23 de julho de 2009

LIVRO III- Capítulo 10

Capítulo 10- Any

Uma linda menina negra com mais ou menos dezesseis anos estava coberta pela luz do estádio. Alta, bela e robusta, usando nada mais nada menos do que um vestido branco de casamento.

-Olá Any

-Faz muito tempo não Bellks?

-Sim- respondeu o mesmo.

-O que está acontecendo?- sussurrou Juliet para Stall.

-VOCÊ QUER MESMO SABER?- berrou Any.

-Não...

-Como assim Bellks? Não quer que seus amigos saibam a verdade? Problema seu fedelho!

Todas as luzes do estádio se apagaram.

-Éramos um lindo casal- berrou Any.

-Pare!- disse Bellks.

-Começamos a sair e ele não queria contar para ninguém sobre nosso relacionamento só porque eu era negra.

As luzes acenderam e Any estava ao lado de Bellks.

-Nosso amor era tão puro não era meu amor?- perguntou Any encostando sua cabeça no ombro de Bellks- Ficávamos noites e noites no telhado do teatro da minha rua observando o céu à noite.

-Eu tenho outra agora Any- disse Bellks se desgrudando de Any e dando alguns passos para trás.

-Disso eu já sei seu idiota, mas deixe-me continuar a história que seus amigos não sabem- disse Any dando alguns pulinhos- por favor? Deixa vai!

-Eu não escondia você porque você era negra. Eu não me importo com isso e se meus pais se importassem eu não ligaria. Eu parei de sair com você porque você era louca!- disse Bellks levantando a voz na última palavra.

-Hahahaha!- soltou Any uma gargalhada e parando de dar seus pulinhos- eu? Louca? Imagine só? Você ainda tem a marca na nádega direita Benjinho?

-Que marca?- sussurrou High para Juliet.

-Ha!- soltou Any uma nova gargalhada, mas penetrante que a anterior- eles não sabem? Pois eu conto...

-Na nossa primeira noite juntos Any fincou uma faca na minha nádega direita.

-Ele saiu correndo para o hospital dando a desculpa que estava em casa e sentou em cima do faqueiro. A verdade é que estávamos no carro do pai dele...

-Você roubou o carro do seu pai?- perguntou Stall.

-Você faz coisas idiotas por amor- disse Bellks.

-Ai! Que lindo- disse Any sarcasticamente- amor...

-Só me diga que isso foi antes de Packet- disse Juliet.

-Um ano anterior- disse Bellks- e cinco meses para ser mais exato. Nos conhecemos na sessão de um filme. Começamos a conversar e uma coisa levou a outra e começamos a sair.

-Três meses e ele nunca me apresentou à vocês- disse Any.

-Porque você não estava pronta- disse Bellks- e continua não estando.

-Mas vamos continuar a história?- perguntou Any implorando de joelhos- tem tanta coisa que você nãos sabe Bellks.

-Sei o que aconteceu depois- disse Bellks- você foi embora.

Any se levantou e deu um tapa na cara de Bellks. As luzes se apagaram novamente.

-Nunca pule detalhes numa história!- gritou Any- Mentiroso.

-O que mais eu teria que falar?- perguntou Bellks- que eu te deixei? Que eu não retornava suas ligações? Que eu me escondia de você?

-Sim- disse Any- era exatamente tudo isso que eu queria ouvir. E você sabe o que aconteceu comigo depois disso Bellks?

-Não- disse Bellks- eu nunca mais te vi.

-Exato!- disse Any- fiquei em total depressão. Não conseguia olhar para nenhuma pessoa, nem mesmo para os meus pais. Eles pensaram que era alguma coisa na escola, eu disse que não era. Eles pensaram que era alguma coisa em casa, mas eu disse que não era. Então...

-Vocês se mudaram- disse Juliet.

-Exatamente- disse Any- a coisa mais óbvia que meus pais queriam era sair daquele lugar. Afinal eu sempre fui a filha alegre, feliz por viver, agradecida por tudo que eles amavam. O que tinha acontecido comigo? Eles não sabiam e coloram a culpa no lugar que eu mais amava.

-Você era louca!- gritou Bellks- você me mandava cartas com ameaças de morte!

-Mas era porque eu te amava meu amor- disse Any chorando- eu não conseguia ficar longe de você.

As luzes se apagaram e logo ascenderam novamente e Any estava perto de Bellks, cerca de seis metros.

-Ainda não consigo ficar longe de você- disse Any.

-Mas eu consigo- disse Bellks dando um passo para trás- e o que aconteceu?

-Me mudei- disse Any- meus pais perceberam que eles tinham apenas piorado as coisas. Mudei-me para uma casa perto de um lago, sabia? No alto de uma montanha. Era só pegar o carro que em cerca de dez minutos eu já estava perto do lago.

Juliet soltou um grito agonizante. Ela sabia o que tinha acontecido.

-Me matei- disse Any- não conseguia ficar longe de você. Me joguei da montanha em direção aos rochedos.

