7 de setembro de 2009

LIVRO III- Vida Denifida- COMPLETO

VIDA DEFINIDA

Capítulo 1- O primeiro desafio

Agora dava para ver o túnel completamente. Era imenso e escuro. Do vazio flutuante surgiu um barco preto à vela. Dentro deste barco estava uma bela mulher, alta, forte, de cabelos morenos usando um capuz preto segurando o timão do barco. Meus amigos e eu ainda estávamos flutuando no vazio do túnel.

-Entrem- disse a mulher.

Assim que ela terminou de falar, uma corda bege imensa apareceu, uma corda que dava para o barco. Cada um se segurou na corda e começou a puxá-la para chegar até o barco. Assim que Juliet entrou no barco e todos estavam finalmente à bordo, a mulher virou-se para Bellks.

-Qual o destino mestre, por favor?- perguntou a mulher.

-Mente- respondeu Bellks.

-Então sentem-se por favor- respondeu a moça e neste exato minuto um assento, parecido com o de uma montanha-russa surgiu do chão. Todos se sentaram e todos estavam nervosos.

-Todos se sentaram?- perguntou a mulher olhando para frente do barco e de costas para todos. Foi então que perceberam que a mulher tinha uma enorme corcunda em suas costas.

-Sim- respondeu Stall.

E uma trava prateada agora segurava todos. Juliet, High, Stall, Carmen, Gabriel e Bellks. O barco estava voando no vazio flutuante do túnel num trilho inexistente. Luzes roxas, azuis, verdes e praticamente todas as cores apareciam nas bordas do túnel. A velocidade do barco ficava cada vez mais veloz.

-Aqui será seu primeiro desafio mestre!- gritou a mulher.

-Como assim?- perguntou Bellks.

-Você tem medo de velocidade ou de altura?- perguntou Carmen.

-Nem de um nem do outro- Bellks respondeu.

E foi então que apareceu o primeiro desafio: o túnel ficava no formato de loopins e parafusos, como se fosse uma verdadeira montanha-russa. Loopins e loopins surgiam um atrás do outro com parafusos intermináveis.

-Este é um dos seus maiores medos?- perguntou High.

-Não! Apenas tenho medo dos loopins e dos parafusos e só. Não são meus maiores medos- gritou Bellk- Mas tenho um medo do ca...

-Os seus desafios começam com coisas banais mestre!- interrompeu a mulher- cada vez que um desafio é superado, um pior surgirá.

-Que beleza!- gritou Bellks- agora sim estou ferrado.

A velocidade começou a ficar mais estabilizada e todos começaram a respirar profundamente, algo que não conseguiram fazer em momento algum durante o percurso.

-Acabou?- Juliet perguntou- Porque eu quero sair! Não estou aguentando.

-Está quase acabando- disse a mulher.

-Que bom- Bellks respondeu apavorado de tudo o que tinha passado por ele. Mas ele nem sabia pelo que esperava.

-O que é aquilo?- perguntou High.

E foi quando todos perceberam: uma parede de concreto apareceu no final do túnel e não havia saída nenhuma pelas laterais.

-Vamos bater!- gritou Gabriel.

-Acalmem-se- disse a mulher- não iremos para frente. Estamos quase acabando.

-Como assim não vamos para frente?- gritou Stall.

- Nós vamos para baixo- respondeu a mulher.

Assim que chegavam mais perto do fim do túnel, mais dava para ver a queda livre. Não havia trilhos, nem uma ponte, não havia nada. Apenas uma queda livre, como se eles fossem pular de uma cachoeira.

-Eu quero sair!- gritou Carmen.

-Muito tarde para isso!- gritou a mulher dando uma risada maléfica, como se fosse uma bruxa. Assim que a mulher acabou de falar ela começou a cantar:

A vida e a morte nos encontrarão

Para Dave Jones nossas vidas irão

Está chovendo? Está sol?

Não importa mais

Pelo furacão iremos passar

E o fim da vida iremos encontrar

-Pare de cantar!- gritou Stall- você está deixando minha namorada em pânico!

-Como quiser- disse a mulher- porque lá vamos nós!

Embora não houvesse trilhos, o barco caiu numa direção linear e perpendicular. Parecia que eles estavam num avião no alto da atmosfera caindo em direção a Terra. A velocidade era impressionantemente rápida. Parecia que o tempo não acabava e ficaria assim por cinco minutos seguidos, sem nenhuma pausa, sem nenhuma reta.

-Nós vamos morrer!- gritou Bellks.

Os pés da mulher não saiam do chão de jeito nenhum, como se ela estivesse grudada no barco.

E mais uma série de loopins e parafusos apareciam e agora eles passavam por todos numa velocidade altíssima! As faixas de luzes começaram a ficar mais fortes e a velocidade começava a diminuir.

-Agora sim estamos chegando!- disse a mulher soltando a risada de uma bruxa maléfica.

Neste momento eles viram o fim do túnel, porém era uma grande parede de concreto e quando chegaram perto o suficiente notaram que dessa vez não havia queda e os gritos começaram a ficar cada vez mais agudos.

-Chegamos!- gritou mulher.

O barco estava intacto, porém a parede de concreto estava completamente destruída. Trilhos parecidos com de trens surgiram e os grito pararam. Todos ficaram calmos. Parecia que estavam num deserto e o navio era um trem. Sob os trilhos o barco ia em direção à cidade.

-Ainda bem que acabou- disse Gabriel.

Neste exato momento, Stall vomitou.

-Que nojo- disse Carmen

-Pessoal olhe!- gritou Bellks.

Eles estavam chegando perto de uma cidade cheia de casas e prédios, arenas de gladiadores, hotéis, parques de diversão, shoppings, porém não havia ninguém na cidade. Nem uma só alma penada. O sol era vermelho, puro sangue e não havia uma nuvem do céu azul

Os trilhos acabavam nas portas de um dos hotéis, com um nome simples: “Primeira parada”. O barco parou completamente e uma prancha desceu até o chão. Todos estavam tontos e desnorteados.

-Espero que todos tenham gostado- disse a mulher.

Todos saíram numa fila indiana. No meio da prancha, High estava tão desnorteado que acabou caindo e indo de três metros ao encontro do chão. Todos correram e foram na direção de High.

-Estou bem!- disse High surpreso- não sinto nenhuma dor.

-Porque esta não é sua mente!- disse Sky surgindo da porta do hotel- assim que vocês entraram na cidade vocês não sentem nada que seja doloroso. Apenas Bellks.

Bellks ainda não sabia direito o que estava acontecendo. Estava num mundo irreal, porém parecia extremamente normal para ele. Era exatamente o mundo que ele imaginava quando era criança, exceto pela parte do deserto.

- Agora quero apenas descansar- disse Bellks.

-Infelizmente isso não poderá ocorrer- disse Sky- temos uma reunião daqui a pouco com o conselho. Vamos que estamos atrasados.

Capítulo 2- O conselho

Assim que entraram no hotel perceberam que não era um hotel normal e nem chegava perto de um. No lugar de uma escada para as pessoas subirem estava um tubo que dentro continha algumas cabines, como se fosse um aspirador de pó sugando alguma coisa e, no lugar de uma escada que descia estava um escorregador em espiral. O elevador era completamente transparente e sem botões, pois o mesmo sabia qual era o andar de cada pessoa.

-Por aqui- disse Sky.

Todos seguiram Sky até uma porta. A porta era dourada com uma placa que mostrava o local para onde estavam indo: “Conselho”.

-Este é mais um portal- disse Sky.

-Acho que conseguimos saber agora o que é um portal- disse High.

-Não seja mal educado High- disse Carmen retrucando High.

-Vamos logo?- perguntou Juliet sem paciência.

-Vamos- disse Sky.

