar surgiu como um respiro e se firma como uma das maiores cantoras atualmente em nossa música pop.

Antes de mais nada saiba: Pabllo Vittar não gosta de se rotular. Justo. Phabullo Rodrigues da Silva não precisa de definição: homem, mulher, drag queen, compositora, cantora, basta respeitar o modo que ela deseja ser tratada com respeito. Com 22 anos, Vittar é um dos maiores sucessos de nossa música pop e funk com ícones como Sua Cara, K.O, Todo Dia, entre outras tantas músicas. Todas as letras exprimem um sentimento que, embora possa parecer clichê, Vittar carrega de forma fresca e revigorante: liberdade, ser quem você é. Além disso, a cantora também enaltece o respeito à mulher. Não é por usar uma mini-saia que a mulher "atiça" os homens para ser estuprada. Mulher não é "vadia" por dançar como ela quer. É o empoderamento de forma atual, revigorante, afirmativa, impondo seu espaço no mundo.

Você já leu comentários que têm em reportagens, entrevistas, clipes, o material que for, sobre Pabllo Vittar? Pois é, eu já e gostaria de falar de uma do Rock In Rio que particularmente chamou a minha atenção. Um homem, fã de rock dos anos 60/70/80, falando sobre como a cantora "é moda e quer chamar a atenção no evento, se vestindo como se veste e agindo como age". Impressionante como as pessoas colocam juízo de valor sem pensar em si e em sua própria identidade. Parece que, este sujeito, esquece de lendas como Freddie Mercury, Elton John, Kiss, tantos cantores "homens" que já se vestiram como mulheres e são ícones até hoje (e julgam Vittar por sua aparência e música?). No mesmo comentário, havia ainda uma montagem de "Como ser homem e se vestir como mulher", em que colocavam Vittar com um "X" (o errado) e Freddie Mercury com uma mão com o dedão pra cima (o correto). Dito isso: esse fenômeno (homens se produzindo como mulheres) não é algo que nunca vimos nas artes antes. Inclusive, na Idade Media, muitos papéis femininos eram interpretados por homens. Se Mercury foi e é repeitado até hoje por sua arte, Vittar merece o mesmo tratamento. Não gostar de sua música é a real questão, não aquilo que a cantora é e defende.

Eu gosto de compartilhar a experiência que meu primo teve ao descobrir a "origem" da cantora porque ela exemplifica exatamente o que tem que ocorrer: nada. Ele foi para a Califórnia e retornou no segundo semestre em um momento em que Vittar já estava bombando e vinha com uma música nova a cada mês (semana? Dia?). Ao chegar na cada dele, estava tocando as músicas da cantora e falei "caraca! Você tava lá fora e já conhece as músicas do Pabllo" e ele respondeu que gostava das músicas. Meu primo desconhecia o fato dela ser drag queen e sabe o que aconteceu quando ele descorbiu? Continuou gostando da mesma forma. Infelizmente vejo, em muitas pessoas de nosso país e que presenciaram a ascensão de Vittar desde o começo, muito juízo de valor e preconceito ao invés de ver o que a cantora tem para nos mostrar.

Vittar ainda tem muito caminho pela frente, pois são seus primeiros trabalhos que estão sendo lançados e muita coisa ainda deve estar por vir. Pop, funk, pop funk, Vittar chega ao cenário brasileiro com letras que defendem a liberdade e a aceitação de uma forma longe do clichê. Em um Brasil que infelizmente está vivendo em extremos, a artista mostra exatamente o contrário: você pode ser quem você quiser ao respeitar o outro. Saiba que do outro lado há um ser humano como você. E rótulos? Perda de tempo. O ser humano é muito complexo para termos definições para tudo. Construa sua personalidade e pegue as definições para ser você.

