30 de dezembro de 2008

Livro- Vida indefinida: Capítulo 6

Capítulo 6: A briga por Packet

- Você está bem?- perguntei a Packet.

- Obrigada por me defender- ela disse.

- Nenhum cretino deve fazer algo a uma mulher, principalmente quando esta bêbado- eu disse.

- Venha Bellks!- disse Chuan.

Retomei ao meu raciocínio.“Eu endoidei? O que eu acabei de fazer? Acabei de bater num dos meninos mais populares da escola!” eu pensava enquanto saia do salão no qual antes estava dançando valsa com minha amiga Juliet. A cara de Packet parecia assustada e ao mesmo tempo apaixonante. Ela provavelmente se apaixonou por mim. Pelo menos esta surra valerá apena.

Todos os alunos estavam saindo do salão da escola para assistir a briga. Tinha tanta gente no salão que acabou impedindo a passagem do diretor e dos professores para impedir a briga. Foi feita uma roda na qual eu estava dentro, junto de Chuan.

- Agora você me paga Bellks!- disse Chuan. Sangue estava saindo de seu nariz, agora torto.

Começou a gritaria e estávamos nos olhando um de frente para o outro. Ele veio e me deu dois socos na barriga. “Não está doendo tanto!” eu pensei. É claro que não estava. Ao fazer musculação, Chuan se esqueceu de um pequeno detalhe. O que ele queria era que seu braço fosse grande para surpreender as “dominadoras”, fazendo com que a resistência e força de seu braço fossem muito pequenas. Eu, quando decidi fazer musculação, queria força e resistência, então estava em vantagem nesta briga. Dei um soco de direita em sua cara e sangue começou a sair de sua boca.

- Vamos Chuan- disse Vicktor- ele não presta! É apenas um nerd!

Afastamos-nos, mas fui em direção a ele. Dei-lhe socos no estômago e soquei mais uma vez sua cara. Chuan estava tonto, além de bêbado. Ele veio em minha direção e tentou me dar um soco, mas errou e acabou socando Vicktor. Era minha chance. Soquei suas costas. Agora Chuan estava em dor profunda. Deitou no asfalto da rua escura.

- Isso é para você entender a respeitar uma garota, estúpido- eu disse.

- Eu não respeito garota nenhuma. Nem mesmo respeitei sua irmã quando fizemos sexo no banheiro feminino- ele disse.

Para mim bastava. Fiquei em cima dele e comecei a lhe dar vários socos na cara. Estava descontando minha raiva depois de tantos anos de humilhação. Eu não queria parar. Estava me sentindo bem, mas os professores conseguiram passar pelos alunos. Pareciam surpresos por quem estar levando a surra não ser eu.

- Para com isso agora Sr. Bellks!- disse o diretor.

Quando me dei conta, todos os alunos estavam gritando meu nome e vi a cara de Chuan. Não estava nada bonita. Perdeu dois dentes e seu nariz estava mais torto ainda. Sua boca estava toda estourada. Sua cara estava cheia de sangue. Mas o pior não era isso. Ele estava inconsciente.

-Chamem a ambulância!- disse a professora de matemática, uma mulher na meia-idade, baixinha, com cabelos grisalhos, usava óculos escuros que cobriam até suas sobrancelhas.  

Sai da roda. Não queria saber de mais nada além de ir embora. Lá estavam meus amigos, do outro lado da rua. Ao atravessar a rua, eu senti duas mãos que empurrando. Era Vicktor, provavelmente se vingando de seu estúpido amigo. Estava no meio da rua e um carro Mercedes me atropelou e bati minhas costas no vidro da frente e cai no asfalto gelado.

Quanto vale minha vida? A resposta é simples: uma briga. Deitado, ensangüentado, no asfalto da noite escura. Pessoas correndo de um lado para o outro. Com olhos quase fechados, só conseguia ver pessoas, luzes e sangue sobre mim. Buzinas, faróis e trânsito. A noite era uma criança que não crescia. As horas, os minutos e as dores não passavam.
        Estava apenas no lugar errado na hora errada. É impressionante o que pode acontecer com pessoas boas. Uma palavra mostrava o sentimento de todos: sofrimento. "O que fazer? Já chamamos a ambulância". "Por que não chega?", eu pensei. "Pode restar pouco tempo", disse uma simpática velinha.
        Estava perdido num tempo parado, sentindo apenas o que senti com todos os preconceitos que foram jogados contra mim: sofrimento. Eu acabei desmaiando.