Sky foi o primeiro a entrar e todos o seguirão. Assim que passavam pelo portal viam uma sala com pouco cumprimento e profundidade, mas com uma altura altíssima, e colunas pretas que pareciam edifícios.

-Suba neste quadrado- disse Sky para Bellks apontando para o quadrado azul bem claro no chão- E é apenas o Bellks ouviram?

-Por quê?- perguntou Juliet.

-Por que essas são as regras- disse Sky- se você não quer sofrer acho melhor obedecê-las.

-É bom você falar tudo que este conselho falará para você Bellks- disse Stall.

Bellks subiu no quadrado azul.

-Não se preocupe- disse Bellks.

Assim que Bellks acabou de falar o quadrado azul começou a subir até o final das colunas da sala. Foi então que Bellks notou que não eram apenas colunas, mas que no topo dessas colunas alguma pessoa deveria estar esperando.

De repente seu quadrado começou a parar, porém ele não conseguia ver nada. Nas outras colunas não havia ninguém. Então ele estava enganado. Eram realmente apenas colunas.

-Sr. Bellks?- disse uma voz.

-Sim- disse Bellks.

- Nas paredes- disse a voz.

E foi quando Bellks percebeu que havia quatro quadros na sala. Quadros enormes e cada um com uma pessoa dentro. No primeiro quadro havia uma mulher gorda com olhos azuis e cabelos loiros. No segundo havia um homem extremamente magro de cabelos ruivos e olhos amarelos. No terceiro havia um homem moreno musculoso com óculos circulares e olhos verdes. No último havia uma mulher que não era nem gorda nem magra, nem alta nem baixa e que tinha um cabelo que não era nem loiro nem moreno, era uma mistura dos dois.

- Por favor, confirme o que eu vou dizer- disse a mulher que não era nem gorda nem magra, nem alta nem baixa e que tinha um cabelo que não era nem loiro nem moreno, era uma mistura dos dois segurando um papel.

-O.K- disse Bellks.

- Seu nome é Benjamin Theodore Aregon Bellks?- disse a mulher.

-Sim- disse Bellks.

- Sua namorada é Packet Weirgin Giving?- perguntou a mulher novamente.

-Sim- disse Bellks.

-Ela foi capturada por Elizinski Jacobi Fuhg?

-Onde ela está?- gritou Bellks.

Nesse exato momento a cabeça da mulher que não era nem gorda nem magra, nem alta nem baixa e que tinha um cabelo que não era nem loiro nem moreno, era uma mistura dos dois saiu do quadro. A cabeça dela ficou cada vez maior e começou a se aproximar de Bellks. Assim que chegou a um palmo da face de Bellks, a cabeça da mulher estava do tamanho de uma roda gigante.

-Olha aqui- disse a mulher- você pode até ser o criador disso tudo mas sou eu que gerencio. Você verá sua futura noiva em breve.

-Noiva?- gritou Bellks em pânico.

-Sim- gritou a mulher. Nesse momento a voz da mulher era tão alta que Bellks acabou caindo e desmaiou.

Enquanto Bellks estava desmaiado, a mulher que não era nem gorda nem magra, nem alta nem baixa e que tinha um cabelo que não era nem loiro nem moreno, era uma mistura dos dois voltou para seu quadro.

-Esse é mesmo o escolhido?- perguntou a mulher.

-Acho que sim Orfélia - disse a mulher gorda com olhos azuis e cabelos loiros.

-Mas ele parece tão fraco Gertrude- disse Orfélia.

-Ele parece determinado- disse o homem extremamente magro de cabelos ruivos e olhos amarelos.

-Realmente Yink- disse o homem moreno musculoso com óculos circulares e olhos verdes.

-Vocês estão loucos?- perguntou Orfélia- Vocês, Yink e Druge, acham que ele é determinado? Posso mostrar facilmente que este só tem palavra e nenhuma ação.

-Será que ele sobreviverá?- perguntou Gertrude.

-Esperamos que sim- disse Yink- ele é o último homem que se casará com uma mulher da nossa família.

-Se ele não conseguir- disse Druge- é o fim para todos nós.

-Vamos mandá-lo de volta- disse Orfélia- já basta por hoje. Esse menino precisa descansar.

E nesse exato momento a coluna que Bellks estava em cima começou a descer numa velocidade mais reduzida. Assim que chegou ao chão nenhum de seus amigos conseguiam acordá-lo.

-Vamos levá-lo para o hotel e esperar que acorde- disse Sky.

E foi sonhando em seu próprio mundo imaginário que Benjamin pode ver novamente sua amada Packet.

Capítulo 3- O Segundo desafio

Bellks estava no meio de uma arena de gladiadores completamente deserta. Olhou para cima e via um céu vermelho coberto por nuvens cinzentas. Olhou para baixo e viu a areia macia da arena. Olhou para todos os lados. Nenhuma pessoa estava presente. Virou-se. Viu Packet presa numa gaiola dourada do outro lado da arena.

-Packet- gritou Bellks.

Bellks começou a correr, mas quanto mais corria, mais distante ficava de Packet. O suor começava a descer de sua testa, mas nunca conseguia chegar perto de Packet. Sempre distante. Sempre longe.

- O que foi Benjamin?- disse Elizinski- perdeu algo?

E foi quando Bellks percebeu que a cabeça amassada de Elizinski estava sob seu ombro. Numa rápida tentativa, Bellks tentou segurar Elizinski, mas ele foi devagar demais e Elizinski conseguiu esquivar e deu um soco no pulmão Bellks que logo caiu no chão sem fôlego.

-Não tente fazer isso- disse Elizinski- você apenas sairá machucado.

-Pack...Pack...et- tentava dizer Bellks sem fôlego algum.

-Tudo bem- disse Elizinski- deixarei você falar com sua namorada, mas por alguns momentos, só para que você sinta cada vez mais desnecessário.

Tudo ficou escuro. Bellks olhou a esquerda e achou um facho de luz. Correu para ver o que tinha na luz e lá estava ela. Num vestido preto e com um grande chapéu branco Packet estava de pé, apenas esperando por seu amado dentro da gaiola dourada.

-Rápido!- gritou Packet.

Bellks correu na direção de Packet. Mesmo que estivesse sem fôlego algum, Bellks corria. Não sabia se teria outra oportunidade de falar com Packet.

-Bellks ainda bem- disse Packet colocando seus lábios na direção dos lábios de Bellks.

-Não temos tempo para isso- disse Bellks fugindo rapidamente do beijo- você não está ferida está?

-Não- disse Packet- mas sinto solitária.

-Não se preocupe- disse Bellks- não irei demorar a enfrentar os desafios, nem mesmo que seja a morte.

-Bellks- disse Packet- por que você sempre tem que ser romântico?

-Não sei- disse Bellks- quando fico ao seu lado simplesmente acontece.

-Então pare de falar-disse Packet- e faça alguma coisa.

Bellks socou, balançou, chutava, mas a gaiola não quebrava. Ele sabia disso, mas não queria que fosse realidade. Bellks caiu no chão, colocou sua face perto do joelho e começou a chorar. Nunca tinha chorado tanto em sua vida. Saber que não era útil o tornava cada vez mais fraco, e cada vez mais deprimente.

-Que foi?- perguntou Packet.

-Eu não sirvo para nada- disse Bellks- só trago problemas.

-Quer dizer que o fato de ter me conhecido é um problema?- perguntou Packet.

-Claro que não- disse Bellks- não pense desse modo. O que eu quero dizer é que apenas trago sofrimento para você e para todos.

-Isso não é verdade- disse Packet.

-Não?- gritou Bellks se levantando no chão e olhando na face de Packet- então me diga uma coisa que eu fiz descente. Apenas uma!

