7 de janeiro de 2009

Livro Vida Indefinida (título ainda não definido)- até capítulo 11

Para os que pediram esta aqui o livro até o cap. 11
Vida Indefinida

Inteiro

Prefácio

       Quanto vale minha vida? A resposta é simples: uma briga. Deitado, ensangüentado, no asfalto da noite escura. Pessoas correndo de um lado para o outro. Com olhos quase fechados, só conseguia ver pessoas, luzes e sangue sobre mim. Buzinas, faróis e trânsito. A noite era uma criança que não crescia. As horas, os minutos e as dores não passavam.
        Estava apenas no lugar errado na hora errada. É impressionante o que pode acontecer com pessoas boas. Uma palavra mostrava o sentimento de todos: sofrimento. "O que fazer? Já chamamos a ambulância". "Por que não chega?", eu pensei. "Pode restar pouco tempo", disse uma simpática velinha.
        Estava perdido num tempo parado, sentindo apenas o que senti com todos os preconceitos que foram jogados contra mim: sofrimento.

       
Capítulo 1- Família

        Vivo com muita dificuldade na cidade de Brokks. Além de viver numa cidade grande, tenho que sofrer a adolescência. Por que não podemos pular este período de nossas vidas? Hormônios, pressão, escolhas, populares ridículos e pais rígidos.
        Moro com meus pais num apartamento de classe média. Meu pai, Marco, já teve dias melhores. Além de problemas no trabalho, seu problema cardíaco o faz ficar limitado. Minha mãe, Eva, é professora. Ficou na cabeça dela que adolescentes da escola pública de Brokks querem estudar. A realidade era dura. Toda a semana alguém morria ou alunos viravam pais, além de que alguns eram marginais e ladrões. E para minha mãe, alunos de escola particular só querem saber de festa.
        Minha irmã, Cristina, é aquela típica adolescente: roupas, baladas e garotos. Já perdi a quantidade de vezes que a vi bêbada, com um garoto mais velho, chegando a nossa casa e meus pais chorando. Meu pai pela filha que criou. Minha mãe chorando com medo que meu pai tivesse outro infarto. “Onde erramos?” ele dizia.
        Embora rígidos e clássicos, meus pais deixam minha irmã e eu ver um filme no cinema , dormir em casa de amigos e ir a festas, mas apenas de amigos que eles aprovavam. Meu pai acha que eu tenho que fazer exército. “Macho que é macho sofre” dizia ele. “E burro que é burro também” eu pensava. Qualquer coisa que eu quero fazer para melhorar minha aparência, minha mãe acha que é coisa de homossexual. "Homem não pinta o cabelo", "Pintar o cabelo pra que?", "Pintar o cabelo é coisa de homem que quer aparecer". "E meu avô fazia o que?" eu pensava. Afinal, o cabelo é meu e faço nele o estilo que eu quiser e pinto ele da cor que eu quiser.Mas não enfrentava a minha mãe para não deixa-lá mais triste. Já bastava minha irmã
        Sinto pena de minha mãe. Minhas quatro tias fazem comentários sobre minha irmã, falando que ela não tem juízo e que era para ficar longe das primas. E minha irmã se importava? Claro que não. A vida para ela era apenas curtir. Pegar um menino ali, uma bebida aqui e depois começava o choro em casa.

        E eu? Sou normal? Existe isso? Não sei, mas sinto que sou. Gosto de sair com os amigos, ir ao cinema, ir para praia, ler, assistir televisão, e muito mais. Mas é isso que as pessoas acham normal hoje em dia? Não. Os adolescentes consideram normal o que minha irmã bêbada faz. O que eu posso fazer? Quando pequeno, meus pais passavam muito tempo no trabalho, fazendo com que eu me amadurecesse mais rápido. Afinal, eu sou o mais novo da casa, e minha irmã saia de penetra à noite, dava “Boa noite Cinderela” para as babás, que pensavam que tinham tirado uma soneca, e ia escondida para festas em universidades. E eu ficava lá, sozinho com minha televisão e livros. Hoje tenho uma mentalidade de vinte e dois anos num corpo de dezesseis, embora seja um pouco egoísta.

        Minha família não é normal. Na verdade ela tem muitos problemas e defeitos. Mas é a única que eu tenho, e a única que sempre terei.

 

Capítulo 2: Escola

O que falar sobre a vida no inferno estudantil? Simples: amigos e inimigos, nerds e populares ridículos. Na escola particular de Brokks, Yorksville School, existem pessoas ricas e pessoas com bolsas escolares. Essas pessoas com bolsas já são denominadas "nerds beta" e pobres. Todos os alunos são divididos em “alfas” e “ betas”. Se você é um “Patrício Alfa”, você é muito patrício e popular. Se você é um “Patrício Beta”, você é a pessoa que está quase “nerd”, mas ainda é popular. Isso vale também para os “nerds”. Se você é um “nerd alfa”, você esta entre ser “nerd” e patrício. Se você é “nerd beta”, você é considerado muito nerd e é exilado por todos. A vida não é fácil para um adolescente. Na escola tem jogadores de futebol e patricinhas vestidas de rosas? Sim, mas não eram só esses que eram os populares.
      Embora haja as patricinhas e os patrícios, o pior grupo era ninguém menos que os ricos, chamados de “dominadores”. Limusine, bebida, drogas e fofocas, as principais armas deste do grupo de meninas ricas e seus pares. É denominado um crime social uma menina “dominadora” namorar um “nerd alfa” e isso também era considerado para os garotos.“Nerd alfa” na escola não é aquela pessoa que fica no computador, assistindo “Star Wars V” pela milionésima vez. São as pessoas normais, como eu, o que me deixa com muita raiva e ódio. Vou ao cinema, vou a praia, vou a festas como os denominados “dominadores”. “Por que sou nerd alfa então?” me pergunto. Mas a resposta sempre está na ponta de nosso nariz: não sou milionário, nem drogado igual minha irmã, a famosa Cristina Bellks, a líder de torcida mais lembrada,e drogada, de toda a escola.
       Professores ou torturadores? Um pouco de cada. Lição de casa e trabalhos não são problema, se forem bem pensados. “Vocês têm que fazer um texto sobre a relação da II Guerra Mundial e a venda do ferro do século XVIII. Vocês têm três dias para me entregar”, disse a professora de história. “Oi?” eu pensei. Um trabalho descente sobre a II Guerra Mundial seria como ela aconteceu e como ela afetou o mundo, e não sua relação com a venda do ferro. Além desses tipos de trablahos, existem os professores “dopados”. Não porque estão bêbados, mas o efeito que causam nos alunos. A lentidão nas aulas de Química é impressionante com a professora Claire. Suas piadas com trocadilho, como “botou no fogo evaporou” e “misturou agora casou”, são algumas de suas piores piadas.
          Na escola, sua aparência influencia na escolha de seu grupo e isso é normal em todas as escolas. Eu, um pouco alto, meio loiro e meio castanho, com cabelo um pouco grande, um pouco forte e magro. Tinha todas as minhas chances de ser um "dominador", mas a maturidade me impedia, e a consciência também. Pendurar alguém no mastro da bandeira da escola ou colocar sua cabeça na privada, não era comigo. Tenho consciência pesada, e isso iria me torturar pelo resto da vida. Coitadas das meninas que não se importam com a aparência. Além de estarem no grupo de “nerd beta”, esão maltratadas pelas patricinhas e dominadoras.
        A vida na escola é basicamente sobrevivência. Se você não está no topo, você é maltratado. Se você tem professores “dopados”, você era mau trado com tortura e trabalhos. A escola é uma tortura, mas também é nela que você pode encontrar grandes amigos.

Capítulo 3 – Amigos e Inimigos

        Alguém tem alguma pergunta para este título óbvio? Amigos e inimigos, quem não tem isso na escola? Mesmo se você for um "dominador" você tem um inimigo, tendo uma possibilidade de ele ser eu.
        Carmen Stevens, uma grande amiga minha talvez a melhor amiga que já tive. Estudamos desde a 1ª série, mas quase não nos falávamos. Sabe aquela época que menino brinca só com menino e menina só com menina? Pois é. Começamos a ficar grandes amigos na 7ª série, já que ela saiu da escola de Yorksville School temporariamente e depois voltou. Grande leitora, e grande personalidade. Um pouco baixinha, morena e branca como a neve. É considerada uma “nerd alfa”.
        Stall Bruquens, grande cinéfilo. Adora clássicos de cinema, comoLaranja Mecâncica, de Stanley Kubrick. Entrou na escola ano passado, mas já viramos grandes amigos. Admira Alfred Hitchcock e quer se tornar diretor quando crescer. Gosta de ler, mas não tanto quanto de ver um bom filme. É considerado como eu um “nerd alfa”. Alto, acima do peso e ruivo.
        Gabriel Stoll, amigo mecânico. Baixo, moreno e magro. Entrou na 5ª série, mas não falava muito com ele. Gosta tanto de tecnologia que já foi chamado para desenvolver um novo tipo armazenamento de energia, sendo este assunto confidencial. É considerado um um “nerd beta”. Infelizmente é maltratado pelos garotos do último ano.

        Juliet Neft, uma atriz. Entrou na escola e foi retida por uma grande injustiça: os professores torturadores não iam com a cara dela e ficou em nossa sala. Ruiva, alta e magra. Deseja viajar pelo mundo e fazer vários filmes, principalmente nos Estados Unidos, a terra do cinema. Infelizmente em nosso país, o cinema é algo que ainda não é admirado por todos. É considerada uma “patrícia beta”.

