5 de janeiro de 2009

Livro Vida Indefinida: Capítulo 9

Capítulo 9- Riviera de Rush

Estava tudo pronto. O carro do Sr.Toom era uma perua grande e azul escura, que dava para caber todo mundo e ainda as malas, que não eram poucas. Nós, meninos, levamos uma mala para duas semanas, mas o mesmo não poderia ser dito sobre as meninas. Packet levou uma mala de roupa e duas bolsas com maquiagem que pesavam três tijolos cada uma. Carmen levou uma mala de livros e outra de roupa. Juliet levou três malas, todas com roupa e ainda levou duas bolsas cheias de maquiagem.

Entramos no carro e a viagem começou. A Riviera de Rush era um condomínio aberto com praias e numerosos prédios que ficava á três horas de carro de Brokks. Grande parte das pessoas ricas tem casa lá e High não era exceção, mesmo estudando na escola pública de Brokks.

Na viagem não podíamos cantar porque os pais de High eram rígidos e divertidos, mas como dizia sempre o Sr.Toom “Brincadeira tem hora e lugar” e aquela não era a hora nem o lugar para cantarmos. Então fizemos a coisa mais básica que tinha para fazer: conversar.

-Finalmente poderemos ir à praia- disse Juliet.

-Mas tem uma praia em Brokks- disse Packet.

-Mas ela é muito suja- disse Carmen com uma voz de desgosto. Mas era verdade. Era rara as vezes que podíamos surfar naquela praia. Não agüentávamos o mau cheiro que vinha do esgoto ao lado e da sujeira que as pessoas deixavam na praia e eram trazidas para o mar.

-Quero ver se o “Espaço Cinema” estará aberto- disse Stall grande empolgação- lá têm nada mais nada menos que cinema de graça!

-Já estou vendo uma maratona de filmes- eu disse- mas faremos isso de noite.

-Só na noite- disse High também entusiasmado- Porque de madrugada tem os luais.

-Como são os luais de Rush?- perguntou Packet que estava ansiosa pelo fato de todos estarmos também.

-São belíssimos- eu respondi- ouvimos músicas tranqüilas no violão, dançamos e algumas vezes vemos o sol nascer, mas apenas a luz, já que o conseguimos ver na praia é o pôr do Sol.

-Parece mágico- disse Packet- E quando tem?

-Todo dia- disse High- Iremos hoje se todos estiverem de acordo.

-Claro que estamos- disse Juliet com uma voz que aquilo não era novidade- todas as pessoas importantes vão.

Chegamos à Riviera de Rush. Um portão grande e branco com duas torres nas laterais guardava o garnde condomínio. A cidade estava mais limpa do que nunca. Havia poucos carros, pelo fato de ser inverno, mas mesmo assim fazia calor.

A casa dos Toom era enorme, com dois andares. Um telhado marrom claro, a casa toda branca, uma piscina em formato oval, e havia um cachorro chamado Awwe.

-Vem cá garoto- disse High. Awwe é um labrador loiro muito divertido. Gosta de pular nas pessoas e brincar com elas. Era o melhor cachorro que eu já tinha visto.

-As meninas ficam no quarto da esquerda e os meninos ficam no quarto da direita- disse a Sra.Toom.

Os quartos ficavam no andar de cima. No andar de baixo, ficavam as salas, a cozinha e a garagem. A cozinha era toda branca. Tinha uma mesa de vidro grande que cabia mai ou menos dez pessoas, uma geladeira prateada grande e vários armários brancos. Havia uma “Sala de Visitas” com três sofás: um de dois lugares e os outros dois de três lugares e perto ficava uma lareira. Na “Sala de Estar” tinha os mesmos sofás, mas todos virados para a televisão de 60 polegadas do Sr.Toom, a qual assistiríamos muitos filmes trazidos por ninguém menos que Stall, mas isso seria à noite e nos dias chuvosos. Subimos as escadas para guardarmos nossas malas.

-Vamos à praia?- perguntou Juliet com um tom que não parecia pergunta e sim como se ela estivesse mandando.

-Vamos- disse High- Nós nos trocamos, colocamos protetor solar e nos vemos lá embaixo em dez minutos. Sem demora.

Mas houve demora. Ficamos esperando Stall, Gabriel e eu lá embaixo mais dez minutos do tempo estipulado com as pranchas em nossas mãos. Carmen foi à primeira a descer, Packet a segunda e Juliet a terceira, mas nem tinha notado Juliet. Estava prestando atenção em Packet e sua boa forma.

-Vamos então?- perguntou Gabriel.

-Vamos- eu disse.

Para chegar á praia levava cinco minutos á pé. Chegamos lá, deixamos os chinelos e fomos surfar. As ondas de Riviera de Rush eram muito boas todos os dias. Quando falo muito boas significa que são grandes e fáceis de serem pegas. Ficamos lá até o sol se pôr e foi quando percebemos que era tarde e tínhamos que ir para a casa almoçar, mas agora era quase noite.

Ao chegarmos a casa, a Sra.Toom nos deu uma pequena bronca, falando que não era para nos atrasarmos de novo, e não iríamos. Jantamos um belo espaguete e começamos a ver o jornal da noite na “Sala de Estar”, mostrando as notícias.

-Um homem foi atacado na Riviera de Rush- disse a apresentadora do jornal da noite. Grudamos nossos olhos na televisão.