-Você me defendeu na festa lembra-se?- perguntou Packet colocando sua mão em sua face para limpá-la- e não precisa cuspir em mim desse jeito.

E foi quando Bellks se lembrou da festa. Ele socou um dos meninos mais populares da escola para salvar Packet e foi assim que conseguiu conquistá-la.

-Desde o momento que você desmaiou na escola- disse Packet- eu já estava apaixonada por você.

-Não fale isso- disse Bellks- apenas me sentirei cada vez mais culpado.

-Não sinta- disse Packet- eu esperarei, nem que seja por cem anos. Mas me dê um último beijo, porque esse não sei esperar.

Packet inclinou sua cabeça entre as grades. Bellks colocou suas mãos envolta do pescoço de Packet...

-Acorda!- gritou Sky- temos que ir ao seu primeiro desafio.

-Oi?- perguntou Bellks abrindo seus olhos.

-Vamos logo- disse Sky.

Bellks se lembrou da promessa que fez a Packet, fosse aquilo um sonho ou não e rapidamente saiu da cama.

-Vista isso- disse Sky jogando roupas no peito de Bellks- Você vai precisar.

Bellks vestiu rapidamente o um agasalho extremamente pesado, um jeans preto, uma camisa branca, meias cinzas e um par de tênis preto e saiu do quarto. Bellks desceu as escadas e entrou na porta que tinha uma placa escrito “Restaurante”. Entrou no restaurante do hotel, que estava vazio, e bebeu um suco de laranja e comeu um pão com presunto e queijo.

-Vamos logo- disse Sky- seu segundo desafio está para começar. Todos estão no saguão. Pegaremos um portal para o zoológico.

Ao ouvir a palavra “zoológico” o sangue nas veias de Bellks começou a correr cada vez mais rápido. Seus pêlos ficaram todos arrepiados e Bellks começou a suar. Ele sabia qual seria seu próximo desafio.

-Vamos- disse Sky.

Bellks e Sky saíram do restaurante e foram para o saguão onde todos estavam presentes.

-Bom dia pessoal- disse Bellks num tom não muito animador e medroso.

-Bom dia- disseram todos.

-Vamos?-perguntou Sky- me sigam.

Sky saiu do hotel e todos foram atrás dele. Bellks e seus amigos começavam a avistar pessoas pela cidade. Pessoas com caras deformadas, capas pretas cobrindo o corpo e gaiolas de ouro espalhadas por toda a parte. Nesse momento, Bellks percebeu que embora tivesse sido um sonho, era tudo real.

-Isso não estava aqui ontem- disse Juliet.

-A cidade muda de acordo com o pensamento de Bellks, Juliet- disse Sky

-Oh!- disseram todos.

-Isso deve ser legal- disse Gabriel.

-Chegamos- disse Sky.

Todos estavam na frente de uma árvore. A árvore tinha muitos galhos, mas nenhuma flor. Não era nem muito velha e nem muito nova, nem muito alta nem muito baixa. Era uma árvore comum.

-Coloquem suas mãos nela, por favor- disse Sky.

Assim que todos encostaram á árvore todos foram puxados para dentro dela. Era mais uma vez um portal.

Eles estavam na frente de uma porta com uma placa pendurada escrito “Sala dos Répteis”.

-Vamos entrar- disse Sky.

-Só um momento- disse Bellks.

Bellks tomou fôlego porque sabia o que estava por vir. Pegou ar e coragem e finalmente disse:

-Vamos.

Assim que entraram pela sala viram uma grande cabine de vidro com várias cobra de todos os tamanhos e de todos os tipos. Jibóias, Cascavéis, Corais, Jararacuçu-do-brejo, entre outras.

-Este é um dos seus medos?-perguntou High.

-Sim- disse Bellks paralisado e com uma cara de assustado que nunca tinha feito em sua vida, além do momento que tinha visitado a mesma sala quando era pequeno com seus pais, quando os mesmos o levaram para o zoológico.

-Que bobagem- disse Carmen.

E nesse exato momento uma cobra cabeceou o vidro. O vidro começou a rachar e a cobra batia uma vez atrás da outra. De repente todas as cobras começaram a fazer o mesmo e cada vez mais o vidro começava a rachar.

-Vamos sair daqui- disse Stall.

-Venham- disse Sky puxando todos, exceto Bellks ficando no meio da sala.

Outra cabine formou-se envolta do grupo, porém a cabine era pequena e eles ficaram um pouco exprimidos. Bellks começou a gritar e a bater na cabine na qual estavam seus amigos, mas esta era mais resistente e nenhuma cobra ou pessoa conseguiria quebrá-la.

-Você não pode fazer isso com Bellks!- gritou Carmen e começou a bater em Sky.

-Posso não querer fazer, mas devo. Este é um dos desafios de Bellks. Entenda isso- disse Sky fixando seus olhos em Bellks.

-Que se dane que é um dos desafios dele- gritou High- ele não pode ficar ali.

-Se vocês querem voltar para casa acho que vocês devem calar a boca de vocês e verem o que vai acontecer. Vocês não sabem o quanto é valioso cada desafio que Bellks consegue passar.

-Tudo depende de Bellks? -perguntou Juliet- Então estamos ferrados.

-Você não confia nele?- perguntou Sky.

-Claro que não- disse Juliet- ele ficou escondendo o que passou no verão e não disse nada para os amigos. Não confio mais naquele cretino.

-Elizinsk queria assim- disse Carmen- se ele falasse todos morreríamos.

-Não vem comentar nada sua vaca porque você também não falou nada- disse Juliet.

E começou a briga. High, Sky e Gabriel tentavam impedir Carmen enquanto Stall tentava impedir Juliet.

-Retire o que você disse!- gritou Carmen.

-Nunca!- gritou Juliet- é isso o que você é! Agora estamos aqui e tudo isso é graças a vocês dois. Mentirosa desgraçada!

Carmen conseguiu e deu um tapa na cara de Juliet que agora estava com a bochecha completamente vermelha. Com raiva Juliet queria revidar, mas algo mais importante aconteceu.

-Socorro!- gritou Bellks.

O vidro tinha quebrado.

Capítulo 4- As cobras

-Corre!- gritou High.

-Se você não percebeu, ele não tem saída- disse Sky- fiquem quietos e apreciem.

- O que deu em você?- perguntou Juliet.

-Nada- disse Sky- apenas quero apreciar.

-Ele está se morrendo de medo e você fica ai parado?- gritou Gabriel.

-Ordens são ordens- disse Sky.

-Se a ordem fosse me matar você faria isso?- perguntou Carmen.

-Se você necessário, sim- disse Sky.

-Seu desgraçado...

-Me ajuda!- gritou Bellks.

Bellks começou a bater na cabine com muita força, mas nem sequer uma rachadura fez. A cara de Bellks começou a ficar vermelha de raiva e branca de medo. A maioria das cobras ainda estavam dentro da cabine, saindo uma por uma lentamente em direção à ele.

- Me ajuda po...

- Cuidado Bellks!- gritou Gabriel.

Quando Bellks viu, a cascavel estava vindo em sua direção.

- Me ajuda!- gritou Bellks mais uma vez, suplicando pela sua vida.

- Olhe ao seu redor e tente usar alguma coisa que possa matar a cobra- disse Sky.

E Bellks começou a olhar ao seu redor, mas não via nada. A cascavel continuava vindo lentamente. Com quanto mais medo Bellks ficasse, mas saboroso ele seria para as cobras.

-Ali!- gritou Juliet- um pedaço de pau.

E Bellks avistou o pedaço de pau no outro canto da sala. Assim que ele começou a andar, a cascavel acelerou sua velocidade e todas as cobras foram em sua direção. Bellks então correu e pegou o pedaço de pau.