E gostaria de fazer uma observação neste novo parágrafo: para você, leitor, ter uma noção do quanto entender isso tudo é importante: escrevi a postagem no dia 17/09. Hoje, dia 18/09/2017, a Justiça Federal concedeu uma liminar que pode abrir brecha para psicólogos tratarem a homossexualidade como doença, O Conselho Federal de Psicologia repudiou, em nota, a decisão da justiça (leia mais sobre aqui). Você pode não gostar do estilo das músicas, mas as letras cantadas por Vittar remetem ao nosso cotidiano mais do que muitos pensam. Reflita e não deixe que os extremos permitam fazer coisas como essa.

Veja abaixo a aparição de Vittar no stand do Rock In Rio.


16 de setembro de 2017

IT: A COISA - NÃO VÁ PARA TER MEDO, VÁ PARA SE DIVERTIR

Às vezes eu penso que você tem problema.

Em 1990, um mini-série ou telefilme (como preferir) chamou a atenção de muitas pessoas. IT - A Obra-Prima do Medo (que já falei há muito tempo aqui no blog, só clicar aqui para ler a postagem) tornou-se um filme cult dos anos 90 ao trazer à vida o palhaço Pennywise e as crianças da cidade de Derry da obra de Stephen King. Além disso, tornou-se uma referência para quem nunca tinha ouvido falar sobre Tim Curry, o eterno Doutor Frank-N-Furter de Transexual Transilvânia de Rock Horror Picture Show. Ao anunciarem o lançamento de uma nova versão, atualmente em cartaz, os fãs do filme de 1990 começaram a ficar instigados: será que a nova versão de IT: A Coisa seria boa? Garanto que, pelo menos como filme de horror, você não vai se decepcionar. 

A história é um pouco do que muitas obras de Stephen King já retratam no cinema: um grupo de amigos, que vivem em uma cidade pacata dos EUA, se divertindo e enfrentando valentões da escola. No caso de IT: A Coisa, antes da formação final do Grupo dos Perdedores, o filme apresenta cada personagem em sua singularidade e como eles vivem na cidade de Derry, suas famílias, seus medos, etc. Coisas estranham começam a acontecer na cidade, com diversas crianças desaparecendo e Bill, Ben, Beverly, Richie, Mike, Eddie e Stanley começam a ir atrás do suspeito de tudo isso: um palhaço que utiliza o nome de Pennywise. 

A sinopse pode parecer que o filme acima foi feito para a Sessão da Tarde e que, ao final, o grupo dos perdedores conseguem prender o suspeito e viverem felizes para sempre. Mas só parece mesmo, porque a primeira sequência icônica entre Pennywise e Georgie já mostra o que o filme tem a oferecer. E, ao falar dessa cena, muitos sabem o quanto ela ficou famosa no filme dos 1990 e  posso afirmar: o filme atual está pau a pau com o filme de 1990, cada um retratando de forma diferente. Enquanto o filme dos anos 1990 era um terror trash voltado para televisão, o filme de 2017 chega para ser um terror/horror psicológico antes de qualquer outra coisa. E por esse terror/horror é que IT: A Coisa vale cada centavo.

Particularmente o filme não me assustou, mas não posso falar o mesmo sobre minha amiga que estava ao meu lado e que só faltava chorar. Acredito que IT, na verdade, não seja um filme de terror para assustar, longe disso: ele está aqui para contar uma história, a história de um grupo de amigos enfrentando esse palhaço demoníaco para impedir o assassinato de mais crianças inocentes. O roteiro foi extremamente bem cuidado para nos mostrar quem é cada personagem e isso faz com que seja possível, ao espectador, criar uma ligação com cada um e é o que o filme acerta na mosca, inclusive para desenvolvendo uma empatia com o palhaço que assassina crianças. Claro, algumas coisas ficam em aberto por conta da sequência já anunciada (o que já era de se esperar para uma adaptação de mais de mil páginas). Mas como uma primeira parte, o roteiro foi muito bem pensado para, antes de qualquer outra coisa, contar a história. 

