18 de julho de 2009

VERÔNICA- Favela sem favela


Os filmes brasileiros ficam cada vez mais difíceis de se fazer, mas acho que isso é falta de criatividade. O que um filme falaria? A única coisa que teria de interessante de falar sobre o Brasil seria falar da corupção ou de uma mulher que fica no corpo de um homem e vice-versa (essa eu tô fora), o resto vem dos filmes estrangeiros. Uma boa ideia seria adaptar livros brasileiros, como por exemplo Depois Daquela Viagem, O gênio do crime, entre outros, mas isso não acontece. Mas, de filmes que falam sobre favela, um se destaca, pelo fato de ao mesmo tempo falar de favela, não falar de favela, e, ainda ressaltar a dificuldade de ensinar nesse pais, e, ainda o fato de ser difícil ser um professor (a). Esse filme é o nacional Verônica.


A história é sobre uma professora de escola pública do Rio de Janeiro, Verônica (Andréa Beltrão [suspiro]), que trabalha arduamente. Afinal, hoje fica cada vez mais difícil de dar aula. Num dia normal de aula, um aluno de Verônica, Leandro (Matheus de Sá), fica na escola pelo fato de ninguém ir buscá-lo. Quando Verônica vai levar o menino até a casa dele,la e descobre uma horrível verdade. Assim, Verônica começa a fugir com o menino, para tentar salvar a vida do mesmo.


Ficou com uma gostinho de quero mais (nossa, nem minha tataratataratataratatara tia avó usa essa)?Eu gostei do filme, ele é bom, mas tem várias falhas do roteiro. Um exemplo de falha é a cena da escola, na qual Verônica não explica para a coordenadora porque ela estava escondendo o menino da polícia, e, a coordenadora não faz questão de impedir a professora de fugir com o menino, o que seria uma bela falta.

Mas ao mesmo tempo que o roteiro mostra falhas, ele mostra como ele também é divertido e irônico, por exemplo, na cena que Verônica responde para Leandro quando o mesmo responde que gostaria de fugir para Milão, e, a cena na qual Verônica aprende a usar uma arma pela primeira vez. Ambas cômicas e irônicas.

Como eu comentei antes, o filme é um filme de favela sem favela. Como isso pode acontecer? Simplesmente porque invés de se focar no tráfico, na corrupção da polícia, e todo o bla blá blá que todos nós já ouvimos falar, o filme se foca do outro lado da moeda: das pessoas que são pressionadas pela polícia e pelos traficantes. Na verdade, o filme lembra muito Thelma e Lousie. Afinal, quem é que controla esses dois sistemas: homens. Quem está fugindo desses dois? Verônica, uma mulher. Novamente vemos a mulher sendo uma heroína, graças ao bom Deus.


Agora, não deve ser nenhuma novidade que a Andréa Beltrão carrega todo o filme, né? Sim, ela é a atriz principal e está perfeita como tal, mas ela carrega a falta de profissionalismo (nossa, palavra difícil, vai pro dicionário) dos outros atores, como por exemplo, da coordenadora de Verônica. O menino que faz Leandro (Mateus de Sá) não faz mal, na verdade está muito bem.


Mas uma coisa que eu não gostei do fundo do tecido muscular do meu coração foi a música final. A música final poderia ser uma bela música, cheia de esperança e liberdade, mas tem que usar uma música idiota, para variar, e ainda pesada e triste. Não pude me conter, mas a ideia de colocar aquela música para finalizar o filme foi completamente escrota.


Entre essas e outras, Verônica é um filme sem falar de favela, mas ainda sim tocar no assunto, com um roteiro mediano, mas fraco, no qual a atriz Andréa Beltrão que carrega está excelente e tem que carregar. Os filmes brasileiros têm que parar de depender de tanto de seus atores e se focaram mais na história.

Um comentário:

Essa vida tá bugada disse...

Felipe, pode não ter gostado da música final, mas ela fala sim de esperança. Tim Maia conta nela as coisas ruins pela qual passou e como ficou bem, ou ainda, como atingiu o "bom senso" (nome da música. :)


by Fhabiane