-E agora o que eu faço?- perguntou Bellks.

-Nada- disse Sky.

-Como assim nada?- perguntou Bellks em pânico- não é assim que eu pretendia morrer.

-E por que não?- disse Sky.

-Porque morrer por causa de uma cobra é uma coisa banal- gritou Bellks.

-Será mesmo?- perguntou- Sky.

As cobras chegaram perto de Bellks, mas não deram nenhuma mordida, apenas continuavam rastejando. A cascavel entrou pela calça de Bellks e foi subindo até chegar às costas e ficar sob os ombros de Bellks. As corais ficaram se enrolando nas pernas de Belkks e começaram a apertá-la. A jibóia se enrolou em todo na barriga de Bellks e em suas costas. As outras cobras ficaram no chão cercando Bellks, mas nenhuma mordida foi dada.

-Não fale- disse Sky- isso irá irritá-las.

E foi quando Bellks viu a última cobra saindo da cabine: uma sucuri, ou mais conhecida como anaconda. A cobra era toda preta e tinha apenas vinte e três metros de comprimento e era extremamente grossa, afinal, Bellks tinha que caber dentro dela. Não é frequente que uma anaconda ingira uma pessoa, a não ser que ela esteja com muita fome.

-Calma- disse Sky- tudo está prestes a acabar- elas não soltam veneno.

A anaconda passou pela cabine onde estavam os seis amigos. A cobra olhou fixamente para Juliet e deu uma cabeçada na vitrine, mas nenhuma rachadura apareceu.

-Agora eu tenho medo de cobras- disse Juliet.

-Quem não tem?- disse Stall.

-Eu- disse Gabriel.

-Você não tem medo de cobras?- perguntou High.

-Não e existe um motivo- disse Gabriel- e este é o teste pelo qual Bellks tem que passar. É assim...

-Fique quieto- disse Sky para Gabriel- você ainda não sabe o que está por vir.

Assim que a anaconda ficou a dois passos de Bellks, todas as cobras começaram a sumir. Mas não sumiram do nada. Cada uma começou a pegar fogo que apenas atingiam elas mesmas. Assim que todas as cobras se queimaram, a anaconda começou a se enrolar na perna de Bellks e começou a subir lentamente. A cobra, muito esperta não deixava nem um buraco. Queria que Bellks estivesse bem apertado.

-Ela não vai...

-Sim- disse Sky- ela vai.

E cobra se enrolou em Bellks, ficou um pouco mais alta que Bellks e o engoliu em menos de três segundos. Bellks nem teve tempo de dar um grito, nem de se mexer.

-Bellks!- gritaram todos, exceto Sky.

A cabine de vidro sumiu, mas a cobra não. Assim que a cobra viu o grupo, todos começaram a correr desesperados, exceto Sky que não mexeu nem um centímetro se quer. A cobra chegou perto dele e Sky começou a fazer carinho nela.

-Uma sucuri apenas ataca uma pessoa se ela estiver com muita fome- disse Sky- Bellks tinha que aprender a não ter medo de cobras porque nem todas são venenosas e não é uma coisa banal morrer por causa de uma. É o instinto da natureza. Ele também tinha que aprender a ter paciência e esperar o pior passar.

- E isso tinha que custar a vida dele?- gritou Carmen chorando em pânico.

Na verdade, todos estavam chorando em pânico, menos Gabriel que não estava acreditando no que tinha acontecido. Ele estava em estado de choque.

- Quem disse que ele está morto?- perguntou Sky.

Assim que Sky terminou de falar, a anaconda morreu. Sky foi até a boca da cobra e começou a abrir a mandíbula da cobra. Assim que estava aberta o suficiente, Sky começou a puxar Bellks, que estava intacto.

-Bellks!- Todos gritaram e começaram a correr em sua direção. Bellks estava feliz em estar vivo e passou no desafio.

-A cobra era vazia por dentro- explicou Sky mostrando como era dentro da cobra através da boca da mesma- agora vamos.

E nisso, todos conseguiram ver uma porta no final da cabine das cobras. Mas Bellks viu algo a mais. Ele viu uma jaula de dourada com Packet dentro. Era uma alucinação, mas ele não sabia disso. Então Bellks começou a correr e empurrou Gabriel e Stall que estavam em sua direção. Como tudo não passava de uma ilusão, Bellks bateu a cabeça na parede e desmaiou.

Capítulo 5- Briga entre casais

Todos estavam dentro de um novo quarto do novo hotel “Segunda Parada”. Havia três camas, todas beliches. Dentro das cobertas de uma das camas de cima do beliche estava Bellks, ainda inconsciente. Porém, todos seus amigos estavam conscientes, e como.

-Você não liga mais para mim- disse Gabriel para Carmen.

-Você está insuportável- disse Juliet para Stall.

-Eu não ligo mais para você?- perguntou Carmen para Gabriel.

-Sim, eu vejo como você olha para ele- disse Gabriel- você quer ele de volta não quer?

-Quem?- perguntou Carmen.

-Você está ficando cada vez mais egoísta- disse Stall para Juliet.

-Eu que estou egoísta?- disse Juliet- você que não para de reclamar que não gostaria de estar aqui.

-E você gostaria de estar aqui?- perguntou Stall.

-Sky- disse Gabriel para Carmen- você ainda quer ele não quer?

-Não posso negar que existe um desejo- disse Carmen- afinal ele também foi meu namorado.

-Mas quem é seu namorado agora?- perguntou Gabriel- e quem foi seu namorado antes de Sky?Quem foi a pessoa primeira pessoa que fez amor com você?

-Claro que não gostaria de estar aqui- disse Juliet- mas agora entendo porque estamos todos aqui.

-Claro- disse Stall- você tinha que estar por dentro de tudo isso.

-Como assim eu tinha que estar dentro de tudo isso?-perguntou Juliet- apenas agora entendo que temos que ajudar Bellks após cada desafio.

-Como você pode falar isso tão abertamente?- perguntou Carmen com um tom de ultraje para Gabriel. Carmen estava começando a chorar, se sentindo suja.

-Para sua informação- disse Gabriel- Stall já sabe.

-Como?- perguntou Carmen- quando que você falou isso para ele?

-Na casa no campo oras- disse Gabriel- assim que acabamos fui até a geladeira pegar alguma coisa para comer. Vi que Stall estava lá bebendo um copo de água e falei tudo.

-Juliet é mais amiga para mim do que Stall para você e eu não disse nada para ela- disse
Carmen.

-Você sempre se intromete nessas coisas- disse Stall- você é uma intrometida que se acha a melhor.

-Eu não me acho a melhor- disse Juliet- eu sei que sou. Pelos menos sou melhor que você.

-Para falar a verdade- disse Stall- você não beija bem.

-E você não é bom de cama- disse Juliet.

-Então Stall não é um grande amigo para você?- Gabriel perguntou para Carmen.

-Ele é um grande amigo, mas Juliet é mais amiga minha do que ele- disse Carmen.

-Mas para mim não é-disse Gabriel.

-Você não reclamou quanto fizemos- disse Stall.

-Fingir é uma coisa que eu faço bem- disse Juliet.

-Então quer dizer que você não me ama?- perguntou Stall- Quer dizer que tudo isso foi só para me levar até a cama?

-Só os homens podem fazer isso com as mulheres?- perguntou Juliet- se uma mulher faz isso ela é logo camada de vaca, vadia, suja, fácil, não?

Neste exato momento High entrou no quarto com um sanduíche de presunto e queijo na mão. O sanduíche tinha um cheiro muito bom e tinha uma aparência apetitosa.

-Como vocês estão?- perguntou High.

-Você sabia que Gabriel e eu tínhamos feito amor?- perguntou Carmen.

