8 de março de 2009

Livro 2- Capítulo 6

Capítulo 6- O livro

Dormi novamente, mas nenhuma novidade. O mesmo sonho da morte dos meus amigos me veio várias e várias vezes e tentei aproveitar cada momento para perceber os pequenos detalhes. Vi que havia caixas brancas espalhadas por toda a sala, quase impossíveis de se ver. Havia vários espelhos que no final de todos os sonhos quebravam em cima de meus amigos mortos. Um colar em forma de triângulo e um carinho de brinquedo. Nada que pudesse identificar o vulto.

Acordei. “Droga” pensei. Teria que enfrentar meus amigos. Teria que explicar tudo para eles. Por que eu tive que ter esse sonho? Por que o vulto ou o fantasma veio falar comigo? A resposta ainda não estava certa, a única pista é que o vulto é uma pessoa conhecida. Mas quem?

Fui até a cozinha, mas ninguém estava lá. Comi meu sanduíche e bebi um suco de maracujá e foi nesse momento que vi meus amigos do lado de fora nadando na piscina. Estava com tanta inveja. Eles não estavam sofrendo. Eles estavam se divertindo, rindo, passando os melhores momentos de suas férias. Estou dentro da casa, perturbado, assustado e colocar um ponto final nisso.

“Não é justo. Só é você que sofre nessa história. Você só precisa de uma arma”.

Minha consciência ficava cada vez mais falante comigo, o que me irritava cada vez mais. Falava coisas perturbadoras e eu tendo que agüentá-las ao máximo e foi então que percebi. Carmem não estava nadando. Ela estava lendo um livro com o título Vida pós-morte em dourado estampado na capa preta do livro. Deveria estar aterrorizada que nem eu. Nada melhor do que falar de um louco para outro.

Sai da casa e estava na região da piscina. Cadeiras e guarda-sóis estavam espalhados pela região, junto com uma grama fofa e verde. Todos estavam jogando bola e quando me viram pararam.

-Bom dia- disse como se nada tivesse acontecido. Mas o meu tom de voz queria dizer completamente o contrário.

-Bom dia- todos disseram.

Nenhuma palavra a mais foi dita e eles voltaram a se divertir. Enquanto isso me sentei do lado de Carmen.

-Como você está?- ela me perguntou, já que estava dormindo e provavelmente não viu a cena. Deter ter saido da sala para dormir noutro lugar e descoberto com os outros.

-Melhor agora- respondi- vocês voltaram a dormir?

-Não- respondeu Carmen- já eram nove horas quando você teve o ataque.

- E que horas são?- perguntei curioso.

- São cinco horas- respondeu Carmen- O que aconteceu?

-Tive um pesadelo.

-E?

-Eu... Eu... Eu estava matando todos vocês- respondi- e sentia prazer por isso. Cada gota de sangue que caia de vocês era um prazer, mas ao mesmo tempo sufocante pensar em matar meus melhores amigos.

-Você... teve o mesmo sonho então?- perguntou Carmem. Despertei novamente o terror em sua cara.

-Como assim?   

- Eu tive o mesmo sonho- respondeu Carmen- Estava num lugar extremamente escuro e de repente fui para um lugar muito claro. Ele estava lá. Ele me disse que um de nós mataria todos e este alguém era você e foi assim que eu vi a cena.

- Ele não falou comigo. Apenas comecei a matar todo mundo- fiz uma pequena pausa para poder engolir minha saliva- por puro prazer. Mas isso nunca aconteceria de verdade. Você acredita em mim?

-Sim- respondeu Carmem- na verdade acho que ele pode ser um fantasma.

Comecei a rir. “Um fantasma?” pensei. Fantasmas não existem em lugar nenhum do mundo, muito menos aqui. Todos começaram a olhar para mim. Devem ter pensado que eu estava melhor, agora com sendo de humor. Mas ainda estava longe disso.

- Obrigada por sua compreensão- respondeu Carmem indignada. Ela estava começando a se levantar quando segurei seu pulso frio.

-Me desculpe- me senti constrangido. Estava rindo da única pessoa que acreditava em mim- continue.

-Então- continuou Carmem- após eu acordar peguei vários livros sobre fantasmas na biblioteca e esse descreve perfeitamente a pessoa que nos visitou- Carmem pegou seu livro e começou a ler.

“Os fantasmas são nada mais nada menos que pessoas que não morreram por completo e vagam pela Terra. Em certos lugares do mundo, existem alguns efeitos não explicados que podem acordar esses fantasmas e soltá-los de seus corpos. A aparência deles é de acordo com seus últimos momentos de vida. Sua voz, seu cabelo, sua cara, tudo pode estar mudado. Essa pessoa guarda rancor em seu coração, se ele realmente existe. As pessoas mais próximas estarão perto desse fantasma, o que deve ser a explicação do acordar, mas nada comprovado ainda. A principal função desse fantasma é perturbar a mente dessas pessoas até finalmente atingir o suicídio. Com o suicídio, o fantasma consegue seu passaporte para o Céu e esta pessoa vaga pela Terra. O fantasma aparece como um vulto, mas com o passar do tempo sua aparência começa a ser revelada. Um dos principais crimes é deixar o local do fantasma. O fantasma matará todas as pessoas que estiverem no local, até seu verdadeiro alvo voltar.”

- O que isso quer dizer?- perguntei para Carmem. Apenas conseguia decorar as coisas lendo. Quando pessoas falam para mim consigo decorar pequenas partes.

- Que estamos presos aqui até descobrir o que é essa pessoa, sendo um fantasma ou não.

- Será que os outros aceitarão?- perguntei. O desejo de cada um, inclusive o meu, era sair o mais rápido possível da casa.

- Não temos outra opção- disse Carmem- temos que ficar.

- Se morrermos- disse para Carmem- morreremos com honra.

-Pare de ser melodramático- disse Carmem e começamos a rir- Existe a possibilidade de morrermos, mas acho que isso não acontecerá. Temos que ficar juntos lembra? Se o fantasma não conseguir seu alvo ele mata outras pessoas. Estamos todos nessa.

- Que férias hem?- perguntei para Carmem- E quando diremos para todos?

- Amanhã- disse Carmem- Deixe-os aproveitar o dia.

Entramos na piscina. Nos divertimos com todo mundo, como se os sonhos não tivessem acontecido. Descemos no escorregador, fizemos algumas brincadeiras e mergulhamos. Enquanto todos estavam se divertindo, Packet segurou minha mão e me puxou para o canto da piscina.

-Você está bem?- ela perguntou colocando suas mãos em minha nuca.

-Estou- menti. Não queria deixá-la preocupada- foi apenas um pesadelo. Nada relevante. Amanhã eu te conto. Hoje temos que nos divertir.

-Senti saudades de você- falou Packet prestes a chorar.

-Estou de volta- respondi.

Abraçamos-nos e nos beijamos, mas não durou muito tempo. Depois de quatro segundos todos começaram a jogar água na gente. Era o dia de aproveitar as férias. Amanhã era o dia de encarar o destino. 

Nenhum comentário: