15 de fevereiro de 2009

Livro 2: Capítulo 4- Loucura

Capítulo 4- Loucura

- Rash o que tem atrás desta porta?- perguntou Packet.

-Nada que a senhora deva saber- disse Rash. A veia de sua testa começava a ficar cada vez mais visível enquanto ficava com raiva e medo de querermos passar aquela porta.

-Esta é minha casa! Eu vou passar com você na minha frente ou não- disse Packet enquanto se prepara para lutar pela passagem.

-Seu pai não quer que ninguém passe por esta porta- gritou Rash- devo obedecer.

-Não importa o que meu pai disse- gritou Packet- tem sangue espalhado por toda a casa, todos os objetos estão quebrados ou rasgados e tudo indica que este lugar é de onde está a origem de tudo. Se você não me deixar passar, meus amigos e eu seremos forçados a ti machucar.

-Muito bem- disse Rash. Agora ele parecia mais tranqüilo. Parecia que todo o perigo já tinha passado- podem entrar.

Entramos na sala. Não tinha nada, nem mesmo a continuação do sangue. Seria esta uma pista falsa? Impossível, se fosse uma pista falsa, porque Rash ficaria tão preocupado com esta sala?

A sala era um depósito. Haviam caixas e teias de aranha espalhados por todo lugar. Era o recinto mais frio da casa e o mais aterrorizante. Nas paredes tinham facas, espadas, arcos e flechas, armas de todos os tipos. Entre todas as coisas vimos nada mais nada menos que uma fechadura na parede. Mas para quê uma fechadura na parede se não têm porta?

-Felizes agora?- perguntou Rash rindo da cara de todos- acho que informarei seu pai sobre o ocorrido imediatamente. Providenciarei que todos os utensílios da casa sejam jogados fora e novos seja comprados. Se vocês me dão liçensa.

-Que palhaçada é essa?- perguntei. Nada fazia sentido. Minha mão começou a fechar. Estava com vontade de bater em agluém. Estava começando a ficar muito irritado.

-Me desculpe Sr.Belkks- disse Rash com um tom irônico em sua voz- eu não entendi.

-A casa foi invadida, alguém está perseguindo Carmen e eu, e, você realmente ficará com essa cara de quem não sabe de nada? Eu vou embora daqui imediatamente.

-Infelizmente isso não poderá ocorrer- disse Rash, ainda utilizando seu tom irônico que nos irritava cada vez mais- os ônibus só vêm para cá uma vez por semana. Os senhores terão que esperar.

-Isso é um absurdo!- gritou Stall. Acho que não era o único a estar começando a ficar com raiva. As veias de Stall começaram a ficar mais visíveis e sua voz começou a ficar irritada e grosa- vamos Juliet, chamarei um carro para pegar todos nós.

- Acho que isso não será possível- disse Rash. Seu tom de irônico começou a ficar cada vez mais agudo, como se aquilo acontecesse normalmente. Sua cara não mostra espanto nem medo- está chovendo muito e normalmente a chuva dura dois dias seguidos no verão, de dia e de noite. Os senhores terão que ficar.

-Quero falar com meu pai!- exigiu Packet- Ele com certeza fará alguma coisa sobre isso. Isso simplesmente é inadmissível.

-Acredito que os seus celulares não estão com sinal- disse Rash- o sinal daqui não é muito bom, com chuva piora ainda mais.

Estamos presos. Não conseguia ficar mais um minuto na casa. Queria ir embora. Não queria que a vida de todos nós estivesse em risco. Mas isso era o menos enlouquecedor. A pessoa falou que era minha amiga e de repente sumiu. Então o que eu vi foi um fantasma? Impossível, essas coisas não existem. Alguém invadiu a casa. Alguém conhecido e parecia querer vingança.

-Se teremos que ficar aqui- disse High. Ele ainda não entendia o que tinha acontecido. Parecia tudo um filme no qual ele estava. Mas não era um filme. Era a vida ou morte- temos que pensar num plano.

-Primeiro dormiremos todos juntos- disse Carmen. Seus olhos estavam vermelhos de tanto chorar de medo- não podemos nos arriscar.