-Fala logo transar- disse Gabriel.

-Você sabia que Stall é ruim de cama?- perguntou Juliet.

-Você sabia que Carmen é uma vadia que ainda está apaixonada por Sky?- perguntou Gabriel.

-Você sabia que Juliet não me ama?- perguntou Stall.

-Como assim eu não te amo?- perguntou Juliet.

-Deu a entender que você não me ama- disse Stall.

- Da próxima vez eu não perguntou nada- disse High se sentando em uma das camas debaixo do beliche e comendo seu sanduíche.

Sky entrou pela porta do quarto.

-Que barulho é esse?-perguntou Sky.

-Leva sua vadia daqui- disse Gabriel.

Paa!

Carmen deu um tapa na cara de Gabriel. Mas não foi um tapa fraco, mas sim o tapa mais forte que ela já deu em toda sua vida. Ela estava chorando de raiva. Seus lábios, suas bochechas, toda sua face estava repleta de lágrimas. Ela nunca tinha se sentido tão suja, tão mateial em toda sua vida.


- Como você se atreve?- gritou Gabriel prestes a bater em Carmen, mas impedido por High e Gabriel.

-A vadia aqui não tem dono- disse Carmen- ela tem vida prórpia. E para sua informação, você não foi o primeiro. Sky foi.

- O que está acontecendo?- perguntou Bellks.

-Vamos- disse Carmen para Sky indo em direção à porta.

-Espere- disse Bellks- alguém me explica o que está acontecendo?

Bellks estava sentado em cima de uma das camas de cima do beliche. Estava com um galo na cabeça, mas não era tão grave. Iria sumir rapidamente. Ainda com um pouco de tontura, Bellks tentou sair do beliche e deu um pulo para frente. Mas perdeu o equilíbrio e bateu a cabeça na parede, perdendo mais uma vez o consciente.
Capítulo 6- A verdade sobre Carmen

-Bellks! Bellks!- gritou High- acorde!

-Que foi?- perguntou Bellks.

-Estamos com um pequeno problema. Todos estão em quarto separados. Gabriel e Carmen brigaram e Stall e Juliet também.

-Por quê?- perguntou Bellks.

-Sei lá- disse High- nada ultimamente é normal. Mas Carmen está junto de Sky.

-Por quê?- perguntou Bellks.

-Porque Gabriel está com inveja- disse High- e ele acabou xingando Carmen. E ela lhe deu um tapa na cara. Lembra?

- Na verdade não- disse Bellks- Por que está tudo desmoronando

-Porque...

-Isso foi uma pergunta retórica- disse Bellks.

-Tudo bem- disse High- Ah! Sky curou seu galo, na verdade seus dois galos. Ele usou um tipo de massa verde muito estranha.

Sky entrou pela porta do quarto.

-Vamos- disse Sky- está na hora. Trouxe um sanduíche pra você comer enquanto vamos para o novo desafio.

-Pode esperar eu comer para escovar os dentes?- perguntou Bellks.

-Claro- disse Sky- pensando melhor, tome um banho. Você precisa se sentir mais limpo. Até.

Bellks comeu rapidamente seu sanduíche e foi tomar uma ducha bem quente para relaxar. Ele ainda estava traumatizado por ter entrado naquela cobra, mesmo não tendo morrido.

-Ainda não perdi meu medo de cobras- murmurou Bellks- mas agora sei que tenho que aguentar o pior.

Bellks começou a lavar seu cabelo. Quando ele começou a passar as mãos no cabelo, ele percebeu que ainda havia saliva da cobra.

-Que nojo!- murmurou Bellks.

Para ter certeza que aquela saliva sairia, Bellks lavou seu cabelo sete vezes. Desse modo, seu banho durou mais ou menos uma hora.

-O que você está fazendo?- perguntou High.

-Tomando banho- disse Bellks ironicamente.

-Sei- disse High.

-Você só pensa em besteira, não? Estou lavando meu cabelo. Percebi que tinha saliva daquela cobra nele- justificou Bellks

-Que nojo!- disse High. Nesse exato momento High saiu do quarto, tentando achar um banheiro próximo, para poder vomitar na privada.

-Estou saindo- disse Bellks.

Bellks desligou o chuveiro, se secou e colocou a toalha envolta de sua cintura. Foi quando percebeu que não havia nenhuma roupa para vestir.

Bellks abriu a porta e saiu do banheiro.

-Não tenho nada para vestir- murmurou Bellks olhando para cima.

-Você está forte em Bellks?- disse uma voz familiar.

Bellks olhou para todos os cantos do quarto, mas ninguém estava presente, além dele mesmo.

-Você é meu próximo desafio?-perguntou Bellks.

-Não- disse a voz- mas serei o próximo. Por quê? Não consegue enfrentar o passado?

-Posso te enfrentar- disse Bellks- não tenho medo de você. Tenho mais medo de cobras do que de você.

-Veremos- disse a voz pela última vez.

Bellks começou a ouvir alguns sons vindos do lado de fora. Grudou sua orelha na porta e começou a ouvir a conversa

-Então vocês estão juntos de novo?-perguntou High.

-Sim estamos – disse Juliet resolvemos nossos problemas não foi?

-Sim- disse Stall- agora tudo está resolvido. Bem, pelo menos quase tudo.

-Como assim quase tudo?- perguntou High.

-Carmen, Gabriel e Sky- disse Juliet.

-Sim- disse High.

-Acho que não contei para vocês- disse Stall.

-O que?- perguntou Juliet.

-Quando fui para o seu quarto pedir desculpas eu comecei a ouvir certos barulhos vindos do quarto de Gabriel. Grudei minha orelha na porta e vi que ele estava chorando. Depois eu passei pelo quarto de Sky e ele estava conversando com Carmen, mas eu não conseguia ouvir o que eles estavam falando. Mas o fato de...

-Finalmente ele chorou!- gritou Juliet.

-Quem chorou?-perguntou Gabriel.

Juliet entrou em pânico, não tinha percebido os passos de Gabriel vindo na direção do grupo. Mas rapidamente bolou uma bela desculpa.

-High- disse Juliet- eu pisei no pé dele e ele ficou segurando o choro, mas agora já passou.

-E por que não há lagrimas nos olhos dele?- perguntou Gabriel.

-ONDE ESTÁ BELLKS?- gritou Sky.

Todos se viraram e viram Sky vindo na direção do grupo.

-Está no quarto- disse High.

-E o que vocês estão fazendo aqui?- perguntou Sky.

Bellks então desgrudou da porta e viu que sua roupa estava em cima da cama com um bilhete de Sky, escrito “Não se atrase”. Bellks pegou a roupa, correu para o banheiro e trancou a porta. Bellks olhou fixamente para o espelho do banheiro e notou que estava com um pequeno bigode. Pequenos fios castanhos prontos para serem tirados. “Mas como?” Bellks pensou. Então ele notou uma pequena caixa transparente em embaixo da pia. Ele se agachou, pegou a caixa e sentou na privada. Foi então que ele viu vários remédios, cremes para barbear, giletes, xampus, entre outras coisas. Bellks fez o bigode e pegou um pequeno comprimido de um calmante e saiu. Nem tinha ouvido e nem tinha percebido que todos estavam no quarto, exceto Carmen.

-Você estava demorando muito- disse Sky.

-Temos uma coisa para anunciar- disse High.

-É uma má notícia?- Bellks perguntou.

-É uma boa notícia- disse Gabriel- tudo depende do ponto de vista.

-O que foi então?- perguntou Bellks.

-Carmen está grávida- disse Gabriel.

-Só existe um problema- disse Juliet.

-Qual?- perguntou Bellks.

-Não sabemos quem é o pai- disse Stall- pode ser Sky ou Gabriel.

