3 de maio de 2009

LIVRO II- VIDA DO OUTRO LADO- COMPLETO

Vida do outro lado

Prefácio

A luz tinha acabado. Todos estavam separados pela casa no campo. Stall estava tomando banho. High estava na cozinha preparando um lanche. Juliet estava no banheiro se maquiando. Carmen na biblioteca lendo um livro. Packet estava no quarto arrumando o armário. Então quem era a pessoa que estava na minha frente? Eu estava no corredor do segundo andar quando a luz acabou. Podia-se ouvir a respiração ofegante da pessoa, como se ela estivesse do meu lado.

-Quem é você?- perguntei ao vulto na minha frente.

Nenhuma resposta. Em troca a pessoa se virou e começou a correr em minha direção. Esta pessoa estava chorando. Parecia estar em desespero. Eu estava perto da porta do quarto dos meninos. Não tinha nenhuma arma na minha mão. Comecei a correr para o quarto. Mas era tarde de mais. A pessoa colocou suas mãos em meus ombros.O medo subiu pela minha cabeça. Agora a única coisa que podia sentir é que a respiração desta pessoa estava do meu lado direito. Parecia que sua boca ia sussurar alguma coisa em meu ouvido. 

Capítulo 1- A viagem

No fim do ano meus amigos e eu combinamos de ir à casa de campo dos pais de minha namorada.

Carmen Stevens é uma grande amiga minha. Estudamos juntos desde a 1ª série na escola de Brokks. Camen era um pouco baixinha, morena e tinha uma pele branca como a neve. Era considerada agora uma “Patrícia Beta”. Ela tinha passado por muitas dificuldades ano passado. Nosso amigo Gabriel está desaparecido até agora e Carmen amava ele. Depois surgiu um menino na escola chamado Sky. Eles se apaixonaram, mas não durou muito tempo. Sky tinha câncer e morreu depois de uns meses.

Stall Bruquens é meu amigo cinéfilo. Adora clássicos do cinema, como os filmes do diretor Stanley Kubrick. Entrou na escola ano retrasado e ficamos amigos. Ele é alto e agora ficou forte. É ruivo naturalmente, mas começou a pintar o cabelo de moreno. Seus pais se mudaram de Brokks e começaram a ganhar muito dinheiro. Ele se apaixonou por uma amiga nossa: Juliet Neft. Ele é considerado um “Patrício Beta”.

Juliet Neft queria ser atriz. Entrou na escola e repetiu de ano, se juntando a minha turma. Ela é ruiva, alta para uma menina, só que um pouco menor que eu e magra. Quando Stall se mudou de Brokks por um tempo chorava muitos dias. Quando ele voltou começaram a namorar. Agora estão dando um tempo. Ela é considerada uma “Patrícia Beta”.

Gabriel Stoll era meu amigo mecânico. Ele é baixo, tem o cabelo moreno e é magro. Ele gostava tanto de tecnologia que fazia serviços para o governo. Em Riviera de Rush, Gabriel ficou bêbado e bateu a cabeça, sendo levado pelo mar. Um telefonema que ele fez para mim trazia a notícia que ele estava vivo, mas ainda não foi achado. Não voltou à escola desde então.

High Toom é o amigo mais tranqüilo que tenho. Tem uma altura média como eu, tem cabelo loiro e é magro. Nossos pais são amigos de infância. Ele mudou para nossa escola depois de ficar bêbado em Riviera de Rush e seus pais descobrirem. É considerado um “Patrício Beta”.

Packet Giving, minha namorada. Entrou na escola e desmaiei duas vezes, briguei e fui hospitalizado por causa dela. Conheci seus pais que são pessoas muito legais. Ela é loira, tem uma altura média, mas é menor que eu, bonita e magra. Começamos nosso namoro em Riviera de Rush. Ela se mudou para Brokks porque foi expulsa da outra escola. Ela era uma "dominadora" e um menino queria fazer amor com ela forçando-a. Ela recusou e o menino bateu nela. Nunca levou um tapa meu ou de alguém desde então.

Sky Yinz. Se mudou para Brokks e começou a estudar na mesma escola que meus amigos e eu. Sky era alto, loiro, tinha olhos verdes e era forte. Ficamos amigos e Carmen se apaixonou por ele, mas como já comentei ele tinha câncer no estômago e acabou morrendo.

Minha irmã, Cristina, era uma famosa “dominadora”, mas depois de conhecer o médico do hospital que fiquei, acabou voltando ao normal. Ela se casou com o médico, Steven, e estavam esperando um bebê. Minha mãe entrou em desespero quando minha irmã contou que estava grávida e decidiu ter outro bebê. As duas estavam grávidas.

E eu? Bem meu sobrenome é Belkks e todos me chamam pelo meu sobrenome. Sou uma pessoa normal,se isso realmente existe. Saiu com meus amigos, gosto de cinema, ler livros, surfar e fazer coisas que classifico como "normais". Tenho consciência de uma pessoa de vinte e dois anos num corpo de dezesseis pela falta de família. Quando pequeno, meus pais contratavam uma empregada para ficar com minha irmã e eu e saiam para jantar. Minha irmã dava um “Boa noite Cinderela” para as babás, que ficava espalhado pela comida das coitadas e elas acabavam adormecendo. Minha irmã saia de casa e acabava me deixando sozinho. Eu tenho altura média, sou loiro e vamos dizer assim “forte”.

Quando as férias começaram, meus amigos e eu decidimos viajar para a casa de campo de minha namorada. Não ficava muito longe da nossa cidade, Brokks, mas também não era muito perto. Demora duas horas para chegar de carro. Mas todos compraram passagens de ônibus, já que nenhum adulto iria nos acompanhar.

-Você não fará sua mala?- perguntei para Packet. Estávamos na casa dela um dia antes da viagem.

-Claro que não- disse Packet- tenho um quarto meu lá com todas as minhas roupas.

-Bem- falei pausadamente- pelo menos não teremos que fazer sua mala. Demoraria muito tempo.

-Mas levarei minhas bolsas, claro!- afirmou Packet- não consigo viver sem elas.

Durante as férias, Packet criou o infeliz hábito de comprar bolsas sem parar. As bolsas custavam muito caro, mas mesmo assim ela comprava.

-Querida- eu disse uma vez numa loja- com essa bolsa da para você ajudar um país do terceiro mundo! Olha o preço!

-Não se preocupe- disse Packet- Ajudarei as pessoas do terceiro mundo e mais uma coisa: é Prada.

Isso começou a me irritar. Você não tem idéia. O pior é que eu tinha que ir atrás se quisesse passar tempo com ela.

-Esta bolsa combina com meu vestido?- ela me perguntou. Era uma bolsa dourada e pequena. Também não era nenhuma novidade que era cara.

Sempre que uma mulher faz este tipo de pergunta você tem que falar rápido e com total certeza. Desse modo ela compra a bolsa e não fica enrolando na loja.

-Sim...- falei com som duvidoso e lento. "Burro", pensei.

-Acho que não- disse Packet acreditando que a bolsa não era bonita pelo meu tom de voz- me deixa ver as outras bolsas- ela disse para a assistente da loja.

Acabei me ferrando. Não segui minha própria teoria sobre Packet e sua demora de escolher bolsas estava me irritando. Mas eu não era o único. Carmen também ficava com raiva. Mas Juliet ficava também enrolando para comprar uma bolsa.

“É hoje” eu pensei assim que acordei. Minha mala já estava pronta. Nela tinha várias roupas, sendo elas de tempos frios até os mais quentes. Claro que também coloquei meu terno, caso os pais de Packet fossem à casa de campo. Minha mãe ficou emociadapelo fato de meus amigos e eu ficarmos lá durante três semanas e seu filho ficar longe de casa. Deveria ser os hormônios da gravidez. Desde que ela e minha irmã ficaram grávidas, as duas se emocionavam rapidamente, do mesmo cheito que podiam ficar com raiva rapidamente.

Sai de casa e fui para a casa de High que era a mais próxima da estação de ônibus. Todos iriam se reunir lá. Packet já estava lá esperando por todos. Claro que Carmen e Juliet demoraram um bom tempo para chegar, mas foi Stall que chegou por último, para variar. Ele tinha este chato hábito de chegar sempre atrasado que irritava todos.

-As malas de todos estão no ônibus?- perguntou Packet com um tom de impaciência.

-Só falta a mala de Stall- respondi- mas ainda faltam outras pessoas chegarem.

-Já cuidei disso- disse Packet- meu pai comprou todos os assentos para irmos apenas nós no ônibus para a cidade de Vregen.

-A cidade fica perto da casa do campo?- perguntou Juliet, maravilhada com a idéia de termos um ônibus particular.

-Sim- disse Packet- Quando chegarmos à cidade, um motorista pegará agente de carro e nos levará até a casa de campo. Isso deve demorar uns dez minutos.

-Já coloquei minha mala- disse Stall cansado. Correu para chegar a tempo.

-Bem- disse High empolgado- O que estamos esperando? Vamos logo para nossas férias!

Entramos no ônibus. Nem preciso comentar que o cheiro era esquisito e os assentos eram desconfortáveis. Mas como estavam apenas meus amigos e eu no ônibus, ficamos de pé o tempo todo, tentado ficar em pé, o que não era fácil. Claro que chegou uma hora que sentamos para descansar. O motorista colocou um filme muito chato, o qual nem prestamos atenção.

-Senhoras e senhores- disse o motorista pelo microfone. O som saia pelas caixas de som. O som era horrível. Era muito baixo.- podem sair do ônibus. Chegamos em Vregen.

Não preciso comentar porque não é nenhuma novidade né? Vregen era uma cidade pequena em tamanho e em população. Afinal, era longe da grande metrópole e não tinha nada de interessante. Não haviam muitas lojas espalhadas pela rua. Juliet entrou em ataque de pânico.

-Não se preocupe- disse Packet tentando acalmar Juliet- a maioria das lojas ficam dentro do supermercado, porque é o lugar que é mais visitado por todos da cidade. Vamos! O carro esta logo ali.

Não era um carro pequeno, longe disso. Era um lançamento. Era uma perua grande e prateada. Todos nós cabíamos fácil, com as malas e ainda sobrava espaço. Colocamos nossas malas no carro e entramos. Claro que sentei do lado de Packet.

           Demorou dez minutos para chegarmos. Não havia trânsito. O terreno da casa era guardado por uma cerca feita de pedra e um portão feito de madeira com um pequeno telhado em cima. No portão tinha uma placa: “Os Giving”.

Capítulo 2- A casa

-Meus Deus!- disseram todos, menos Packet.

-Que foi?

- Esta casa é perfeita!- disse Carmen- é enorme!

A casa era exatamente como Packet falou: A casa tinha tem três andares e era toda feita de madeira.

Quando começamos a subir uma ladeira de pedras para chegar á casa, percebemos as outras coisas que Packet falou da casa: piscinas de vários tamanhos, campo de futebol de salão e de campo, campo de volêi,  umas sete camas elásticas e seus quatro cachorros, as estufas, que estavam lotadas de frutas de vários tipos e uma casinha média que provavelmente deveria ser a sauna.

O carro finalmente parou na entrada da casa que era maior do que parecia. Era uma porta feita de vidro que abria automaticamente para a sala de estar. A sala de estar era toda branca com cadeiras e mesas de madeira. Nela tinha uma bela mesa gigante toda feita de mármore.

-Por aqui gente- disse Packet, notando que todos estavam prestes a babar pela sua casa.

Entramos na sala de televisão. Claro que era muito mais do que uma simples sala de televisão. Era praticamente uma sala de cinema. Tinha uma tela enorme, um projetor, poltronas e até mesmo máquinas de refrigerante e pipoca. Tinha também pufes de vários tipos e cores se não houvesse mais lugar na sala para sentar. Os pufes quase não eram usados.

-Posso dormir aqui?- disse Stall largando sua mala e quase beijando o chão da sala. Era o seu paraíso.

-Não- disse Packet- os quartos são no segundo andar. Até lá nós fazemos um tour pela casa.

Entramos na sala de leitura, o que foi uma péssima idéia. Era maior que a sala de estar e tinha várias prateleiras de livros e mais livros, todos em ordem alfabética.

