1 de maio de 2009

LIVRO II- Cap 14

Capítulo 14- A última pista

 - Que bom te ver- disse Packet que começou a andar em direção à Elizinsk.

-Não encoste em mim- disse Elizinsk.

-O que está acontecendo?- perguntou Gabriel- Não estou entendo nada.

-Elizinsk era um amigo nosso de infância- disse Carmen- mas ele acabou...

-Morrendo- interrompeu Elizinsk- morri num terrível acidente com um caminhão.

- Mas é claro!- eu disse- As caixas brancas espalhadas por toda a sala, os espelhos que quebravam, o colar em forma de triângulo e o carinho de brinquedo. Tudo agora faz sentido.

-Sim- disse Elizinsk- Tudo que estava naquela sala tinha algum significado com meus últimos momentos nesse mundo.

- O que aconteceu?- perguntou High.

-Ele... - Carmen começou a dizer.

- Por que estragar a diversão Carmen?- disse Elizinsk se aproximando de nós- se eu posso mostrar?

E todo o porão ficou claro. Quando percebemos, estávamos quase no final de uma rua sem saída, num formato triangular. A pequena-Carmen, o pequeno-Elizinsk e o pequeno-Bellks estavam jogando bola na rua deserta, como faziam sempre.

- O motivo de tudo- disse Elizinsk.

De repente estávamos próximos das crianças e conseguíamos ouvir toda a conversa.

- Vai Bellks!- gritou Elizinsk- chute com a maior força que você puder!

A bola estava parada. Elizinsk estava no gol imaginário. O pequeno-Bellks chutou a bola com toda a força que podia. A bola foi tão forte que acabou no final da rua sem-saída. O problema é que no final da rua ficava a casa da Sra. Visteins, uma moça de idade que todos da rua tinham medo, menos claro, Elizinsk e Carmen.

-Vá buscar bola agora- disse Elizinsk.

-Não vou!- gritou o pequeno-Bellks- a Sra. Visteins vai querer me transformar num delicioso biscoito e depois vai me comer!

-Você realmente acredita nisso?- perguntou a pequena Carmen.

-Tudo bem então- disse Elizinsk reclamando- eu pego a bola. Para de ser criança Bellks! Você tem que crescer!

E essas foram as últimas palavras de Elizinsk. A pequena-Carmen e o pequeno-Bellks estavam sentados na calçada esperando o pequeno- Elizinsk pegar a bola. Foi então que apareceu. Um caminhão estava vindo em alta velocidade. O caminhoneiro estava o mais bêbado possível e o caminhão não fica em linha reta de jeito nenhum. O caminhão passou pela pequena-Carmen e pelo pequeno-Bellks sem reduzir a velocidade.

- E agora o clímax!- gritou Elizinsk empolgado.

- Elizinsk cuidado!- gritou a pequena-Carmen e o pequeno-Bellks, mas era tarde de mais.

O pequeno Elizinsk estava agachado com as mãos na bola. O caminhoneiro tentou frear, mas mesmo assim a roda da direita atropelou o pequeno-Elizinsk, esmagando-o completamente. Para melhorar a situação, a porta do container do caminhão estava aberta e várias caixas caíram em cima do pequeno- Elizinsk e pela rua. O pior é que algumas caixas estavam abertas e todos os vidros que estavam dentro delas caíram nele, deixando seu corpo cada vez mais deformado. O caminhão ainda destruiu a cerca da Sra. Visteins e quase entrou na casa dela.

A mãe de Elizinsk saiu pela porta de sua casa em direção ao filho esmagado. Ela nem conseguia chegar perto dele de tão traumatizada que estava. De repente todos os vizinhos saíram de suas casas.

-O que aconteceu com sua mãe?- perguntou High.

-Se matou é claro- disse Elizinsk com um tom de remorso- ficou tão traumatizada com minha morte que não conseguia admitir o que aconteceu. Ela pegou uma corda e se suicidou. Meu pai ficou inconformado e se matou também, mas queria uma morte rápida. Ele estava num parque de diversões. Ele estava na fila da montanha-russa. O carinho dava duas voltas e, assim que completou a primeira volta meu pai empurrou todos da fila, bateu no responsável pelo brinquedo e se deitou sobre o trilho. Bem... Usem a imaginação.

    Tudo ficou claro e estávamos no porão novamente. Rash estava do lado da fechadura na parede. Packet estava numa caixa de vidro de três metros.

-Agora- disse Elizinsk- Rash, eu gostaria que você desse para o nosso herói a última pista.

Do bolso esquerdo Rash tirou uma chave torta prateada e me entregou. Parecia que ela já tinha sido usada várias vezes pela sua deformação, mas ela ainda brilhava como se estivesse novinha.

- O que vai acontecer?- perguntei olhando para a chave.

- É verdade!- disse Elizinsk- como pude me esquecer! Que falta de educação. Esqueci a última parte. O portal.

-O o que tem ele?- perguntou Carmen.

-Você sabia disso?- perguntou Gabriel.

-Acho que está evidente não? Lembra quando...

-Cala a boca!- gritou Elizinsk- como vocês falam. Eu posso terminar de falar ou será que vocês me interromperão de novo.