Os atores estão muito bem em seus papéis, todos os mirins sem exceção expressam muito bem a singularidade de seus personagens. Cabe aqui, porém, um destaque para Bill Skarsgard ao construir seu Pennywise. O ator utiliza algo que é muito difícil ver hoje em dia nos atores no cinema que é atuar "com os olhos". Se você já assistiu um filme mudo e preto e branco do início da história do cinema cinema, sabe que do que estou falando: Skarsgard consegue pelo olhar mostrar qual é a verdadeira intenção de seu personagem por trás de tudo que ele faz ou fala. Mesmo com uma frase boba e divertida, o olhar de Skarsgard é capaz de demonstrar toda a maldade que Pennywise deseja fazer.

Se você ainda não foi ver IT: A Coisa, é melhor correr para o cinema enquanto o filme ainda está em cartaz. Garanto, pelo menos para esta primeira parte, que você vai ver antes do que um filme de terror, um filme de horror sobre amigos enfrentando um vilão. O terror e a trama é a cereja do bolo desse filme que constrói muito bem cada personagem e, como um remake (se assim podemos chamar, já que o filme de 1990 não foi exibido nos cinema), é tão bom quanto a primeira versão. Basta agora aguardar a sequência e saber se ela será da mesma qualidade que a primeira parte.   

15 de setembro de 2017

PRECISAMOS FALAR SOBRE DEPRESSÃO E HARRY POTTER

Mas calma, o assunto é enriquecedor

O título do texto pode parecer pesado e em partes é mesmo. Depressão é sim algo que te muda física e mentalmente. Hoje em dia eu percebo muito duas coisas vindo do senso comum que precisam ser combatidas: "todo mundo tem depressão" (sim, vivemos numa sociedade em que muitos desenvolvem a depressão, mas não são todos que tem. Não banalize) e também "depressão é só tratar" (como se a vida fosse resolvida com remédios ou num piscar de olhos). Cuidado para ambas. Acho que o indivíduo só pode ser considerado "em depressão" por dois fatores: primeiramente diagnosticado perante um profissional, mas o mais importante : demonstrar mudanças físicas e mentais que ficam evidentes que aquela pessoa não é mais a mesma. Além disso, o "é só tratar" de longe é fácil assim e remédios podem ajudar, mas as pessoas precisam aprender a não depender deles e sair dessa para melhor. É assim que falarei sobre a minha "quase" depressão e Harry Potter.

Não vou entrar em méritos de como cheguei nessa "quase" depressão, mas de forma bem resumida: estava passando por bastante pressão e tive problemas financeiros em casa. Em um determinado momento, as duas coisas se misturaram e viraram uma só, viraram um acontecimento bombástico que resultou numa bola de neve. Tive que sair da minha segunda graduação em Sistemas de Informação, parar de jogar handebol, parar de ser gestor na Atlética, enfim, coisas que me eram muito valiosas e minha rotina no dia-a-dia. O sentimento que veio de tudo isso foi entrar em um poço que não dá para cavar mais, pois você já está no limite da escuridão. Não há para onde ir, pois você está no fundo e não há por onde escalar. Não, as coisas não vão dar certo. Você chora com motivos e sem motivos. Você pensa em fazer coisas que inclusive podem te machucar e resultar ainda em machucar outras pessoas. Você vive em um vazio, como se fosse um casulo. Nada importa mais. A única coisa que eu podia fazer por dias era ficar no escuro do meu quarto, chorar ou ter um "esvaziamento mental": não há foco, não há pensamento, somente a escuridão.

Logo que teve o acontecimento, procurei amigos e um deles me proporcionou algo que nunca tinha feito na minha vida: terapia. A partir desse momento, a terapia surgiu como tratamento para o que eu estava passando - sem o uso de qualquer medicamento - e curar as mudanças mentais e físicas que estavam acontecendo comigo. Mas também ela surgiu para me ajudar em um momento muito difícil da vida (que com certeza você já fez essa pergunta): quem sou eu? Onde eu cheguei? Para onde eu vou? O que será daqui pra frente? Foi um momento real de autoconhecimento e ainda de fortalecimento para não passar por tudo aquilo de novo. Fico feliz ao dizer que deu tudo certo. Não, não voltamos a ser como éramos antes, mas, para ser sincero, eu não faço questão. Hoje sou muito mais uma mistura de tudo pelo que passou, conseguindo viver cada dia como um e o mais importante: vendo as coisas boas da vida e das pessoas.

