14 de agosto de 2009

LIVRO III- Capítulo 13

Capítulo 13- O segundo nascimento

Eu e Packet continuamos ali, parados como se o momento fosse único, e era realmente único. Era como ter tirado um grande peso de nossas costas. Só poderíamos comemorar de um único jeito: dando um beijo apaixonante.

Durante nosso beijo, algo inesperado aconteceu. Alguma coisa tinha saído de Packet e seu vestido agora estava manchado. Era muita coincidência para ser verdade: o bebê estava preste à nascer.

-Nada melhor para este dia- disse Packet dando um longo sorriso e começando a chorar.

-Antes de tudo eu tenho que te contar uma coisa.

-O que?- ela perguntou- estou meio sem tempo!

-Eu tenho um filho- assumi.

Se existiu uma cara de choque tão grande quanto à de Packet era a cara de uma pessoa que tinha acabado de ver Jesus Cristo ressuscitado, porque Packet não sabia de Any, ninguém sabia. Eram duas novidades, uma seguida da outra numa rápida explicação.

-Eu tive um relacionamento e meu filho está vivo. Aqui.

-Como assim?- perguntou Packet.

-Minha namorada se matou ainda grávida- tentei lhe explicar, embora aquilo fosse insano.

-Por que você me disse isso agora?- perguntou Packet.

-Porque estamos indo para o hospital. Todos estão lá. Nem eu sabia que tinha um filho. Estou tão chocado como você.

-Incluindo ele?- ela perguntou.

-Sim.

-Não tem problema- disse Packet- assumirei o cargo de mãe com total naturalidade.

-Assim espero.

-Você parou para pensar que ainda nem temos dezoito anos?- ela me perguntou.

-Na verdade, estou dando aleluia por isso ter acontecido.

-Por quê?- ela perguntou agora com uma curiosidade. Quem gostaria de ter toda aquela responsabilidade antes de ser adulto?

Antes mesmo que eu pudesse mentir, Packet começou a gritar. Eram as contrações. Era o momento exato de ir ao hospital. Fechei os olhos e imaginei novamente o mesmo hospital no campo de futebol.

-E agora?- ela perguntou se apoiando no meu braço.

-Um médico- respondi.

Imaginei o ator loiro, alto e musculoso que ela tanto gostava, como se fosse um presente para ela. Claro que dei mais alguns neurônios para o infeliz, senão meu filho ou filha poderia estar em perigo, além de minha namorada. Junto com o ator, uma cadeira de rodas foi rapidamente encomendada.

-Vamos querida- disse enquanto eu a ajudava a sentar na cadeira.

-Senhora qual o seu plano de saúde?- perguntou o médico.

-Bellks!- Packet deu um grito- não é hora de piadas.

-Sinto muito- admiti abaixando a cabeça.

Fechei os olhos e focalizei a sala de espera. Sabia que teria de ficar ali de qualquer jeito. Na verdade, eu podia arrumar um jeito de participar de tudo, mas queria que tudo mantivesse a maior naturalidade possível. Todos estavam lá, exceto Carmen que deveria estar dormindo, mas todos sentados e espantos. Tudo isso ao mesmo tempo.

-Mais um? E eu quero um milhão de dólares- disse High suplicando e apontando pela porta para o seu desejo se tornar realidade.

-Engraçadinho- disse Stall com sarcasmo.

-Que bom!- gritou Gabriel- nossos filhos! No mesmo dia.

-Eu sei- respondi entusiasmado. Só faltava Gabriel e eu pularmos como duas adolescentes quando são convidadas para o baile.

O médico ainda estava conosco. Assim que estávamos na sala ele saiu correndo com Packet na cadeira de roda para a sala do parto.

-Bellks!- ela gritou.

-Estou tentando tornar isso natural!

-Eu te mato! Não quero naturalidade! Eu estava sendo uma refém! Quero o rápido, prático e o indolor.

-É o nascimento do nosso filho! Tem que ser normal! Isso dói em mim tanto quanto em você.

-Então troque de lugar comigo! Tenha você o bebê! Vou te dar o maior apoio!

-Pai?- perguntou Benjamin.

-Oi filho- respondi olhando para baixo e vendo meu menino ali, sentado com os olhos esbugalhados de susto.

-Quem era aquela?- perguntou Benjamin com uma voz inocente.

-Aquela é sua nova mãe Benjamin.

-Que ótimo!- gritou ele ainda com sua voz de criança- você não sabe o quanto eu sofria com a minha Amy.

-Como assim?- perguntei.

Ela abaixou um pouco a camisa e pude ver uma cicatriz em forma de S.

-Tenho várias como essa.

-Por quê?- perguntei.

-Você quer que eu responda?- ele me perguntou.

-Ah!

-BELLKS!- gritou Packet.

-Naturalidade querida, naturalidade!- gritei de volta.

-Pai?

-Sim filho?

-O que vai acontecer agora?

-Agora seu novo irmão ou sua nova irmã vai nascer- respondi tentando mudar o assunto.

- Mas e depois disso?- ele perguntou.

Eu já sabia a resposta, mas não queria respondê-la naquele exato momento. Era um momento impróprio e tinha que ser um momento feliz. Menti só para ele não ficar triste. A realidade seria muito dura. Sky já sabia a resposta, mas não se intrometeu, o que eu achei nada mais nada menos do que justo.

-Vamos para casa.

-Sério?

-Não- menti.

Foi uma brincadeira de mau gosto e ele logo começou a chorar.

-Brincadeira filho- supliquei para que o choro cessasse.

-Bom mesmo- respondeu ele dando um grande sorriso. Tudo era fingimento.

-Você é esperto como seu pai.

-Um pouco mais eu diria- ele respondeu.

Demos uma risada que foi rapidamente cortada por um choro. Sabia que esse choro era do bebê. Chorei ao mesmo momento de felicidade e de tristeza. Era um sinal. Sky embora já imaginasse minha decisão, não falou nem se moveu. O momento estava chegando e meu tempo estava se esgotando.

3 comentários:

Mari disse...

Felipe eu rio muio com seus textos e essa "naturalidade querida naturalidade" e o "entao tenha o bebe voce vou te dar o maior apoio" não me sao estranhas. VocÊ baseia seus textos em filmes e livros ou é só fruto de minha mente?

Mirella Machado disse...

o Belks é meio estranho......

FELIPE G2 disse...

Mari, em tudo! Vem da cabeça, baseado, misturo, faço tudo!

Mirella,é quem não é?