-Nesta quinta-feira, um homem de vinte e dois anos foi atacado por um tubarão na praia de Riviera de Rush. A família esta preocupada, principalmente a noiva do homem. A polícia não para de investigar e procura o homem pelo mar. A única coisa que foi encontrada até agora foi o braço do homem com o anel de noivado.

-Meu Deus- disse Carmen- que horrível!

-Coitada da moça- disse Juliet, como se algo fosse possível de acontecer com Stall.

-Vamos ao lual?- perguntou High que estava bem empolgado.

-Sim vamos nos arrumar já vamos- disse Packet.

-Nós também- disse Stall.

Todos estavam chiques. Eu vestia uma pólo branca com um shorts jeans e um All-Star bege. Gabriel usava uma camisa vermelha com um short xadrez e um chinelo. Stall estava com uma pólo preta de grife, um short preto e um tênis azul escuro. Mas as meninas estavam bem mais bonitas que nós. Todas usavam vestidos: Carmen um vestido branco com flores gigantes para todos os lados e um chinelo branco. Juliet usava um vestido azul claro, um chinelo preto e acessórios todos da cor branca. Mas era Packet a mais bonita, pelo menos para mim. Ela estava com os cabelos loiros sobre os ombros. Usava um vestido vermelho, brincos de pérolas em suas orelhas e uma sandália preta.

-Vamos então- eu disse.

O lual era na praia, então chegamos la nos mesmos cinco minutos, mas não acreditávamos no que víamos. Praticamente todos os “dominadores” ou pessoas bêbadas, drogadas estavam lá. Cada vez que chegávamos mais perto da areia, bafos de pessoas bêbadas, cheiro de maconha, pessoas com suor, rodavam o lugar. A música calma virou em música com batidas muito altas e sem melodia alguma. Segurei as mãos de Packet e Stall fez o mesmo com Juliet.

-É esse o paraíso?- perguntou Packet desapontada.

-Não –disse Juliet mais desapontada ainda- Cadê a música? Cadê a tranqüilidade? Cadê Gabriel e High?

High estava bebendo cerveja e Gabriel já estava bêbado. Carmen ficava batendo em Gabriel para que ele parasse de beber, mas Gabriel já estava fora de si. Carmen veio correndo até nós, enquanto isso, Gabriel pegou uma menina morena quase da mesma altura que ele e começou a beijá-la. High, agora bêbado fez a mesma coisa. Agora não podíamos voltar para a casa. Imagine o que os pais de High falariam.

Fomos cada vez mais para frente da praia até chegarmos à areia e começamos a andar para a direita até acharmos um lugar que não tinha ninguém e sentamos.

- O que era aquilo?- disse Stall surpreso- Nunca vi nada parecido.

-Isso se chama “dominação dos dominadores”- eu disse- Minha irmã vai a lugares parecidos e não se esqueça que ela é a dominadora mais lembrada de nossa escola. Lá se foi a música tranqüila. Agora só tem essas músicas com batidas e gente bêbada.

High e Gabriel continuavam lá, bêbados como nunca vimos antes, porque nunca os vimos desta forma. Batida. Bebida. Batida. Mulheres. Batida. Beijo. Batida. Mais bebida e assim se seguiu a noite dos dois. Mas ficávamos de olho neles para ver se não se afogavam ou passavam mal. Já a minha noite e de Stall foram diferentes. Quase. Peguei Packet pelas mãos e a levei perto de uma palmeira bem alta. Segurei suas mãos e comecei a olhar em seus olhos.

-Sinto muito por tudo isso- eu disse- nunca vi meus amigos assim, principalmente Gabriel.

-Não tem problema -disse Packet- Só estou um pouco assustada por estar aqui. As pessoas da minha antiga escola eram parecidas.

-Falando nisso- aproveitei- Como era sua antiga escola?

-Era um pesadelo- disse Packet. Ela fez uma pausa- Posso confiar em você Bellks?

-Claro que sim- respondi.

-Fui expulsa da minha antiga escola- disse Packet- Eu era como essas pessoas até que teve um momento que decidi parar. Por isso meu pai estava preocupado. Eu...eu... eu quase morri um dia.

-Por quê?-perguntei preocupado com ela e querendo saber sobre sua vida.

-Porque um menino bêbado queria que eu fizesse sexo com ele forçado- disse Packet- mas eu não queria. Então ele bateu em mim e fiquei toda marcada pelos socos dele. Foi assim que sai da minha escola e vim para cá. Meus pais acharam emprego aqui e acharam que era melhor para mim.

-Nossa -eu disse surpreso- Mas não se preocupe. Eu nunca faria isso com você ou com qualquer pessoa. Você esta segura comigo, como eu me sinto seguro com você.

E foi assim. Ela chegou perto, eu também e nos beijamos. O meu primeiro beijo com Packet foi longo, demorou seis minutos sem parar. Estávamos completamente apaixonados. Até que ela parou e fez um comentário:

-Isso realmente é o paraíso-ela disse. Demos risadas e voltamos a nos beijar.

Neste exato momento, Carmen estava no mar, já que estava com biquíni de baixo de seu vestido e decidiu nadar. Stall e Juliet começaram a andar e conversaram sobre eles. O beijo também surgiu entre os dois. A noite era criança apaixonada.

Capítulo 10- O desastre

Um comentário:

FM disse...

Agora o namoro esquentou de vez..

rsrsrs

Mas pelo título do próximo capitulo, acho q a felicidade naum vai durar muito tempo.