        High Toom, amigo da paz. Não pense que ele fuma baseado só pelo apelido "amigo da paz". Altura média como eu, loiro e magro. Nossos pais são amigos de infância. Ele esta sempre feliz com a vida e adora jogar futebol, um esporte famoso de nosso páis. Como ele estuda na escola pública de Brokks, Benjamim Brokks School, e é milionário, é considerado por seus amigos um “patrício alfa”.
        Meus amigos e eu vamos ao shopping, no cinema, na praia e andamos muito de bicicleta, mas sempre somos vistos e atormentados pelos "dominadores" e populares.
        Joseph Green, a menina mais drogada e “libertadora” de toda a escola. Chefe das "dominadoras". Loira, alta, e magra (por causa de sua anorexia). Apenas não se “liberta” com os “nerds” para não perder seustatus como garota mais popular atual da escola. Já foi pega bebendo e fumando na escola, mas nunca foi punida. Seu pai é um grande patrocinador da escola, desse modo, quando Green deseja ser “libertadora”, o diretor da escola, Quinn Pubut, já fica com o sorriso na cara, sabendo que vai ganhar mais dinheiro, se vocês me entendem. Seu parceiro não podia ser mais ninguém que Vicktor Weak.
        Vicktor Weak era o chefe dos "dominadores", por isso que seu par perfeito seria a chefe das dominadoras, a “libertadora” Green. É capitão de futebol e luta livre da escola. Moreno, forte e baixinho (por causa dos anabolizantes). Vê-lo perto de Green é tão engraçado. Parece que um dos sete anões de Branca de Neve esta namorando uma modelo.
        Yelu Chuan, o chefe dos "patrícos alfa". Alto (esperto por não usar anabolizantes), forte (menos que Vicktor), com cabelo castanho meio ruivo. Sua inteligência era a mesma que a de uma lesma. Esta apenas no 1º ano por causa de suas espertas colas, a única coisa na qual é esperto. Nunca foi pego.
        A vida de meus amigos e eu na escola era quase insuportável se não estivéssemos juntos. E infelizmente, neste exato ano um de nossos amigos foi embora para um estado chamado Hokks, no interior de nosso páis, porque seus pais se mudaram. Mas volta depois das férias de inverno e vai morar com sua avó. Esse amigo era ninguém menos que Stall Bruquens.

Capítulo 4- A despedida provisória

“Acordei. Que dia é hoje?” eu pensei. Sexta era a resposta. Meus pensamentos começaram. Lembranças vinham. Filmes assistidos no cinema, conversas, idas a praia e escola. Hoje era o dia que Stall ia morar no estado de Hokks.

Levantei, tomei banho e bebi um leite como café da manhã. Eu e meus amigos íamos nos encontrar no “Café House”, um restaurante da cidade. Poltronas espalhadas por todo o restaurante para conversar e televisões passando shows de artistas famosos. Meus amigos e eu passamos muito tempo conversando neste restaurante.

- Por que ele esta demorando? Não temos muito tempo com ele- disse Juliet.

- Calma, ele vai aparecer- eu disse. Stall tinha uma qualidade que ninguém gostava: atraso. Sempre era o último a chegar aos lugares.

- Ai esta ele!- disse Gabriel.

- Desculpa gente, eu estava arrumando minhas malas. As caixas já estão no caminhão.

- Nunca mais faça isso! Temos pouco tempo juntos e você vai desperdiçar?- disse Juliet ao mesmo tempo em que batia em Stall. Lágrimas começaram a cair de seus olhos azuis. Logo em seguida, começaram a cair lágrimas dos olhos castanhos de Carmen. Meus olhos verdes e os escuros de Gabriel estavam secos. Eu não era chorão. Só chorava quando me queimava ou quando eu caia de bicicleta e fazia um machucado enorme. Já Gabriel era uma máquina. Nunca chorava.

- Nunca vou me esquecer de vocês pessoal. Como será que serei recebido na escola? Afinal, não sou rico nem bonito.

- Você que pensa!- disse Carmen.

- Espero arranjar amigos como vocês...

- Para com isso!- eu interrompi- Você vai voltar daqui quatro meses. Para com esse drama.

- Mas serão os mais longos de minha vida!- disse Stall- mas nós podemos conversar na internet.

- Claro que iremos!- disse Juliet. E começamos a conversar. Falamos de como seriam nossas vidas futuramente e de nossos sonhos, até que...

- São quatro horas- disse Stall- minha mãe me mandou ir para a casa às quatro e meia. Tenho que ir.

- Você acha que vamos deixar você ir sozinho? Claro que iremos com você dizer adeus!- disse Gabriel.

Foi a caminhada mais longa que já fizemos. As ruas pareciam cada vez maiores e os faróis só ficavam verdes, fazendo com que agente esperasse ele fechar para atravessar.

- Será que você realmente vai voltar e morar com a sua avó?- disse High.

- Sim. Ela já me disse que posso voltar quando eu quiser. Mas quero passar um tempo com meus pais. Afinal, Hokks fica a sete horas de carro daqui e não posso pagar por uma passagem de avião- disse Stall. O sinal abriu e chegamos a sua antiga casa. Embora a casa fosse grande, a pintura amarelada já estava meio gasta e os portões enferrujados.

- É a hora pessoal- disse Juliet. Mais lágrimas saíram de seus olhos e de Carmen. Abraçamos-nos em grupo.

- Filho vem! Entra no carro- disse a Sra. Bruquens. O carro deles era antigo. Vermelho, motor forte, confortável e grande. Meus amigos e eu tivemos muitas caronas da Sra. Bruquens neste carro. Stall sentou no assento de trás, junto de sua irmã. Seus pais estavam nos assentos da frente e caixas no porta-malas.

- Vejo vocês em quatro meses. Adeus pessoal.

- Adeus- disse Carmen.

- Adeus- eu disse.

- Adeus- disse High.

- Adeus- disse Gabriel.

- A...deus- disse Juliet. Rapidamente, ela se avançou em direção à Stall e lhe abraçou. Olhei atentamente e Juliet tinha colocado algo no bolso de Stall, mas ele não tinha percebido. Os dois se soltaram e Stall se foi. Como serão agora nossas vidas? Seremos os mesmos? Receio que não. Tudo mudaria. Na semana seguinte fomos ao “Café House” de novo. Juliet estava mais calada e era muito tagarela. Gabriel estava em extrema solidão. Carmen perdeu a vontade de ler e continuou sem ler por mais algumas semanas que viriam. High parou de surfar para passar mais tempo conosco. Eu estava triste. Não apenas por causa de sua partida, mas com ela impactou a amizade de todos.

-Gente- eu disse- Eu sei que ele se foi, mas não é por causa disso que ficaremos em tremenda solidão.

- Verdade- disse Gabriel- O que podemos fazer?

Todos estavam pensando profundamente e silenciosamente. E a resposta veio de Carmen:

- Vamos ver um o por do sol!

Olhamos-nos. Era a coisa que Stall mais gostava de fazer no final de uma tarde. À beira da praia, olhávamos o Sol se pôr e a Lua começava a brilhar na noite escura.

- Eu não conseguiria- disse Juliet.

- Não pense que é algo ruim- disse High- pense que estamos celebrando as lembranças de nosso amigo e as nossas.

- Tive uma idéia- disse Gabriel- me sigam.

Fomos até um prédio antigo. Era um shopping que não tinha nenhuma novidade ou loja descente há muito tempo e um cinema que só passava filme antigo.

- Todos cubram seus olhos e me dêem cinco reais- disse Gabriel.

-Por quê?- disse Juliet

- Por quê?- disse Carmen

- Apenas façam- eu disse. Os olhos das duas transmitiam um olhar de ódio.

- Ta bem- as duas disseram.

Fechamos nossos olhos e demos o dinheiro a Gabriel. Percebemos que estávamos entrando em algum lugar escuro, com um cheiro familiar e muito forte. Continuamos a andar.

Sentem- disse Gabriel- e abram os olhos.

Sabia. Era o cinema. O filme estava começando. Era nada mais, nada menos que Laranja Mecânica de Kubrick. Nos sentamos e começou o filme.

- À Stall- eu disse

- À Stall- disseram todos.

E assistimos ao filme como nunca tivéssemos vistos, como se fosse à primeira vez. Juliet estava do meu lado e não parava de mexer em suas mãos. Comecei a olhar melhor. Era um objeto dourado, em formato de coração com a foto de Stall dentro escrito: “Não se esqueça de mim”.

Neste exato momento, Stall estava na estrada, lembrando do colar que deu à Juliet um dia antes de se mudar para Hokks. Colocou a mão em seu bolso e viu que tinha um papel com a foto de Juliet, com a seguinte resposta na foto: “Nunca esquecerei”.

Capítulo 5- A Festa

        Stall estava fora e não foi fácil passar esses três meses. Juliet, embora estivesse mais feliz, estava com saudades de seu amado. Gabriel começou a fazer um novo mecanismo de fotografia espacial do governo, o qual não discute conosco. High voltou a surfar. Na verdade, mês passado foi o campeonato estadual do surf. High não ficou em primeiro lugar, mas estava feliz do resultado: segundo lugar, e ele que começou a fazer surf ano passado. Carmen voltou a ler que nem uma desesperada. Suas visitas a biblioteca começaram a ser cada vez mais freqüentes. Eu estava na minha vida normal. Minha irmã bêbada como sempre, mamãe me dando bronca por querer deixar o cabelo moicano e meu pai começou a melhorar depois do infarto. Começou a fazer mais exercícios e começou a jogar bola comigo.

