13 de janeiro de 2009

Último capítulo do livro: Capítulo 15

Capítulo 15- Um ano se passou

               Nem acreditei que um ano se passou e ainda tão rápido, principalmente o final de ano.

               O segredo de Sky chocou a todos. Carmen o visitava no hospital quando começou a piorar e teve que ficar hospitalizado. O câncer que ele tinha era no estômago. Meus amigos e eu o visitávamos sempre quando era possível depois da escola. Carmen chorava todas as noites pensando como tudo aquilo poderia acontecer com ela. Primeiro amor desaparecido e seu segundo com câncer.

               Verdade: Gabriel ainda estava desaparecido. As buscas começaram a ficar cada vez mais sem esperanças por vários motivos, entre eles a pequena possibilidade de Gabriel estar vivo e que as tropas da polícia que buscavam por seu corpo ficavam cada vez menores.

               Nenhum de nós ficou de recuperação, graças a Deus. Mas ainda faltava um bimestre para acabar as aulas. Meu pai estava feliz, já que poderia voltar a fazer coisas que ele parou como construir armários. Minha mãe estava feliz pelo seu trabalho, que tinha lhe dado um aumento. Minha irmã não poderia estar mais feliz. Casou- se com o médico.

               O casamento foi feito em pouco tempo, mas ainda era bonito. Convidei todos os meus amigos, mas Sky não iria por estar hospitalizado e Carmen ficava com ele o tempo todo. Minha mãe chorava como uma louca. Meu pai tirava lenços e lenços do bolso do terno. Ele já estava preparado para a choradeira. Mas minha mãe não era a única a chorar. Minhas tias e a mãe do noivo choravam também. Com as lágrimas de todas as mulheres dava para encher três piscinas de parques aquáticos. Mas era a realidade. Nenhuma das minhas tias e nem mesmo minha mãe achavam possível minha irmã se casar, principalmente com um médico.

               Minha irmã estava com um vestido branco que ela mesma desenhou. O noivo, como qualquer outro, usava smoking. Era impressionante a quantidade de saliva e tempo que o padre tinha. Além de cuspir toda hora que falava, ele não parava de falar nem mesmo por um minuto.

               A festa foi na casa dos pais de Steven, agora meu cunhado. A casa era enorme. Colocaram no jardim cadeiras e mesas todas com enfeites brancos e comida. Uma pista de dança estava localizada ao redor de todas as mesas.

               Estava tocando finalmente uma música lenta.

               -Agora você vai dançar- disse Packet.

               Levantamos e fomos dançar. Dançamos lentamente de acordo com a música que estava sendo tocada.

               - Você acha que poderíamos fazer a mesma coisa? – perguntou Packet.

               -Como assim?- eu perguntei não entendendo do que ela estava falando.

               -De casarmos- disse Packet- Seria possível?

               -Acho que sim- respondi com sinceridade- se ficarmos juntos por um bom tempo, pediria sua mão a qualquer momento.

               -Sério?- disse Packet surpresa- você não seria aquele cara que nunca quer casar?

               -Não- respondi com muita certeza- eu quero me casar e ter três filhos meninos.

               -Agora você esta pegando pesado- disse Packet e começamos a rir.

               Stall e Juliet estavam juntos, mas começaram a brigar por coisas idiotas, como Stall não lembrar o dia que a tia favorita de Juliet tinha nascido, ou que Juliet tinha esquecido de ir na casa de Stall para ver um filme. Mas eles ainda se amavam.

               Todos estávamos bem. Até o telefone tocar.

               -Alô?- perguntei.

               -Bellks? É você?- disse a voz chorando de desespero. Mas não dava para ouvir direito. O local que a pessoa se localizava estava provavelmente chovendo muito e com muitas trovoadas. Quase não dava para ouvir.

               -Sou, mas quem é?- perguntei novamente o nome da pessoa.

               -É...- disse a voz em desespero.

               -Não consigo ouvir- eu disse- fale mais próximo do telefone e fale mais...

               -É o Gabriel- estou numa...

               A ligação caiu. O detector de chamadas gravou o número e fui até a delegacia de Brokks para informar a delegacia de Rush o numero que Gabriel ligou e saber se poderiam localizar o lugar. Conseguiram localizar o número do lugar, mas ao chegar ao local não havia sinal de Gabriel.

               No mesmo tempo que Gabriel mostrava que esta vivo, um amigo nosso perde a vida. Os últimos momentos de Sky foram os mais dolorosos da vida de Carmen, que não estava preparada para morte de seu amor.

