7 de abril de 2009

Livro II- Cap 9

Capítulo 9- A volta de um amigo e de um amor silenciado

Nem demos boas-vindas à Gabriel e fomos logo socorrer Carmen, que estava desmaiada, agora na sala de estar numa bela cadeira branca.

-Gente- disse Juliet- fique um pouco mais longe. Ela precisa de ar.

-Gabriel- disse Stall- é melhor você não estar aqui quando ela acordar. Sabemos que isso é muito chocante para todos nós.

-Tudo bem- disse Gabriel- e para onde eu vou?

-Venha comigo- disse Packet- vou te levar para a sala de televisão.

-Não têm quartos?- perguntou Gabriel.

-Tudo será explicado em seu devido momento- e foi nesse momento que Packet olhou para mim- tudo.

E eles foram para a sala de televisão para deixar as malas de Gabriel e Packet aproveitou para lhe mostrar a casa.

Os olhos de Carmen começaram a abrir devagar.

            -Ele... - disse Carmen quase sem fôlego e ainda sentada na cadeira

            -Sim- disse Juliet- ele está aqui, mas não agora. Ele está fazendo um tour pela casa com Packet.

            -Mas... - disse Carmen começando a retomar o fôlego- Belkks...

            E foi quando me dei conta da visão. Não poderia deixar ninguém sozinho com Packet. Nem mesmo meus próprios amigos.

            Foi só eu começar a correr em direção à sala de televisão que os dois surgiram na sala de estar. Rindo.

            -Nossa- disse Gabriel- Nunca tinha ouvido isso.

            -O quê?- perguntei enxerido.

            -Uma piada- disse Packet- nada de mais.

            -Ela já está bem?- perguntou Gabriel com um tom de preocupado. “Quem não estaria?” pensei.

            -Gabriel?- perguntou Carmen, agora restaurando sua voz.

            -Estou aqui- disse Gabriel.

            Sem percebermos Gabriel avançou e beijou Carmen. Depois de alguns segundos Carmen virou sua face. Ela não consiga pensar direito. Afinal, como ela conseguiria voltar a amar um homem se seus sentimentos ainda pensam em outro além dele? Como ela podia amar Gabriel agora, já que quando Sky queria namorá-la não conseguia parar de pensar em seu amor perdido?

            -Vamos para explicações?- perguntou Juliet.

            Todos sentaram nas novas cadeiras e começaram a ouvir Gabriel.

            -Como posso começar... - perguntou Gabriel para si em voz alta.

            -Do começo?- disse Juliet com um tom irônico raivoso- quando você ficou perdido?

            -Tudo vem então. Do início- disse Gabriel.

            Nesse exato momento todos ficamos de olhos grudados em Gabriel para saber toda a verdade.

            -Desejam alguma coisa?- perguntou Rash.

            -Não obrigada- disse Packet ignorando completamente Rash.

            -Você é o menino novo?- perguntou Rash

            -Sim- disse Gabriel- e você seria?

            -O mordomo. Meu nome é Rash. Estou ao seu dispor. Já soube das novidades?

            -Que novidades?- perguntou Gabriel.

            -Tudo em seu devido momento- disse Carmen furiosa com Rash por quebrar todo o clima da volta de Gabriel.

            -Então Rash- disse Packet- Licença que queremos ouvir nosso amigo.

            -Sim senhorita.

            E Rash se curvou e saiu da sala.

            -E então?- perguntou Stall para Gbriel- Você não vai falar?

            Todos os olhos voltaram novamente para Gabriel.

            -Depois de bater minha cabeça nas pedras eu acordei numa reserva indígena com uma idosa costurando meu machucado. Fiquei uns tempos por lá, até que alguém finalmente ia fazer “a passagem”.

            -E o quê seria “a passagem”?- perguntei para Gabriel e logo vi que todos os olhares estavam voltados para mim, mas agora não tão gentis.

            - Quando um jovem da tribo se “transforma” num homem, ele tem que ir até a cidade mais próxima e esse é o único momento que os indígenas vão até a cidade- disse Gabriel- Mas continuando. A cidade era pequena e acabei arranjando um trabalho num bar. O dono meu um quarto e comida, como salário. Em troca eu limpava o banheiro, contava, recebia e desempacotava as entregas, fazia a faxina, ou seja, limpava tudo. Até que depois de dois meses começou a me dar dinheiro suficiente para pagar o aluguel, a comida e qualquer outra coisa.

            -E por que não pediu o dinheiro logo de uma vez?- perguntei e de novo os olhares maliciosos voltaram para minha direção.

            -Porque eu precisava de comida e se eu pedisse dinheiro eu não conseguiria pagar tudo – disse Gabriel- Desse modo, depois de um mês de salário eu consegui pagar tudo e sobrou um mísero dinheiro, que só dava para fazer algo que estava desesperado para realizar: uma ligação e a passagem do ônibus, já que o único orelhão ficava na cidade mais próxima. E foi assim...

            -Que você ligou para mim- interrompi Gabriel.

            -Isso mesmo, mas como você sabe a ligação caiu. A chuva estava muito forte. Desse modo, eu só poderia voltar depois de um mês e assim foi. Liguei para os meus pais, mas não atendiam. Tive que esperar mais um mês até finalmente pensar em ligar para a delegacia de Riviera de Rush. Eles atenderam e falei onde eu estava. Descobri que estava noutro país noutro continente.

            -Onde você estava?- perguntou Carmen.