 Não vou me esquecer. Era sexta-feira. Acordei, tomei meu café da manhã e fui para a escola. Peguei o ônibus e sentei do lado de Carmen.

- Você já soube?- disse Carmen.

-Não- eu disse- acabei de sentar no ônibus se você não percebeu. Mais uma vez, seus olhos começaram a transmitir um sentimento de ódio.

-Ta... Não importa- Carmen disse- a novidade é a seguinte: Baile.

- O quê?- eu perguntei.

- O baile de inverno! Vão antecipar.

- Por quê?- eu peruntei mais uma vez com um tom de desprezo desta vez

-Não sei. Parece que Joseph Green precisa tirar férias mais cedo, então seu pai...

- Já entendi- eu disse. O ônibus parou. Gabriel entrou e se sentou atrás de Carmen e eu.

- O baile de inverno será antecipado- eu disse.

- O quê?- disse Gabriel com tom de desprezo.

- Por acaso vocês odeiam bailes?

-Sim- dissemos juntos.

- Vocês são muito infantis.

O ônibus parou. Juliet entrou e sentou ao lado de Gabriel.

- Juliet...-disse Carmen.

- O baile de inverno foi antecipado, eu sei- disse Juliet com um tom de desprezo surpreendente.

               - Nossa...-disse Carmen- pensei que pelo menos você gostaria de ir ao baile.

               - Não estou muit afim- ela respondeu. Provavelmente estava com saudades de Stall- E vocês não vão?

               -Não!- dissemos Gabriel e eu.

               - O baile da escola só serve para pessoas como Joseph Green e Vicktor Weak se mostrarem para todos e tornarem-se rei e rainha do baile...- eu disse- como se eles fossem tão importantes.

               - Mas eles são!- disse Juliet, provavelmente pelo fato dela ser uma “patrícia beta”- Eles são o casal mais perfeito que essa escola já viu!

               - E problemáticos também- disse Gabriel- E agora senhoras e senhores o resultado: o rei e a rainha do baile deste ano: Branca de Neve e Zangado- Começamos a dar risada.

               Chegamos à Yorksville School com a mesma felicidade que tínhamos. Mentira. Era dia era dia de prova de Matemática e História e acabei esquecendo de estudar História e provavelmente ficarei de recuperação. Subimos as escadas e entramos na sala. O diretor, Quinn Pubut, estava na lousa ao lado de uma menina. Loira, altura média, menor que eu, bonita e magra. Nos  sentamos nos assentos da fileira do meio.

               - Classe- disse o diretor- Esta é Packet Giving. Ela mudou-se recentemente para a cidade e começará a estudar aqui. Fale um pouco de você Packet.

               O que ela falou eu não sei, mas sua voz era doce e perfeita. O jeito que falava era como se eu estivesse ouvindo a melhor cantora do mundo.

               - Espero ficar com vocês até o término do ensino médio...

               Meu Deus! O que eu estou sentindo? É como se eu tivesse que conversar com ela, fazer qualquer coisa. Meu coração começou esta batendo cada vez mais rápido e mais rápido. Não sei se é desespero ou estresse, só sei que eu me sinto...

              Poft. Desmaiei. Todos chegaram perto de mim para ver o que houve. Ainda bem que Gabriel esbarrou todo mundo para eu poder respirar. As risadas do fundo da sala só podiam ser dos “dominadores”. O diretor e a professora de história me levaram até a enfermaria pela maca. Foi tão constrangedor. Ainda bem que estou inconsciente. O que estou dizendo? Acabei de desmaiar na frente da nova aluna. Burro, burro!

               - Ele esta acordando- disse a enfermeira. Uma senhora de idade muito simpática. Baixinha, um pouco acima do peso e morena.

               - O que houve?- eu disse.

               - Parece que sua pressão subiu meu jovem- disse a enfermeira.

               - Então estou bem agora! Vou voltar para a aula- eu disse. Começei a me levantar. Não consigo ficar aqui. Eu quero ver Packet o mais rápido que possível.

               - Calma ai!- disse a professora- sua pressão tem que abaixar. Espere a próxima aula.

               - Mas é dia de prova... - eu disse.

               - Não importa!-disse a professora- você pode fazer a prova outro dia. Sua saúde é mais importante. Estou certa diretor.

               Minha visão estava meio embaçada, mas conseguia ver a reação do diretor e ela se resumia numa palavra: ódio. Era muito raro o diretor mudar as datas das provas, já que se um aluno falta, as provas são canceladas para que não haja nenhum jeito do aluno que faltou colar.

               -Claro que está!- disse o diretor com um som de desprezo- informarei os alunos imediatamente!

                -Agora relaxe meu jovem- disse a enfermeira.

               Como relaxar?. A menina mais bela e formidável que vi esta na minha sala, eu tenho que vê-la. O que é isto? Será o amor que tanto falam? Será o amor que foi perdido por pessoas como minha irmã e sua troca de garotos? Será que esta menina poderia se apaixonar por um menino como eu?

               Bateu o sinal.

               - Pode ir agora meu jovem- disse a enfermeira. Ela adora disser isso.

               - Obrigado senhora- eu disse.

               Sai da enfermaria desesperado que nem reparei que o sinal não era da aula e sim do recreio. Pessoas vinham em minha direção. Mas não irritados como eu imaginei. Mas estão alegres, principalmente os “dominadores”. A resposta era simples: ninguém estudou para a prova.

               - Parabéns Bellks!- disse um deles.

               - Valeu cara- disse Vicktor. Embora ele fosse meu inimigo, foi a primeira vez que ele não me atormentou e isso me deixou extremamente feliz.

               Avistei meus amigos. Fomos até o refeitório e pegamos nossa comida. Nos sentamos na mesa denominada pelos “dominadores” como “estrumes”. E isso porque somos “nerds beta”. Os nerds “alfa” eram os que sofriam e perdiam seu lanche para os “patrícios” e “dominadores”. Na hora do lanche, Juliet não sentava conosco. Era um crime social.

               -Cara... o que houve?- disse Gabriel.

               -O que aconteceu com você Bellks?- disse Carmen. Ninguém da escola me chamava pelo primeiro nome.

               -Não sei- eu disse- minha pressão subiu e...

               - Amor -disse Juliet- você está apaixonado pela menina nova, a tal de Packet.

               -Claro que não!- estava mentindo é claro. Ninguém fala a verdade nesses assuntos. Mas obviamente eu fiquei meio envergonhado.

               - É melhor você se apressar- disse Juliet- ela está sentada da mesa dos “patrícios beta” e esta quase se transformando numa “dominadora”. Se ela tornar-se uma, você não terá chance.

               - E o que eu vou fazer?- eu disse.

               - Sabia que você estava apaixonado por ela- disse Juliet- vai até lá e a convide para o baile. Você é um bom dançarino...

               - De valsa!- eu disse. Um estilo de dança desprezado por todos. A moda agora é tecno.

               - Mas o baile de inverno toca normalmente valsa algumas vezes, depois vai para o tecno- disse Carmen- vai lá e fala com ela.

               - Está bem! Eu vou.

               Levantei-me e fui em direção a ela. "O que vou dizer? Como convidar ela para o baile se eu nem conheço ela? Eu não posso fazer isso. Eu sou um covarde. Espera, para de andar! Por que ainda estou indo em direção à ela?"

               - Oi- eu disse- meu nome é Bellks. E o seu? Pergunta besta. Eu já sei o nome dela, é Packet Giving, ela é menor que eu, loira e magra, bonita e tem uma bela voz. Porque estou olhando para ela sem dizer nada.

               - Seja bem-vinda à nossa escola- eu disse. Idiota! Isso é típico de um nerd.

               - Obrigada- Packet disse. Ela falou comigo! Não acredito. Ela realmente falou comigo!

               - Então você gostaria de ter um personal tour pela escola?- eu perguntei. Não foi tão nerd como deveria soar. Parecia mai que ia pedia-lá em casamento.

               - Claro que sim- ela disse.

               Não deu nem para falar “ Vamos nessa”.Desmaiei. Acordei na enfermaria de novo.

               - Meu jovem... você quer ter um ataque cardíaco?- disse a enfermeira.

               Estava quase tendo. A paixão que tinha por Packet começou a ficar cada vez mais profunda.

               - Estou bem. Só preciso ir para casa.

               - Corra então- disse a enfermeira- o ônibus sairá em cinco minutos.

               Nem deixei a simpática enfermeira terminar de falar. Assim que ouvi a palavra “sairá”, já entendi que o tempo estava próximo. Não posso perder o ônibus. Tenho que me encontrar com Packet. Cheguei na sala, peguei minha mala e sai correndo. Cheguei a tempo e subi os degraus do ônibus. “Cadê ela?” eu pensei. Sentei do lado de Juliet.

               - Boa- disse Juliet- agora sua amada já foi chamada para o baile. E o pior de tudo é o par que a chamou.

               -Quem foi?- eu disse. Eu queria matar o cara que a chamou para poder convida-lá.

               -Yelu Chuan- disse Carmen- parece que ele a chamou enquanto estava na Educação Física. Pronto, era só o que me faltava. Ela deve ter se impressionado pelos músculo de Chuan, embora eu estivesse quase lá.

               -Sinto muito cara- disse Gabriel.

