7 de setembro de 2009

DOGVILLE- Uma cidade e uma pessoa

Viu como eu sofro?

Tenho que concordar com as pessoas que já assistiram alguma vez em suas vidas belas e felizes um filme do Lars Von Trier, um diretor dinamarquês, que faz um filme virar uma obra de arte (afinal, nos dias de hoje cinema é mais entretenimento do que arte). Obra de arte? Isso é pouco em Dogville. Ele mostra que o cinema pode ir muito além do que ele realmente é, ou melhor, do que pensamos que ele seja.

A história se passa durante a Grande Depressão (quando a Bolsa de Valores de Nova York quebra e os EUA ficam na miséria). Nisso, numa pacata (hahaha, adoro!) cidade chamada Dogville, uma mulher (Nicole Kidman [suspiro]), a qual depois descobrimos que o nome dela é Grace, está fugindo de alguns gansters e é encontrada por Tom (Paul Bettany), um dos moradores da cidade. Para a moça ficar e se esconder, ela faz um pacto com os cidadãos: ela fica, se ela também ajudar os mesmo com alguns trabalhos domésticos, o que acaba se tornando num fim trágico.


Nem preciso falar que muitas coisas horríveis vão acontecer, né? A Nicole passará por muita coisa ruim. Ela será praticamente uma escrava. Além de ser uma escrava braçal, ela será, nada mais nada menos, do que uma escrava sexual. Sim, quando Grace (Nicole) é presa pelos moradores da cidade por correntes, os moradores (homens) vão para o local onde está a mesma e se satisfazem. Isso me lembrou muito a cena do estupro do Ensaio Sobre a Cegueira, e, foram nessas cenas que eu gritava com a tela. "Faça alguma coisa! Bate nele! Vai! Mata o desgraçado!". Na verdade, na maioria das cenas da Nicole eu gritava com a tela e com a própria Nicole.


O filme é totalmente diferente de qualquer filme que você já assistiu em sua vida. É sério! O filme todo se passa num palco de teatro (ou algo do gênero), as casas são demarcadas por marcas no chão, como o cachorro, os arbusto, entre outros, também são marcas no chão. Não existem portas nas casas (apenas uma na loja), as mesmas são simples, ou seja, o filme é bem simples, pois é para o público imaginar. Existe uma narração em off (a qual eu não gostei, mesmo!) que explica como é a cidade, qual o clima da mesma, porque é para a pessoa imaginar tudo. Uma cidade nas montanhas, como seria a cidade se estivesse nevando. Eu imaginei a minha Dogville durante todo o filme.

Falando da narração em off, eu simplesmente odiei em certos momentos. Sabe por que? Porque seria mil vezes melhor mostrar o que está acontecendo, invés de narrar e termos que imaginar. Mas é um filme para fazer pensar, não? Mas seria muito melhor que nós pudéssemos sentir os sentimentos do personagem pela imagem, e não por palavras numa narração em off.


O filme é dividido em nove capítulos, e, ainda tem um prólogo. o prólogo é meio chatinho, mas assim que surge Grace, o filme fica esplendoroso. Sem dizer a sequência final, principalmente o úlitmo capítulo. O que foi aquilo? Adorei a atitude de Grace e principalmente o que ela faz com os moradores da cidade como forma de vingança (principalmente a Vera. Como eu odiei aquela mulher).

Mas o filme fala sobre uma pessoa: o ser humano. Sim, mostra como as pessoas são vulneráveis, ingênuas e fracas (mesmo que a pessoa seja um cavalo de dois metros). Lembram-se, para quem viu Ensaio Sobre a Cegueira, que as pessoas ficam vulneráveis e voltam para os seus instintos primitivos? É quase parecido aqui em Dogville, mas não são várias mulheres que sofrem, apenas uma, Grace.


Falando na Grace, a Nicole Kidman está fantástica! Acho que ela é a segunda melhor atriz viva em nosso pequeno planeta (a melhor é sem dúvida a Meryl Streep). Mas falando na Nicole, a cada filme dela ela está diferente. Moulin Rouge, De Olhos Bem Fechados, A Feiticeira, As Horas, Mulheres Perfeitas, simplesmente filmes diferentes, com atuações diferentes e tudo isso vindo da mesma atriz. As atuações coadjuvantes também são boas, porém a alma de Dogville é a Nicole, sem dúvida.


Acho que falei demais não? Mas tem tanta coisa que eu queria dizer. Bem, para as pessoas que adoram cinema, não como forma de entretenimento, mas sim como uma arte, Dogville é obrigatório. É diferente, é original, tem ótimas atuações, todo um pacote que o transforma num belo filme de Lars Von Trier.

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