20 de julho de 2009

Livro III- Capítulo 8

LIVRO III- Cap 8- A decisão de Carmen

-Você tem que falar com ela- disse Sky dentro do quarto de vassouras, todo empoeirado.

-Ela não me ama mais- disse Gabriel chorando e colocando as mão em sua faze para esconder a mesma.

-Para de ser melodramático- disse Sky tirando as mãos de Gabriel de sua face- se ela realmente não te amasse ela não estaria aqui. Ela iria ficar arrasada se ouvisse isso. Você deu a coisa que ela mais gosta neste mundo. Agora não sei. Afinal ela está esperando um bebê.

-O que eu dei para ela?- perguntou Gabriel- Se você disser amor...

-O cachorro dela- disse Sky- quando começamos a sair, a única coisa que ela falava era do cachorro. Ela falou que foi o melhor presente que ela ganhou na vida. Se não fosse o cachorro ela iria se suicidar.

-Como assim se suicidar?- perguntou Gabriel.

-Ela estava muito só, e, quando ela viu o cachorro que você deu para ela- disse Sky- ela sabia que tinha um amigo.

-Mas o cachorro dela morreu- disse Gabriel.

-Exatamente o que eu disse- disse Sky- foi o melhor presente.

-Mas como vou saber se este bebê é meu ou não?-perguntou Gabriel- ainda não sei como você me convenceu a conversar com você. Nós namoramos a mesma menina.

-E só por causa disso temos que começar a Terceira Guerra Mundial?- perguntou Sky- não se preocupe que esta já foi encomendada. Eu posso te assegurar.

-Mas e o filho...

-Não importa quem gera a criança- disse Sky- mas sim quem um dia ela chamará de pai. Agora, enquanto ao sogro acho melhor você ter cuidado. Nenhum pai gosta de ter uma filha grávida com essa idade.

-Mas eu quero um filho meu- disse Gabriel.

Sky colocou suas mãos nos ombros de Gabriel e começou a apertar. Não forte, mas de um modo como se estivesse perto de dar uma moral de vida.

-Eu não posso voltar- disse Sky- se eu passar pelo portal eu simplesmente queimo até morrer. Você terá que cuidar da criança, quer você queira quer você não. Você ainda não percebeu? Se o filho fosse meu, ela já teria uma barriginha. Você lembra-se da barriga dela estar maior? Não. Ela simplesmente fez isso para te dar inveja.

Perplexo com a novidade que estava ouvindo, Gabriel não tinha notado o quão egoísta tinha sido e nem como burro também. A barriga sempre esteve normal. Nenhum quilo a mais ou um quilo a menos.

-E se você quer saber- disse Sky- eu já fiz o teste e você é o verdadeiro pai.

-Como você sabe?- perguntou Sky.

-Teste de DNA- disse Sky como se fosse óbvio- você acha que só porque estamos num mundo imaginário, toda a realidade foi embora? Enquanto Carmen dormia, eu cortei alguns fios de cabelo. Fiz a mesma coisa com você e comigo. Você é o pai.

A palma da verdade deu um tapa na cabeça de Gabriel. Agora teria que se casar com ela? Será que ela aceitaria? E o sogro? E a sogra? E seus pais? E o bebê? Como seria a sua vida e a de Carmen? Teria que começar a trabalhar? Não sabia a resposta, mas sabia que não era essa a primeira coisa a qual deveria se preocupar.

-Agora- disse Sky- você tem que reconquistá-la.

-Como?- perguntou Gabriel.

-Eu deixei um smoking e girassóis em sua cama- disse Sky- se vista e vá até o quarto de Carmen. Diga que você quer ser o pai da criança e não importa o que aconteça você estará por perto.

-Tudo bem- disse Gabriel- não posso dizer o quanto eu agradeço.

-Só quero vê-la feliz- disse Sky- meus últimos momentos com ela apenas trouxe sofrimento. Um pouco de felicidade na vida dela não faria mal.

-Posso fazer uma pergunta?- perguntou Gabriel.

-Pode- disse Sky.

-Como é morrer?- perguntou Gabriel.

Um pequeno silêncio perpetuou no quarto, apenas por alguns momentos.

-Você tem medo da morte?- perguntou Sky .

-Todos temos- disse Gabriel- alguns são cínicos e falam que não tem nada de mais.

-E não tem- logo respondeu Sky- a dor sempre vem, é algo o qual ninguém escapa, mesmo anestesiado. É como se fosse um parto: começa com uma dor tremenda, como se você estivesse implodindo, mas depois tudo fica ótimo.

-E existe céu e inferno?- perguntou Gabriel.

-Este ponto não sei- disse Sky- ainda sou apenas uma memória. Quando as memórias fazem seus papéis e são esquecidas, elas são direcionadas para outros lugares.

-E que seria?- perguntou Gabriel.

-Uma estação de trem- disse Sky.

-Como?- perguntou Gabriel.

-Uma estação de trem- disse Sky- todos esperamos o trem passar. Entramos nele, mas não sabemos se no final de tudo teremos uma última estação.

-Entendi- disse Gabriel- e como você acha que Bellks está?

-Tenho que ser sincero com você- disse Sky- todos estão me torturando para torturá-lo.

-Como assim?- perguntou Gabriel.

-Não conte nada para ninguém- disse Sky- se você contar você morre.

-Nossa- disse Gabriel surpreso- tudo bem.

-É sério- disse Sky- eu te mato. Mas vamos ao assunto: Bellks tem que estar pronto para salvar Packet, aja o que houver. Ela é o último membro da família de Packet. O resto das herdeiras morrerão e nenhum descendente sobreviverá. Portanto, se quisermos que a linhagem continue...

-O que acontece se ele não conseguir?- perguntou Gabriel.

-Ela morre- disse Sky- a única mulher que morreu na família de Packet foi sua tia avó. Coitada. Cinquenta e sete adagas vindas em sua direção.

-E qual o desafio?- perguntou Gabriel.

-Tudo depende de cada mente- respondeu Sky- já teve salvamento de poços até lutas intergaláxigas. Tudo depende de Elizinsk.

-E por que ele faz tudo isso?- perguntou Gabriel.

-Porque ele condena Bellks por sua morte- respondeu Sky novamente- a memória que ficou com a conciencia mais pesada e mais vingativa foi a de Elinzinks. Ele determinará tudo. Agora só falta para Bellks as aulas com espada e o desafio sentimental.

-E este desafio sentimental seria o que?-perguntou Gabriel.

-Não posso te contar- disse Sky- mas é o mais pesado de todos. Pare de conversar comigo, sou apenas uma memória. Vá dizer a Carmen o quanto você a ama.

-Sim- disse Gabriel- obrigado por tudo.

-De nada- disse Sky.

Gabriel abriu a porta e saiu. Sky ficou ainda dentro do quarto de vassouras. Ficou observando as vassouras e pensou de como elas eram sortudas de não pensarem. Apagou a luz e ficou na escuridão, pensando na vida, ou melhor, na sua memória. Colocou as mãos no rosto e fechou os olhos.

-Nada a fazer por amor do que apenas amar.

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