-Estão os dois um ao lado do outro - disse uma voz doce com tristeza.

-Isso vai arranjar um conflito com as famílias- disse outra voz rouca.

-Mas é temporariamente, enquanto os pais não chegam.

- E como eles estão?-

- Bellks não ficou paraplégico graças a Deus, mas terá problemas ao andar por um bom tempo. Ficará no hospital por uma semana. Chuan terá alta depois de amanhã, para ver se não ocorreu nenhum traumatismo ou dano.

- E o Vicktor?- disse a voz rouca.

-Esta na cadeia. Foi preso por tentativa de assassinato. Parece que ele ficara um bom tempo na prisão.

-Bem feito- disse uma voz grave, com raiva e ódio.

Agora reconhecia as vozes. A voz doce era de Juliet, que estava chorando desesperadamente. A voz rouca era de Carmen que esta chorando ainda mais. A voz com ódio era de Gabriel.

-High esta vindo para cá- disse Carmen- Ele acabou de me mandar uma mensagem.

- E os pais de Bellk?- disse Juliet.

-Estão a caminho- disse High- Como ele esta?

-Ficará bem, mas terá que ficar em repouso- disse o médico. O médico era alto, moreno, forte e usava óculos. Parecia que era um dos integrantes da série E.R.

Estava numa cama de hospital. Enfermeiras estavam me levando para outro quarto, quando meus pais chegaram. Minha mãe chorava como uma desesperada. Meu pai estava com pressão alta e pediu um calmante para minha mãe. Era a primeira vez que via minha irmã preocupada comigo.

-Vamos dar morfina ao garoto para ele não sentir dor e um sonífero para ele dormir-disse o médico. Não deu nem um minuto, a enfermeira me injetou morfina e já estava sonolento. Adormeci assim que colocaram o sonífero em mim.

“É de manhã” eu pensei. A luz do Sol estava entrando pela janela. Meus pais estavam no sofá dormindo. Eles ficaram acordados a noite inteira e estavam cansados. Minha irmã estava naquele exato momento paquerando o médico, obviamente. Uma pessoa entrou no meu quarto. Era Packet, com um cartão azul em sua mão direita. Abri meus olhos.

- Oi- falei. Ela pulou de susto.

-Oi- ela respondeu- você esta com muita dor?

-Não muita- eu disse- a morfina ajuda um pouco- Ela deu uma risada leve.

- Obrigada pelo que você fez por mim. Ninguém se ousaria a fazer aquilo na minha antiga escola, nem mesmo nessa. Ninguém nunca me defendeu.

-Não foi nada de mais- respondi com uma voz calma. “Nada de mais?” eu pensei. Eu apenas briguei com um dos meninos mais populares de toda a escola, fui atropelado e estou num hospital.

-Parei de sair com os... Como é que falam na sua escola? Lembrei: “dominadores”.

-Ainda bem- eu falei.

-Por quê?- ela perguntou.

- Porque senão eu não poderia conversar com você nem ouvir sua voz. “Que babaca” pensei de mim memo. Mas deu certo. Packet ficou toda vermelha.  

- Não se preocupe- ela disse- De todas as pessoas da escola, você foi o único que me fez feliz. Todos faziam fofocas ridículas e comentários mais ainda.

E começamos a conversar. Ela adora fazer tudo o que eu fazia. Conversamos sobre livros, cinema, música, até mesmo surf! Ela tinha praticado em sua antiga cidade. Ela era perfeita.

- Depois você me leva para dançar como você dançou com sua namorada- ela falou meio embaraçosa.

-Juliet não é minha namorada- respondi- ela esta apaixonada por um amigo nosso que esta em outro estado, mas que voltará daqui um mês. Eu te apresentarei a ele.

Ela parecia feliz no momento em que disse a frase “Juliet não é minha namorada” e deu um pequeno sorriso que percebi logo de cara. Ela gostava de mim, do mesmo jeito que eu gosto dela. O celular dela começou a vibrar.

- Meu pai esta lá embaixo esperando por mim- ela disse- Eu te vejo na escola.

- Pode deixar- eu disse.

E ela se foi. Nem tinha perguntando quanto tempo havia passado desde que cheguei ao hospital. A reposta era dois dias. Tinha adormecido desde então, mas isso não me importava. A conversa que tive com Packet foi a melhor que já tive em toda minha vida.

Em breve: Capítulo 7- O domínio dos nerd. 

Um comentário:

FM disse...

Já gostei do título do próximo capítulo.

huahauha