"E o que tudo isso tem a ver com Harry Potter?". Muita coisa. Em um momento de minha terapia, em que eu não conseguia em momento algum manter um raciocínio lógico por muito tempo, minha psicóloga sugeriu para eu ler um livro que eu gostaria muito de ler ou que eu tenha gostado muito de ler e que leria de novo. Durante algum tempo eu já tinha desenvolvido o desejo de voltar a ler a saga Harry Potter para comparar livros e filmes após os filmes saírem de minha cabeça. Comecei pela ordem cronológica e o início foi bastante difícil, não foi fácil manter o foco. Mas então chegamos em O Prisioneiro de Azkaban e é impressionante como J.K.Rowling descreveu tão bem o sentimento de depressão e perda. Este livro nada mais é do que Harry tendo que lidar pela primeira vez de forma profunda a perda dos pais. Os dementadores, "seres que tiram a felicidade das pessoas por ondem passam e se alimentam dos sentimentos bons", trazem ao Harry os últimos momentos de seus pais antes de serem assassinados. No final do livro (não é spoiler, faz mais de 10 anos do lançamento do filme e quase 20 do livro), ao enfrentar os desafios, Harry encontra em si todas as respostas para suas angústias e medos para salvar Sirius dos dementadores.

Desse livro em diante, Harry passa por dificuldades ainda maiores pelas quais ele passou nos livros anteriores e creio que isso só foi possível graças ao que ele passou no terceiro livro. Em O Cálice de Fogo, ele enfrenta o homem que assassinou seus pais e presencia a primeira morte diante dos seus olhos (Cedrico Diggory). Em Ordem da Fênix, sofre com a perda de seu padrinho e ainda tem que lidar com a profecia, tendo como o destino que lhe foi lançado ainda criança um final em que ele ou Voldemort teriam que matar o outro. Em Enigma do Príncipe, perde o seu mentor e tem que aprender a lidar com seu destino sozinho e lidar com a vida adulta de agora em diante. Em Relíquias da Morte, ele enfrenta todos os desafios para acabar com o vilão e aceita a morte de braços abertos.

Harry Potter não apenas me ajudou a retomar meu raciocínio lógico, como também a própria história começou a refletir um pouco com a minha. Parte disso vem da própria autora, que também sofreu depressão. J.K.Rowling descreveu a depressão de uma das melhores formas que já vi para um universo infanto-juvenil (além de mostrar como enfrentá-lo). Enfrentar tudo isso depende apenas de nós e não estamos sozinhos para enfrentar nossos problemas. Harry tinha seus amigos, eu tenho os meus, você tem os seus. A terapia hoje é mais para falar sobre mim, as coisas ao meu redor, como me sinto em relação a tudo isso e me fortalecer (embaixo #ficaadica do local que frequento). Hoje estou muito mais preparado para enfrentar dificuldades que a vida nos dá e principalmente: reconheço as coisas boas das pessoas e as coisas simples da vida.

#obrigadoJK #obrigadoKora #façamterapia

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14 de setembro de 2017

MÚSICA DA SEMANA: 14/09




Não apenas estava com saudades deste bloco, como também deste grupo. Grupo? É assim que podemos chamá-los? Não sei, mas quem viveu a primeira leva das músicas dos Tribalistas viveu e vive até hoje a referência de grandes clássicos como Velha Infância e Já Sei Namorar, ícones de nossa MPB. A parceria entre Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte é retomada este ano em seu novo álbum trazendo diversos assuntos da atualidade. Em momentos de polos e extremos, acho que o ser humano esqueceu o que o difere dos outros animais: ser realmente humano, entender seu papel em uma sociedade, se preocupar e entender o outro. Diante de um noticiário brasileiro cada vez mais catastrófico, temos que nos lembrar que, no fundo, somos todos brasileiros. No final de tudo: somos "Um Só".