-Gente- disse Carmen pausadamente- continuem o tour que ficarei aqui.

-Nada disso- disse Juliet pegando a mão de Carmen- todos têm que estar junto! Vem logo!

Entramos na sala de troféus. Não ficamos surpresos com nada lá, mas a sala era cheia de troféus de Packet e de seus pais. Tinha até livros com todas as fotos dos torneios que eles ganharam.

-Vamos subir então para os quartos?- perguntou Packet.

Subimos a escada em espiral e vimos um corredor o qual era possível duas pessoas ficaram lado a lado.

-Este é o quarto dos meninos- disse Packet- podem entrar.

Entramos e as meninas também para matar a curiosidade. Parecia um suíte do hotel mais caro que existia. O quarto era enorme cabendo dez pessoas lá sobrava até espaço. O quarto era todo pintado de azul com várias luminárias pelas paredes e no teto. Tinha um canto com uma luz mais forte e uma poltrona que deveria ser o lugar para ler. Haviam 4 armários gigantes, podendo ser dividido por quatro pessoas. As camas eram confortáveis e grandes. Tinha uma televisão no quarto também e uma pequena geladeira, caso quiséssemos alguma bebida.

-Querida- disse para Packet- por que você não nos falou desse lugar antes?

-Não sei- ela respondeu- vocês queriam tanto ir para Riviera de Rush que acabei nem falando. Meninas o nosso quarto é o quarto da frente.

Ninguém tinha notado que os quartos ficavam um de frente para o outro. Stall, High e eu deixamos nossas malas e fomos para o quarto das meninas. Era pintado de amarelo e tinha os mesmos objetos que nosso quarto, mas tinha uma coisa a mais que nós meninos não importaríamos de ter. Era uma escrivaninha com um espelho enorme e várias maquiagens. Juliet teve um surto.

-Meu Deus!- ela gritava e gritava- Meus Deus! Meu Deus! Meu...Deus!

-Para de falar isso Ju- disse Stall- você nem acredita em Deus!

-Agora acredito- disse Juliet- Meu Deus! Meu Deus!

-Então- disse um homem surgindo da porta. Ele usava um smoking preto. Provavelmente era o mordomo da casa- vocês gostariam de comer alguma coisa?

-Sim- disse Packet- estamos famintos. Rash prepare um belo almoço para nós lá fora. Quero mostrar para eles “a vista”.

-Sim senhorita- disse Rash- vocês gostariam de alguma coisa agora?

Ninguém ouviu. Todos estavam adorando a casa de Packet. Rash então saiu do quarto e mandou os funcionários fazer o almoço.  

- “A vista”?- perguntei para Packet.

-É uma surpresa.

Todos nos divertimos. Fomos na piscina, na sauna, jogamos vôlei, e muito mais. Até chegar o carrinho. Rash estava dentro dele.

-Vamos para o almoço?- perguntou Rash.

-Sim- disse Packet- todos entrem no carro.

Subimos um morro e descobrimos o que era “a vista”. Atrás do morro ficava um lindo lago. O lago era limpo e tinha uma casa perto dele. Era uma casinha pequena e modesta, mas perto estavam vários barcos que pertenciam à Packet. Ao redor do lago tinham várias árvores e pinheiros.

-Vamos comer aqui- disse Packet.

E foi quando percebemos. Saímos do carro e entramos numa casa sem parede, apenas com colunas para segurarem o teto em formato de triângulo e cortinas de uma coluna para outra. Embaixo do telhado tinha uma mesa branca com cadeiras da mesma cor. A mesa estava com um banquete grandioso e saboroso.

Nosso fim de semana foi praticamente assim, até chegar aquela noite. Cada um estava num canto da casa. Estava chovendo muito e nada melhor poderia acontecer do que ficarmos na escuridão numa casa enorme.

Capítulo 3- O dia que acabou a luz

 A luz tinha acabado. Todos estavam separados pela casa no campo dos pais de minha namorada, Packet Giving. Stall estava tomando banho. High estava na cozinha preparando um lanche. Juliet estava no banheiro se maquiando. Carmen na biblioteca lendo um livro. Packet estava no quarto arrumando o armário. Então quem era a pessoa que estava na minha frente? Eu estava no corredor do segundo andar quando a luz acabou. Podia-se ouvir a respiração ofegante da pessoa, como se ela estivesse do meu lado.

-Quem é você?- perguntei ao vulto na minha frente.

Nenhuma resposta. Em troca a pessoa se virou e começou a correr em minha direção. Esta pessoa estava chorando. Parecia estar em desespero. Eu estava perto da porta do quarto dos meninos. Não tinha nenhuma arma na minha mão. Comecei a correr para o quarto. Mas era tarde de mais. A pessoa colocou suas mãos em meus ombros.

-Estou aqui- disse uma voz num sussurro aterrorizante e tenebroso.

-Quem é você?- perguntei novamente e agora empurrando a pessoa para longe de mim.

-Nossa- disse uma voz grossa com um tom de surpresa- é assim que você da boas-vindas a um amigo?

Uma porta abriu e o vulto foi embora.

-Bellks- disse uma voz feminina- cadê você?

-Packet?

-Sim. A luz acabou e não enxergo nada.

-Alguém estava aqui- disse ainda aterrorizado.

-Quem?- perguntou Packet começando a ficar aterrorizada.

-Não sei, mas de repente sumiu.

-Você deve estar com medo- disse Packet com uma pausa- só isso.

-Não é possível- eu disse ainda aterrorizado e agora com raiva- a pessoa encostou em mim. Cadê todo mundo?

-Não sei- disse Packet- a luz ainda não voltou.

Começamos a andar pela casa de mãos dadas. Packet sabia onde ficava cada cômodo da casa, exceto uma sala que ia para um porão. Primeiro fomos para a biblioteca para achar Carmen.

-Carmen- gritava de raiva- Cadê você?

Nenhuma resposta. Até que novamente uma pessoa encostou as mãos nos meus ombros.

-Achei vocês- disse Carmen- alguma coisa aconteceu.

-Como assim?- perguntou Packet ficando mais aterrorizadae começando a chorar.

-Recomponha-se! São nesses momentos que temos que ter coragem e não sair gritando por ai- disse num tom raivoso paraPacket- O que aconteceu?

-Alguém veio em mim- disse Carmen- um vulto encostou nas minhas mãos e me disse que eu poderia ter esquecido dele, mas que ele não tinha esquecido de mim.

-Então esta pessoa era “ele”?

-Presumo que sim- disse Carmen.

-Então só pode ser...

-Ninguém- respondi- sem ofensas, mas Gabriel esta perdido e Sky, bem... esta morto.

-Eu sei- gritou Carmen em pânico- você acha que eu não pensei nisso antes?

-Vamos achar os outros- disse Packet.

Fomos para a cozinha encontrar High.

-Ai estão vocês- disse High- acabei de fazer um sanduíche...

-Não temos tempo para isso- gritei nervoso para High- tem alguém dentro da casa.

-Como assim?- perguntou High agora preocupado.

-Apenas quando encontrarmos Juliet e Stall eu falarei- eu disse- não gosto de contar a mesma coisa várias vezes. Vamos.

Mas nem precisamos andar muito. Fomos para a sala de televisão e Stall e Juliet estavam juntos, usando celulares como lanternas.

-Achamos vocês- disse Packet- ainda bem.

-Tem alguém na casa- eu disse- essa pessoa veio até mim falando que eu tinha esquecido de um amigo e essa mesma pessoa chegou para Carmen falando que não esqueceu dela.

-Mas só pode ser Gabriel ou Sky- disse Juliet com nenhum pouco de medo.

-E um esta desaparecido e o outro morto! Você acha que não pensamos nisso?!- gritei.

-Vocês estão vendo coisas isso sim- disse Stall nervoso comigo por ter gritado com Juliet.

A luz voltou, mas parecia que a casa era mais segura com a luz apagada do que com a luz acesa. Todas os objetos da casa estavam cortados, quebrados e espalhados pelo chão. As paredes estavam com sangue que levava para algum lugar.

-Vamos seguir o caminho- disse High.

-Você pirou!?- gritou Juliet- É a mesma coisa que chegar para um assassino e pedir que ele te mate.

-Vamos seguir o caminho de sangue- eu disse- e iremos acabar com isso de uma vez por todas.

Começamos a seguir o caminho de sangue. Passamos por vários cômodos da casa.

-O porão- disse Packet- meu pai falou...

-Não importa o que seu pai falou!- gritei como se ninguém entendesse- eu tenho que te proteger e o único jeito é acabando com isso!

-Abrimos a porta do porão. Mas não era um porão qualquer. Dentro dele tinham várias salas. O caminho de sangue levava a única porta que estava na nossa frente.

-Vamos- disse Stall

Quando chegamos perto da porta ela abriu e fechou rapidamente com uma pessoa surgindo em nossa frente. Uma pessoa que servia os pais de Packet.

-Aonde vocês pensam que vão?- perguntou o mordomo.

Capítulo 4- Loucura

- Rash o que tem atrás desta porta?- perguntou Packet.

-Nada que a senhora deva saber- disse Rash. A veia de sua testa começava a ficar cada vez mais visível enquanto ficava com raiva e medo de querermos passar aquela porta.

-Esta é minha casa! Eu vou passar com você na minha frente ou não- disse Packet enquanto se prepara para lutar pela passagem.

-Seu pai não quer que ninguém passe por esta porta- gritou Rash- devo obedecer.

-Não importa o que meu pai disse- gritou Packet- tem sangue espalhado por toda a casa, todos os objetos estão quebrados ou rasgados e tudo indica que este lugar é de onde está a origem de tudo. Se você não me deixar passar, meus amigos e eu seremos forçados a ti machucar.

-Muito bem- disse Rash. Agora ele parecia mais tranqüilo. Parecia que todo o perigo já tinha passado- podem entrar.

Entramos na sala. Não tinha nada, nem mesmo a continuação do sangue. Seria esta uma pista falsa? Impossível, se fosse uma pista falsa, porque Rash ficaria tão preocupado com esta sala?

A sala era um depósito. Haviam caixas e teias de aranha espalhados por todo lugar. Era o recinto mais frio da casa e o mais aterrorizante. Nas paredes tinham facas, espadas, arcos e flechas, armas de todos os tipos. Entre todas as coisas vimos nada mais nada menos que uma fechadura na parede. Mas para quê uma fechadura na parede se não têm porta?

-Felizes agora?- perguntou Rash rindo da cara de todos- acho que informarei seu pai sobre o ocorrido imediatamente. Providenciarei que todos os utensílios da casa sejam jogados fora e novos seja comprados. Se vocês me dão liçensa.

-Que palhaçada é essa?- perguntei. Nada fazia sentido. Minha mão começou a fechar. Estava com vontade de bater em agluém. Estava começando a ficar muito irritado.

-Me desculpe Sr.Belkks- disse Rash com um tom irônico em sua voz- eu não entendi.

-A casa foi invadida, alguém está perseguindo Carmen e eu, e, você realmente ficará com essa cara de quem não sabe de nada? Eu vou embora daqui imediatamente.

-Infelizmente isso não poderá ocorrer- disse Rash, ainda utilizando seu tom irônico que nos irritava cada vez mais- os ônibus só vêm para cá uma vez por semana. Os senhores terão que esperar.

-Isso é um absurdo!- gritou Stall. Acho que não era o único a estar começando a ficar com raiva. As veias de Stall começaram a ficar mais visíveis e sua voz começou a ficar irritada e grosa- vamos Juliet, chamarei um carro para pegar todos nós.

- Acho que isso não será possível- disse Rash. Seu tom de irônico começou a ficar cada vez mais agudo, como se aquilo acontecesse normalmente. Sua cara não mostra espanto nem medo- está chovendo muito e normalmente a chuva dura dois dias seguidos no verão, de dia e de noite. Os senhores terão que ficar.

-Quero falar com meu pai!- exigiu Packet- Ele com certeza fará alguma coisa sobre isso. Isso simplesmente é inadmissível.

-Acredito que os seus celulares não estão com sinal- disse Rash- o sinal daqui não é muito bom, com chuva piora ainda mais.