               -Não me abandone- gritava Carmen.

               Os dois estavam no hospital. Sky estava deitado e começou a piorar muito. Carmen estava sentada num canto da cama.

               -Não consigo- disse Sky- a dor é muito grande.

               -Tente- gritava Carmen- não conseguirei sofrer de novo.

               - Desculpe- disse Sky- por te decepcionar.

               - Nunca- disse Carmen- você me decepcionou.

               -Então- disse Sky- por te fazer sofrer.

               Sky levantou. Os dois se beijaram pela última vez. Num momento do beijo, Sky caiu. Foi rápido, questão de segundos. Mas para Carmen foi a cena mais lenta de toda sua vida. A mãe e o pai de Sky estavam do lado do filho quando ele caiu na cama. Agora morto.

               Eu freqüentava mais um funeral no mesmo ano. Mas este era um verdadeiro, com o corpo do defunto dentro do caixão. Um defunto, um amigo. Todos esravam tristes por Sky e não nos falamos por uma semana.

               A busca por Gabriel ficou mais intensa desde o momento do telefonema. Sua mãe voltou a chorar. Não pela esperança do filho voltar, mas pelo filho ter ligado para o amigo invés da própria mãe. O pai de Gabriel ficou na casa dos pais de High em Riviera de Rush para ajudar na busca. Os pais de High, que se sentiam culpados pela perda de Gabriel, também estavam em Riviera ajudando na busca.

               Minha irmã informou a todos que estava grávida. Meu pai olhava com maus olhos para Steven por ter feito amor com sua filha, mas estava feliz com a notícia de ser avô. Minha mãe ficou feliz e triste ao mesmo tempo.

               -Minha filha- disse minha mãe- Estou muito feliz. Vou ser avó! Mas espera... tenho cara de avó? Eu pareço uma avó? Eu lembro que minha avó tinha uma pele horrível e várias rugas. Será que ficarei com rugas?

               -Calma querida- disse meu pai tentando acalmar minha mãe- nossa filha que teve um bebê muito rápido.

               -Quer dizer que a tivemos muito cedo?- perguntou minha mãe- será que perdi minha beleza do tempo que fiquei grávida?

               -Querida- disse o meu pai- se acalme. Eles tiveram um bebê muito rápido. Você não é culpada.

               -Querido- disse minha mãe com voz pensativa- poderíamos ter outro bebê?

               E a discussão sobre a possibilidade de ter um novo irmão continuou a semana inteira até chegar a decisão final.

               -Querida- disse meu pai querendo acabar com a discussão- você realmente quer outro bebê?

               -Sim – disse minha mãe- Sinto falta do calor de uma criança perto de mim. Sinto falta do sorriso de um bebê no meu colo. Eu quero ter outro bebê.

               -Então teremos outro bebê.

               E minha mãe ficou grávida.

               O último bimestre da escola estava acabando, assim como o nosso ano. Carmen quase ficou de recuperação pelas suas faltas, causadas por uma depressão de amor. Stall e Juliet decidiram dar um tempo, mas sem namorar outras pessoas. Eles só estavam dando um tempo para eles mesmos. Eu e Packet continuávamos nos amando. E o assunto chegou. Estávamos sozinhos no “Café House” de mãos dadas.

               -Lembra- disse Packet- que eu falei que iríamos conversar sobre o assunto?

               -Que assunto?- perguntei sem saber o assunto que estava por vir.

               - Fazer amor- disse Packet.

               Cuspi todo meu refrigerante.

               -Você realmente quer falar sobre isso? Não acha meio embaraçoso para você?

               -Não- disse Packet normalmente- acho normal duas pessoas falarem sobre o relacionamento.

               -Bem- eu disse sincero como sempre- eu estarei pronto quanto você estiver pronta. Afinal, você já foi...

               -Eu sei- disse Packet- mas aquilo não era amor. Isso é.

               E ela me beijou.

               -Tudo bem- eu disse- se é isso que você quer.

               -Você sabia- disse Packet- que você é o melhor namorado do mundo?

               -Não- eu disse- você que é a melhor namorada do mundo.

               E nos beijamos.

               A escola finalmente acabou. Todos, exceto Juliet, passaram direto. Juliet ficou de recuperação de educação física, mas passou de ano. A escola acabou do mesmo jeito que começou: “dominadores” de uma lado e “nerds” do outro, mas com algumas mudanças.