Bellks ficou chocado com a notícia. Sua amiga, ainda jovem. “Grávida? Impossível! E quem seria o pai da criança?” ele pensou.

-Mas é só ver a diferença do tempo- disse Bellks.

-Mas é este o problema- disse Sky- aqui o tempo é diferente. Ele pode andar para trás como ele também pode andar para frente. Não sabemos a idade certa do bebê.

-Então quer dizer que posso estar mais velha?- perguntou Juliet- que desgraça.

-E como Carmen está?- perguntou Bellks.

-Chocada- disse High- em certos momentos chora de alegria, mas em alguns momentos ela chora de felicidade.

-Tenho que falar com ela- disse Bellks.

Mas rapidamente todos ficaram em sua frente, impedindo sua passagem.

-Acho melhor não- disse Sky.

-Por quê?- perguntou Bellks- ela precisa de apoio.

-Porque agora você está atrasado para o seu desafio- disse Stall.

-Espere um momento- disse Sky- o que é isso no seu bolso?

Bellks olhou fixamente nos olhos de Sky. “Será que ele consegue ver o que tem dentro do meu bolso?” Bellks pensou.

-Você não pode fazer isso!- gritou Sky colocando sua mão no bolso direito da calça de Bellks- Isso é trapaça!

-O que foi?- todos perguntaram.

-Eu peguei um calmante- disse Bellks- caso eu ficasse nervoso.

-Se você fizesse isso tudo estaria perdido!- gritou Sky furioso.

-Por quê?- gritou Bellks.

-Com um calmante você não faria o desafio direito!- gritou Sky- Você tem que estar pronto!

-Para que?- perguntou Bellks.

-Para o final!- gritou Sky jogando o remédio pela janela- Vamos logo com isso. Sigam-me.

Todos seguiram Sky calmamente, mas Bellks ainda ficava intrigado com as últimas frases de Sky. “Para o final”. “O que seria o final?” Bellks pensava. Talvez, seria voltar para casa, rever a família ou simplesmente morrer ali.

-O portal fica aqui- disse Sky.

-Mas o que é isso?- perguntou Gabriel com um profundo desgosto.

-É um dedo- disse Sky- agora vamos logo com isso. Encostem no dedo.

Todos encostaram no dedo e assim como aconteceu na árvore eles foram sugados para dentro do dedo.

Eles chegaram numa sala com paredes vermelhas e duas portas azuis. Numa porta estava à placa de “Visitantes”. Na outra estava à placa de “Banheiro”.

-Bellks entre na porta do banheiro- disse Sky.

-Qual a diferença?- perguntou Juliet.

-Lembra da cabine que eu formei na sala das cobras?- perguntou Sky.

-Sim- respondeu Juliet.

-Esta sala que iremos entrar é uma cabine - disse Sky. Sabe aqueles filmes de policiais que tem um vidro que a pessoa que está do outro lado não pode ver?

-Sim- respondeu Juliet novamente.

-Será a mesma coisa. Bellks não poderá nos ver, mas nós podermos ver ele- disse Sky- Vamos?

-Claro- disse Bellks- o que eu teria de medo num banheiro?

-Não sei- disse Sky- é o que iremos descobrir.

Bellks abriu a porta e entrou na sala. Ela estava escura e nada poderia ser visto. De repente uma voz se espalhou pela sala.

-Quer que ascenda a luz?- perguntou Sky com gentileza.

-Sim- disse Bellks.

As luzes se ascenderam. Bellks estava realmente dentro de um banheiro bem aberto, com algumas privadas grudadas nas paredes e pias nos cantos.

-O que tem de errado?- perguntou Bellks olhando para os lados.

Gritos estavam se perpetuando pela sala. Porém esses gritos eram de seus próprios amigos.

-Olhe para baixo- disse Sky.

E foi quando Bellks percebeu. Partes de corpos cobertos de sangue estavam espalhados pelo chão de azulejo branco do banheiro. Braços, pernas, costas, pênis, cabeças, dedos, pés, bundas, orelhas, olhos, vaginas, dentes, ossos, peitos, joelhos, tudo espalhado pelo chão, em diversos tamanhos e formas.

-Oh Meu Deus!- disse Bellks- o que aconteceu aqui?

-Nada- disse Sky.

Mas a parte assustadora não eram as partes espalhadas pela sala. Isso era fichinha.

-Bellks!- gritou Juliet- olhe para a esquerda

Bellks olhou para a esquerda e viu um pé todo sangrento como todos os outros membros espalhados pela sala se mexendo. O pé começou a se arrastar, indo na direção de Bellks.

- O que é isso?- perguntou Bellks- qual é o medo?

-Você não tem medo de ser esquartejado?- perguntou Sky.

Bellks soltou um grito forte e penetrante e começou chutar todos os membros que começavam a se mexer. Chutou o braço que ainda possuía uma mão, chutou a cabeça que veio rolando em sua direção. Ele simplesmente começou a chutar tudo o que via pela frente.

-O que é aquilo?- perguntou Juliet soltando um grito agudo.

Bellks notou: uma perna tinha acabado de se juntar com um pé. Mas não era só isso. Todos os membros começaram a se juntar também.

Bellks foi à direção dos membros que começavam a se juntar e começou a pisar neles, a chutá-los, mas não adiantava. Afinal, do outro lado da sala, outros membros começavam a se formar. Foi quando percebeu que a primeira pessoa ficou formada. Era uma pessoa com cabeça de mulher, braços de um homem negro, tronco de uma criança, um pênis pequeno, pernas de modelo e pés de atleta.

-Este deve ser o final- disse Bellks.

Capítulo 7- Força

-Bellks use aquele machado!- gritou High.

-Onde?- perguntou- Bellks.

Agora eram mais três criaturas parecidas com a primeira. Todas aberrações.

-Embaixo daqueles membros- disse Juliet- ali na esquerda.

E foi quando Bellks ficou um machado embaixo de três pernas, dois braços, um pé e metade de um dedão. Bellks correu, chutou todos os membros e pegou o machado. Mas quando ele percebeu, já estava cercado. Sete criaturas estavam ao seu redor.

-Que horror!- gritou Juliet colocando sua cabeça no peito de Stall e fechando seus olhos- não quero ver nada.

Uma criatura segurou o pulso direito de Bellks. Sentindo uma força e uma pressão muito forte, Bellks largou o machado. Outra criatura segurou seu outro braço e apertou. Bellks ficou de joelhos e duas criaturas começaram a apertar a bata de suas pernas.

-Então- disse a criatura que segurava seu braço esquerdo, com uma voz rouca e velha- o que faremos agora com ele?

-Não sei- disse a criatura que apertava a batata de sua perna esquerda, com uma voz mais jovem e limpa- o que você acha que deveríamos fazer?

-Pense- disse uma mulher com membros masculinos em pé- qual o medo de qualquer garoto quando está sendo segurado?

Um silêncio se formou. Bellks sabia a resposta e tentou lutar para conseguir sair dali, mas não conseguia. Começou a gritar. Estava em estado de choque. Nada poderia ser feito.

-O que?- perguntou uma das criaturas.

-Ser estuprado- disse a mulher com membros masculinos- comecem a tirar a roupa dele- depois o esquartejamos.

-Não!- Bellks gritou.

-Ajude-o!- gritou Gabriel para Sky.

-Ele tem que descobrir o que ele tem dentro dele- disse Sky- só assim ele escapará.

-Mas e se ele não conseguir?- perguntou Juliet.

-Então ele terá que aprender com a dor- disse Sky.

Juliet foi à direção de Sky e lhe deu um tapa na cara.

-Então eu vou enfiar um poste em você e vamos ver se você vai gostar- disse Juliet indignada.

-Tire ela da minha frente- disse Sky para Stall- por favor.

