24 de agosto de 2009

LIVRO III- Epílogo

Para comemorar as 300 postagens, nada mais justo do que o final da triologia.

Epílogo- A salvação


Eu e minha irmã estávamos na casa de nossos avos. Depois de tantas disputas, ficamos na casa dos pais de nossa mãe. Não seriamos um incômodo financeiramente e ainda podíamos trazer um pouco de felicidade para eles, já que eles pensaram que sua única filha tinha se matado.


Eu estava feliz pelo fato dos pais de minha mãe terem me aceitando como neto, mesmo não sendo o neto biológico. Eles queriam Clara por perto, pois ela tinha feições da mãe, mas eles não nos tratavam de modo diferente.


-Você vai para o parque?- perguntou minha avó.


-Sim. Vou levar Clara comigo.


-Cuidado que ela ainda é um bebê.


-Não se preocupe vovó, tio Stall está vindo nos buscar.


Era uma reunião praticamente. Embora eu tivesse meus seis anos de idade, minha maturidade parecia de alguém de doze. Mas eu ainda era uma criança. Gostava de brincar, mas em certos assuntos de responsabilidades, poderia ser mais responsável que o tio High.


-Que bom que vocês são amigos dos amigos dos seus pais- disse vovó com a voz um pouco fraca. Claro que a lembrança de minha mãe veio em sua cabeça.


-Sim. Adoro todos.


Tio Gabriel me mostrava todas as tecnologias de ponta e comprava algumas para mim no meu aniversário. Tia Carmen adorava me emprestar livros, e eu devorava todos. Tia Juliet e tio Stall adoravam me levar para o cinema e eu adorava ver filmes. Tio High me levava para parques de diversão e me levava no parque. Mas isso acontecia de vez em quando: eles estavam na faculdade e não tinham todo o tempo do mundo.


-Vovó?


-Sim?


-O que meu pai gostava de fazer?


Minha avó ficou pensando. Franziu a esta e colocou a mãe na cabeça, algo que me fez rir. Ela estava preparando um bolo e agora tinha calda de chocolate em seu cabelo.


-Não sei. Seu pai gostava de fazer tantas coisas.


-Vovó?


-Sim?


Fiz o mesmo gesto que ela, colocando a minha mão na cabeça. Ela percebeu agora o que tinha feito.


-Droga!


Eu comecei a rir. Ela ficou preocupada.


-Finja que você não ouviu nada.


-Como das outras vezes?


-Sim. Agora me deixa tomar banho.


O interfone tocou.


-Coloque sua irmã no carrinho do bebê. Não deixe seu tio esperando.


-Ela já está no carinho. Ela está dormindo.


-Bom passeio- disse minha avó me dando um beijo e seguindo para a sala.


-Obrigado!


-Vamos- disse para Clara levando-a no carinho.


Descemos pelo elevador e fomos para a rua. Tio Stall estava esperando ao lado da porta de seu carro luxuoso prateado. Tia Juliet estava do seu lado.


-Oi tio! Oi tia!


Tio Stall e eu fizemos o nosso gesto de “Olá”. Dei um beijo na bochecha de tia Juliet.


-Tudo bem com vocês?- tia Juliet perguntou.


-Sim. Clarinha está dormindo.


-Me deixe colocar o carinho no porta-malas. Juliet carregue Clara nos seus braços. Pode sentar no banco de trás Benj.


-Valeu tio.


Sentamos no carro e depois de cinco minutos estávamos no parque. O parque era verde e tinha um belo lago azul. Havia alguns brinquedos espalhados pelo parque, com crianças brincando nos mesmos, mas eu queria ter a presença dos meus tios naquele fim de semana.


Avistamos num banco de madeira Tia Carmen sentada segurando o carinho de prima Grace. Tio Gabriel estava abraçando tia Carmen. E lógico, tio High estava de pé comendo um cachorro-quente.


Todos se cumprimentaram. Tio High perguntou se eu queria um pedaço de seu sanduiche, mas recusei. Não sabia por onde aquela boca tinha passado, nem mesmo se ele tinha escovado os dentes naquele dia.