               Agora Imilda Shink era a rainha "dominadora". Ruiva, olhos azuis, altura média, bonita e magra. Ser magro na escola era essencial. Imilda não zombava de meus amigos e de mim. Alias, todos da escola sabiam que Imilda tinha uma queda por High, mesmo namorando o rei dos “dominadores”: Jenk Kunch.

               Kunch era o tipo de cara hollywoodiano: alto, loiro, olhos verdes, musculoso. Mas como qualquer outro adolescente musculoso e “dominador” que não estuda, Kunch era muito burro. Quase repetiu o ano.

               As férias finalmente começaram e os planos de férias já começavam a borbulhar na cabeça de meus amigos e de mim.

               -Vamos para Riviera de Rush- disse High.

               -Você que pensa que voltarei para lá tão cedo- disse Juliet- nem mesmo se me pagassem.

               -Então para onde poderíamos viajar?- perguntou High.

               -Podemos viajar para minha casa- disse Stall- meus pais estão com saudades e seria muito bom se todos meus amigos fossem comigo.

               -Mas não podemos pagar pela passagem de avião- lembrei Stall- não somos ricos como você. Somos pessoas humildes.

               -Já sei!- disse Packet- Meus pais têm um casa no campo perto daqui. Da para ir de ônibus que vai sair bem barato.

               -Como é a casa?- perguntou Juliet curiosa sobre a casa no campo dos pais de Packet.

               -A casa é muito grande e tem muito espaço. A casa tem três andares e é toda feita de madeira. Os quartos são bem espaçosos. São oito quartos, cada um cabendo quase dez pessoas e ainda sobra espaço. Tem piscina, quadra de futebol, sauna, campo de golfe, estufa, cama elástica, cachorros e não é muito longe da cidade pequena que fica perto da casa. As salas são variadas: tem a sala de leitura que esta junto da biblioteca, a sala de televisão que tem sofás e pufes espalhados e um projetor para assisitir filmes, a sala de jantar com uma mesa enorme e muito mais- terminou Packet.

               -Por quê você não mora lá?- perguntou Carmen que finalmente voltou da depressão e voltou para os amigos- parece o lugar perfeito.

               -É muito longe da cidade- disse Packet- a escola de lá é muito fraca, além do espaço que é enorme. Fico com medo de tão grande, principalmente de noite.

               -Não se preocupe- eu disse- estarei lá com você.

               -E seus pais vão sempre lá?- perguntou Juliet.

               -Na verdade não- disse Packet- estava pensando de irmos só nós.

               -Eu topo- disse Juliet

               -Eu também- disse Carmen, Stall e High.

               -Eu também- disse apoiando a idéia de todos.

               -Bem- disse Packet- vou mandar os empregados prepararem a casa.

               -Não vai ser a mesma coisa- disse Carmen- sem Gabriel e Sky.

               -Não vai- eu disse- esse ano foi muito complicado para todos nós. E agora só coisa boa tem por vir.

               -Verdade- disseram todos.

               Ficava pensando na vida. Meu amigo desaparecido, minha irmã casada, um irmão vindo para o mundo, uma namorada e conseguir passar de ano. O que mais poderia acontecer? Coisas boas acontecem na vida, mas coisas ruins também acontecem. A vida é um jogo: ganhamos e perdemos, sendo este ganho ou esta perda muito grande ou pequeno. Minha vida estava indefinida. A única coisa que eu tinha certeza era que meus amigos e eu passaríamos as férias na casa de campo dos pais de minha namorada. 

5 comentários:

FM disse...

Gostei.

Fechou com possibilidades para uma continuação.

Parabéns pela iniciativa do livro. É muito reconfortante saber q os jovens ainda se preocupam e se interessam por coisas criativas e inteligentes.

Espero pelas suas próximas obras. Acredito q ficarão cada vez melhores.

FELIPE G2 disse...

Vlew FM...
agora mudarei a história para outro gênero: terror. Mas irei esperar por mais gente no blog...

FELIPE G2 disse...

Agora haja criatividade... pensando sobre a continuação...

Anônimo disse...

Felipe, vc vai continuar escrevendo sobre a turma, né?
Preciso saber o que aconteceu com o Gabriel!
Senti muito pelo Sky, mas trouxe drama para a história, vc poderia ter desenvolvido mai esse lado da história.
Estou gostando da leitura. Parabéns!

FELIPE G2 disse...

Muito Obrigado!
Anônimo...
Mas vai ter uma continuação, só que agora de terror...