Estamos presos. Não conseguia ficar mais um minuto na casa. Queria ir embora. Não queria que a vida de todos nós estivesse em risco. Mas isso era o menos enlouquecedor. A pessoa falou que era minha amiga e de repente sumiu. Então o que eu vi foi um fantasma? Impossível, essas coisas não existem. Alguém invadiu a casa. Alguém conhecido e parecia querer vingança.

-Se teremos que ficar aqui- disse High. Ele ainda não entendia o que tinha acontecido. Parecia tudo um filme no qual ele estava. Mas não era um filme. Era a vida ou morte- temos que pensar num plano.

-Primeiro dormiremos todos juntos- disse Carmen. Seus olhos estavam vermelhos de tanto chorar de medo- não podemos nos arriscar.

-Muito bem- eu disse. Estava pensando num recinto seguro e que dava para todos nós ficarmos juntos. Nos quartos não dariam. Mesmo eles sendo enormes, não cabiam todos nós. Tinha que ser um lugar maior.

-Que tal a sala de cinema?- sugeriu Packet- os empregados tiram as poltronas e os pufes e conseguimos dormir lá.

-Muito bem- disse Rash. Agora se curvando para todos nós- farei o que foi pedido.

-Temos que deixar a casa menor- disse. A possibilidade de um lugar amplo só fazia a casa ser cada vez menos segura- Será proibida a ida ao segundo andar.

A noite não foi passada rapidamente. Deixamos passar o um filme antigo, mas ainda colorido só para conseguir ter luminosidade na sala. Ninguém conseguia dormir. Muito menos Carmen. Já não conseguia dormir bem por causa de Gabriel e Sky. A saudade tomava seu coração. Agora era o medo. O medo de um desconhecido.

“Quem poderia ser?” pensava. Meus amigos mais próximos: um morreu e outro está desaparecido. “Talvez seja um amigo de infância” pensei mais uma vez na nova possibilidade. Quando criança, muitos amigos meus se mudaram para outras cidades e até mesmo outros países.

Estava enrolado em meu cobertor. Meus amigos tentavam ver o filme para se distrair, mas isso não me ajudaria. Estava começando a enlouquecer. Quem era ele? O que ele queria? Por que eu? Por que Packet? Como ele entrou? Por que Rash estava tão irritado e depois ficou normal, como se nada tivesse acontecido?

-Você esta bem?- perguntou Packet. Ela estava com uma voz de preocupada. Provavelmente era por minha causa.

-Estou bem- menti. A possibilidade de deixá-la mais nervosa não agradaria ninguém. Já bastava um louco na casa.

- Eu te conheço Bel- disse Packet- você não é um bom mentiroso.

-Estou falando a verdade- menti novamente. Como ela descobriu?

-Você começou a olhar para os lados para não me encarar, seus pés não param quietos e você esta com este olhar. Você não me engana.

Não sabia que fazia isso. Quando me dei conta, meus pés estão se mexendo muito rápido e eu realmente estava começando a olhar para os outros lados.

-Não quero te preocupar- disse tentando protegê-la.

-Coitado de você- disse Packet num tom irônico- minha casa foi invadida, está cheia de sangue nos corredores e não podemos ir embora. Você realmente acha que ficarei tranqüila?

-Estou preocupado com todos- disse sinceramente- principalmente com você. Não posso deixar que algo aconteça com você. Não suportaria.

-Não se preocupe comigo. Sei me cuidar. Temos que ficar preocupados com Carmen.

E foi então quer percebi. Carmen parou de ver o filme. Agora estava enrolada no cobertor, como eu. Ela parecia perturbada. Estava de costas para todos. Virada para a parede. Este era um sinal: ela não queria falar com ninguém.

-Você poderia fazer uma coisa por mim?- perguntei para Packet. Realmente estava precisando.

-Qualquer cosa- disse Packet num tom de aceitação. Parecia que qualquer coisa que eu falasse ela aceitaria.

-Dormiria comigo?- perguntei. O tom da minha voz parecia mais covarde do que romântico.

-Você quer fazer...

            -Não!- sussurrei- apenas quero ficar do seu lado, sabendo que você esta comigo. Sabendo que estou do seu lado para protegê-la.

- Tudo bem- disse Packet.

Ela entrou no cobertor e estávamos abraçados. O calor humano que vinha de Packet transmitia a mensagem de que tudo estava bem. Queria que o meu calor passa-se a mesma sensação, mas infelizmente ele passava uma sensação de perigo e ao mesmo tempo a sensação de proteção absoluta.

            A luz começou a sair pelos pequenos buracos da janela fechada. Agora estavam terminando de ver o filme. Carmen conseguiu dormir, o que deixou todos com uma sensação de alivio. Mas isso não importava. Estava deitado do lado de meu amor. Ela já estava dormindo. O saber de que ela estava do meu lado, com a sensação de qualquer coisa que acontece fez com que eu conseguisse dormir. Mas não consegui esquecer uma coisa: estava começando a ficar paranóico.   

Capítulo 5- Escuridão

Estava num corredor escuro, sem luz alguma. Sangue estava caindo das paredes verdes-escuras. Sabia disso porque comecei a passar minhas mãos na parede. O estranho não era isso. O estranho era que o sangue nas minhas mãos tinham meu cheiro. E comecei a ter sede por sangue.

Comecei a suar. Não tinha noção da coisa mais importante: estava dormindo e isso não era um bom sinal. Meus sonos são pesados demais e apenas acordo na hora que o sono ou pesadelo acaba.

O corredor era largo e comecei a correr. Eu corria, corria, corria e não chegava no final do corredor.

Comecei a gritar.

Havia uma porta no final do corredor. Consegui perceber que era uma porta pela pequena luz que saia pela fechadura e por baixo da porta. A luz era clara como a neve e vermelha como o sangue.

-Belkks acorda! Belkks!- gritava Packet.

Packet ficava me balançando, dava tapas em meu rosto, dava socos em meu peito. Mas nenhuma reposta.

Abri a porta. A sala era extremamente clara. Não havia lâmpada em lugar algum. A luz estava apenas presente. Foi então que eu vi. Todos estavam lá. Packet, Juliet, High, Stall e também estavam presentes Gabriel e Sky. Todos estavam com cortes na face, furos, partes de seus corpos amputados.

Packet não era mais a bela garota que conhecia. Sua pele estava podre, ela estava careca, como todos os outros. Seu vestido branco estava cheio de sangue.

-Olhe o que você fez com todos nós- disse Packet. Sua voz ficou grossa e ela começou a chorar e gritar- Olhe o que você fez conosco.

- Eu não fiz nada- disse com uma voz de inocência e incompreensão- o que aconteceu?

-Você não se lembra Belkks?- disse Stall se aproximando, mas ainda distante- nós éramos amigos.

-Nós ainda somos amigos- disse agora com um tom de incapacidade de entender onde estava e o que estava acontecendo- não somos?

-Como podemos ser amigos- perguntou Sky- quando você mata todos nós?

E o flashback do sonho começou. Todos meus amigos cortados sumiram e novos amigos estavam inteiros na minha frente. O facão estava em minha mão e gritos estavam por todos os lados. Primeiro foi Juliet. Cortei sua garganta e finquei a faca em seu pescoço. Sky foi o segundo, recebendo sete facadas em sua barriga. Depois foi High. Primeiro amputei seus pés e suas mãos, depois cortei sua língua e para finalizar sua garganta. A morte de Gabriel foi a mais divertida. Rasguei todo sua boca e o fiz afogar em seu próprio sangue. Fui gentil com Stall. Cortei seus pulsos e sua garganta e acabei rapidamente com a dor fincando o facão brilhante em sua peito. Apenas sobrava uma pessoa: Packet.

-Belkks acorda!- gritava Packet, agora impaciente.

Ao mesmo tempo em que Packet gritava para me acordar, sua versão em meu sonho suplicava para que não a matasse.

-Belkks- chorava Pakcet. Sua voz estava rouca- por que está fazendo isso?

-Por que- eu disse. Minha voz tinha um som de orgulho, felicidade, malvadeza e loucura num só tom. Soltei uma gargalhada como se a pergunta de Packet fosse ridícula- me satisfaz.

Furei os olhos de Packet, cortei sua garganta e para finalizar lhe dei um beijo.

-Boa noite- a gargalhada voltou- minha amada.

O flashback acabou e meus amigos cortados voltaram.

-Agora entendeu?- disse Packet com um tom de vingança- meu amado.

E finalmente, enquanto todos me esquartejavam e minha cabeça estava fora do meu corpo eu voltei para a realidade. Abri meus olhos e dei um salto para cima. Packet estava ao meu lado.

-Belkks!- gritava Packet. Ela começou a me socar no peito e depois me abraçou- Nunca mais me deixe sozinha.

-Acabei de ter um sonho- disse aterrorizado- tenho que ficar sozinho por alguns minutos.

-Mas...

-Me deixe!- gritei para Packet. Estava assustado. Queria ficar sozinho- é uma ordem! Todos vocês!

E ela saiu da sala como todos os outros.

Agora sim estava começando a ficar louco. O pior de todo o sonho não foi a morte de todos. Mas o que a morte deles me trouxe: prazer. Senti tanto prazer por matar meus amigos que queria fazer isso naquele exato momento.

“Foi apenas um sonho”, “Foi apenas um sonho”, “Foi apenas um sonho”. Repetia para mim várias e várias vezes.   

Minha mente voltou ao normal. O sonho não fazia sentido algum. Eu de repente estava num corredor escuro e não havia nada mais nada menos. Nenhua explicação. Alguma informação faltava. Talvez, um sonho anterior.

Capítulo 6- O livro

Dormi novamente, mas nenhuma novidade. O mesmo sonho da morte dos meus amigos me veio várias e várias vezes e tentei aproveitar cada momento para perceber os pequenos detalhes. Vi que havia caixas brancas espalhadas por toda a sala, quase impossíveis de se ver. Havia vários espelhos que no final de todos os sonhos quebravam em cima de meus amigos mortos. Um colar em forma de triângulo e um carinho de brinquedo. Nada que pudesse identificar o vulto.

Acordei. “Droga” pensei. Teria que enfrentar meus amigos. Teria que explicar tudo para eles. Por que eu tive que ter esse sonho? Por que o vulto ou o fantasma veio falar comigo? A resposta ainda não estava certa, a única pista é que o vulto é uma pessoa conhecida. Mas quem?

Fui até a cozinha, mas ninguém estava lá. Comi meu sanduíche e bebi um suco de maracujá e foi nesse momento que vi meus amigos do lado de fora nadando na piscina. Estava com tanta inveja. Eles não estavam sofrendo. Eles estavam se divertindo, rindo, passando os melhores momentos de suas férias. Estou dentro da casa, perturbado, assustado e colocar um ponto final nisso.

“Não é justo. Só é você que sofre nessa história. Você só precisa de uma arma”.

Minha consciência ficava cada vez mais falante comigo, o que me irritava cada vez mais. Falava coisas perturbadoras e eu tendo que agüentá-las ao máximo e foi então que percebi. Carmem não estava nadando. Ela estava lendo um livro com o título Vida pós-morte em dourado estampado na capa preta do livro. Deveria estar aterrorizada que nem eu. Nada melhor do que falar de um louco para outro.

Sai da casa e estava na região da piscina. Cadeiras e guarda-sóis estavam espalhados pela região, junto com uma grama fofa e verde. Todos estavam jogando bola e quando me viram pararam.

-Bom dia- disse como se nada tivesse acontecido. Mas o meu tom de voz queria dizer completamente o contrário.

-Bom dia- todos disseram.

Nenhuma palavra a mais foi dita e eles voltaram a se divertir. Enquanto isso me sentei do lado de Carmen.

-Como você está?- ela me perguntou, já que estava dormindo e provavelmente não viu a cena. Deter ter saido da sala para dormir noutro lugar e descoberto com os outros.

-Melhor agora- respondi- vocês voltaram a dormir?

-Não- respondeu Carmen- já eram nove horas quando você teve o ataque.

- E que horas são?- perguntei curioso.

- São cinco horas- respondeu Carmen- O que aconteceu?

-Tive um pesadelo.

-E?

