29 de dezembro de 2008

Livro- Vida indefinida. Capítulo 4

Capítulo 4- A despedida provisória

“Acordei. Que dia é hoje?” eu pensei. Sexta era a resposta. Meus pensamentos começaram. Lembranças vinham. Filmes assistidos no cinema, conversas, idas a praia e escola. Hoje era o dia que Stall ia morar no estado de Hokks.

Levantei, tomei banho e bebi um leite como café da manhã. Eu e meus amigos íamos nos encontrar no “Café House”, um restaurante da cidade. Poltronas espalhadas por todo o restaurante para conversar e televisões passando shows de artistas famosos. Meus amigos e eu passamos muito tempo conversando neste restaurante.

- Por que ele esta demorando? Não temos muito tempo com ele- disse Juliet.

- Calma, ele vai aparecer- eu disse. Stall tinha uma qualidade que ninguém gostava: atraso. Sempre era o último a chegar aos lugares.

- Ai esta ele!- disse Gabriel.

- Desculpa gente, eu estava arrumando minhas malas. As caixas já estão no caminhão.

- Nunca mais faça isso! Temos pouco tempo juntos e você vai desperdiçar?- disse Juliet ao mesmo tempo em que batia em Stall. Lágrimas começaram a cair de seus olhos azuis. Logo em seguida, começaram a cair lágrimas dos olhos castanhos de Carmen. Meus olhos verdes e os escuros de Gabriel estavam secos. Eu não era chorão. Só chorava quando me queimava ou quando eu caia de bicicleta e fazia um machucado enorme. Já Gabriel era uma máquina. Nunca chorava.

- Nunca vou me esquecer de vocês pessoal. Como será que serei recebido na escola? Afinal, não sou rico nem bonito.

- Você que pensa!- disse Carmen.

- Espero arranjar amigos como vocês...

- Para com isso!- eu interrompi- Você vai voltar daqui quatro meses. Para com esse drama.

- Mas serão os mais longos de minha vida!- disse Stall- mas nós podemos conversar na internet.

- Claro que iremos!- disse Juliet. E começamos a conversar. Falamos de como seriam nossas vidas futuramente e de nossos sonhos, até que...

- São quatro horas- disse Stall- minha mãe me mandou ir para a casa às quatro e meia. Tenho que ir.

- Você acha que vamos deixar você ir sozinho? Claro que iremos com você dizer adeus!- disse Gabriel.

Foi a caminhada mais longa que já fizemos. As ruas pareciam cada vez maiores e os faróis só ficavam verdes, fazendo com que agente esperasse ele fechar para atravessar.

- Será que você realmente vai voltar e morar com a sua avó?- disse High.

- Sim. Ela já me disse que posso voltar quando eu quiser. Mas quero passar um tempo com meus pais. Afinal, Hokks fica a sete horas de carro daqui e não posso pagar por uma passagem de avião- disse Stall. O sinal abriu e chegamos a sua antiga casa. Embora a casa fosse grande, a pintura amarelada já estava meio gasta e os portões enferrujados.

- É a hora pessoal- disse Juliet. Mais lágrimas saíram de seus olhos e de Carmen. Abraçamos-nos em grupo.

- Filho vem! Entra no carro- disse a Sra. Bruquens. O carro deles era antigo. Vermelho, motor forte, confortável e grande. Meus amigos e eu tivemos muitas caronas da Sra. Bruquens neste carro. Stall sentou no assento de trás, junto de sua irmã. Seus pais estavam nos assentos da frente e caixas no porta-malas.

- Vejo vocês em quatro meses. Adeus pessoal.

- Adeus- disse Carmen.

- Adeus- eu disse.

- Adeus- disse High.

- Adeus- disse Gabriel.

- A...deus- disse Juliet. Rapidamente, ela se avançou em direção à Stall e lhe abraçou. Olhei atentamente e Juliet tinha colocado algo no bolso de Stall, mas ele não tinha percebido. Os dois se soltaram e Stall se foi. Como serão agora nossas vidas? Seremos os mesmos? Receio que não. Tudo mudaria. Na semana seguinte fomos ao “Café House” de novo. Juliet estava mais calada e era muito tagarela. Gabriel estava em extrema solidão. Carmen perdeu a vontade de ler e continuou sem ler por mais algumas semanas que viriam. High parou de surfar para passar mais tempo conosco. Eu estava triste. Não apenas por causa de sua partida, mas com ela impactou a amizade de todos.

-Gente- eu disse- Eu sei que ele se foi, mas não é por causa disso que ficaremos em tremenda solidão.

- Verdade- disse Gabriel- O que podemos fazer?

Todos estavam pensando profundamente e silenciosamente. E a resposta veio de Carmen:

- Vamos ver um o por do sol!

Olhamos-nos. Era a coisa que Stall mais gostava de fazer no final de uma tarde. À beira da praia, olhávamos o Sol se pôr e a Lua começava a brilhar na noite escura.

- Eu não conseguiria- disse Juliet.

- Não pense que é algo ruim- disse High- pense que estamos celebrando as lembranças de nosso amigo e as nossas.

- Tive uma idéia- disse Gabriel- me sigam.

Fomos até um prédio antigo. Era um shopping que não tinha nenhuma novidade ou loja descente há muito tempo e um cinema que só passava filme antigo.

- Todos cubram seus olhos e me dêem cinco reais- disse Gabriel.

-Por quê?- disse Juliet

- Por quê?- disse Carmen

- Apenas façam- eu disse. Os olhos das duas transmitiam um olhar de ódio.

- Ta bem- as duas disseram.

Fechamos nossos olhos e demos o dinheiro a Gabriel. Percebemos que estávamos entrando em algum lugar escuro, com um cheiro familiar e muito forte. Continuamos a andar.

Sentem- disse Gabriel- e abram os olhos.

Sabia. Era o cinema. O filme estava começando. Era nada mais, nada menos que Laranja Mecânica de Kubrick. Nos sentamos e começou o filme.

- À Stall- eu disse

- À Stall- disseram todos.

E assistimos ao filme como nunca tivéssemos vistos, como se fosse à primeira vez. Juliet estava do meu lado e não parava de mexer em suas mãos. Comecei a olhar melhor. Era um objeto dourado, em formato de coração com a foto de Stall dentro escrito: “Não se esqueça de mim”.

Neste exato momento, Stall estava na estrada, lembrando do colar que deu à Juliet um dia antes de se mudar para Hokks. Colocou a mão em seu bolso e viu que tinha um papel com a foto de Juliet, com a seguinte resposta na foto: “Nunca esquecerei”.

Em breve: Capítulo 5- A festa

Um comentário:

FM disse...

Bom tb !!!

*Esperando pela Festa*