24 de março de 2009

Livro II- Cap 7

Capítulo 7- A discussão

               "Hoje é o dia" pensei. Estávamos na sala de cinema, ou deveríamos estar. Ainda estava de olhos fechados pensando. Estava tudo planejado. Á noite Carmen eu e falaríamos o plano de permanecer na casa. Mas comecei a me perguntar se era mesmo necessário.

            Tudo voltou ao normal. Ele não voltou o que me fez pensar em ficar até o final das férias na casa como era o planejado desde o início. A casa estava toda mobiliada novamente. Todo o sangue espalhado pelas paredes já estavam cobertos de tinta branca. Claro que quem organizou tudo foi o mordomo com os empregados. Mas nenhum sinal de vida externa vagava pela casa. 

            Packet estava se divertindo, como todos os outros. Todos estavam com sorrisos nos rostos e parecia que se esqueceram do ocorrido, como se nada tivesse acontecido. Ninguém ligou para os pais, afinal o sinal não voltou deste então e não tinha nenhum meio de comunicação, apenas a televisão, que não tinha um bom sinal, fica com ruídos e a imagem tremia, fazendo dela um objeto inútil no momento. Pelo menos era o que eu achava.

            Todos já estavam acordados e eu era o único na sala de cinema. Fui até a biblioteca, mas Carmen não estava lá. Decidi então tomar meu café da manhã. Ao chegar à cozinha todos estavam lá, exceto Packet que estava no celular, provavelmente tentando falar com seus pais.

            - Bom dia.

            -Bom dia- responderam todos.

            -Com quem Packet está falando?- perguntei, afinal não tinha sinal algum.

            -Está tentando ligar para o pai dela- disse Juliet- mas não consegue. Ela recebeu uma mensagem dele, mas ela não quer contar o que aconteceu aqui em milhares de mensagens. Ela quer falar com ele.

            -Que bom, mas pessoal preciso falar uma coisa- Carmen olhou na minha direção, pensando que falaria sobre o plano de ficar na casa- por que não ficamos na casa até o fim das férias como planejado?

            A discussão começou. Uns falavam: "Claro! Vamos aproveitar!", outros falavam: "Você está louco? Seremos mortos!". Packet entrou com um sorriso estampado na cara.

            - O que aconteceu?- perguntei para Packet. Todos pararam de discutir e olharam para ela.

            - Meus pais mandaram uma mensagem falando que tem uma grande surpresa para nós- ela fez uma pausa, podendo engolir a saliva e voltar a falar- eles falaram que uma novidade saiu na televisão, mas que como o sinal daqui continua ruim e não podemos ver, a surpresa viria esta noite para cá. Disse que "alguém esta voltando para casa". Mas não sei quem é. Pode ser algum parente famoso.

            Todos ficaram pensando. Claro que quando o pai de Packet disse "alguém está voltando para casa" deve ser realmente algum parente de Packet.

            -Quem seria?- perguntou Juliet. Foi nesse momento que percebi que os olhos dela brilhavam de tanta felicidade.

            -Na verdade duas primas minhas estavam em outros países e um primo meu morou por um tempo com uma mulher num país que não lembro o nome. Acho que seja mais provável que seja uma das minhas primas.

            -Qual o nome delas?- perguntou Carmen. Nesse momento percebi que Carmen estava com um novo livro nas mãos com um título vermelho estampado: "Portais".

            - Aposto que deve ser a Elizabeth- respondeu Carmen- mas também pode ser a Emma.

            - E como elas são?- perguntou High. Parecia que ele estava desesperado por uma menina.

            -A Elizabeth parece uma modelo. É alta, morena e extremamente magra. Ela trabalhava como médica em países pobres e era muito famosa lá. Já Emma é completamente o oposto. Ela é cheinha, loira e tem uma altura média, mais ou menos do meu tamanho, mas trabalhava como advogada noutro país e também era famosa. Acho que vocês vão gostar delas, seja qual delas vier.

               - Que bom!- eu disse entusiasmado, mas ainda sim preocupado. Não poderia trazer outra pessoa para a casa, se não a pessoa também seria perseguida. Mas não poderia arriscar o bem-estar de todos- Mas então permaneceremos na casa?

            -Sim!- falaram todos, sendo suas vozes ecoadas por toda a cozinha. Claro que Carmen estava insatisfeita com a decisão. Na verdade ela não estava nada contente.

            Enquanto todos estavam conversando fiz um sinal para ela para conversarmos em algum lugar. Comecei andar em direção a porta, mas Packet observou e perguntou:

            -Aonde é que você vai?

            -Vou apenas arrumar minha mala. Ela esta muito bagunçada.

            Depois de se passarem dois minutos, Carmen já estava na sala ao meuá lado.

            -Vamos para a biblioteca. Aqui não é seguro- disse Carmen. Parecia que ela descobriu algo novo.

            -Tudo bem- respondi. A perspectiva de uma novidade me tornou mais confiante na possibilidade de ficar na casa e tudo voltar ao normal.

            Chegamos à biblioteca e fechamos as portas.

            -Você está louco?- gritou Carmen com uma voz não muito agradável, com um tom de sermão.

            -As coisas voltaram ao normal- respondi inocentemente- talvez pudéssemos...

            -Talvez pudéssemos nada- interrompeu Carmen- as coisas apenas começaram. Acho que finalmente estou entendendo porque tudo isso está acontecendo.

            -Seriam os portais?- perguntei para Carmen que estava segurando o livro nesse exato momento.

            -Sim!- respondeu ela contente, mas com um tom paranóico- pelo menos parte disso. Nesse livro fala que os portais podem abrir e fechar em qualquer espaço ou tempo, sendo assim o contato do nosso mundo com outro.

            -Carmen- disse calmamente- um louco invadiu a casa. Pode ser qualquer pessoa da escola.

            - Não pode- respondeu ela agora com um tom de medo. Sua cara ficou mais pálida do que a nova tinta do corredor e começou a olhar para baixo.

            -Por que não?- perguntei. Afinal, como ela poderia ter tanta certeza?

            -Por que dessa vez eu não tive um sonho- ela tirou a blusa que cobria seu braço. O braço de Carmen estava com algo preto e circular, como se fosse uma pequena pinta, mas na verdade era um olho com uma listra vermelha no meio- eu tive uma visão.

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