-Ela está certa- disse Stall pegando o braço de Juliet e puxando-a para seu peito e a abraçando- e você sabe disso.

-E se ele pegar AIDS?- perguntou High em pânico.

-Isso não pode acontecer- respondeu Gabriel como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.

-Quem disse?- perguntou Sky- existe essa possibilidade. Aqui tudo é possível.

-Você é um monstro!- gritou Juliet.

-Por favor! Não!- gritou Bellks- eu nunca fiz algo de errado.

Bellks já estava sem sua camisa e sem seus tênis.

-Nunca?- perguntou uma das criaturas- acho que seu próximo desafio não concordará com o que você disse.

-Mas o caso foi outro- disse Bellks- ela que me deixou.

-Ou você que deixou ela?- perguntou uma das criaturas ironicamente.

-Não precisamos tirar tudo- disse a mulher com membros de homem- apenas tire o cinto e a parte de trás da calça.

-Por favor- suplicou Bellks- por favor.

O sinto foi tirado.

-Não faça isso- suplicou Bellks.

-Bellks!- gritou Juliet pense em Packet! Você não pode deixá-la assim.

E Bellks se lembrou de sua linda namorada e da promessa que fez a ela. Não poderia desistir, não agora.

A parte de trás da calça foi tirada. Agora só restava a cueca preta de Bellks.

-Tirem a cueca também-disse a mulher com membros de homem- vocês são incompetentes! Deixa que eu mesma faço.

-Não!- gritou Bellks- não vou deixar.

A veia de testa de Bellks começou a saltar e estava completamente visível. Bells começou a lutar. Não parava de se mexer. As criaturas que o prendiam estavam perdendo as forças, ou Bellks que estava fazendo muita força. A segunda opção é a mais provável.

-Não deixem ele se soltar!- gritou a da mulher.

-Não... dá- disse a voz que segurava o braço direito de Bellks.

-Olhe- disse Bellks agora com o braço livre.

-O que?- perguntou a criatura completamente estúpida.

Bellks enfiou seus dedos nos olhos da criatura e a criatura estava sega, andando sem coordenação pela sala, procurando novos olhos. A mulher com membros de homem começou a ajudar a criatura, mas não conseguia achar nenhum olho pela sala.

Bellks conseguiu livrar sua perna esquerda e com um impulso extremamente forte deu um chute na cabeça da criatura, soltando o corpo da cabeça.

Agora praticamente livre Bellks pegou novamente o machado e o cortou a cabeça da criatura que segurava seu braço esquerdo e logo em seguida a cabeça da criatura que segurava a batata de sua perna direita.

Agora que Bellks estava livre, levantou suas calças sem cinto, mas a calça não caiu, estava bem colocada. Bellks então partiu para o ataque. Bellks esquartejou todas as criaturas que o prenderam, deixando por último a mulher com membros masculinos e cercando-a no canto da sala.

-Tenha piedade- disse a mulher se ajoelhando.

-Qual?- perguntou Bellks vindo em sua direção.

-Bellks!- disse a mulher com a voz de Packet- estou presa neste corpo.

-Packet?- perguntou Bellks.

-Sim- disse a mulher com a voz de Packet.

-Senti tantas saudades- disse Bellks indo na direção da mulher.

-Sim meu querido- disse a mulher novamente com a voz de Packet- agora você morre!

A mulher com membros masculinos se jogou na frente de Bellks, mas este esquivou e rapidamente cortou o braço esquerdo da mulher.

A mulher agora estava deitada na sala, toda ensangüentada.

-Sem piedade- disse Bellks.

Bellks cortou o braço direito e logo em seguida as pernas da mulher.

-Você não se lembra?- perguntou a mulher.

-Do que?- perguntou Bellks.

-Do sonho- disse a mulher.

Então Bellks se lembrou do sonho que teve na casa. A sala era outra, a história era outra, mas se lembrou do final do sonho: ele tinha matado todos os seus amigos. Mas logo ele percebeu.

-Você não é minha amiga!- gritou Bellks cortando o pênis da mulher.

-Por favor!- gritou a mulher novamente com a voz de Packet.

-E você- disse Bellks- não é minha namorada.

Bellks começou a dar machadadas na cabeça da mulher. Sangue e mais sangue saia da cabeça da mulher e grudava no peito, nas pernas, na cabeça e nas mãos de Bellks. Mas ele não queria parar. Era vingança e da melhor qualidade. Queria aproveitar por tudo o que tinha passado na casa de campo e o que Elizinski tinha feito.

Ainda insatisfeito, começou a dar machadas nos corpos das outras criaturas e em todos os membros que havia na sala.

-Já acabou?- sussurrou Juliet na orelha de Stall.

-Quase- sussurrou Stall.

-Morra!- gritou Bellks.

-Já chega- disse Gabriel- mande-o parar.

-Espere mais um pouco- disse Sky observando- ele tem que absorver bem o ensinamento.

-Qual o ensinamento?- perguntou High- Matar?

-Ele tinha que achar uma força maior dentro dele- disse Sky- e assim que sairmos daqui ele irá ter aulas de espada. E sim, ele não podia ter piedade na hora de matar.

-Para quê?- perguntou Juliet- mais sangue?

-Porque ele tem que estar preparado para tudo- disse Sky- Elizinski tem muitas cartas na manga.

Fizeram uma pausa e observaram Bellks que continuava a dar machadadas.

-Agora já chega!- disse Sky- o desafio acabou.

E a cabeça do machado sumiu, deixando apenas o pedaço de pau, e, a parede que dividia as duas salas desapareceu junto com o machado.

-Bellks!- gritou Juliet pulando em cima dele- ainda bem que você está bem.

-Packet?- perguntou Bellks.

-Olha o que você fez com ele!- disse Gabriel- agora ele enlouqueceu.

-Cadê Packet?- perguntou Bellks sacudindo Juliet- eu tenho que salvá-la.

-Acho que as aulas de espada terão que ser adiadas- disse Sky.

-Você acha?- perguntou Stall.

-Aula de espadas?- perguntou Bellks ansioso- vamos! Sangue e mais sangue!

-Ele está me assustando- disse High.

Gabriel pegou o pedaço de pau que sobrou do machado e deu na cabeça de Bellks três vezes. Bellks caiu no chão, desmaiado.

-É melhor assim- disse High- desse modo ele pode voltar ao normal.

-Ou não- disse Sky- acho que eu excedi.

-Você acha?- perguntou Juliet indgnada- Eu vou...

Indo em direção à Sky, Juliet foi impedida de dar mais um tapa nele. Stall a segurou pela cintura e a levantou no ar.

-Pode me soltar- disse Juliet.

Stall a soltou. Juliet arrumou sua roupa que agora estava toda amassada.

-É melhor ele estar bem quando acordar- disse Juliet para Sky- senão você terá um desafio e ele não será difícil.

Capítulo 8- A decisão de Carmen

-Você tem que falar com ela- disse Sky dentro do quarto de vassouras, todo empoeirado.

-Ela não me ama mais- disse Gabriel chorando e colocando as mão em sua faze para esconder a mesma.

-Para de ser melodramático- disse Sky tirando as mãos de Gabriel de sua face- se ela realmente não te amasse ela não estaria aqui. Ela iria ficar arrasada se ouvisse isso. Você deu a coisa que ela mais gosta neste mundo. Agora não sei. Afinal ela está esperando um bebê.

-O que eu dei para ela?- perguntou Gabriel- Se você disser amor...

-O cachorro dela- disse Sky- quando começamos a sair, a única coisa que ela falava era do cachorro. Ela falou que foi o melhor presente que ela ganhou na vida. Se não fosse o cachorro ela iria se suicidar.