            -Austrália- respondeu Gabriel.

            -Como?- perguntaram todos ao mesmo tempo.

            -Eu não sei- respondeu Gabriel- a única coisa que me lembro é de acordar na reserva.

            -Nossa- disse High- você estava do outro lado do mundo!

            -Eu sei- disse Gabriel- Depois de mais umas semanas a polícia chegou junto com meus pais. Primeiro eles me abraçaram e depois começaram a me bater. Quando eles chegaram, câmeras, luzes, flashes surgiram de todos os lugares. Nisso, meus pais e eu começamos a fazer um tour pela Oceania e parte da Ásia. Já que tudo era pago pelas redes de televisão aproveitamos para fazer uma viagem. Não sei quanto tempo passou, mas quando cheguei descobri que vocês estavam aqui e decidi vir para cá.

            -Tudo bem- disse Juliet- Mas por que você não procurou a polícia em primeiro lugar?

            -Porque eu queria ligar para um de vocês, mas quando não me atenderam eu percebi que podia ligar para a delegacia de Riviera de Rush.

            -E não tinha delegacia na cidade que ficava o bar?- perguntou Packet.

            -Não- respondeu Gabriel- a delegacia mais próxima ficava no final do estado e eu estava na outra ponta. Demoraria muito tempo para receber uma resposta.

            -E como você sabia o telefone da delegacia?- perguntou High.

            - Assim que cheguei à Riviera de Rush eu vi a delegacia e vi seu telefone bem grande na parede e acabei lembrando- explicou Gabriel.

            - Você sabe que sua história não tem muito sentido, não sabe?- perguntei sem vergonha alguma.

            - Eu sei- disse Gabriel- mas é a verdade, pelo menos isso é o que eu lembro. A batida nas pedras me fez esquecer algumas coisas.

            -Tipo o quê?- perguntou Stall curioso.

            -Como eu vou saber? Eu não lembro- disse Gabriel.

            Começamos a dar gargalhadas e risos que se expandiram por toda a sala.

            - Agora que tudo foi explicado- disse Gabriel que começou a ir em direção de Carmen.

            -Calma- disse Juliet empurrando Gabriel de volta à sua cadeira- agora é a nossa vez de te falar as novidades.

            E falamos de tudo que aconteceu: dos problemas na escola, sobre Sky e principalmente da noite que vimos o vulto, pelo menos eu e Carmen.

            Gabriel ficou confuso, triste e meio estranho. Talvez o fato de saber que Carmen saiu com Sky e que esse morreu o fez pensar no beijo que em Carmen. “Não foi uma boa idéia” pensei.

            -E esse vulto?- perguntou Gabriel- ele voltou?

            -Só veio uma noite- disse Carmen- e não voltou desde então.

            -Então está tudo bem- disse Gabriel.

            -Não! Não está tudo bem- Carmen se levantou irritada.

            -Você não vai...

            -Vou- Carmen me interrompeu- a verdade tem que ser dita e está é a melhor hora.

            -Como assim?-todos ficaram assustados.

            - Esse vulto é um fantasma- disse Carmen.

            Logo percebi que algumas risadas feitas por Stall, Juliet e High foram seguradas.

            -E, pelo que dizem nos livros, os fantasmas não descansam até que matem as pessoas próximas a eles. Concluindo: uma das pessoas nessa sala é o principal de tudo, mas todos estão juntos nessa.

            -Como assim?- perguntou Juliet agora ficando assustada.

            -É simples: enquanto o fantasma não consegue matar a pessoa que o fez acordar ele mata as pessoas que estão no local, ou seja, todos que estão nesta casa ou que botaram os pés depois do fantasma acordar.

            - Quer dizer que também estou nessa?- perguntou Gabriel.

            -Se soubéssemos que você ia nos visitar nós teríamos te avisado- disse Carmen- mas também teve outro problema- disse Carmen.

            - Quer dizer- disse Packet furiosa- que se fosse uma das minhas primas tudo bem, não precisava avisar, afinal elas não são importantes.

            -Para sua informação eu não pude avisar porque estava alertando Belkks... - começou

            - Não faça isso- avancei em Carmen, mas foi tarde, ela mostrou a marca

            -... E esse outro problema é respeito á você também.

            -E a mim!- gritei. Toda a sala ficou em tota silêncio- eu direi o que você viu.

            -Como assim, você o que é isso?- perguntou High e começando a rir.

            - É a marca de uma visão. Se você quer que eu te prove disse Carmen que começou a seguir na direção de High.

            -Não!- segurei Carmen- Já acho ruim você saber disso, ninguém mais saberá! Isso é a respeito à Packet e eu.

            -Então diga!- disse Packet- Você e Carmen se distanciaram de nós! Nós comentamos isso toda a vez que vocês ficam sozinhos.

            - A janta está na mesa- disse Rash, surgindo na sala de estar.

            Todos foram em silêncio em direção à cozinha. Nisso, fiquei do lado de Packet e sussurrei:

            - Te explico tudo depois. Encontre-me em algum quarto.

            -Nos encontramos no quarto dos meus pais- sussurrou Packet- ninguém se atreverá a entrar lá.

            Jantamos em total silêncio. A casa estava dividida: Juliet, Stall e Packet de um lado e Carmen e eu do outro. High e Gabriel estavam indecisos. Packet acabou de jantar e subiu. Esperei quinze minutos. Coloquei meu prato e subi as escadas para ir a nossa reunião.

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