               - Esqueci de perguntar. Para quando que foi transferido o baile?

               - Sábado -disse Juliet.

               -Amanhã?- eu disse- preciso de uma roupa urgente...

               - Ficou com vontade de ir?- disse Carmen.

               - Sim- eu respondi- mas quem seria meu par?

               - Eu poderia- disse Juliet. Fiquei aliviado. Além de ser minha amiga, ela não se apaixonaria por mim. Ela estava apaixonada por Stall, que chegaria daqui um mês. Poderia prestar toda minha atenção em Packet.

               - Te pego as oito amanhã então?- perguntei a Juliet.

               - Você está louco?-disse Juliet- as pessoas só chegam nesses lugares as onze.

               - Esta certo então- eu disse- onze horas.

                Cheguei a minha casa e dormi. Minha mãe fica muito brava quando faço isso.Acordei e já era de noite. Fui até a sala e perguntei para minha mãe:

               - Mãe, eu vou no baile de...

               - Que maravilha!- interrompeu minha mãe com um tom de ansiedade- vamos ao shopping, vou te comprar a melhor roupa de gala que existe!

               -Não vai mesmo!- era minha irmã- você vai comprar uma coisa bem velha e muito out. Meu irmão tem que estar in.

               -Filho você decidi- minha mãe disse. Mas era óbvio que ela iria me odiar se eu escolhesse minha irmã. Porém, sabia que tinha que tomar a decisão certa. Então eu disse:

               -Cristina.

               Minha mãe começou a chorar igual a uma doida.

                – No que eu errei Meu Deus?- começou a gritar.

               -Mas você pode vir conosco- eu disse. A reação de Cristina não foi de felicidade.

               Fomos ao shopping. Entramos numa das lojas mais caras que havia.

               - Como é seu primeiro baile, eu vou deixar você gastar- minha mãe disse- afinal, sua irmã fez a mesma coisa.

               Voltamos para casa e lá estava no meu armário. Um terno preto, com um colete, sapatos e calça da mesma cor. Tinha também uma gravata borboleta branca. Estava pronto para impressionar Packet.

               Chegou sábado. Fui à academia como de costume, mas fiquei uma hora a mais para parecer mais forte. Besteira minha é claro, mas quando se está apaixonado você comete algumas besteiras... eu acho. Fui ao shopping novamente e gastei meu dinheiro num perfume muito bom.

 Jantamos e sai de casa. Antes disso minha mãe tirou uma foto minha com a roupa. eu estava mais bonito do que nunca. Arrumei o cabelo, unhas cortadas, cheiro bom. Eu estava pronto. Sai do prédio e entrei na limusine.

               “Chegou finalmente” pensei. “Onze horas”. Estava esperando na porta da frente da casa de Juliet.

-Tchau mãe- se despediu Juliet que estava belíssima. Estava num vestido preto e com um perfume com cheiro de baunilha. Entramos na limusine que meu pai deixou alugar e chegamos à escola. Todos estavam dançando valsa, então nós começamos a dançar também. Tudo estava indo bem. Packet estava com Chuan, mas não estava confortável. Chuan estava com uma aparência horrível e estava bêbado. Carmen e Gabriel foram juntos ao baile. Carmen conseguiu convencer Gabriel, mas acho que ele estava apenas sendo amigável com ela. Todos estavam olhando para Juliet e eu. Como eu disse antes: sou bom em valsa. Um som de tapa saiu no ar e todos começaram a olhar para Chuan e Packet.

-Não se atreva- disse Packet.

- Vem cá- disse Chuan- não seja tímida- Ele começou a segura-lá e a aperta-lá- Vamos dançar.

- Me solta!- disse Packet em pânico.

-Vai ajuda-lá- disse Juliet.

Quando mi dei conta, eu tinha separado Chuan de Packet, segurei Chuan e lhe dei um soco na cara.

- Eu e você Bellks- ele disse- lá fora agora.

“Estou frito” pensei. "Mas pelo menos Packet está bem. Isso deve ser amor."

Capítulo 6: A briga por Packet

- Você está bem?- perguntei a Packet.

- Obrigada por me defender- ela disse.

- Nenhum cretino deve fazer algo a uma mulher, principalmente quando esta bêbado- eu disse.

- Venha Bellks!- disse Chuan.

Retomei ao meu raciocínio.“Eu endoidei? O que eu acabei de fazer? Acabei de bater num dos meninos mais populares da escola!” eu pensava enquanto saia do salão no qual antes estava dançando valsa com minha amiga Juliet. A cara de Packet parecia assustada e ao mesmo tempo apaixonante. Ela provavelmente se apaixonou por mim. Pelo menos esta surra valerá apena.

Todos os alunos estavam saindo do salão da escola para assistir a briga. Tinha tanta gente no salão que acabou impedindo a passagem do diretor e dos professores para impedir a briga. Foi feita uma roda na qual eu estava dentro, junto de Chuan.

- Agora você me paga Bellks!- disse Chuan. Sangue estava saindo de seu nariz, agora torto.

Começou a gritaria e estávamos nos olhando um de frente para o outro. Ele veio e me deu dois socos na barriga. “Não está doendo tanto!” eu pensei. É claro que não estava. Ao fazer musculação, Chuan se esqueceu de um pequeno detalhe. O que ele queria era que seu braço fosse grande para surpreender as “dominadoras”, fazendo com que a resistência e força de seu braço fossem muito pequenas. Eu, quando decidi fazer musculação, queria força e resistência, então estava em vantagem nesta briga. Dei um soco de direita em sua cara e sangue começou a sair de sua boca.

- Vamos Chuan- disse Vicktor- ele não presta! É apenas um nerd!

Afastamos-nos, mas fui em direção a ele. Dei-lhe socos no estômago e soquei mais uma vez sua cara. Chuan estava tonto, além de bêbado. Ele veio em minha direção e tentou me dar um soco, mas errou e acabou socando Vicktor. Era minha chance. Soquei suas costas. Agora Chuan estava em dor profunda. Deitou no asfalto da rua escura.

- Isso é para você entender a respeitar uma garota, estúpido- eu disse.

- Eu não respeito garota nenhuma. Nem mesmo respeitei sua irmã quando fizemos sexo no banheiro feminino- ele disse.

Para mim bastava. Fiquei em cima dele e comecei a lhe dar vários socos na cara. Estava descontando minha raiva depois de tantos anos de humilhação. Eu não queria parar. Estava me sentindo bem, mas os professores conseguiram passar pelos alunos. Pareciam surpresos por quem estar levando a surra não ser eu.

- Para com isso agora Sr. Bellks!- disse o diretor.

Quando me dei conta, todos os alunos estavam gritando meu nome e vi a cara de Chuan. Não estava nada bonita. Perdeu dois dentes e seu nariz estava mais torto ainda. Sua boca estava toda estourada. Sua cara estava cheia de sangue. Mas o pior não era isso. Ele estava inconsciente.

-Chamem a ambulância!- disse a professora de matemática, uma mulher na meia-idade, baixinha, com cabelos grisalhos, usava óculos escuros que cobriam até suas sobrancelhas.  

Sai da roda. Não queria saber de mais nada além de ir embora. Lá estavam meus amigos, do outro lado da rua. Ao atravessar a rua, eu senti duas mãos que empurrando. Era Vicktor, provavelmente se vingando de seu estúpido amigo. Estava no meio da rua e um carro Mercedes me atropelou e bati minhas costas no vidro da frente e cai no asfalto gelado.

Quanto vale minha vida? A resposta é simples: uma briga. Deitado, ensangüentado, no asfalto da noite escura. Pessoas correndo de um lado para o outro. Com olhos quase fechados, só conseguia ver pessoas, luzes e sangue sobre mim. Buzinas, faróis e trânsito. A noite era uma criança que não crescia. As horas, os minutos e as dores não passavam.
        Estava apenas no lugar errado na hora errada. É impressionante o que pode acontecer com pessoas boas. Uma palavra mostrava o sentimento de todos: sofrimento. "O que fazer? Já chamamos a ambulância". "Por que não chega?", eu pensei. "Pode restar pouco tempo", disse uma simpática velinha.
        Estava perdido num tempo parado, sentindo apenas o que senti com todos os preconceitos que foram jogados contra mim: sofrimento. Eu acabei desmaiando.

-Estão os dois um ao lado do outro - disse uma voz doce com tristeza.

-Isso vai arranjar um conflito com as famílias- disse outra voz rouca.

-Mas é temporariamente, enquanto os pais não chegam.

- E como eles estão?-

- Bellks não ficou paraplégico graças a Deus, mas terá problemas ao andar por um bom tempo. Ficará no hospital por uma semana. Chuan terá alta depois de amanhã, para ver se não ocorreu nenhum traumatismo ou dano.

- E o Vicktor?- disse a voz rouca.

-Esta na cadeia. Foi preso por tentativa de assassinato. Parece que ele ficara um bom tempo na prisão.

-Bem feito- disse uma voz grave, com raiva e ódio.

Agora reconhecia as vozes. A voz doce era de Juliet, que estava chorando desesperadamente. A voz rouca era de Carmen que esta chorando ainda mais. A voz com ódio era de Gabriel.

-High esta vindo para cá- disse Carmen- Ele acabou de me mandar uma mensagem.

- E os pais de Bellk?- disse Juliet.

-Estão a caminho- disse High- Como ele esta?