-Isso pra mim pouco importa- disse Bellks- você era louca e isso não vai mudar minha opinião sobre você. Você merecia.

-Sério?- perguntou Any.

Todas as luzes se apagaram.

-E você poderia dizer isso na cara de seu filho? –berrou Any.

As luzes se ascenderam. Do lado de Any agora estava um menino usando um shorts preto e uma camisa preta. Ele não era muito negro, tinha puxado mais o pai do que a mãe.

-Ele seria assim com quatro anos- disse Any.

-Papai!- gritou o menino de felicidade por ver o pai pela primeira vez.

Bellks começou a desmoronar. Sentou no chão, colocou sua cabeça perto dos joelhos e começou a chorar. Seu filho ficou ao lado dele sem encostar no pai.

-Por que você está chorando papai?- perguntou o menino.

-Nada meu filho- disse Bellks saindo de sua posição fetal e dando um abraço no menino.

-Papai está aqui agora- disse Bellks com lágrimas saindo de seus olhos..

As luzes se apagaram. Bellks percebeu que estava dando um abraço no vazio e as luzes ascenderam novamente. O filho estava grudado ao lado da mãe.

-Agora você quer ser o pai?- perguntou Any- eu te telefonei, mandei cartas e você não respondeu nenhuma!

-Você me ameaçava de morte!- gritou Bellks- Você era uma vaca louca!

-Mas no final de todas as cartas eu dizia que eu tinha uma surpresa para o nosso futuro!- gritou Any com a voz rouca.

-Pensei que você queria me matar- disse Bellks com a voz fraca.

O filho de Bellks se soltou de Any e começou a correr em direção ao pai. Os dois deram novamente um abraço e Bellks percebeu que seu filho tinha colocado alguma coisa no bolso da calça de Bellks.

As luzes se apagaram e alguns passos foram ouvidos. As luzes se ascenderam e Any estava ao lado de Bellks e seu filho.

-Agora podemos ser uma filha feliz- disse Any abraçando os dois- unida por toda a eternidade.

O filho de Bellks segurou a mão do pai e começou a correr. Bellks começou a correr junto com o menino. Any ficou parada exatamente no lugar onde estava.

-Não faça isso papai- disse o menino- mamãe me maltrata.

-Como assim meu filho?- perguntou Bellks.

E as luzes apagaram. Quando as luzes ascenderam Bellks pode ver o braço do menino todo com cortes de faca.

-Me salve pai- disse o menino- me mate papai.

As luzes ascenderam. Any estava ao lado do menino. Agarrou-o e começou a correr.

-PAI!- berrou o menino.

Quando Bellks colocou a mão no bolso, ele pegou a faca que a mãe usava para torturar o menino. Bellks começou a correr tentando alcançar os dois.

-Hahaha!- soltou Any outra gargalhada- você nunca mais verá o menino Benjinho.

As luzes se apagaram, mas Bellks continuou a correr. As luzes ascenderam novamente e eles não estavam mais lá.

-Aqui!- gritou o menino- pai!

Bellks virou-se para a esquerda e viu os dois parados.

-Estou indo filho- disse Bellks.

As luzes se apagaram novamente. Bellks ficou parado.

-Pai!- gritou o menino!

Bellks começou a chorar e começou a correr no escuro do estádio. As luzes ascenderam de novo. Sabia que tinha que deixar seu filho longe de Any, mas não podia aceitar o pedido do filho, nem ao menos torná-lo realidade.

-Aqui idiota!- gritou Any soltando logo em seguida outra gargalhada- você nunca irá nos pegar.

As luzes se apagaram novamente e Bellks lembrou-se do pedido de Packet, ouviu os berros de seu filho em total desespero. Foi então que tudo estava entendido. Ele estava sofrendo, mas não tinha que ser assim. Aquele era seu mundo. Em seu mundo ele tinha que ser feliz, ele tinha que fazer tudo o que podia e tudo o que queria que acontecesse.

As luzes do estádio ascenderam.

-Como?- perguntou Any.

-Apenas use sua mente- disse Bellks.

-ISSO!- gritou Sky abraçando Juliet e todos- ele conseguiu!

-Conseguiu o que?- perguntou High.

-Eu que mando na minha mente!- gritou Bellks- e não você Any e nem mais ninguém.

Assim que essas palavras foram ditas, Any soltou seu filho que começou a correr em direção ao pai. Assim, Any começou a sentir uma leve coceira que começou a se espalhar pelo corpo. Quando percebeu, a pequena coceira era na verdade fogo. Em poucos segundos Any virou cinzas espalhadas pelo vento.

-Papai!- gritou o menino dando um abraço no filho- obrigado papai.

-Não se preocupe filho- disse Bellks nunca te deixarei. Isso é uma promessa. Mas filho, posso te pedir uma coisa?

-Qualquer coisa pai- disse o menino.

-Me diga seu nome.

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