-Eu... Eu... Eu estava matando todos vocês- respondi- e sentia prazer por isso. Cada gota de sangue que caia de vocês era um prazer, mas ao mesmo tempo sufocante pensar em matar meus melhores amigos.

-Você... teve o mesmo sonho então?- perguntou Carmem. Despertei novamente o terror em sua cara.

-Como assim?   

- Eu tive o mesmo sonho- respondeu Carmen- Estava num lugar extremamente escuro e de repente fui para um lugar muito claro. Ele estava lá. Ele me disse que um de nós mataria todos e este alguém era você e foi assim que eu vi a cena.

- Ele não falou comigo. Apenas comecei a matar todo mundo- fiz uma pequena pausa para poder engolir minha saliva- por puro prazer. Mas isso nunca aconteceria de verdade. Você acredita em mim?

-Sim- respondeu Carmem- na verdade acho que ele pode ser um fantasma.

Comecei a rir. “Um fantasma?” pensei. Fantasmas não existem em lugar nenhum do mundo, muito menos aqui. Todos começaram a olhar para mim. Devem ter pensado que eu estava melhor, agora com sendo de humor. Mas ainda estava longe disso.

- Obrigada por sua compreensão- respondeu Carmem indignada. Ela estava começando a se levantar quando segurei seu pulso frio.

-Me desculpe- me senti constrangido. Estava rindo da única pessoa que acreditava em mim- continue.

-Então- continuou Carmem- após eu acordar peguei vários livros sobre fantasmas na biblioteca e esse descreve perfeitamente a pessoa que nos visitou- Carmem pegou seu livro e começou a ler.

“Os fantasmas são nada mais nada menos que pessoas que não morreram por completo e vagam pela Terra. Em certos lugares do mundo, existem alguns efeitos não explicados que podem acordar esses fantasmas e soltá-los de seus corpos. A aparência deles é de acordo com seus últimos momentos de vida. Sua voz, seu cabelo, sua cara, tudo pode estar mudado. Essa pessoa guarda rancor em seu coração, se ele realmente existe. As pessoas mais próximas estarão perto desse fantasma, o que deve ser a explicação do acordar, mas nada comprovado ainda. A principal função desse fantasma é perturbar a mente dessas pessoas até finalmente atingir o suicídio. Com o suicídio, o fantasma consegue seu passaporte para o Céu e esta pessoa vaga pela Terra. O fantasma aparece como um vulto, mas com o passar do tempo sua aparência começa a ser revelada. Um dos principais crimes é deixar o local do fantasma. O fantasma matará todas as pessoas que estiverem no local, até seu verdadeiro alvo voltar.”

- O que isso quer dizer?- perguntei para Carmem. Apenas conseguia decorar as coisas lendo. Quando pessoas falam para mim consigo decorar pequenas partes.

- Que estamos presos aqui até descobrir o que é essa pessoa, sendo um fantasma ou não.

- Será que os outros aceitarão?- perguntei. O desejo de cada um, inclusive o meu, era sair o mais rápido possível da casa.

- Não temos outra opção- disse Carmem- temos que ficar.

- Se morrermos- disse para Carmem- morreremos com honra.

-Pare de ser melodramático- disse Carmem e começamos a rir- Existe a possibilidade de morrermos, mas acho que isso não acontecerá. Temos que ficar juntos lembra? Se o fantasma não conseguir seu alvo ele mata outras pessoas. Estamos todos nessa.

- Que férias hem?- perguntei para Carmem- E quando diremos para todos?

- Amanhã- disse Carmem- Deixe-os aproveitar o dia.

Entramos na piscina. Nos divertimos com todo mundo, como se os sonhos não tivessem acontecido. Descemos no escorregador, fizemos algumas brincadeiras e mergulhamos. Enquanto todos estavam se divertindo, Packet segurou minha mão e me puxou para o canto da piscina.

-Você está bem?- ela perguntou colocando suas mãos em minha nuca.

-Estou- menti. Não queria deixá-la preocupada- foi apenas um pesadelo. Nada relevante. Amanhã eu te conto. Hoje temos que nos divertir.

-Senti saudades de você- falou Packet prestes a chorar.

-Estou de volta- respondi.

Abraçamo-nos e nos beijamos, mas não durou muito tempo. Depois de quatro segundos todos começaram a jogar água na gente. Era o dia de aproveitar as férias. Amanhã era o dia de encarar o destino. 

Capítulo 7- A discussão

               "Hoje é o dia" pensei. Estávamos na sala de cinema, ou deveríamos estar. Ainda estava de olhos fechados pensando. Estava tudo planejado. Á noite Carmen eu e falaríamos o plano de permanecer na casa. Mas comecei a me perguntar se era mesmo necessário.

            Tudo voltou ao normal. Ele não voltou o que me fez pensar em ficar até o final das férias na casa como era o planejado desde o início. A casa estava toda mobiliada novamente. Todo o sangue espalhado pelas paredes já estavam cobertos de tinta branca. Claro que quem organizou tudo foi o mordomo com os empregados. Mas nenhum sinal de vida externa vagava pela casa. 

            Packet estava se divertindo, como todos os outros. Todos estavam com sorrisos nos rostos e parecia que se esqueceram do ocorrido, como se nada tivesse acontecido. Ninguém ligou para os pais, afinal o sinal não voltou deste então e não tinha nenhum meio de comunicação, apenas a televisão, que não tinha um bom sinal, fica com ruídos e a imagem tremia, fazendo dela um objeto inútil no momento. Pelo menos era o que eu achava.

            Todos já estavam acordados e eu era o único na sala de cinema. Fui até a biblioteca, mas Carmen não estava lá. Decidi então tomar meu café da manhã. Ao chegar à cozinha todos estavam lá, exceto Packet que estava no celular, provavelmente tentando falar com seus pais.

            - Bom dia.

            -Bom dia- responderam todos.

            -Com quem Packet está falando?- perguntei, afinal não tinha sinal algum.

            -Está tentando ligar para o pai dela- disse Juliet- mas não consegue. Ela recebeu uma mensagem dele, mas ela não quer contar o que aconteceu aqui em milhares de mensagens. Ela quer falar com ele.

            -Que bom, mas pessoal preciso falar uma coisa- Carmen olhou na minha direção, pensando que falaria sobre o plano de ficar na casa- por que não ficamos na casa até o fim das férias como planejado?

            A discussão começou. Uns falavam: "Claro! Vamos aproveitar!", outros falavam: "Você está louco? Seremos mortos!". Packet entrou com um sorriso estampado na cara.

            - O que aconteceu?- perguntei para Packet. Todos pararam de discutir e olharam para ela.

            - Meus pais mandaram uma mensagem falando que tem uma grande surpresa para nós- ela fez uma pausa, podendo engolir a saliva e voltar a falar- eles falaram que uma novidade saiu na televisão, mas que como o sinal daqui continua ruim e não podemos ver, a surpresa viria esta noite para cá. Disse que "alguém esta voltando para casa". Mas não sei quem é. Pode ser algum parente famoso.

            Todos ficaram pensando. Claro que quando o pai de Packet disse "alguém está voltando para casa" deve ser realmente algum parente de Packet.

            -Quem seria?- perguntou Juliet. Foi nesse momento que percebi que os olhos dela brilhavam de tanta felicidade.

            -Na verdade duas primas minhas estavam em outros países e um primo meu morou por um tempo com uma mulher num país que não lembro o nome. Acho que seja mais provável que seja uma das minhas primas.

            -Qual o nome delas?- perguntou Carmen. Nesse momento percebi que Carmen estava com um novo livro nas mãos com um título vermelho estampado: "Portais".

            - Aposto que deve ser a Elizabeth- respondeu Carmen- mas também pode ser a Emma.

            - E como elas são?- perguntou High. Parecia que ele estava desesperado por uma menina.

            -A Elizabeth parece uma modelo. É alta, morena e extremamente magra. Ela trabalhava como médica em países pobres e era muito famosa lá. Já Emma é completamente o oposto. Ela é cheinha, loira e tem uma altura média, mais ou menos do meu tamanho, mas trabalhava como advogada noutro país e também era famosa. Acho que vocês vão gostar delas, seja qual delas vier.

               - Que bom!- eu disse entusiasmado, mas ainda sim preocupado. Não poderia trazer outra pessoa para a casa, se não a pessoa também seria perseguida. Mas não poderia arriscar o bem-estar de todos- Mas então permaneceremos na casa?

            -Sim!- falaram todos, sendo suas vozes ecoadas por toda a cozinha. Claro que Carmen estava insatisfeita com a decisão. Na verdade ela não estava nada contente.

            Enquanto todos estavam conversando fiz um sinal para ela para conversarmos em algum lugar. Comecei andar em direção a porta, mas Packet observou e perguntou:

            -Aonde é que você vai?

            -Vou apenas arrumar minha mala. Ela esta muito bagunçada.

            Depois de se passarem dois minutos, Carmen já estava na sala ao meuá lado.

            -Vamos para a biblioteca. Aqui não é seguro- disse Carmen. Parecia que ela descobriu algo novo.

            -Tudo bem- respondi. A perspectiva de uma novidade me tornou mais confiante na possibilidade de ficar na casa e tudo voltar ao normal.

            Chegamos à biblioteca e fechamos as portas.

            -Você está louco?- gritou Carmen com uma voz não muito agradável, com um tom de sermão.

            -As coisas voltaram ao normal- respondi inocentemente- talvez pudéssemos...

            -Talvez pudéssemos nada- interrompeu Carmen- as coisas apenas começaram. Acho que finalmente estou entendendo porque tudo isso está acontecendo.

            -Seriam os portais?- perguntei para Carmen que estava segurando o livro nesse exato momento.

            -Sim!- respondeu ela contente, mas com um tom paranóico- pelo menos parte disso. Nesse livro fala que os portais podem abrir e fechar em qualquer espaço ou tempo, sendo assim o contato do nosso mundo com outro.

            -Carmen- disse calmamente- um louco invadiu a casa. Pode ser qualquer pessoa da escola.

            - Não pode- respondeu ela agora com um tom de medo. Sua cara ficou mais pálida do que a nova tinta do corredor e começou a olhar para baixo.

            -Por que não?- perguntei. Afinal, como ela poderia ter tanta certeza?

            -Por que dessa vez eu não tive um sonho- ela tirou a blusa que cobria seu braço. O braço de Carmen estava com algo preto e circular, como se fosse uma pequena pinta, mas na verdade era um olho com uma listra vermelha no meio- eu tive uma visão.

Capitulo 8- A chegada e a desgraça

- O que aparece nessa visão?- perguntei.

-Veja você mesmo- disse Carmen.

Carmen pegou minha mão com uma força que eu nunca tinha visto antes nela e fez encostá-la na mancha com o olho. Logo eu entrei na visão dela.

            Tudo estava escuro, com algumas coisas pontudas. Mas não conseguia ver nada direito. Tudo estava embasado, como se eu tivesse miopia ou algum problema de visão.

            -Estou esperando chegar a parte para você ouvir- disse Carmen.

            Levei um susto. De repente Carmen aparece do meu lado, no meio da escuridão.

            -Onde estamos?- perguntei.

            -Não sei- respondeu Carmen, como se fosse algo que ela estava pensando por muito e muito tempo- agora você pode ouvir.

            De repente comecei a ouvir gritos e choros por todos os lados e finalmente vi duas pessoas no chão, ou algo parecido. Mas não conseguíamos ver a cara dessas pessoas, mas conseguia ouvir a voz da jovem.

            -Para!- gritava Packet- Para! Não agüento mais! Pare por favor! Eu te peço!

            - O que está acontecendo?- perguntei para Carmen. Entrei em pânico total- Não consigo ver nada.

            -Claro que não consegue. Isso é uma visão. Visões podem mudar a qualquer momento, fazendo delas possibilidades na nossa vida. Se isso realmente fosse acontecer poderíamos ver claramente. Isto é o que ocorrerá se nada for feito- respondeu Carmen- mas tenho certeza que você consegue adivinhar. Os dois estão com uma cor de pele borrada, estão se movimentando o tempo todo.

            - Quer dizer- perguntei pausadamente- que ele está...

            -Sim- interrompeu Carmen- ele está estuprando Packet.