-Ficará bem, mas terá que ficar em repouso- disse o médico. O médico era alto, moreno, forte e usava óculos. Parecia que era um dos integrantes da série E.R.

Estava numa cama de hospital. Enfermeiras estavam me levando para outro quarto, quando meus pais chegaram. Minha mãe chorava como uma desesperada. Meu pai estava com pressão alta e pediu um calmante para minha mãe. Era a primeira vez que via minha irmã preocupada comigo.

-Vamos dar morfina ao garoto para ele não sentir dor e um sonífero para ele dormir-disse o médico. Não deu nem um minuto, a enfermeira me injetou morfina e já estava sonolento. Adormeci assim que colocaram o sonífero em mim.

“É de manhã” eu pensei. A luz do Sol estava entrando pela janela. Meus pais estavam no sofá dormindo. Eles ficaram acordados a noite inteira e estavam cansados. Minha irmã estava naquele exato momento paquerando o médico, obviamente. Uma pessoa entrou no meu quarto. Era Packet, com um cartão azul em sua mão direita. Abri meus olhos.

- Oi- falei. Ela pulou de susto.

-Oi- ela respondeu- você esta com muita dor?

-Não muita- eu disse- a morfina ajuda um pouco- Ela deu uma risada leve.

- Obrigada pelo que você fez por mim. Ninguém se ousaria a fazer aquilo na minha antiga escola, nem mesmo nessa. Ninguém nunca me defendeu.

-Não foi nada de mais- respondi com uma voz calma. “Nada de mais?” eu pensei. Eu apenas briguei com um dos meninos mais populares de toda a escola, fui atropelado e estou num hospital.

-Parei de sair com os... Como é que falam na sua escola? Lembrei: “dominadores”.

-Ainda bem- eu falei.

-Por quê?- ela perguntou.

- Porque senão eu não poderia conversar com você nem ouvir sua voz. “Que babaca” pensei de mim memo. Mas deu certo. Packet ficou toda vermelha.  

- Não se preocupe- ela disse- De todas as pessoas da escola, você foi o único que me fez feliz. Todos faziam fofocas ridículas e comentários mais ainda.

E começamos a conversar. Ela adora fazer tudo o que eu fazia. Conversamos sobre livros, cinema, música, até mesmo surf! Ela tinha praticado em sua antiga cidade. Ela era perfeita.

- Depois você me leva para dançar como você dançou com sua namorada- ela falou meio embaraçosa.

-Juliet não é minha namorada- respondi- ela esta apaixonada por um amigo nosso que esta em outro estado, mas que voltará daqui um mês. Eu te apresentarei a ele.

Ela parecia feliz no momento em que disse a frase “Juliet não é minha namorada” e deu um pequeno sorriso que percebi logo de cara. Ela gostava de mim, do mesmo jeito que eu gosto dela. O celular dela começou a vibrar.

- Meu pai esta lá embaixo esperando por mim- ela disse- Eu te vejo na escola.

- Pode deixar- eu disse.

E ela se foi. Nem tinha perguntando quanto tempo havia passado desde que cheguei ao hospital. A reposta era dois dias. Tinha adormecido desde então, mas isso não me importava. A conversa que tive com Packet foi a melhor que já tive em toda minha vida.

  Capítulo 7- O domínio dos nerds

O tempo no hospital passou depressa. Minha irmã flertava com o médico, meus pais ficavam chorando de felicidade, pelo fato estar vivo. Minhas tias me visitaram, meus amigos trouxeram livros e filmes e Packet veio me visitar para ver como estava seu herói. Conversamos sobre música, filmes, livros, escola e outras coisas. Claro que metade das coisas que ela falava eu gravava e a outra metade eu só ficava prestando atenção em sua beleza e voz.

Ao chegar a minha casa, entrei no computador e conferi os meus e-mails. Tinha um de Stall, avisando que ele chegaria daqui duas semanas. “É verdade” pensei. As férias de inverno estavam chegando e eu não tinha estudado para as provas. “Ninguém merece” pensei de novo. “Sofri um acidente de carro, fiquei no hospital e ainda tenho que estudar para as provas". Estudei a noite inteira, porque vi em e-mail de Gabriel me avisando que haveria prova de História no dia seguinte.

Acordei, mas ainda era cedo, então me arrumei todo para ir à escola. Deixei meu cabelo para cima, mesmo ele sendo grande, coloquei um blazer marrom claro, uma camisa cinza, um jeans azul escuro e um sapato redondo, já que os pontudos me incomodam. Preparei um bom café da manhã, com suco de laranja e pão frito. Peguei meu material escolar e fui para escola.

No ponto do ônibus comecei a pensar: “O que será que vai acontecer na escola? Briguei com um dos meninos mais populares da escola e fiz o outro ir para a cadeia. Hoje não era o meu dia”. Mas estava enganado.

Ao entrar no ônibus todos ficavam olhando para mim em total silêncio, até os “dominadores”. Sentei ao lado de Carmen.

-Você não sabe a sorte que tem!- ela me disse com uma voz de felicidade.

-Não se preocupe... Ser atropelado por um ônibus e brigar já esta bom para mim- falei sarcasticamente.

- Por isso mesmo!- ela respondeu- Sua briga tornou você uma das pessoas mais populares da escola e a prisão de Vicktor e a briga de Chuan destruíram a reputação dos dominadores e patrícios. Agora todos os nerds estão comentando como podemos nos tornar os novos “dominadores”. E você esta lindo! Por quê não se arruma sempre assim?

Gabriel entrou no ônibus e o mesmo silêncio e olhares começaram.

- O que esta acontecendo?- ele perguntou.

-Todos estão com medo de Bellks- respondeu Carmen- Após a briga, todos os “dominadores” ficaram calados e ficaram com medo do que Bellks poderia fazer com eles.

-Me engana que eu gosto- respondeu Gabriel com uma voz de que isso era inacreditavelmente possível. Mas era e ele percebeu. Os “dominadores” e os “patrícios” olhavam para nós com muito medo e os nerds com muita afeição.

O ônibus parou e Juliet entrou correndo e sentou ao lado de Gabriel.

-Meu Deus! Sou a menina mais popular da escola finalmente!- disse Juliet baixinho e com um tom de felicidade eterna.

-Por quê?- perguntou Carmen.

-Porque eu estava no baile com Bellks e todos pensam que estamos namorando- ela respondeu, mas não num tom de apaixonada, mas num tom muito claro para mim: uso. Juliet aproveitaria qualquer chance para ser a menina mais popular de toda a escola.

-Mas isso não é verdade- respondi para ela- isso vai acabar...

-Depois conversamos- ela me interrompeu- chegamos à escola.

Tudo mudou. Estávamos sendo aclamado por todos os “nerd”s e alguns “patrícios beta”. “Os “dominadores” e os patrícios alfas” estavam reunidos num grupo menor e sem “bajuladores” por perto. As brigas contra os nerds acabaram de vez. De repente vi uma coisa linda vindo em nossa direção. Packet veio até nós.

-Está pronto para a prova?- ela perguntou com certo medo em sua voz. Ela não tinha feito nenhuma prova da nossa escola antes.

-Estou- respondi com total confiança em mim mesmo que eu não tinha.

Mas a prova foi fácil no final de tudo. Talvez pelo estudo, talvez pela confiança. As semanas na escola foram as melhores possíveis. Quando chegava à fila do almoço, todos os “dominadores” se afastavam com medo. Na educação física era um dos primeiros a ser escolhido, algo que nunca me importei. Packet tinha as mesmas aulas que eu e ficávamos trocando bilhetes sobre possibilidades de ir a praia ou ir ao cinema com todo o grupo. Os professores pararam de ser chatos e começaram a dar aulas mais divertidas e dinâmicas. Acabei me tornando algo que sempre detestei: um “dominador”. Mas isso não me importava nenhum um pouco, já que não era um "dominador" sem cérebro algum e com muita malícia em mente, ao contrário de Juliet. Ela aproveitou tudo, até o banheiro que antes era proibido pelas meninas "dominadoras" que agora era gerenciado por Carmen. A semana foi tão boa e corrida que numa janta minha mãe disse:

“Stall chega amanhã” disse minha mãe.

A espera acabou.

Capítulo 8- De volta aos amigos

-É hoje!- escrevi para Juliet. Estávamos conversando pela internet de madrugada. Não conseguia dormir e parecia que ela também não.

- Eu sei!- ela respondeu- lançou a nova bolsa da loja perto da minha casa- pensando num assunto completamente diferente.

-Não- eu escrevi- hoje é o dia que Stall volta para Brokks!

-Ah é verdade- ela respondeu com uma aparência de desânimo.

“Claro” pensei. Os dois não estavam namorando nem nada, mas gostavam um do outro e não comentaram nada sobre o colar e as mensagens com ninguém. Só eu sabia sobre os dois, mas os dois não sabiam que eu sabia sobre o segredo.

- Você sabe como ele vai chegar?É de avião ou de carro?- perguntou Juliet.

-Sim- respondi- Ele vem de avião. Os pais de Stall abriram um comércio na cidade que eles estão morando e começaram a ganhar muito dinheiro.

-Que bom!- respondeu Juliet- Mas será que ele ficará egoísta?

-Acho que não- respondi- Stall nunca faria algo de mal para uma pessoa.

-É verdade- escreveu Juliet- Bem vou dormir. É pra chegar que horas na sua casa?

-Às nove e meia- escrevi. Meu pai ia levar todo mundo para o aeroporto receber Stall- Boa noite Juliet.