E Elizinsk levantou sua mão e a dor que ele fez comigo na noite com Packet se repetiu com todos que ficaram de joelhos, gritando de dor.

-Posso falar?- gritou Elizinsk raivoso.

- Sim- gritaram todos.

E Elizinsk parou. Como já tinha passado por aquilo foi fácil de voltar ao normal, Gabriel e High ainda estavam de joelhos com muita dor.

- Diz logo!- disse Stall.

-Você quer...

-Não!- gritei- diga logo. Pare de torturá-los se o culpado de tudo isso sou eu.

- Nossa que clichê Bellks- disse Elizinsk- sempre o defensor da pátria. Mas muito bem, não irei torturar seu amigo.

Uma pequena pausa foi dada até todos estarem em pé.

- O portal que está atrás dessa parede é nada mais nada menos do que todas as suas lembranças e memórias, sejam elas boas ou ruins. Assim que você colocar essa chave na fechadura e abrir o portal, poderei levar minha bela priminha para lá.

- E por que você faz isso com ela?- perguntei.

- Isso quem respondi é o Rash- disse Elizinsk.

Olhei para Rash com a menor paciência que tinha. Packet estava em pânico batendo na caixa de vidro, mas ela não quebrava de jeito nenhum.

- E então?- perguntei para Rash- Por quê?

- O senhor está namorando a Srta. Packet certo?- perguntou Rash.

-Sim.

-Pois bem- disse Rash- todos os homens que futuramente se casarão com as mulheres da família de Packet têm que passar por um desafio, que é passar pelas suas próprias mentes. Assim que eles acabam o desafio, tudo volta ao normal, exceto dessa vez.

- Por que exceto dessa vez?- perguntou Juliet.

-Porque dessa vez o mundo acabará- disse Rash- daqui dois anos uma guerra atômica surgirá. Vários lugares ficarão destruídos e será impossível de viver no planeta. Quando perceberem o que fizeram, todos os presidentes vivos farão um acordo para construir uma bomba forte o suficiente para destruir toda a Terra.

-E o que acontecerá de diferente?- perguntei.

- O senhor só saberá no final do desafio.

Olhei para a chave. Ficava pensando em todas as informações que me foram ditas. Não conseguia acreditar em nenhuma palavra que vinha da boca deles, mas era  verdade.

- E se eu não aceitar o desafio?- perguntei.

- Mato todos agora- disse Elizinsk- você não entendeu? Você terá que me matar de novo, mas dessa vez no meu mundo, ou melhor, na sua mente.

Andei para perto da fechadura. Olhei para Elizinsk.

-E apenas eu posso abrir esse portal?- perguntei.

-Sim- disse Elizinsk- eu fui o escolhido para sair dele. Apenas uma lembrança, a mais forte de todas, pode sair pelo portal e apenas uma vez. Agora se você não se encomodar eu quero voltar para casa.

Levantei minha mão e coloquei a chave na fechadura. Fechei minha mão em sua cauda. Mas fiquei parado. Estátua total.

-Não consigo.

- Por que não?- perguntou Juliet- vamos morrer se fosse não o fizer!

-Não consigo!- gritei- Não conseguirei enfrentar minhas próprias lembranças. E que diferença faz? Morreremos de qualquer jeito.

-Nossa Bellks- disse Elizinsk- como você é egoísta. Só pensa que você vai sofrer. Bem, deixa eu te ajudar a decidir.

A caixa de vidro desapareceu e Elizinsk estava abraçando Packet com toda a força e em sua mão direita estava uma faca. Ele rapidamente levantou sua mão e colocou perto da garganta de Packet.

-Se você não abrir o portal eu mato Packet agora!- gritou Elizinsk.

-Bellks abre! Por favor! Abre! Está doendo!- gritou Packet.

-Está bem!- gritei.

Virei a chave. A parede começou a tremer e todos saíram de perto dela. Todos os tijolos começaram a cair e um grande portão de ferro estava na frente do portal. O portal mostrava uma grande cidade deserta.

-Bem se vocês me dão licença eu preciso ir- disse Elizinsk.

Ele saiu correndo em direção ao portal e entrou com Packet agarrada em seu braço direito.

-NÃO!- gritei de tanta raiva- DESGRAÇADO!

Fiquei de joelhos e comecei a chorar. Todos ficaram ao meu redor.

-Vamos Bellks- disse Juliet com calma- temos que salvar Packet.

Mas não conseguia parar de chorar. Chorava de raiva, de angústia, de fúria. Comecei a perceber que não seria tão difícil de matá-lo.

-Vamos Bellks- disse High- não podemos voltar. Temos que seguir em frente.

- Mas como? Ele pegou minha namorada e está noutro mundo que ele domina! Serei inútil.

-Não se eu puder evitar- disse uma voz vinda do portal.

E foi quando Carmen teve outro desmaio. Essas férias eram as mais confusas de todas as nossas vidas, e ele ajudou a ficar ainda mais confusa. E ele estava de pé na minha frente. O loiro, alto, de olhos verdes também voltou do mundo dos mortos, mas voltou para me ajudar.

- Eu te ajudo- disse Sky.

2 comentários:

Mirella Santos disse...

por que dois finais para o cap. 14?

FELIPE G2 disse...

Desculpe. é isso que dar viajar com pressa...