            - Mas quem é?- perguntei para mim mesmo em voz alta- cheguei perto de Packet para salvá-la. Pela minha surpresa eu voltei para a biblioteca. Já estava de noite. Através  das largas janelas da biblioteca eu consegui ver: a lua estava amarela.

            - Isso mostra que está próximo- afirmou Carmen- o que você acabou de ver.

            -Como você sabe de tudo isso?- perguntei.

            -Olhe ao seu redor- Carmen girou - estamos numa biblioteca. Teorias e teorias estão espalhadas por esses maravilhosos livros.

            E foi quando eu percebi uma pilha enorme de livros velhos em cima de uma mesa de madeira. Deveria ser a quantidade de livros que Carmen lia enquanto eu estava dormindo.

            - A visão pode muito bem ser alterada- disse Carmen- a única coisa que você tem que fazer é proteger Packet a qualquer custo.

            - Não se preocupe- afirmei. Essa talvez tenha sido a maior promessa que eu fiz em toda a minha vida.

            - Como assim não se preocupe?- gritou Carmen- estamos numa casa, com um fantasma, tenho uma visão e uma marca para o resto da minha vida e agora você me diz para não se preocupar? Desculpe-me, mas isso não vai acontecer.

            -Não deixarei que nada aconteça com Packet, nem mesmo que isso tenha que valer minha vida.

            -Você e esse papo de morrer com honra- disse Carmen, ouvindo o mesmo discurso de sempre- pare de pensar que vamos morrer. Ninguém morre se o plano for seguido.

            -Então- disse pausadamente- isso significa que temos...

            -Sim- interrompeu Carmen- temos que contar a verdade para todos. E não pode passar de hoje.

            -Tudo bem. Não passa de hoje.

            De repente Packet abre a porta da biblioteca, gritando de felicidade.

            - Um carro acabou de entrar pelos portões. Vamos para a porta.

            Corremos para a porta. Todos estavam lá, esperando pela campainha tocar para finalmente abrirmos a porta, já que bloqueamos a porta para não abrir automaticamente. Ouvimos o carro estacionando e não conseguíamos ver quem estava chegando, já que tudo estava escuro. Mas ouvimos a campainha tocar. Liberamos a porta e a mesma abriu.

            Ele estava de cabeça abaixada, usando um largo agasalho preto, uma camisa branca, um jeans azul e um all-star preto. Duas malas marrons estavam do seu lado. Ele estava de cabeça abaixada, com um grande óculos-escuro quadrado. Ele levantou a cabeça e tirou os óculos.

            Todos ficaram de boca aperta e chocados completamente. O surgimento dessa pessoa depois de muito tempo e o pensamento de nunca mais poder vê-la sumiram no mesmo instante, causando felicidade e choque. A luz iluminou sua face.

            - Não vão me convidar para entrar?- perguntou Gabriel.

            Nesse exato momento Carmen desmaiou.    

Capítulo 9- A volta de um amigo e de um amor silenciado

Nem demos boas-vindas à Gabriel e fomos logo socorrer Carmen, que estava desmaiada, agora na sala de estar numa bela cadeira branca.

-Gente- disse Juliet- fique um pouco mais longe. Ela precisa de ar.

-Gabriel- disse Stall- é melhor você não estar aqui quando ela acordar. Sabemos que isso é muito chocante para todos nós.

-Tudo bem- disse Gabriel- e para onde eu vou?

-Venha comigo- disse Packet- vou te levar para a sala de televisão.

-Não têm quartos?- perguntou Gabriel.

-Tudo será explicado em seu devido momento- e foi nesse momento que Packet olhou para mim- tudo.

E eles foram para a sala de televisão para deixar as malas de Gabriel e Packet aproveitou para lhe mostrar a casa.

Os olhos de Carmen começaram a abrir devagar.

            -Ele... - disse Carmen quase sem fôlego e ainda sentada na cadeira

            -Sim- disse Juliet- ele está aqui, mas não agora. Ele está fazendo um tour pela casa com Packet.

            -Mas... - disse Carmen começando a retomar o fôlego- Belkks...

            E foi quando me dei conta da visão. Não poderia deixar ninguém sozinho com Packet. Nem mesmo meus próprios amigos.

            Foi só eu começar a correr em direção à sala de televisão que os dois surgiram na sala de estar. Rindo.

            -Nossa- disse Gabriel- Nunca tinha ouvido isso.

            -O quê?- perguntei enxerido.

            -Uma piada- disse Packet- nada de mais.

            -Ela já está bem?- perguntou Gabriel com um tom de preocupado. “Quem não estaria?” pensei.

            -Gabriel?- perguntou Carmen, agora restaurando sua voz.

            -Estou aqui- disse Gabriel.

            Sem percebermos Gabriel avançou e beijou Carmen. Depois de alguns segundos Carmen virou sua face. Ela não consiga pensar direito. Afinal, como ela conseguiria voltar a amar um homem se seus sentimentos ainda pensam em outro além dele? Como ela podia amar Gabriel agora, já que quando Sky queria namorá-la não conseguia parar de pensar em seu amor perdido?

            -Vamos para explicações?- perguntou Juliet.

            Todos sentaram nas novas cadeiras e começaram a ouvir Gabriel.

            -Como posso começar... - perguntou Gabriel para si em voz alta.

            -Do começo?- disse Juliet com um tom irônico raivoso- quando você ficou perdido?

            -Tudo vem então. Do início- disse Gabriel.

            Nesse exato momento todos ficamos de olhos grudados em Gabriel para saber toda a verdade.

            -Desejam alguma coisa?- perguntou Rash.

            -Não obrigada- disse Packet ignorando completamente Rash.

            -Você é o menino novo?- perguntou Rash

            -Sim- disse Gabriel- e você seria?

            -O mordomo. Meu nome é Rash. Estou ao seu dispor. Já soube das novidades?

            -Que novidades?- perguntou Gabriel.

            -Tudo em seu devido momento- disse Carmen furiosa com Rash por quebrar todo o clima da volta de Gabriel.

            -Então Rash- disse Packet- Licença que queremos ouvir nosso amigo.

            -Sim senhorita.

            E Rash se curvou e saiu da sala.

            -E então?- perguntou Stall para Gbriel- Você não vai falar?

            Todos os olhos voltaram novamente para Gabriel.

            -Depois de bater minha cabeça nas pedras eu acordei numa reserva indígena com uma idosa costurando meu machucado. Fiquei uns tempos por lá, até que alguém finalmente ia fazer “a passagem”.

            -E o quê seria “a passagem”?- perguntei para Gabriel e logo vi que todos os olhares estavam voltados para mim, mas agora não tão gentis.

            - Quando um jovem da tribo se “transforma” num homem, ele tem que ir até a cidade mais próxima e esse é o único momento que os indígenas vão até a cidade- disse Gabriel- Mas continuando. A cidade era pequena e acabei arranjando um trabalho num bar. O dono meu um quarto e comida, como salário. Em troca eu limpava o banheiro, contava, recebia e desempacotava as entregas, fazia a faxina, ou seja, limpava tudo. Até que depois de dois meses começou a me dar dinheiro suficiente para pagar o aluguel, a comida e qualquer outra coisa.

            -E por que não pediu o dinheiro logo de uma vez?- perguntei e de novo os olhares maliciosos voltaram para minha direção.

            -Porque eu precisava de comida e se eu pedisse dinheiro eu não conseguiria pagar tudo – disse Gabriel- Desse modo, depois de um mês de salário eu consegui pagar tudo e sobrou um mísero dinheiro, que só dava para fazer algo que estava desesperado para realizar: uma ligação e a passagem do ônibus, já que o único orelhão ficava na cidade mais próxima. E foi assim...

            -Que você ligou para mim- interrompi Gabriel.

            -Isso mesmo, mas como você sabe a ligação caiu. A chuva estava muito forte. Desse modo, eu só poderia voltar depois de um mês e assim foi. Liguei para os meus pais, mas não atendiam. Tive que esperar mais um mês até finalmente pensar em ligar para a delegacia de Riviera de Rush. Eles atenderam e falei onde eu estava. Descobri que estava noutro país noutro continente.

            -Onde você estava?- perguntou Carmen.

            -Austrália- respondeu Gabriel.

            -Como?- perguntaram todos ao mesmo tempo.

            -Eu não sei- respondeu Gabriel- a única coisa que me lembro é de acordar na reserva.

            -Nossa- disse High- você estava do outro lado do mundo!

            -Eu sei- disse Gabriel- Depois de mais umas semanas a polícia chegou junto com meus pais. Primeiro eles me abraçaram e depois começaram a me bater. Quando eles chegaram, câmeras, luzes, flashes surgiram de todos os lugares. Nisso, meus pais e eu começamos a fazer um tour pela Oceania e parte da Ásia. Já que tudo era pago pelas redes de televisão aproveitamos para fazer uma viagem. Não sei quanto tempo passou, mas quando cheguei descobri que vocês estavam aqui e decidi vir para cá.

            -Tudo bem- disse Juliet- Mas por que você não procurou a polícia em primeiro lugar?

            -Porque eu queria ligar para um de vocês, mas quando não me atenderam eu percebi que podia ligar para a delegacia de Riviera de Rush.

            -E não tinha delegacia na cidade que ficava o bar?- perguntou Packet.

            -Não- respondeu Gabriel- a delegacia mais próxima ficava no final do estado e eu estava na outra ponta. Demoraria muito tempo para receber uma resposta.

            -E como você sabia o telefone da delegacia?- perguntou High.

            - Assim que cheguei à Riviera de Rush eu vi a delegacia e vi seu telefone bem grande na parede e acabei lembrando- explicou Gabriel.

            - Você sabe que sua história não tem muito sentido, não sabe?- perguntei sem vergonha alguma.

            - Eu sei- disse Gabriel- mas é a verdade, pelo menos isso é o que eu lembro. A batida nas pedras me fez esquecer algumas coisas.

            -Tipo o quê?- perguntou Stall curioso.

            -Como eu vou saber? Eu não lembro- disse Gabriel.

            Começamos a dar gargalhadas e risos que se expandiram por toda a sala.

            - Agora que tudo foi explicado- disse Gabriel que começou a ir em direção de Carmen.

            -Calma- disse Juliet empurrando Gabriel de volta à sua cadeira- agora é a nossa vez de te falar as novidades.

            E falamos de tudo que aconteceu: dos problemas na escola, sobre Sky e principalmente da noite que vimos o vulto, pelo menos eu e Carmen.

            Gabriel ficou confuso, triste e meio estranho. Talvez o fato de saber que Carmen saiu com Sky e que esse morreu o fez pensar no beijo que em Carmen. “Não foi uma boa idéia” pensei.

            -E esse vulto?- perguntou Gabriel- ele voltou?

            -Só veio uma noite- disse Carmen- e não voltou desde então.

            -Então está tudo bem- disse Gabriel.

            -Não! Não está tudo bem- Carmen se levantou irritada.

            -Você não vai...

            -Vou- Carmen me interrompeu- a verdade tem que ser dita e está é a melhor hora.

            -Como assim?-todos ficaram assustados.

            - Esse vulto é um fantasma- disse Carmen.

            Logo percebi que algumas risadas feitas por Stall, Juliet e High foram seguradas.

            -E, pelo que dizem nos livros, os fantasmas não descansam até que matem as pessoas próximas a eles. Concluindo: uma das pessoas nessa sala é o principal de tudo, mas todos estão juntos nessa.

            -Como assim?- perguntou Juliet agora ficando assustada.

            -É simples: enquanto o fantasma não consegue matar a pessoa que o fez acordar ele mata as pessoas que estão no local, ou seja, todos que estão nesta casa ou que botaram os pés depois do fantasma acordar.

            - Quer dizer que também estou nessa?- perguntou Gabriel.

            -Se soubéssemos que você ia nos visitar nós teríamos te avisado- disse Carmen- mas também teve outro problema- disse Carmen.

            - Quer dizer- disse Packet furiosa- que se fosse uma das minhas primas tudo bem, não precisava avisar, afinal elas não são importantes.

            -Para sua informação eu não pude avisar porque estava alertando Belkks... - começou

            - Não faça isso- avancei em Carmen, mas foi tarde, ela mostrou a marca

            -... E esse outro problema é respeito á você também.