-Muito bem- eu disse. Estava pensando num recinto seguro e que dava para todos nós ficarmos juntos. Nos quartos não dariam. Mesmo eles sendo enormes, não cabiam todos nós. Tinha que ser um lugar maior.

-Que tal a sala de cinema?- sugeriu Packet- os empregados tiram as poltronas e os pufes e conseguimos dormir lá.

-Muito bem- disse Rash. Agora se curvando para todos nós- farei o que foi pedido.

-Temos que deixar a casa menor- disse. A possibilidade de um lugar amplo só fazia a casa ser cada vez menos segura- Será proibida a ida ao segundo andar.

A noite não foi passada rapidamente. Deixamos passar o um filme antigo, mas ainda colorido só para conseguir ter luminosidade na sala. Ninguém conseguia dormir. Muito menos Carmen. Já não conseguia dormir bem por causa de Gabriel e Sky. A saudade tomava seu coração. Agora era o medo. O medo de um desconhecido.

“Quem poderia ser?” pensava. Meus amigos mais próximos: um morreu e outro está desaparecido. “Talvez seja um amigo de infância” pensei mais uma vez na nova possibilidade. Quando criança, muitos amigos meus se mudaram para outras cidades e até mesmo outros países.

Estava enrolado em meu cobertor. Meus amigos tentavam ver o filme para se distrair, mas isso não me ajudaria. Estava começando a enlouquecer. Quem era ele? O que ele queria? Por que eu? Por que Packet? Como ele entrou? Por que Rash estava tão irritado e depois ficou normal, como se nada tivesse acontecido?

-Você esta bem?- perguntou Packet. Ela estava com uma voz de preocupada. Provavelmente era por minha causa.

-Estou bem- menti. A possibilidade de deixá-la mais nervosa não agradaria ninguém. Já bastava um louco na casa.

- Eu te conheço Bel- disse Packet- você não é um bom mentiroso.

-Estou falando a verdade- menti novamente. Como ela descobriu?

-Você começou a olhar para os lados para não me encarar, seus pés não param quietos e você esta com este olhar. Você não me engana.

Não sabia que fazia isso. Quando me dei conta, meus pés estão se mexendo muito rápido e eu realmente estava começando a olhar para os outros lados.

-Não quero te preocupar- disse tentando protegê-la.

-Coitado de você- disse Packet num tom irônico- minha casa foi invadida, está cheia de sangue nos corredores e não podemos ir embora. Você realmente acha que ficarei tranqüila?

-Estou preocupado com todos- disse sinceramente- principalmente com você. Não posso deixar que algo aconteça com você. Não suportaria.

-Não se preocupe comigo. Sei me cuidar. Temos que ficar preocupados com Carmen.

E foi então quer percebi. Carmen parou de ver o filme. Agora estava enrolada no cobertor, como eu. Ela parecia perturbada. Estava de costas para todos. Virada para a parede. Este era um sinal: ela não queria falar com ninguém.

-Você poderia fazer uma coisa por mim?- perguntei para Packet. Realmente estava precisando.

-Qualquer cosa- disse Packet num tom de aceitação. Parecia que qualquer coisa que eu falasse ela aceitaria.

-Dormiria comigo?- perguntei. O tom da minha voz parecia mais covarde do que romântico.

-Você quer fazer...

 -Não!- sussurrei- apenas quero ficar do seu lado, sabendo que você esta comigo. Sabendo que estou do seu lado para protegê-la.

- Tudo bem- disse Packet.

Ela entrou no cobertor e estávamos abraçados. O calor humano que vinha de Packet transmitia a mensagem de que tudo estava bem. Queria que o meu calor passa-se a mesma sensação, mas infelizmente ele passava uma sensação de perigo e ao mesmo tempo a sensação de proteção absoluta.

           A luz começou a sair pelos pequenos buracos da janela fechada. Agora estavam terminando de ver o filme. Carmen conseguiu dormir, o que deixou todos com uma sensação de alivio. Mas isso não importava. Estava deitado do lado de meu amor. Ela já estava dormindo. O saber de que ela estava do meu lado, com a sensação de qualquer coisa que acontece fez com que eu conseguisse dormir. Mas não consegui esquecer uma coisa: estava começando a ficar paranóico.   

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