30 de março de 2009

Livro II- Cap 8

Capítulo 8- A chegada e a desgraça

- O que aparece nessa visão?- perguntei.

-Veja você mesmo- disse Carmen.

Carmen pegou minha mão com uma força que eu nunca tinha visto antes nela e fez encostá-la na mancha com o olho. Logo eu entrei na visão dela.

            Tudo estava escuro, com algumas coisas pontudas. Mas não conseguia ver nada direito. Tudo estava embasado, como se eu tivesse miopia ou algum problema de visão.

            -Estou esperando chegar a parte para você ouvir- disse Carmen.

            Levei um susto. De repente Carmen aparece do meu lado, no meio da escuridão.

            -Onde estamos?- perguntei.

            -Não sei- respondeu Carmen, como se fosse algo que ela estava pensando por muito e muito tempo- agora você pode ouvir.

            De repente comecei a ouvir gritos e choros por todos os lados e finalmente vi duas pessoas no chão, ou algo parecido. Mas não conseguíamos ver a cara dessas pessoas, mas conseguia ouvir a voz da jovem.

            -Para!- gritava Packet- Para! Não agüento mais! Pare por favor! Eu te peço!

            - O que está acontecendo?- perguntei para Carmen. Entrei em pânico total- Não consigo ver nada.

            -Claro que não consegue. Isso é uma visão. Visões podem mudar a qualquer momento, fazendo delas possibilidades na nossa vida. Se isso realmente fosse acontecer poderíamos ver claramente. Isto é o que ocorrerá se nada for feito- respondeu Carmen- mas tenho certeza que você consegue adivinhar. Os dois estão com uma cor de pele borrada, estão se movimentando o tempo todo.

            - Quer dizer- perguntei pausadamente- que ele está...

            -Sim- interrompeu Carmen- ele está estuprando Packet.

            - Mas quem é?- perguntei para mim mesmo em voz alta- cheguei perto de Packet para salvá-la. Pela minha surpresa eu voltei para a biblioteca. Já estava de noite. Através  das largas janelas da biblioteca eu consegui ver: a lua estava amarela.

            - Isso mostra que está próximo- afirmou Carmen- o que você acabou de ver.

            -Como você sabe de tudo isso?- perguntei.

            -Olhe ao seu redor- Carmen girou - estamos numa biblioteca. Teorias e teorias estão espalhadas por esses maravilhosos livros.

            E foi quando eu percebi uma pilha enorme de livros velhos em cima de uma mesa de madeira. Deveria ser a quantidade de livros que Carmen lia enquanto eu estava dormindo.

            - A visão pode muito bem ser alterada- disse Carmen- a única coisa que você tem que fazer é proteger Packet a qualquer custo.

            - Não se preocupe- afirmei. Essa talvez tenha sido a maior promessa que eu fiz em toda a minha vida.

            - Como assim não se preocupe?- gritou Carmen- estamos numa casa, com um fantasma, tenho uma visão e uma marca para o resto da minha vida e agora você me diz para não se preocupar? Desculpe-me, mas isso não vai acontecer.

            -Não deixarei que nada aconteça com Packet, nem mesmo que isso tenha que valer minha vida.

            -Você e esse papo de morrer com honra- disse Carmen, ouvindo o mesmo discurso de sempre- pare de pensar que vamos morrer. Ninguém morre se o plano for seguido.

            -Então- disse pausadamente- isso significa que temos...

            -Sim- interrompeu Carmen- temos que contar a verdade para todos. E não pode passar de hoje.

            -Tudo bem. Não passa de hoje.

            De repente Packet abre a porta da biblioteca, gritando de felicidade.

            - Um carro acabou de entrar pelos portões. Vamos para a porta.

            Corremos para a porta. Todos estavam lá, esperando pela campainha tocar para finalmente abrirmos a porta, já que bloqueamos a porta para não abrir automaticamente. Ouvimos o carro estacionando e não conseguíamos ver quem estava chegando, já que tudo estava escuro. Mas ouvimos a campainha tocar. Liberamos a porta e a mesma abriu.

            Ele estava de cabeça abaixada, usando um largo agasalho preto, uma camisa branca, um jeans azul e um all-star preto. Duas malas marrons estavam do seu lado. Ele estava de cabeça abaixada, com um grande óculos-escuro quadrado. Ele levantou a cabeça e tirou os óculos.

            Todos ficaram de boca aperta e chocados completamente. O surgimento dessa pessoa depois de muito tempo e o pensamento de nunca mais poder vê-la sumiram no mesmo instante, causando felicidade e choque. A luz iluminou sua face.

            - Não vão me convidar para entrar?- perguntou Gabriel.

            Nesse exato momento Carmen desmaiou.     

Um comentário:

Luciano Carneiro disse...

Finalmente li. Esperando o grand finale!