            -E a mim!- gritei. Toda a sala ficou em tota silêncio- eu direi o que você viu.

            -Como assim, você o que é isso?- perguntou High e começando a rir.

            - É a marca de uma visão. Se você quer que eu te prove disse Carmen que começou a seguir na direção de High.

            -Não!- segurei Carmen- Já acho ruim você saber disso, ninguém mais saberá! Isso é a respeito à Packet e eu.

            -Então diga!- disse Packet- Você e Carmen se distanciaram de nós! Nós comentamos isso toda a vez que vocês ficam sozinhos.

            - A janta está na mesa- disse Rash, surgindo na sala de estar.

            Todos foram em silêncio em direção à cozinha. Nisso, fiquei do lado de Packet e sussurrei:

            - Te explico tudo depois. Encontre-me em algum quarto.

            -Nos encontramos no quarto dos meus pais- sussurrou Packet- ninguém se atreverá a entrar lá.

            Jantamos em total silêncio. A casa estava dividida: Juliet, Stall e Packet de um lado e Carmen e eu do outro. High e Gabriel estavam indecisos. Packet acabou de jantar e subiu. Esperei quinze minutos. Coloquei meu prato e subi as escadas para ir a nossa reunião.

            Capítulo 10- A realização da visão

            Abri a porta do quarto. Todas as luzes estavam apagadas e velas estavam espalhadas por todos os lados. A cama dos Giving era enorme. Poderiam caber cinco pessoas naquela cama e ainda sobrava espaço. Uma música lenta, sem melodia alguma estava tocando no Cd Player.

            De repente a porta do banheiro abriu.

            Packet estava usando um roupão vermelho de seda. Ela se encostou à porta e me perguntou:

            - Pensei que você não chegaria nunca.

            -Desculpe por tudo que eu...

            Packet veio na minha direção e colocou seus dedos em meus lábios.

            -Você me ama?- Packet perguntou.

            -Claro que amo- respondi- e foi por isso que não disse nada para você. Quero te proteger.

            - Me proteger do que?- Packet agora ficou um pouco nervosa e se distanciou um pouco.

            - Do que eu vi na visão de Carmen- respondi- é terrível.

            - O que acontece comigo?- Packet perguntou- O quê?

            -Alguém- fiz uma pequena pausa. Não conseguia parar de relembrar na cena- estava te estuprando.

            Packet deu uma risada. “Eu preocupado com ela e ela rindo da minha cara” pensei furioso.

            -Aqui- ela disse- só está você e eu. Nada vai acontecer.

            E ela começou a me beijar. Ficamos nos beijando até chegar à cama. Quando me dei conta estávamos dentro dos lençóis, trocando carícias e beijos.

            -Você trouxe proteção?- ela me perguntou.

            - Não trouxe nenhuma arma- respondi. “Besta” pensei.

            -Não- Packet riu- Tudo bem, eu trouxe.

            E começamos a tirar nossas roupas. Embaixo do roupão Packet estava usando lingerie de seda vermelha, extremamente sedutor, meia-calça e saltos vermelhos. “Pelo visto ela gosta de vermelho” pensei. A cada roupa que eu tirava de Packet ela tirava duas de mim até ficarmos completamente nus debaixo dos lençóis. A troca de prazeres era completamente evidente. Toda a história que tinha ocorrido foi apagada e voltamos a ter a paixão que foi esquecida desde aquela noite.

            - Diga alguma coisa- disse Packet.

            - Peixe- respondi. Não estava pensando muito. Não era um momento para pensar. “Será que ela não me conhecia?” pensei.

            -Cala boca me beija- disse Packet.

            Logo obedeci. Continuávamos nos lençóis. Parecia que toda a casa estava em silêncio e todos nossos amigos nem tinham notado nossa existência e vice-versa. Parecia que estávamos numa casa numa ilha paradisíaca. Ela só tinha duas pessoas: Packet e eu.

            -Nossa- disse Packet- isso é muito bom. Deveríamos fazer mais vezes.

            -Deveríamos- respondi, mas o som não saiu pela minha boca.

Na verdade comecei a ver tudo embaçado. Não conseguia controlar nenhum dos meus movimentos. Tudo estava se movendo, mas eu não sentia nada. É como se eu estivesse tendo a mesma sensação que passei quando vi a visão de Carmen e não consegui impedi-la.

-Packet!- gritava, mas nada acontecia.

De repente fiquei numa sala escura. Continuava a ver a cena de Packet e eu no quarto, como seu houvesse uma grande televisão grudada na parede. E foi quando percebi que a grande televisão era meus olhos e que eu estava dentro de minha própria mente.

- É estranho não é?- disse o vulto- Ouvi disser que a sensação é horrível.

-Quem é você?- perguntei- O que esta acontecendo?

-Tudo em seu devido momento- disse o vulto- Agora gostaria que você se sentasse.

Assim que ele acabou de falar, uma luz apareceu e iluminou duas cadeiras de madeira em volta de uma mesa pequena de plástico. 

-Não vou me sentar coisa nenhuma- gritei raivoso e apontei meu dedo indicador para a televisão- era para eu estar com Packet!

-Se você não se sentar- disse o vulto- posso realizar a visão de sua querida namorada mais rapidamente. Agora senta!

Capítulo 11- O desafio

            Sentei na cadeira como ele me pediu.

            -Gostaria de algo para beber?- ele me perguntou gentilmente e com um tom sarcástico.

            -Não obrigado- respondi estupidamente.

            -Acho melhor você beber- disse o vulto.

            Assim que ele acabou de falar, dois copos de vidro surgiram na mesa, cheios de um líquido alaranjado.

            -É suco de laranja- disse o vulto- o seu favorito.

            -Como você sabe...

            -Isso não importa- interrompeu o vulto- tenho que ser rápido. Tenho outras coisas para fazer. Nossa como está escuro aqui. As luminosidades de seus olhos não adiantam sozinhos.

            Do nada surgiram lâmpadas em volta da mesa e consegui vê-lo. Estava com usando uma capa preta grande e escura. Estava usando um capuz enorme que cobria toda sua face. Olhei suas mãos. Estavam sem carne nem nada. Era puro osso.

            -Isso é...

            -Claro que é de verdade- respondeu o vulto- mas eu posso me transformar no que eu quiser. Você é tão infantil.

            -Você é a Morte?- perguntei.

            -Não- respondei o vulto- mas eu já a vi. Conversamos muito quando eu morri.

            De repente sua mão esquelética começou a formar carne, veias, sangue e tudo do nada.

            -Então você é...

            -Sim- respondeu o vulto- sou um fantasma. Mas o que você e nossa querida amiga Carmen leram não é suficiente. Nem toda a verdade está nos livros.

            -Estão aonde então?- perguntei.

            -Você sabe. Só precisa se lembrar. Está tudo em sua memória- o vulto deu uma pequena pausa- E claro: mais livros e, lembre-se que sempre existem pistas falsas.

            - E por que você me diz isso?- perguntei. “Que cara estúpido. Ele dirá o seu próprio calcanhar de Aquiles” pensei.

            Infelizmente meu pensamento estava sendo ecoado. “Estamos na minha mente” pensei. Tudo o que eu falava era reproduzido e espalhado.

            Minha cabeça começou a sofrer várias pontadas. Cai da cadeira e fiquei de joelhos no chão, gritando de tanta dor. Era insuportável. O vulto ficou de pé. Seus dedos estavam numa formação que parecia que estava espremendo uma laranja.

            -Você é muito ingênuo Belkks- disse o vulto- Não faça isso de novo. Do contrário eu faço a parte mais fácil acontecer mais rápido.

            Ele parou, sentou de novo na cadeira e fez um gesto para fazer o mesmo. Após conseguir recuperar o fôlego me sentei. Todas as minhas veias estavam visíveis.

            -Quero te propor um desafio- disse o vulto- você tem que descobrir quem eu sou e de onde eu venho. Lembre-se que tudo está em sua memória e em mais livros. Apenas a última parte você tem que falar com Rash. Você tem vinte quatro horas.

            - O que acontece...

            -Simplesmente eu domino sua mente e mato todos de uma vez- disse o vulto- ainda estou te dando à chance de descobrir tudo. Mas você tem que descobrir sozinho. O contrário eu mato todos. Começando por Packet. Essa é a parte fácil.

            -E qual é a parte difícil?- perguntei.

            -Esperar vinte e quatro horas, é claro- respondeu o vulto.

            -E seu eu descobrir?- perguntei- O que acontece?

            -Então você poderá me impedir- disse o vulto- aqui.

            -Como assim “aqui”?- perguntei.

            -Boa tentativa Belkks, mas não vai funcionar- o vulto levantou e tudo sumiu. - esta na hora de você voltar. Sua namorada te espera.

            Sai de minha mente e voltei para o quarto. Packet estava falando as mesmas coisas que ela tinha falado no final da visão.

            -Para!- gritava Packet- Para! Não agüento mais! Pare por favor! Eu te peço!

            Conseguia controlar todos os meus sentidos e movimentos novamente. Era uma sensação maravilhosa.

            -Bellks!- gritou Packet.

            Parei no exato momento e deitei-me na cama. Estava completamente suado e Packet também.

            -Desculpa- respondi- foi a empolgação.

            E fiquei deitado do lado de Packet. Uma voz reconhecida ficava repetindo duas palavras repetidamente. Não conseguia pará-la. Afinal não era eu que a controlava. A voz repetia as duas palavras várias e várias vezes, mas eu tinha que me controlar. Foi então que eu vi o relógio do quarto dos pais de Packet na parede do quarto.

            “VINTE QUATRO HORAS!” gritou a voz na minha mente. Então as palavras sumiram de minha cabeça e logo levantei e coloquei minhas roupas. Passaria a noite inteira na biblioteca, se necessário.

Capítulo 12- A primeira pista

Embora não saísse da minha cabeça, as vozes repetindo “vinte e quarto horas” começavam a me incomodar, me deixando nervoso e em certos momentos, paranóico.

Li livros e livros, mas nenhum conseguia me guiar. Uns falavam que fantasmas ficavam apenas uma noite da Terra, algo que descartei logo de cara. Outro falava que os fantasmas eram inofensivos, outra coisa que descartei logo de cara.

Onze horas da manhã. O relógio digital na parede da biblioteca ficava cada vez mais lento. Sem resposta alguma, o tempo não passaria e eu acabaria causando a morte de todos e o pior: se ele me possuísse, seria tudo minha culpa.

Todos estavam na piscina se divertindo, mas não eu. Eu estava ali, pronto para salvar todos, ou pelo menos tentar.

Mais e mais livros. Um livro falou que os fantasmas podem passar a controlar a mente de pessoas fracas e os únicos sobreviventes se mataram logo que descobriram a resposta, algo que achei completamente egoísta. Afinal, o que custa dar uma pista?

Meio dia. Hora do almoço.

Todos foram para a cozinha, comer uma bela lasanha. Eu fui junto claro. Comida era algo que eu precisava, já que estava quase caindo de tanto sono.

“Sonho” pensei. Tenho que revê-lo. Afinal, pistas podem estar espalhadas por ele.

- Oi Bellks!- todos gritaram de felicidade- você não quer assistir um filme depois do almoço?

-Não posso- respondi- estou lendo alguns livros.

-Alguns livros é pouco- disse Packet indignada. Acho que minha saída sem explicação depois da noite que tivemos a deixou irritada- eu vi a pilha pela janela da biblioteca.

-É uma surpresa- respondi- que quero fazer para todos vocês. Mas então, voltando ao assunto do filme, qual filme vocês verão?

Peixe Grande e suas histórias maravilhosas do Burton- respondeu Stall- mas ainda prefiro Edward mãos de tesoura.

- Eu prefiro mais A fantástica fábrica de chocolate- disse Juliet- meu filme preferido.

-Você tem todos os filmes dele?- perguntei para Stall.

-Sim- respondeu Stall- tenho a coleção completa.

-E por acaso- fiz uma pequena pausa para comer um pedaço da lasanha, que por sinal estava muito boa- A noiva cadáver?

-Sim- respondeu- tenho todos.