-Como você está indo na faculdade?- perguntou tio Gabriel.


-Ótima- disse tia Juliet.


-E você Carmen?- perguntou tio Stall.


-Ótima. Já estou até sendo estagiária- disse minha tia soltando um largo sorriso branco.


-Que bom que todos estamos na faculdade- disse tio Ganriel.


-E você Benj, já sabe o que fazer de faculdade?- perguntou tio High.


-Ainda não. Nem tenho idade para isso. Mas sempre gostei de voar.


Nas férias, nas minhas e de Clara, nossos avos nos levavam para muitos lugares ao redor do mundo. A parte que eu mais gostava da viagem era a do avião. Adorava o jeito da máquina de sair do solo e pousar no mesmo.


-Se prepara para estudar então- disse tio High.


-Para com isso High- disse tia Carmen- ele é apenas uma criança.


-E minhas notas são altas!- eu disse com orgulho- ainda mais a de xadrez!


Todos começaram a rir, menos eu é claro. O que tinha de engraçado naquilo? Eu era um excelente aluno em xadrez.


Do nada a terra começou a tremer. Era algo que eu nunca tinha presenciado antes, mas sabia o nome do fenômeno.


-Terremoto!- gritaram meus tios.


Tia Juliet pegou Clara do carinho e a segurou em seus braços. Tia Carmen fez a mesma coisa com Grace. Tio Stall segurava os braços de tia Juliet e tio Gabriel fez a mesma coisa com tia Carmen. Tio High saiu despachando em nossa frente.


-Verei um lugar seguro!- gritou High.


-Não tem lugar seguro!- gritou tio Gabriel.


-É melhor ficarmos parados!- gritou tio Stall.


-Tem razão!- gritou tia Carmen.


-Por quê?- gritou tio High.


-Não tem edifícios por perto!- gritou tia Juliet.


A terra parou de tremer.


-Será que acabou?- perguntou tia Carmen.


Clara e Grace começaram a chorar.


-Está tudo bem filha- disse tia Carmen.


Tia Juliet começou a cantar para Clara. Isso acalmava as duas.


-O que é aquilo?- perguntou tio High.


-Onde?- perguntaram todos.


-No céu!- gritou um homem do nosso lado.


E vimos. Havia uma lua nova no seu. Algo estranho porque estava um belo dia. Depois que vimos que não poderia ser uma lua porque era azul. “Era uma nova Terra então”, pensei. Esse novo planeta não estava distante de nós. Parecia que estava mais perto do que a Lua.


-É o fim!- gritou um homem.


-Cala a boca Bel!- disse a mulher que estava do lado do homem lhe dando uma tapa na cara.


-Mas como...?- perguntou outro homem.


-O que está acontecendo?- perguntou outro homem.


A arma dele que estava em seu cinto saiu voando em direção ao novo planeta numa velocidade mais rápida do que a da luz.


-O que está havendo com aquilo?- perguntou tio Gabriel.


O planeta começou a girar numa velocidade rápida. Vimos várias coisas indo a sua direção.


-Precisamos de informações!- gritou tio Stall.


-Tem o rádio do celular- disse tio Gabriel.


Tio Gabriel tirou o celular do bolso e deixou o rádio no alto-falante.


“Um novo planeta surgiu de uma região rural da África. O planeta saiu de nossa Terra e surgiu rapidamente longe de nós, numa velocidade desconhecida por nossos cientistas. Não sabemos por que este planeta está girando tão rápido! A única coisa que sabemos é que ele está atraindo coisas bélicas numa velocidade incrível!” disse a mulher do rádio


Tia Carmen começou a chorar.


“Usinas nucleares, tanques de guerra, todos os objetos bélicos estão sendo atraídos para este novo planeta sem explodir. Seria este nosso Deus?” disse a mulher do rádio.


Aquele planeta, em cima de todos nós girava cada vez mais rápido. Era um borrão no céu! Parecia como uma bola de tênis girando rapidamente em nossa frente.