-Boa noite Bellks.

As aulas iriam acabar essa semana. Fui muito bem nas provas e não fiquei de recuperação. Gabriel fez artimanhas para o governo como sempre, Juliet via seus seriados favoritos sobre fofoca e Carmen lia sem parar. A vida na escola estava mais fácil. Todos eram amigos. Acabou a divisão criada em 1990 pelos irmãos Shutters. "Dominadores" saíam com nerds e vice-versa. Packet começou a ficar cada vez mais amiga de todos, principalmente de Carmen, já que as duas adoram ler.

Deitei na minha cama, entrei nos lençóis e assisti um pouco de televisão até chegar no sono. Sonhei com meus amigos. Estávamos na praia e Stall estava sofrendo muito. Parecia que ele tinha sido atingido pelas pedras enquanto surfava. Todos tentavam chegar perto dele, mas havia um tipo de barreira que não deixava. Juliet ficou desesperada quando viu Stall desmaiando e muito sangue na água e percebemos que ele tinha...

               “Acordei” pensei e abri os olhos ao mesmo tempo. Foi um dos piores pesadelos que já tive em toda minha vida. Estava meia hora adiantado para a ida ao aeroporto. e aproveitei para fazer a mesma coisa que fiz naquele dia antes da escola: me arrumei, coloquei um jeans mais claro invés do escuro e troquei a camisa cinza por uma pólo branca e tomei um bom café da manhã. Meu pai já tinha acordado há muito tempo e estava voltando da caminhada de bicicleta. Meus amigos começaram a chegar e estavam todos prontos para sair. No carro começamos a cantar músicas de Elvis e muitas outras. Meu pai ficava muito irritado, mas minha mãe cantava junto conosco.

O aeroporto da cidade de Brokks não era muito grande, mas também não era pequeno. Entramos e esperamos quarenta minutos pelo vôo de Stall que não era nenhuma novidade, estava atrasado. Tomamos um lanche e voltamos para o portão de embarque e lá estava ele, mas estava mudado e muito. Ele estava musculoso como o ex-dominador preso Vicktor, estava com o cabelo moreno, obviamente tinha pintado e estava usando roupas de grifes: uma blazer preta, um terno e óculos escuros grandes.

-Não pode ser ele- disse Gabriel.

-Mas é- disse Juliet quase caindo. Estava mais apaixonada ainda pelo seu querido Romeu.

Ele estava chegando com sua mala em nossa direção e parecia surpreso com todos.

-Oi gente- Stall falou com uma felicidade nunca ouvida. Juliet pulou em cima dele e começou a abraçá-lo e ele a segurou e começaram a girar.

-Sentimos saudade- disse Carmen. Estava feliz de ver o amigo.

-E quem é essa?- perguntou Stall apontando para Packet.

-Esta é...esta é...- disse eu gago. Não sabia o que falar. Amiga, namorada, companheira? Seria apressado falar namorada? Nem nos beijamos. Seria errado falar amiga? Ela pensaria que é apenas uma amizade a mais, algo que eu não queria...

-Sou a namorada de Bellks- interrompeu Packet. Todos ficaram surpresos, até memso eu. “Ainda bem que meus pais estão no carro” pensei- Sou Packet Giving. Estou estudando aqui em Brokks.

-Bem, sou Stall Bruquens- disse Stall- e voltei a minha cidade e agora quero saber o que aconteceu com todos vocês.

Fomos até o carro e fomos embora. Chegando perto do "Café House", pedi a meu pai para deixar a mala de Stall na casa da avó dele e deixar agente no café e ele deixou. Começamos a conversar e Stall se deu muito bem com Packet, graças à Deus. Falamos sobre a dominação dos nerds e que a divisão tinha sido quebrada.

- E como você esta agora?- Ele me perguntou.

- Vou bem- respondi- não posso reclamar.

-Não pode reclamar mesmo -disse High- todas as pessoas da minha escola me perguntam se somos amigos e se você iria estudar em nossa escola. Fiquei um pouco mais popular, mas não como você esta. Você esta famoso em todas as escolas

-Vamos falar de outra coisa- interrompi High- e como vão seus pais?

-Ótimos -disse Stall- meu pai comprou um novo carro e uma casa nova. Minha mãe ficou famosa na vizinhança e minha irmã não imagina como temos muito dinheiro agora. Ela só tem oito anos e nem sabe que poderia pedir mais do que ganha. Ainda bem que não sou ela.

-Tenho uma novidade- disse High- Meus pais convidaram todos vocês para passarem as férias em nossa casa na Riviera de Rush!

-Que maravilha!- disse Carmen- Vamos surfar e ir aos belos luais que tem em Riviera de Rush. Aquilo é um paraíso.

- Bem todos podem ir?-perguntou High.

-Sim- disseram todos menos um: Packet.

-Não tenho certeza, mas ligarei para o meu pai agora- ela disse. Se levantou e discou o telefone de casa. O pai não estava sedendo, mas tomei coragem e pedi a Packet para me entregar o telefone. Ela disse ao pai para esperar um pouco e me passou o telefone.

-Senhor- eu disse muito nervoso- Sou o menino que sofreu o acidente de carro na escola. Eu gostaria de pedir ao senhor que deixa-se Packet a ir conosco à Riviera Rush, um pouco longe daqui. Os pais do meu amigo irão conosco e eu gostaria de compensar ela por falar comigo no hospital e não me deixar sozinho naquele lugar.

O pai de Packet sabia de toda a história. Sabia que eu tinha salvo Packet de Chuan e da tentativa de assassinato de Vicktor. Parecia que ele tinha cedido.

-Tudo bem meu jovem- disse o Sr.Giving- Mas o senhor será responsável por minha filha.

-Sim senhor- respondi-quer que eu passe o telefone a Packet?

-Sim, por favor- ele disse.

“Consegui!” pensei. Tomei coragem e consegui. Agora todos iríamos passar nossa férias na Riviera de Rush. Minha vida não poderia estar melhor. Tudo estava resolvido. “Será em Riviera que beijarei Packet” pensei e olhava aquela linda menina loira que eu admirava tanto.

Capítulo 9- Riviera de Rush

Estava tudo pronto. O carro do Sr.Toom era uma perua grande e azul escura, que dava para caber todo mundo e ainda as malas, que não eram poucas. Nós, meninos, levamos uma mala para duas semanas, mas o mesmo não poderia ser dito sobre as meninas. Packet levou uma mala de roupa e duas bolsas com maquiagem que pesavam três tijolos cada uma. Carmen levou uma mala de livros e outra de roupa. Juliet levou três malas, todas com roupa e ainda levou duas bolsas cheias de maquiagem.

Entramos no carro e a viagem começou. A Riviera de Rush era um condomínio aberto com praias e numerosos prédios que ficava á três horas de carro de Brokks. Grande parte das pessoas ricas tem casa lá e High não era exceção, mesmo estudando na escola pública de Brokks.

Na viagem não podíamos cantar porque os pais de High eram rígidos e divertidos, mas como dizia sempre o Sr.Toom “Brincadeira tem hora e lugar” e aquela não era a hora nem o lugar para cantarmos. Então fizemos a coisa mais básica que tinha para fazer: conversar.

-Finalmente poderemos ir à praia- disse Juliet.

-Mas tem uma praia em Brokks- disse Packet.

-Mas ela é muito suja- disse Carmen com uma voz de desgosto. Mas era verdade. Era rara as vezes que podíamos surfar naquela praia. Não agüentávamos o mau cheiro que vinha do esgoto ao lado e da sujeira que as pessoas deixavam na praia e eram trazidas para o mar.

-Quero ver se o “Espaço Cinema” estará aberto- disse Stall grande empolgação- lá têm nada mais nada menos que cinema de graça!

-Já estou vendo uma maratona de filmes- eu disse- mas faremos isso de noite.

-Só na noite- disse High também entusiasmado- Porque de madrugada tem os luais.

-Como são os luais de Rush?- perguntou Packet que estava ansiosa pelo fato de todos estarmos também.

-São belíssimos- eu respondi- ouvimos músicas tranqüilas no violão, dançamos e algumas vezes vemos o sol nascer, mas apenas a luz, já que o conseguimos ver na praia é o pôr do Sol.

-Parece mágico- disse Packet- E quando tem?

-Todo dia- disse High- Iremos hoje se todos estiverem de acordo.

-Claro que estamos- disse Juliet com uma voz que aquilo não era novidade- todas as pessoas importantes vão.

Chegamos à Riviera de Rush. Um portão grande e branco com duas torres nas laterais guardava o garnde condomínio. A cidade estava mais limpa do que nunca. Havia poucos carros, pelo fato de ser inverno, mas mesmo assim fazia calor.

A casa dos Toom era enorme, com dois andares. Um telhado marrom claro, a casa toda branca, uma piscina em formato oval, e havia um cachorro chamado Awwe.

-Vem cá garoto- disse High. Awwe é um labrador loiro muito divertido. Gosta de pular nas pessoas e brincar com elas. Era o melhor cachorro que eu já tinha visto.

-As meninas ficam no quarto da esquerda e os meninos ficam no quarto da direita- disse a Sra.Toom.