-Eu prefiro Marte Ataca- disse High.

Todos começaram a rir e foi quando eu pensei: “Uma pista falsa” ele me disse. “Não são apenas livros. Filmes também podem dar pistas”, pensei. Poderia eu ter perdido todo o meu tempo na biblioteca?

-O meu preferido é...

Os fantasmas se divertem- interrompi Carmen.

-Esse mesmo- ela disse. Desde que Gabriel voltou, Carmen estava sorrindo cada vez mais- como você...

-Stall- fiz uma pequena pausa para pegar mais um pedaço da lasanha, já que não comeria mais- o filme está lá em cima?

-Sim

Ele nem terminou de falar eu sai correndo para a sala de televisão.

-Se você fizer alguma coisa com meu filme eu te mato!- gritou Stall.

-Não se algo te matar primeiro- sussurrei para mim.

Coloquei o filme e logo descobri a primeira pista. O vulto vinha de um portal. “Mas seria o mesmo portal do filme?” pensei. Não importa. Ele não disse que tinha que especificar o local exato, só disse de onde.

            Comecei a ver a coleção de filmes que tinha na sala e também a coleção de filmes de Stall. “Os outros”, “O sexto sentido”, “Gasparzinho”, “Ghost”, mas nenhum dava uma novidade, além é claro, de que eu via gente morta.

            Começou a escurecer e sai correndo para a biblioteca.

            “Pelo visto eles não quiseram ver o filme” pensei enquanto estava descendo as escadas.

            E foi quando eu abri a porta da biblioteca que eu percebi que meu pensamento estava completamente certo. Todos estavam sentados nas cadeiras confortáveis da biblioteca, provavelmente me esperando. Packet se levantou da cadeira e todos fizeram o mesmo.

            -Belkks- Packet disse vindo em minha direção- precisamos ter uma pequena conversa.

            E foi quando eu percebi. Packet e os outros não estavam normais, nem menos pareciam estar.

            -Vamos brincar- disse High- você não nos acompanha em nossas brincadeiras.

            Comecei a andar para trás devagar. Logo percebi: todos estavam com alguma coisa nas mãos, escondidas atrás de suas costas, mas o reflexo na janela mostrava tudo. High estava com um martelo. Stall com um cano. Juliet com uma faca. Gabriel com uma espada, que era muito bonita, mas não muito atraente no momento. Carmen estava com uma corda como se algum pescoço estivesse ali. E Packet. Minha bela namorada estava com nada mais nada menos do que um afiado e perigoso machado.

            “Se eu fosse você eu corria”, disse o vulto em minha mente. E foi o que eu fiz. 

Capítulo 13- A segunda pista

Corria pela casa até finalmente chegar ao jardim. Corri desesperado para tentar salvar minha vida, enquanto ainda podia tê-la. Todos corriam juntos para me procurar. A sede pela minha morte era evidente na face de todos.

Vi uma árvore bem alta e subi nela.

“Consegui despistá-los” pensei.

 Comecei a espiá-los e ver os lugares por onde passavam tentando me encontrar. Quando entraram no barco, o vulto ficou ao meu lado, num outro tronco da árvore.

-Você não vai procurar mais pistas?- perguntou o vulto, com uma maça em sua mão direita.

-O quê?- perguntei ofegante.

-Você ainda tem que descobrir quem eu sou- disse o vulto- você tem que se lembrar.

-Não posso acreditar em você- retruquei- você me deu pistas falsas e decidiu piorar seu joguinho controlando meus amigos.

-Não tenho culpa se a mente deles é fraca como a sua- respondeu o vulto- a Carmen foi a que mais difícil. Tentou me bloquear. Talvez ela soubesse que eu ainda estava em ação.

-Se ela tentou te bloquear- falei para o vulto- ela deve saber uma pista de quem você é.

-Certamente- disse o vulto- todas as suas respostas estão dentro daquela casa e em sua mente. Não se esqueça que seu tempo está acabando. Vou te dar uma chance.

Foi quando percebi que todos subiram no barco do pai de Packet. Após alguns segundos o barco ficou no meio do lago.

-Eles ficaram lá por quinze minutos- disse o vulto- depois desse tempo a matança continua.

-Que matança se ninguém morreu?- perguntei ironicamente.

-Ainda.

E o vulto sumiu.

Desci da árvore e corri para a casa. Comecei a buscar pelas últimas coisas que eles estavam fazendo e tentar achar alguma pista.

Parecia que todos ficaram na sala por um tempo, enquanto eu assistia aos filmes. Sanduíches, revistas, almofadas, estavam espalhados pelo tapete. Mas a coisa que mais chamava a atenção era o livro que Carmen sempre levava com ela.

Abri o livro tentando achar alguma pista, mas não tinha nada escrito. Tinha uma frase circulada com lápis, o que provavelmente foi realizado por Carmen. Estava circulada a frase que dizia que os fantasmas poderiam dominar a mente das pessoas.

“Cinco minutos” pensei. Ainda tinha dez minutos e o livro tinha que ter mais alguma coisa e foi quando eu vi o marcador de páginas, com todas as palavras maiúsculas na parte de trás:

“OLHAR AS FOTOS DE PACKET”.

Não sei se essa mensagem era para mim ou se era alguma coisa que Carmen não queria esquecer, mas decidi fazer o que estava escrito.

Fui para a sala de troféus, já que era o único lugar com fotos na casa. Vasculhei por todos os lugares por algum álbum de fotos. Mas nada aparecia. Comecei a entrar em pânico.

“Dez minutos” pensei.

Comecei a tirar todos os troféus, medalhas, fitas de VHS com os prêmios da família, e jogá-los no chão, mas não achava foto nenhuma, além das fotos de Packet e seus pais. Procurei pelas gavetas do móvel, mas não tinha nada, além de uma grande chave prateada. Decidi pega-lá, caso fosse alguma pista.

Olhei pela janela. O barco já estava voltando. Não tinha mais tempo. Os quinze minutos se passaram e eu falhei.

Vi um espelho que estava na sala de troféus pendurado na parede. Eu o peguei e taquei no chão, para quebrá-lo em vários pedaços e, podendo usar seus cacos como armas contra meus próprios amigos.

“Como você é idiota” disse o vulto em minha mente.

Olhei de novo pela janela. Todos estavam saindo do barco e agora eles seguindo o vulto.

Comecei a andar de um lado para o outro, me preparando para morrer. Na verdade, nunca tinha pensando em minha morte. Pensava que iria morrer de morte natural e de preferência dormindo. Mas não era o que estavas prestes a acontecer. Provavelmente eu seria esquartejado, mas antes torturado até gritar de tanta dor.

Peguei o espelho que estava ao contrário e o virei para sua parte quebrada para pegar um caco maior. Eu quebrei o espelho e nem percebi que a foto estava guardada dentro dele. A foto da pessoa que estava me perseguindo por todo esse tempo. E lá estava ele, do lado de Packet e de seus pais.

A maçaneta da porta virou e todos entraram. Foi então que me veio à cabeça a cena do filme que me dera à primeira dica:

-Não!- gritou o vulto.

- Elizinski! Elizinski! Elizinsk!- gritei.

Um clarão surgiu. De repente todos estavam no porão novamente. Todos voltaram ao normal. E lá estava ele, do mesmo modo que ele tinha morrido. Ele e Rash estavam lado a lado na frente daquela parede estranha com uma fechadura. Lá estava um amigo que não via há muito tempo pelo fato de estar morto. Diante de meus olhos estava Elizinski Fuhg.

-Primo!- gritou Packet.

Agora tudo estava explicado.

Capítulo 14- A última pista

 - Que bom te ver- disse Packet que começou a andar em direção à Elizinsk.

-Não encoste em mim- disse Elizinsk.

-O que está acontecendo?- perguntou Gabriel- Não estou entendo nada.

-Elizinsk era um amigo nosso de infância- disse Carmen- mas ele acabou...

-Morrendo- interrompeu Elizinsk- morri num terrível acidente com um caminhão.

- Mas é claro!- eu disse- As caixas brancas espalhadas por toda a sala, os espelhos que quebravam, o colar em forma de triângulo e o carinho de brinquedo. Tudo agora faz sentido.

-Sim- disse Elizinsk- Tudo que estava naquela sala tinha algum significado com meus últimos momentos nesse mundo.

- O que aconteceu?- perguntou High.

-Ele... - Carmen começou a dizer.

- Por que estragar a diversão Carmen?- disse Elizinsk se aproximando de nós- se eu posso mostrar?

E todo o porão ficou claro. Quando percebemos, estávamos quase no final de uma rua sem saída, num formato triangular. A pequena-Carmen, o pequeno-Elizinsk e o pequeno-Bellks estavam jogando bola na rua deserta, como faziam sempre.

- O motivo de tudo- disse Elizinsk.

De repente estávamos próximos das crianças e conseguíamos ouvir toda a conversa.

- Vai Bellks!- gritou Elizinsk- chute com a maior força que você puder!

A bola estava parada. Elizinsk estava no gol imaginário. O pequeno-Bellks chutou a bola com toda a força que podia. A bola foi tão forte que acabou no final da rua sem-saída. O problema é que no final da rua ficava a casa da Sra. Visteins, uma moça de idade que todos da rua tinham medo, menos claro, Elizinsk e Carmen.

-Vá buscar bola agora- disse Elizinsk.

-Não vou!- gritou o pequeno-Bellks- a Sra. Visteins vai querer me transformar num delicioso biscoito e depois vai me comer!

-Você realmente acredita nisso?- perguntou a pequena Carmen.

-Tudo bem então- disse Elizinsk reclamando- eu pego a bola. Para de ser criança Bellks! Você tem que crescer!

E essas foram as últimas palavras de Elizinsk. A pequena-Carmen e o pequeno-Bellks estavam sentados na calçada esperando o pequeno- Elizinsk pegar a bola. Foi então que apareceu. Um caminhão estava vindo em alta velocidade. O caminhoneiro estava o mais bêbado possível e o caminhão não fica em linha reta de jeito nenhum. O caminhão passou pela pequena-Carmen e pelo pequeno-Bellks sem reduzir a velocidade.

- E agora o clímax!- gritou Elizinsk empolgado.

- Elizinsk cuidado!- gritou a pequena-Carmen e o pequeno-Bellks, mas era tarde de mais.

O pequeno Elizinsk estava agachado com as mãos na bola. O caminhoneiro tentou frear, mas mesmo assim a roda da direita atropelou o pequeno-Elizinsk, esmagando-o completamente. Para melhorar a situação, a porta do container do caminhão estava aberta e várias caixas caíram em cima do pequeno- Elizinsk e pela rua. O pior é que algumas caixas estavam abertas e todos os vidros que estavam dentro delas caíram nele, deixando seu corpo cada vez mais deformado. O caminhão ainda destruiu a cerca da Sra. Visteins e quase entrou na casa dela.

A mãe de Elizinsk saiu pela porta de sua casa em direção ao filho esmagado. Ela nem conseguia chegar perto dele de tão traumatizada que estava. De repente todos os vizinhos saíram de suas casas.

-O que aconteceu com sua mãe?- perguntou High.

-Se matou é claro- disse Elizinsk com um tom de remorso- ficou tão traumatizada com minha morte que não conseguia admitir o que aconteceu. Ela pegou uma corda e se suicidou. Meu pai ficou inconformado e se matou também, mas queria uma morte rápida. Ele estava num parque de diversões. Ele estava na fila da montanha-russa. O carinho dava duas voltas e, assim que completou a primeira volta meu pai empurrou todos da fila, bateu no responsável pelo brinquedo e se deitou sobre o trilho. Bem... Usem a imaginação.

    Tudo ficou claro e estávamos no porão novamente. Rash estava do lado da fechadura na parede. Packet estava numa caixa de vidro de três metros.

-Agora- disse Elizinsk- Rash, eu gostaria que você desse para o nosso herói a última pista.

Do bolso esquerdo Rash tirou uma chave torta prateada e me entregou. Parecia que ela já tinha sido usada várias vezes pela sua deformação, mas ela ainda brilhava como se estivesse novinha.

- O que vai acontecer?- perguntei olhando para a chave.

