19 de agosto de 2009

DIVÃ- A diva Lília Cabral

Cara! Eu tô dopada!

Tem uma coisa que eu acho muito engraçado: a televisão brasileira se retém ao máximo de ser inteligente e de falar palavrão. Quando alguém se machuca, principalmente os adolescentes, invés de falar um bom e velho "porra!", o personagem fala "carambolas, acho que me machuquei". Cadê a naturalidade das coisas? Sem contar que é raro uma coisa ser inteligente, divertida e ainda reflexiva. Desse modo, das cinzas do cinema brasileiro (repleto de muitos comédias românticas fúteis), surge Divã.


O filme foi muito bem aclamado pelo público e pela mídia. A história fala sobre Mercedes (a ótima Lília Cabral), uma mulher de 40 anos que decide ir ao psicanalista. A partir do momento que ela entra no consultório, a vida de Mercedes muda radicalmente. Seu casamento acaba, de um modo estranho e diferente, sendo mais um "acordo", algo que achei bastante legal (odeio filmes que aparecem sempre as mulheres como as chatas que ficam pedido pensões e pensões e aparece aquele pai com cara de coitado e inocente), experimenta drogas, tem um amante, sai com homens jovens, aproveita a vida.


Nem posso dizer como o filme toca cada assunto com cada cuidado e aprofundamento. A cena que Mercedes fala sobre masturbação (na qual ela se lembra do Mel Gibson toda vez que faz [hilário]) com a amiga, na cena que ela experimenta droga (hilária), tudo muito bem construído, inclusive a cena mais dramática do filme, na qual Mercedes passa seus últimos momentos com a amiga Monica (a excelente Alessandra Richter). Mas a cena que me fez mais rir foi quando ela se separa do amante e começa a conversar com seu cabeleireiro (um homem, gay [novidade]) e quando ele começa a dizer "Sou emotivo por que" ela o interrompe e diz que "porque é gay" e ele "eu ia dizer brasileiro" e ela só chora ainda mais. Sem dizer que ela não é reprovada pelos seus palavrões, algo muito engraçado na primeira vez que ela fala (no dia do casamento).


Acho que tudo isso é graças a Lilília Cabral. Ela incorporou o personagem. Na verdade, o filme é baseado numa peça humorística, que, senão me engano, foi estrelada pela mesma. Agora imagine só: teatro e cinema, os dois juntos, no cinema brasileiro. É quase um milagre que isso tenha acontecido, e de um modo tão bom. Meus pais dizem que o filme Trair e Coçar é só Começar é um desastre (o filme é, pelo menos) comparado à peça, a qual tenho muita vontade de ver.

Num destaque do cinema brasileiro, Divã consegue além de ser um filme engraçado (outra cena que me lembrei agora foi a cena do casamento, outra cena hilária) e apaixonante, o filme ainda trás reflexões para nossas vidas, além de um roteiro afiado e ótimas atuações. Vale a pena dar uma conferida.

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