11 de abril de 2009

Livro II- Cap 11

Capítulo 11- O desafio

            Sentei na cadeira como ele me pediu.

            -Gostaria de algo para beber?- ele me perguntou gentilmente e com um tom sarcástico.

            -Não obrigado- respondi estupidamente.

            -Acho melhor você beber- disse o vulto.

            Assim que ele acabou de falar, dois copos de vidro surgiram na mesa, cheios de um líquido alaranjado.

            -É suco de laranja- disse o vulto- o seu favorito.

            -Como você sabe...

            -Isso não importa- interrompeu o vulto- tenho que ser rápido. Tenho outras coisas para fazer. Nossa como está escuro aqui. As luminosidades de seus olhos não adiantam sozinhos.

            Do nada surgiram lâmpadas em volta da mesa e consegui vê-lo. Estava com usando uma capa preta grande e escura. Estava usando um capuz enorme que cobria toda sua face. Olhei suas mãos. Estavam sem carne nem nada. Era puro osso.

            -Isso é...

            -Claro que é de verdade- respondeu o vulto- mas eu posso me transformar no que eu quiser. Você é tão infantil.

            -Você é a Morte?- perguntei.

            -Não- respondei o vulto- mas eu já a vi. Conversamos muito quando eu morri.

            De repente sua mão esquelética começou a formar carne, veias, sangue e tudo do nada.

            -Então você é...

            -Sim- respondeu o vulto- sou um fantasma. Mas o que você e nossa querida amiga Carmen leram não é suficiente. Nem toda a verdade está nos livros.

            -Estão aonde então?- perguntei.

            -Você sabe. Só precisa se lembrar. Está tudo em sua memória- o vulto deu uma pequena pausa- E claro: mais livros e, lembre-se que sempre existem pistas falsas.

            - E por que você me diz isso?- perguntei. “Que cara estúpido. Ele dirá o seu próprio calcanhar de Aquiles” pensei.

            Infelizmente meu pensamento estava sendo ecoado. “Estamos na minha mente” pensei. Tudo o que eu falava era reproduzido e espalhado.

            Minha cabeça começou a sofrer várias pontadas. Cai da cadeira e fiquei de joelhos no chão, gritando de tanta dor. Era insuportável. O vulto ficou de pé. Seus dedos estavam numa formação que parecia que estava espremendo uma laranja.

            -Você é muito ingênuo Belkks- disse o vulto- Não faça isso de novo. Do contrário eu faço a parte mais fácil acontecer mais rápido.

            Ele parou, sentou de novo na cadeira e fez um gesto para fazer o mesmo. Após conseguir recuperar o fôlego me sentei. Todas as minhas veias estavam visíveis.

            -Quero te propor um desafio- disse o vulto- você tem que descobrir quem eu sou e de onde eu venho. Lembre-se que tudo está em sua memória e em mais livros. Apenas a última parte você tem que falar com Rash. Você tem vinte quatro horas.

            - O que acontece...

            -Simplesmente eu domino sua mente e mato todos de uma vez- disse o vulto- ainda estou te dando à chance de descobrir tudo. Mas você tem que descobrir sozinho. O contrário eu mato todos. Começando por Packet. Essa é a parte fácil.

            -E qual é a parte difícil?- perguntei.

            -Esperar vinte e quatro horas, é claro- respondeu o vulto.

            -E seu eu descobrir?- perguntei- O que acontece?

            -Então você poderá me impedir- disse o vulto- aqui.

            -Como assim “aqui”?- perguntei.

            -Boa tentativa Belkks, mas não vai funcionar- o vulto levantou e tudo sumiu. - esta na hora de você voltar. Sua namorada te espera.

            Sai de minha mente e voltei para o quarto. Packet estava falando as mesmas coisas que ela tinha falado no final da visão.

            -Para!- gritava Packet- Para! Não agüento mais! Pare por favor! Eu te peço!

            Conseguia controlar todos os meus sentidos e movimentos novamente. Era uma sensação maravilhosa.

            -Bellks!- gritou Packet.

            Parei no exato momento e deitei-me na cama. Estava completamente suado e Packet também.

            -Desculpa- respondi- foi a empolgação.

            E fiquei deitado do lado de Packet. Uma voz reconhecida ficava repetindo duas palavras repetidamente. Não conseguia pará-la. Afinal não era eu que a controlava. A voz repetia as duas palavras várias e várias vezes, mas eu tinha que me controlar. Foi então que eu vi o relógio do quarto dos pais de Packet na parede do quarto.

            “VINTE QUATRO HORAS!” gritou a voz na minha mente. Então as palavras sumiram de minha cabeça e logo levantei e coloquei minhas roupas. Passaria a noite inteira na biblioteca, se necessário.

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