- É verdade!- disse Elizinsk- como pude me esquecer! Que falta de educação. Esqueci a última parte. O portal.

-O que tem ele?- perguntou Carmen.

-Você sabia disso?- perguntou Gabriel.

-Acho que está evidente não? Lembra quando...

-Cala a boca!- gritou Elizinsk- como vocês falam. Eu posso terminar de falar ou será que vocês me interromperão de novo.

E Elizinsk levantou sua mão e a dor que ele fez comigo na noite com Packet se repetiu com todos que ficaram de joelhos, gritando de dor.

-Posso falar?- gritou Elizinsk raivoso.

- Sim- gritaram todos.

E Elizinsk parou. Como já tinha passado por aquilo foi fácil de voltar ao normal, Gabriel e High ainda estavam de joelhos com muita dor.

- Diz logo!- disse Stall.

-Você quer...

-Não!- gritei- diga logo. Pare de torturá-los se o culpado de tudo isso sou eu.

- Nossa que clichê Bellks- disse Elizinsk- sempre o defensor da pátria. Mas muito bem, não irei torturar seu amigo.

Uma pequena pausa foi dada até todos estarem em pé.

- O portal que está atrás dessa parede é nada mais nada menos do que todas as suas lembranças e memórias, sejam elas boas ou ruins. Assim que você colocar essa chave na fechadura e abrir o portal, poderei levar minha bela priminha para lá.

- E por que você faz isso com ela?- perguntei.

- Isso quem respondi é o Rash- disse Elizinsk.

Olhei para Rash com a menor paciência que tinha. Packet estava em pânico batendo na caixa de vidro, mas ela não quebrava de jeito nenhum.

- E então?- perguntei para Rash- Por quê?

- O senhor está namorando a Srta. Packet certo?- perguntou Rash.

-Sim.

-Pois bem- disse Rash- todos os homens que futuramente se casarão com as mulheres da família de Packet têm que passar por um desafio, que é passar pelas suas próprias mentes. Assim que eles acabam o desafio, tudo volta ao normal, exceto dessa vez.

- Por que exceto dessa vez?- perguntou Juliet.

-Porque dessa vez o mundo acabará- disse Rash- daqui dois anos uma guerra atômica surgirá. Vários lugares ficarão destruídos e será impossível de viver no planeta. Quando perceberem o que fizeram, todos os presidentes vivos farão um acordo para construir uma bomba forte o suficiente para destruir toda a Terra.

-E o que acontecerá de diferente?- perguntei.

- O senhor só saberá no final do desafio.

Olhei para a chave. Ficava pensando em todas as informações que me foram ditas. Não conseguia acreditar em nenhuma palavra que vinha da boca deles, mas era  verdade.

- E se eu não aceitar o desafio?- perguntei.

- Mato todos agora- disse Elizinsk- você não entendeu? Você terá que me matar de novo, mas dessa vez no meu mundo, ou melhor, na sua mente.

Andei para perto da fechadura. Olhei para Elizinsk.

-E apenas eu posso abrir esse portal?- perguntei.

-Sim- disse Elizinsk- eu fui o escolhido para sair dele. Apenas uma lembrança, a mais forte de todas, pode sair pelo portal e apenas uma vez. Agora se você não se incomodar eu quero voltar para casa.

Levantei minha mão e coloquei a chave na fechadura. Fechei minha mão em sua cauda. Mas fiquei parado. Estátua total.

-Não consigo.

- Por que não?- perguntou Juliet- vamos morrer se fosse não o fizer!

-Não consigo!- gritei- Não conseguirei enfrentar minhas próprias lembranças. E que diferença faz? Morreremos de qualquer jeito.

-Nossa Bellks- disse Elizinsk- como você é egoísta. Só pensa que você vai sofrer. Bem, deixa eu te ajudar a decidir.

A caixa de vidro desapareceu e Elizinsk estava abraçando Packet com toda a força e em sua mão direita estava uma faca. Ele rapidamente levantou sua mão e colocou perto da garganta de Packet.

-Se você não abrir o portal eu mato Packet agora!- gritou Elizinsk.

-Bellks abre! Por favor! Abre! Está doendo!- gritou Packet.

-Está bem!- gritei.

Virei a chave. A parede começou a tremer e todos saíram de perto dela. Todos os tijolos começaram a cair e um grande portão de ferro estava na frente do portal. O portal mostrava uma grande cidade deserta.

-Bem se vocês me dão licença eu preciso ir- disse Elizinsk.

Ele saiu correndo em direção ao portal e entrou com Packet agarrada em seu braço direito.

-NÃO!- gritei de tanta raiva- DESGRAÇADO!

Fiquei de joelhos e comecei a chorar. Todos ficaram ao meu redor.

-Vamos Bellks- disse Juliet com calma- temos que salvar Packet.

Mas não conseguia parar de chorar. Chorava de raiva, de angústia, de fúria. Comecei a perceber que não seria tão difícil de matá-lo.

-Vamos Bellks- disse High- não podemos voltar. Temos que seguir em frente.

- Mas como? Ele pegou minha namorada e está noutro mundo que ele domina! Serei inútil.

-Não se eu puder evitar- disse uma voz vinda do portal.

E foi quando Carmen teve outro desmaio. Essas férias eram as mais confusas de todas as nossas vidas, e ele ajudou a ficar ainda mais confusa. E ele estava de pé na minha frente. O loiro, alto, de olhos verdes também voltou do mundo dos mortos, mas voltou para me ajudar.

- Eu te ajudo- disse Sky.

Capítulo 15- O portal

Todos foram ajudar Carmen enquanto eu falava com a lembrança, ou fantasma de Sky. Não sabia o que era.

- Então vocês são os fantasmas de minhas lembranças?- perguntei para Sky.

- Não, somos apenas suas lembranças. Parecemos fantasmas porque temos esses poderes. Para lhe informar: fantasmas não existem.

Nesse caso, eu estava falando com a memória de Sky.

- Então... Qual o plano?- perguntei para Sky.

- Eu não sei ao certo- disse Sky- afinal, é a sua mente! As suas memórias. Eu apenas convivo com elas.

-Quer dizer que você conviveu com...

-Sim convivi- disse Sky.

-Com quem?- perguntou High.

-Agora não importa- retruquei com um tom severo.

-Pode ser que agora não- sussurrou Sky- mas pode apostar que será um de seus desafios.

-Se esse lugar é minha mente, eu posso controlá-lo certo?

-Sim- disse Sky- mas apenas quando você terminar seu desafio. Posso dizer que as coisas não estão fáceis para você Bellks.

- Eu sei- disse- se você conviveu com a...

-Já respondi que sim Bellks- disse Sky- não perca seu tempo, porque não temos nenhum.

Quando me dei conta, Rash estava ainda lá. Talvez esperando alguma coisa de extraordinário acontecer.

- O que você está esperando?- perguntei.

-O senhor é claro- disse Rash- assim que o senhor entrar nesse portal tudo neste mundo ficará congelado, até o seu retorno.

-E se eu não retornar?- perguntei para Rash.

-Não vamos pensar no pior- disse Sky- o que importa é que você tenha uma idéia do que te espera.

-Pois bem, me diga então- eu disse.

- Bem, como você percebeu, o portal mostra exatamente para onde estamos indo. A sua mente é uma cidade, como todas as outras mentes. Dentro delas estarão seus pensamentos, suas memórias e suas emoções. Você terá que passar por todos os desafios até finalmente chegar ao desafio final.

- Que seria matar Elizinsk- eu disse.

- Não exatamente- disse Sky- nenhum de nós pode te dar essa informação. Se alguma pessoa de sua mente tentar dar alguma informação que afetará os desafios, essa pessoa desaparece.

-Então perguntarei para Rash- eu disse.

-Mas sou um fruto de sua mente- disse Rash- Quando Elizinsk disse que apenas uma lembrança poderia vir para esse mundo, ele esta falando do lado dele. Existem três lados: o lado do bem, do mal e o servo. Desde que você era pequeno eu representei seu lado de servo. Quando você estava vindo para cá e ativou o portal, me transformei nesse ser que você está vendo agora.

- E eu represento o lado do bem- disse Sky.

- Certo- eu disse- Então todos são pessoas na minha mente?

- Sim- respondeu Sky- todos têm a forma de seus pensadores. Afinal, seria injusto você lutar com livro de matemática gigante.

- Odeio esse pesadelo- eu disse.

Carmen voltou a si, mas ainda não tinha visto Sky novamente. Afinal, todos estavam em volta dela.

- Acho uma boa idéia você ir primeiro- eu disse- afinal não temos tempo.

- Sim- disse Sky- mas tenho que te avisar uma coisa para achar o caminho.

- O que?- perguntei.

- Você sabe que esse portal tem as cidades das mentes de cada homem que se casou com uma mulher da família de Packet, certo?

-Sim- respondi.

-Muito bem- disse Sky- assim que você entrar no portal, você estará num grande túnel. Você e seus amigos ficaram flutuando até dizer você dizer “Mente”. Assim que você disser isso, vocês e seus amigos serão puxados para a cidade da sua mente.

-Puxados por quem?- perguntei.

-Você verá- disse Sky- afinal, essa é uma das semelhanças entre as mentes.

-Qual semelhança?- perguntei.

-Todo homem que se casou com uma mulher da família de Packet teve o mesmo sonho, seja quando ele era um bebê ou idoso. No seu caso foi quando criança, então você não deve se lembrar. Bem, tenho que ir. Até.

-Até.

E a lembrança de Sky rapidamente passou pelo portal, deformando a imagem da cidade. Assim que o último átomo dele entrou no portal, a figura da cidade voltou ao normal.

Entrei na roda que estava em volta de Carmen.

- Aquele era Sky?- perguntou Carmen para mim.

-Sim- disse Juliet- e não. Era apenas uma lembrança.

-Então quero vê-lo- disse Carmen.

-Nós já discutimos sobre isso- disse Gabriel.

-Eu sei- disse Carmen- mas não consigo tirá-lo da minha cabeça em momento algum. Tenho que falar com ele.

 -Não temos tempo- eu disse- temos que ir logo.

- Por que não temos tempo?- perguntou Carmen.

 “Eu não tinha pensando nisso”, pensei. Me virei para Rash que logo respondeu.

-O portal se fechará- disse Rash- assim que o espírito do lado do mal entrar no portal, o escolhido tem uma hora para entrar e, já se passaram quarenta e cinco minutos.

            -Muito bem então- disse Carmen- temos que ir.

            Carmen se levantou e deus suas mãos para Gabriel. Stall e Juliet fizeram o mesmo, enquanto eu estava sozinho, como High. Como queria estar com Packet naquele exato momento.

            -Todos têm que se dar as mãos- eu disse.

            Assim que todos estavam de mãos dadas, fizemos uma fila indiana. Eu estava na frente, segurando a mão de Carmen.

            -Não se preocupe- Carmen sussurrou no meu ouvido- tudo ficará bem.

            -Assim espero- sussurrei.

            - Boa sorte senhor- disse Rash- você precisará.

            -Obrigado.

            Assim que minha cabeça passou pela porta eu estava num lugar parecido com o espaço. Tudo estava escuro e não dava para ver tudo. Não havia gravidade. Eu estava flutuando.

            -Estão todos presentes?- perguntei. 

            -Sim- disseram todos.

            -Então neste caso- fiz uma pequena pausa- Mente.

            E foi assim que tudo começou.

5 comentários:

Luciano Carneiro disse...

Bem, já li até o capítulo 11, e espero terminar em breve. To gostando, embora acho (mas não tenho certeza) que gosto mais do primeiro. Esse ta mais bem escrito, e a evolução é evidente, mas a história do primeiro me atrai mais. Mas acho que sou excessão.

FELIPE G2 disse...

Então, terminou de ler?

Anônimo disse...

Li todo o livro óó

gostei bastante .. mais quase morri cum u final .. tipo no meio do livros ce deu umas brisadas boas ashasuhasuh.. mais blz ..

:D

Leh

FELIPE G2 disse...

Pq vc quase morreu no final?

Luciano Carneiro disse...

É... brisou no final. Prefiro o primeiro. Ah, e eu não entendi uma coisinha, mas depois te pergunto.