Os quartos ficavam no andar de cima. No andar de baixo, ficavam as salas, a cozinha e a garagem. A cozinha era toda branca. Tinha uma mesa de vidro grande que cabia mai ou menos dez pessoas, uma geladeira prateada grande e vários armários brancos. Havia uma “Sala de Visitas” com três sofás: um de dois lugares e os outros dois de três lugares e perto ficava uma lareira. Na “Sala de Estar” tinha os mesmos sofás, mas todos virados para a televisão de 60 polegadas do Sr.Toom, a qual assistiríamos muitos filmes trazidos por ninguém menos que Stall, mas isso seria à noite e nos dias chuvosos. Subimos as escadas para guardarmos nossas malas.

-Vamos à praia?- perguntou Juliet com um tom que não parecia pergunta e sim como se ela estivesse mandando.

-Vamos- disse High- Nós nos trocamos, colocamos protetor solar e nos vemos lá embaixo em dez minutos. Sem demora.

Mas houve demora. Ficamos esperando Stall, Gabriel e eu lá embaixo mais dez minutos do tempo estipulado com as pranchas em nossas mãos. Carmen foi à primeira a descer, Packet a segunda e Juliet a terceira, mas nem tinha notado Juliet. Estava prestando atenção em Packet e sua boa forma.

-Vamos então?- perguntou Gabriel.

-Vamos- eu disse.

Para chegar á praia levava cinco minutos á pé. Chegamos lá, deixamos os chinelos e fomos surfar. As ondas de Riviera de Rush eram muito boas todos os dias. Quando falo muito boas significa que são grandes e fáceis de serem pegas. Ficamos lá até o sol se pôr e foi quando percebemos que era tarde e tínhamos que ir para a casa almoçar, mas agora era quase noite.

Ao chegarmos a casa, a Sra.Toom nos deu uma pequena bronca, falando que não era para nos atrasarmos de novo, e não iríamos. Jantamos um belo espaguete e começamos a ver o jornal da noite na “Sala de Estar”, mostrando as notícias.

-Um homem foi atacado na Riviera de Rush- disse a apresentadora do jornal da noite. Grudamos nossos olhos na televisão.

-Nesta quinta-feira, um homem de vinte e dois anos foi atacado por um tubarão na praia de Riviera de Rush. A família esta preocupada, principalmente a noiva do homem. A polícia não para de investigar e procura o homem pelo mar. A única coisa que foi encontrada até agora foi o braço do homem com o anel de noivado.

-Meu Deus- disse Carmen- que horrível!

-Coitada da moça- disse Juliet, como se algo fosse possível de acontecer com Stall.

-Vamos ao lual?- perguntou High que estava bem empolgado.

-Sim vamos nos arrumar já vamos- disse Packet.

-Nós também- disse Stall.

Todos estavam chiques. Eu vestia uma pólo branca com um shorts jeans e um All-Star bege. Gabriel usava uma camisa vermelha com um short xadrez e um chinelo. Stall estava com uma pólo preta de grife, um short preto e um tênis azul escuro. Mas as meninas estavam bem mais bonitas que nós. Todas usavam vestidos: Carmen um vestido branco com flores gigantes para todos os lados e um chinelo branco. Juliet usava um vestido azul claro, um chinelo preto e acessórios todos da cor branca. Mas era Packet a mais bonita, pelo menos para mim. Ela estava com os cabelos loiros sobre os ombros. Usava um vestido vermelho, brincos de pérolas em suas orelhas e uma sandália preta.

-Vamos então- eu disse.

O lual era na praia, então chegamos la nos mesmos cinco minutos, mas não acreditávamos no que víamos. Praticamente todos os “dominadores” ou pessoas bêbadas, drogadas estavam lá. Cada vez que chegávamos mais perto da areia, bafos de pessoas bêbadas, cheiro de maconha, pessoas com suor, rodavam o lugar. A música calma virou em música com batidas muito altas e sem melodia alguma. Segurei as mãos de Packet e Stall fez o mesmo com Juliet.

-É esse o paraíso?- perguntou Packet desapontada.

-Não –disse Juliet mais desapontada ainda- Cadê a música? Cadê a tranqüilidade? Cadê Gabriel e High?

High estava bebendo cerveja e Gabriel já estava bêbado. Carmen ficava batendo em Gabriel para que ele parasse de beber, mas Gabriel já estava fora de si. Carmen veio correndo até nós, enquanto isso, Gabriel pegou uma menina morena quase da mesma altura que ele e começou a beijá-la. High, agora bêbado fez a mesma coisa. Agora não podíamos voltar para a casa. Imagine o que os pais de High falariam.

Fomos cada vez mais para frente da praia até chegarmos à areia e começamos a andar para a direita até acharmos um lugar que não tinha ninguém e sentamos.

- O que era aquilo?- disse Stall surpreso- Nunca vi nada parecido.

-Isso se chama “dominação dos dominadores”- eu disse- Minha irmã vai a lugares parecidos e não se esqueça que ela é a dominadora mais lembrada de nossa escola. Lá se foi a música tranqüila. Agora só tem essas músicas com batidas e gente bêbada.

High e Gabriel continuavam lá, bêbados como nunca vimos antes, porque nunca os vimos desta forma. Batida. Bebida. Batida. Mulheres. Batida. Beijo. Batida. Mais bebida e assim se seguiu a noite dos dois. Mas ficávamos de olho neles para ver se não se afogavam ou passavam mal. Já a minha noite e de Stall foram diferentes. Quase. Peguei Packet pelas mãos e a levei perto de uma palmeira bem alta. Segurei suas mãos e comecei a olhar em seus olhos.

-Sinto muito por tudo isso- eu disse- nunca vi meus amigos assim, principalmente Gabriel.

-Não tem problema -disse Packet- Só estou um pouco assustada por estar aqui. As pessoas da minha antiga escola eram parecidas.

-Falando nisso- aproveitei- Como era sua antiga escola?

-Era um pesadelo- disse Packet. Ela fez uma pausa- Posso confiar em você Bellks?

-Claro que sim- respondi.

-Fui expulsa da minha antiga escola- disse Packet- Eu era como essas pessoas até que teve um momento que decidi parar. Por isso meu pai estava preocupado. Eu...eu... eu quase morri um dia.

-Por quê?-perguntei preocupado com ela e querendo saber sobre sua vida.

-Porque um menino bêbado queria que eu fizesse sexo com ele forçado- disse Packet- mas eu não queria. Então ele bateu em mim e fiquei toda marcada pelos socos dele. Foi assim que sai da minha escola e vim para cá. Meus pais acharam emprego aqui e acharam que era melhor para mim.

-Nossa -eu disse surpreso- Mas não se preocupe. Eu nunca faria isso com você ou com qualquer pessoa. Você esta segura comigo, como eu me sinto seguro com você.

E foi assim. Ela chegou perto, eu também e nos beijamos. O meu primeiro beijo com Packet foi longo, demorou seis minutos sem parar. Estávamos completamente apaixonados. Até que ela parou e fez um comentário:

-Isso realmente é o paraíso-ela disse. Demos risadas e voltamos a nos beijar.

Neste exato momento, Carmen estava no mar, já que estava com biquíni de baixo de seu vestido e decidiu nadar. Stall e Juliet começaram a andar e conversaram sobre eles. O beijo também surgiu entre os dois. A noite era criança apaixonada.

            Capítulo 10- O desastre

Estávamos todos na praia e o Sol estava nascendo e foi quando percebemos: High estava correndo em nossa direção. Estávamos todos reunidos: Packet, Juliet, Carmen, Stall e eu, sentados na areia da praia conversando.

-O que foi?- perguntou Stall.

-Rápido gente!- disse High em pânico- Gabriel esta no mar, mas não parece bem!

-Não é novidade- disse Juliet- ele está bêbado.

-Mas parece que a correnteza esta puxando ele para as pedras!- disse High em desespero.

Começamos a correr em direção as pedras. “As pedras” era um local, que tinha nada mais nada menos que pedras, mas isso era no canto esquerdo da praia e bem distante da areia.

-Como ele foi para lá?- perguntou Packet.

-Ele falou para uma menina, bêbada como ele, que ele sabiasurfar- disse High- então ela emprestou a prancha de um amigo e duvidou que ele sabia surfar. O resto vocês já devem imaginar. Agora ele esta sendo puxado pela correnteza em direção “as pedras”, mas não sabe disso porque esta desorientado.

- E como você não esta?- eu perguntei curioso.

-Parei de beber a um bom tempo- disse High- Mas Gabriel bebeu a noite inteira. Não sei o que aconteceu com ele para ele ficar desse jeito.

-Nós não sabemos como vocês ficaram assim!- disse Carmencom raiva- nós não pensávamos que vocês eram capazes de ficarem bêbados e beijassem a primeira menina que aparecessem pela frente.

-Desculpa gente- disse High- acho que era o lugar. Parecia o paraíso.

- Mas não era e você sabe disso!- disse Stall.

-Parem de falar e vamos loco- disse Carmen com um voz irritada e como se estávamos enrolando.

Chegamos “as pedras”. Gabriel estava como High falou. Desorientado, em cima de uma prancha amarela e indo em direção “as pedras”. A correnteza puxava algumas vezes para esquerda e outras para o mar. Vimos quatro pranchas na areia. Não demorou muito,Stall, Juliet, High e Carmen pegaram as pranchas e foram em direção à Gabriel. Eu não poderia deixar Packet sozinha. Prometi ao pai dela. Mas tudo era possível de se ver. Eles estavam chegando perto de Gabriel, mas era tarde. Gabriel chegou “as pedras” e bateu a cabeça. Agora estava em cima da prancha. Desacordado.

-Gabriel!- berrou Carmen.