“Alguma coisa está acontecendo” disse a mulher. “Algumas pessoas também estão sendo atraídas para planeta!”.


No parque vimos um homem de paletó e gravata sendo atraído. A mulher dele começou a chorar desesperadamente.


-Chegou o momento- disse tio Gabriel.


-Que momento?- perguntei.


-Seu pai não ficou apenas para te salvar meu jovem- disse tia Juliet.


-Mas para nos salvar também- disse tio High.


-E para salvar o ser humano dele mesmo- disse tio Gabriel.


O planeta começou a diminuir sua velocidade. Assim, de um borrão o planeta começou a ficar extremamente visível. Seu tamanho triplicou ficando do tamanho de Júpiter ou algo maior. O planeta começou a se aproximar da Terra.


“É agora meus queridos que eu vou me despedir. O apocalipse chegou.”.


O novo planeta parou e ficou tão perto da Terra que dava para ver tudo, parecia um avião no céu! A superfície do planeta estava coberta por armas e coisas bélicas. Havia apenas uma parte de verde. Nessa parte tinham três pessoas.


-Pai! Mãe!- gritei!


As pessoas que estavam em nossa volta pararam e começaram a observar aquele grande planeta e puderam ver aqueles três jovens.


-O que eles estão fazendo ali?- perguntou uma mulher.


-Aposto que isso é coisa dos Estados Unidos- disse um homem.


Os três jovens começaram a acenar. Embora as pessoas que estavam ao nosso redor tenham respondi acenando de um modo de boas-vindas, os mesmo não sabia que era um aceno de despedida.


-Adeus pai- eu disse. Lágrimas começaram a escorrer de meus olhos úmidos.


-Adeus- disseram meus tios.


E rapidamente algo começou a cobrir o planeta, como se fosse um tipo de proteção transparente. Fachos de luz surgiram e explosões vieram logo em seguida. Nem consegui ficar em pé. Cai no chão e comecei a chorar mais ainda. As explosões só mostravam que meu pai e minha mãe agora estavam mortos em espírito.


Meus tios começaram a chorar e lágrimas saíram dos olhos das pessoas do parque. Aquilo era para mostrar do que todas as armas que havia em nosso planeta eram capazes de fazer. As explosões só pararam depois de trinta minutos. Quando tudo parou não havia mais nada e a proteção ficou em pedaços. As migalhas da proteção começaram a avançar em direção à Terra.


-Corram!- disse tio High.


O parque ficou rapidamente vazio. Estávamos numa loja perto do mesmo para não perder o que estava acontecendo.


Os pedaços da proteção atingiram a Terra e não podíamos ver nada: poeira e terra embasavam nossas visões. Gritos e desesperos estavam incorporando as pessoas. Depois de alguns minutos a poeira abaixou e agora era visível. Havia algumas chamas no gramado do parque, mas as chamas estavam detalhadas.


-Vamos!- disse Juliet.


Fomos os únicos a correrem para o encontro das chamas.


-Olhe- disse tio Gabriel.


Olhei para o chão. As chamas vermelhas estavam nos dando uma mensagem.


O sacrifício da sobrevivência da raça humana tem que ser feita por uma pessoa da mesma. Meu sacrifício e de minha mulher deram para vocês novas esperanças neste mundo tão cruel. As guerras terão que acabar. Vocês agora têm a prova do que aconteceria com todos. A vida pode continuar em paz agora”.


Este dia ficou marcado por muitos tempos que se passaram. Desde então o homem nunca mais fez uma guerra e viveu pacificamente. Depois de crescidos, minha irmã e eu riamos do fato de surgir uma nova religião que venerava nossos pais e nosso tio Sky. Dentro de todos que os conheceram, o sentimento de felicidade e de honra só trazia felicidade, principalmente para meus avos, depois de saberem de toda a verdade. Dentro de mim e de minha irmã a chama desse orgulho nunca acabou. Depois de reunir os papéis do diário de meu pai, de minhas lembranças e lembranças de meus tios, escrevo este livro em memória de meus pais, os quais amei, mesmo que tenha sido por um breve período de tempo.

FIM

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