Começaram a nadar cada vez mais rápidos, mas a correnteza tinha puxado Gabriel para longe de todos. Enquanto eles voltavam,Packet e eu fomos até a delegacia.

-Policial- eu disse- meu amigo bateu a cabeça “nas pedras” e agora esta inconsciente e indo em direção ao mar. Mande alguma coisa para lá...

-Calma menino! Vamos mandar um barco e uma busca por helicóptero tá bom?-disse o policial.

Mas isso demorou duas horas. Os barcos e helicópteros estavam buscando pelo noivo da moça que apareceu no jornal da noite. Todos estavam reunidos na delegacia. Até os pais de High. Eles brigaram com High, mas não brigaram com resto de nós, pelo fato de não termos bebido. O delegado chegou e todos nos levantamos.

-Até agora não temos notícias do menino- disse o delegado- mas a busca ainda continua.

-Até quando vai durar?- disse Carmen desesperada.

-Podem durar meses ou semanas -disse o delegado- parece que a correnteza estava muito forte. Ele pode estar numa ilha ou algo assim.

-Vocês têm que achá-lo- disse Stall- Procurem em qualquer lugar!

-Estamos procurando-disse o delegado- agora só precisa ter paciência. Voltem semana que vêm.

Ficamos mais uma semana em Riviera de Rush, embora após a bebedeira, os pais de High decidiram ir embora imediatamente. Os dias foram quietos e com poucas palavras. Até mesmo entre mim e Packet eStall e Juliet. Carmen estava mais arrasada que todos. Chorava todos os dias. High foi transferido para a escola particular de Brokks. Seus pais acharam que era melhor para ele ter consciência das coisas, já que nós não bebemos nada.

Voltamos à delegacia.

-Ainda não achamos o menino-disse o delegado- mas a busca continua. Estão visitando as ilhas próximas da Riviera. É melhor vocês irem para as suas casas. Deixem seus telefonesno balcão e ligaremos se descobrirmos alguma coisa.

Agora tínhamos que contar aos pais de Gabriel a verdade. Sua mãe ficou aterrorizada. Começou a chorar muito e começou a tomar remédios desde então. O pai de Gabriel fez a mesma coisa, mas seus remédios eram mais fortes que de sua mulher. Afinal, ele era filho único do casal.

Voltamos para Brokks. A viagem ficou no mesmo silêncio que permanecia na casa.  As notícias acabaram na televisão. Pessoas e mais pessoas ligavam para minha casa e para a casa de meus amigos para saber o que houve. Não sabíamos como passaríamos o final de nossas férias, mas a verdade era dura. Gabriel poderia nunca mais voltar.

A mãe de Gabriel ligou para nossa casa. Era uma terça-feira. O tempo estava nublado. Minha mãe chorava pela perda de Gabriel e meu pai sofria pela perda, mas não chegava a chorar. Minha irmã levou seu namorado para nossa casa naquele dia. O namorado eraninguém menos que o médico dos hospital que eu fiquei no dia da briga.

- Oi Vera- disse minha mãe- Como vão as coisas?- “Precisava perguntar?” pensei.

  -Ruins- disse Vera silenciosamente e chorando- Rob e eu decidimos fazer um funeral para Gabriel.

-Mas ele pode ser achado!- disse minha mãe com esperança.

-As chances são pequenas- disse Vera- o delegado mesmo disse.

-Bem- disse minha mãe- e quando vai ser?

-Sábado- respondeu Vera- às três da tarde.

-Estaremos todos lá- disse minha mãe- Tchau Vera.

-Tchau Eliza- disse Vera.

Soube da novidades e comuniquei a todos os meus amigos. Naquele sábado daríamos nossas últimas honras à nosso amigo. Carmenestava mais arrasada que todos. Ficou dias sem sair de seu quarto e às vezes não comia. Ninguém sabia que na verdade ela era apaixonada por Gabriel.

Capítulo 11- O funeral permanente.

Chegou sábado. Vesti um blazer preto por cima do meu terno. Dessa vez deixei meu cabelo para baixo. Estava frio. O inverno finalmente chegou à Brokks. Minha mãe estava com um vestido preto e meu pai um com terno da mesma cor. Minha irmã não ia ao funeral. O médico, Steven Brakkimg, namorado dela, decidiu apresentar minha irmã para a família dele. “Coitada da família dele” pensei.

Passamos no prédio de Packet. Um prédio bem grande, bege e novo, para levá-la ao funeral. Ela estava com um vestido preto e uma bolsa da mesma cor.

Chegamos em dez minutos ao funeral e durante todo esse tempo, eu segurava a mão de Packet com força e ela também. Saímos do carro e fomos nos encontrar com todos. Carmen, Juliet, High, Stallestavam todos de preto junto de suas famílias, mas em fileiras diferentes. Representantes do governo estavam lá também.

Os pais de Gabriel começaram a desabar em lágrimas assim que o padre começou a falar. Todos nos olhávamos. Os pais de Stall eJuliet estavam na mesma fileira. High estava na última fileira, provavelmente pelos pais de Gabriel acharem que os pais de High eram os culpados de terem deixado eles irem ao lual. Carmen estava na segunda fileira com sua família.

Começaram a descer o túmulo. Vazio claro. O corpo de Gabriel não foi achado, mas a busca continuava. Os representantes do governo colocaram uma bandeira do país em cima do túmulo. Após o enterro, meus amigos e eu fomos ao “Café House”.

- Nada será como antes- disse Carmen.

- As coisas mudarão- eu disse- mas pode acontecer algo bom daqui pra frente- segurei a mão de Packet ao terminar de falar. Ela entendeu a mensagem.

-Verdade- disse Stall- afinal ainda tem uma chance de encontrarem ele.

-Temos que rezar para que o melhor aconteça- disse High com uma voz de culpado.

-Gente- disse Julie- acho que Gabriel não gostaria de ver nós aqui chorando por sua morte. Afinal, ele nunca chorava. Nós temos é que celebrar sua vida.

-Verdade- disse Carmen- Garçom!

E o garçom trouxe um copo do refrigerante preferido de cada um.

-Á Gabriel!- disse Carmen agora chorando de felicidade.

-Á Gabriel- dissemos todos e brindamos.

A volta a escola começaria daqui uma semana. Minha irmã eSteven tiveram a brilhante idéia de chamar suas famílias para virem em casa jantar. A família do médico era mais “light”, ou seja, era uma família mais tranqüila. Começamos a jantar um belo peru preparado pela minha mãe.

-Mãe- eu disse- eu gostaria de cortar o cabelo.

-Como meu filho?- perguntou minha mãe.

-Curto- eu disse. Mas sabia qual era a resposta.

-De jeito nenhum!- minha mãe disse- seu cabelo é tão bonito cumprido.

Mas era mesmo. Mas uma coisa me irritava quando meu cabelo ficava muito comprido: a franja. Toda vez que olhava para baixo e depois para cima, o cabelo vinha na minha cara e isso me irritava muito.

-Deixa o menino Eliza- disse Hila Brakkimg, a mãe de Steven- desse jeito ele aprende quais cortes dão bem pra ele ou não. Stiquinho, por exemplo, já teve vários penteados e odiou a maioria. Agora só usa curto e de vez em quando deixa crescer, mas é muito raro- terminou a Sra.Brakkimg. Achei tão engraçado e bizarro o apelido de Steven, que na hora que ela o falou dei uma pequena risada. Meu pai percebeu e me deu um olhar ameaçador.

-O que você quer ser quando crescer meu jovem?- perguntou o Sr.Brakkimg para mim.

-Bem...-falei com sinceridade- acho que quero ser um economista ou engenheiro de produção.

-Mas você acha que será feliz assim?- ele perguntou.

-São os trabalhos que estão dando mais dinheiro agora- eu disse- posso virar até bailarino se o pagamento for maior- Todos riram me imaginado como bailarino.

-Mas você tem que fazer o que te deixar feliz- disse o Sr.Brakkimg- Eu pensava que seria feliz como advogado, mas decorar aquelas leis não era comigo. Hoje tenho uma construtora e tenho muito orgulho disso.

- Vamos a sobremesa?- perguntou minha mãe.

No dia seguinte contei sobre o jantar na minha casa com a família de Steven para Packet. Essa foi a pior idéia que eu já tive em toda minha vida. Estávamos todos no “Café House”.

- Por que não fazemos o mesmo?-disse Packet- Você vai visitar minha família e depois meus pais visitam a sua. Afinal, seus pai já me conhecem.

-Mas e se eles não aprovarem minha família?- perguntei para dar uma desculpa- Eles poderiam querer que você terminasse comigo.

-Mentira- disse Packet- Meus pais vão te adorar. Eles pensam que você é um herói lembra?

-Verdade- eu disse. “Droga” eu pensei.

- Ainda bem que nossos pais já se conhecem né?- perguntouStall para Juliet.

-Mas meus pais não sabem do nosso namoro- disse Juliet- isso poderia oficializar!

-Valeu cara!- ele disse com uma voz do tipo “você acabou de me ferrar”.

Agora estava decidido. Eu conheceria o Sr e a Sra.Giving. “Minha vida não poderia estar melhor” pensei sarcasticamente. Voltaria para a escola, conheceria os pais da minha namorada e meu amigo esta desaparecido. O que mais poderia dar errado?

2 comentários:

FM disse...

Até agora o Título não parece ser muito apropriado mesmo naum....

FELIPE G2 disse...

Estou pensando em algo como amigos, ou algo do gênero...