-Como assim se suicidar?- perguntou Gabriel.

-Ela estava muito só, e, quando ela viu o cachorro que você deu para ela- disse Sky- ela sabia que tinha um amigo.

-Mas o cachorro dela morreu- disse Gabriel.

-Exatamente o que eu disse- disse Sky- foi o melhor presente.

-Mas como vou saber se este bebê é meu ou não?-perguntou Gabriel- ainda não sei como você me convenceu a conversar com você. Nós namoramos a mesma menina.

-E só por causa disso temos que começar a Terceira Guerra Mundial?- perguntou Sky- não se preocupe que esta já foi encomendada. Eu posso te assegurar.

-Mas e o filho...

-Não importa quem gera a criança- disse Sky- mas sim quem um dia ela chamará de pai. Agora, enquanto ao sogro acho melhor você ter cuidado. Nenhum pai gosta de ter uma filha grávida com essa idade.

-Mas eu quero um filho meu- disse Gabriel.

Sky colocou suas mãos nos ombros de Gabriel e começou a apertar. Não forte, mas de um modo como se estivesse perto de dar uma moral de vida.

-Eu não posso voltar- disse Sky- se eu passar pelo portal eu simplesmente queimo até morrer. Você terá que cuidar da criança, quer você queira quer você não. Você ainda não percebeu? Se o filho fosse meu, ela já teria uma barriginha. Você lembra-se da barriga dela estar maior? Não. Ela simplesmente fez isso para te dar inveja.

Perplexo com a novidade que estava ouvindo, Gabriel não tinha notado o quão egoísta tinha sido e nem como burro também. A barriga sempre esteve normal. Nenhum quilo a mais ou um quilo a menos.

-E se você quer saber- disse Sky- eu já fiz o teste e você é o verdadeiro pai.

-Como você sabe?- perguntou Sky.

-Teste de DNA- disse Sky como se fosse óbvio- você acha que só porque estamos num mundo imaginário, toda a realidade foi embora? Enquanto Carmen dormia, eu cortei alguns fios de cabelo. Fiz a mesma coisa com você e comigo. Você é o pai.

A palma da verdade deu um tapa na cabeça de Gabriel. Agora teria que se casar com ela? Será que ela aceitaria? E o sogro? E a sogra? E seus pais? E o bebê? Como seria a sua vida e a de Carmen? Teria que começar a trabalhar? Não sabia a resposta, mas sabia que não era essa a primeira coisa a qual deveria se preocupar.

-Agora- disse Sky- você tem que reconquistá-la.

-Como?- perguntou Gabriel.

-Eu deixei um smoking e girassóis em sua cama- disse Sky- se vista e vá até o quarto de Carmen. Diga que você quer ser o pai da criança e não importa o que aconteça você estará por perto.

-Tudo bem- disse Gabriel- não posso dizer o quanto eu agradeço.

-Só quero vê-la feliz- disse Sky- meus últimos momentos com ela apenas trouxe sofrimento. Um pouco de felicidade na vida dela não faria mal.

-Posso fazer uma pergunta?- perguntou Gabriel.

-Pode- disse Sky.

-Como é morrer?- perguntou Gabriel.

Um pequeno silêncio perpetuou no quarto, apenas por alguns momentos.

-Você tem medo da morte?- perguntou Sky .

-Todos temos- disse Gabriel- alguns são cínicos e falam que não tem nada de mais.

-E não tem- logo respondeu Sky- a dor sempre vem, é algo o qual ninguém escapa, mesmo anestesiado. É como se fosse um parto: começa com uma dor tremenda, como se você estivesse implodindo, mas depois tudo fica ótimo.

-E existe céu e inferno?- perguntou Gabriel.

-Este ponto não sei- disse Sky- ainda sou apenas uma memória. Quando as memórias fazem seus papéis e são esquecidas, elas são direcionadas para outros lugares.

-E que seria?- perguntou Gabriel.

-Uma estação de trem- disse Sky.

-Como?- perguntou Gabriel.

-Uma estação de trem- disse Sky- todos esperamos o trem passar. Entramos nele, mas não sabemos se no final de tudo teremos uma última estação.

-Entendi- disse Gabriel- e como você acha que Bellks está?

-Tenho que ser sincero com você- disse Sky- todos estão me torturando para torturá-lo.

-Como assim?- perguntou Gabriel.

-Não conte nada para ninguém- disse Sky- se você contar você morre.

-Nossa- disse Gabriel surpreso- tudo bem.

-É sério- disse Sky- eu te mato. Mas vamos ao assunto: Bellks tem que estar pronto para salvar Packet, aja o que houver. Ela é o último membro da família de Packet. O resto das herdeiras morrerão e nenhum descendente sobreviverá. Portanto, se quisermos que a linhagem continue...

-O que acontece se ele não conseguir?- perguntou Gabriel.

-Ela morre- disse Sky- a única mulher que morreu na família de Packet foi sua tia avó. Coitada. Cinquenta e sete adagas vindas em sua direção.

-E qual o desafio?- perguntou Gabriel.

-Tudo depende de cada mente- respondeu Sky- já teve salvamento de poços até lutas intergaláxigas. Tudo depende de Elizinsk.

-E por que ele faz tudo isso?- perguntou Gabriel.

-Porque ele condena Bellks por sua morte- respondeu Sky novamente- a memória que ficou com a conciencia mais pesada e mais vingativa foi a de Elinzinks. Ele determinará tudo. Agora só falta para Bellks as aulas com espada e o desafio sentimental.

-E este desafio sentimental seria o que?-perguntou Gabriel.

-Não posso te contar- disse Sky- mas é o mais pesado de todos. Pare de conversar comigo, sou apenas uma memória. Vá dizer a Carmen o quanto você a ama.

-Sim- disse Gabriel- obrigado por tudo.

-De nada- disse Sky.

Gabriel abriu a porta e saiu. Sky ficou ainda dentro do quarto de vassouras. Ficou observando as vassouras e pensou de como elas eram sortudas de não pensarem. Apagou a luz e ficou na escuridão, pensando na vida, ou melhor, na sua memória. Colocou as mãos no rosto e fechou os olhos.

-Nada a fazer por amor do que apenas amar.

Capítulo 9- O penúltimo desafio

-Bellks?- perguntou Juliet.

-Sim?- perguntou o mesmo de olhos fechados.

-Pessoal venha, parece que ele está bem!- gritou Juliet.

Todos ficaram ao redor da cama de solteiro. Bellks estava deitado, e, ainda estava todo ensangüentado, por isso que ninguém estava tocando nele.

-O que aconteceu?- perguntou Bellks ainda meio desacordado e com a voz fraca.

-Desculpe cara, mas você está muito aterrorizante- disse Gabriel- tinha que fazer alguma coisa.

-Ai!- disse Bellks- tenho mais um galo ou é minha impressão?

-Espere-disse Sky.

Sky levantou-se da ponta da cama e foi até a cabeça de Bellks. Assim que achou o galo, Sky colocou sua mão no mesmo e uma luz verde surgiu e desapareceu. Não havia mais nenhum galo.

-Como você faz isso?- perguntou Bellks.

-Você terá que descobrir- disse Sky.

-Neste último desafio?- perguntou Bellks ainda meio tonto.

-Na verdade não- disse Sky- nesse desafio você terá que ser forte emocionalmente.

-Quero só ver essa- resmungou Bellks.

A porta se abriu e uma pessoa que Bellks não via fazia muito tempo apareceu. Agora com uma barriga maior, cabelos ressecados e com uma aparência cansativa. A pessoa passou por todos e sentou-se na cama ao lado que era próxima da cama de Bellks, e, começou a segurar a mão do mesmo.

-Bellks?- perguntou Carmen.

-Ele já acordou- disse High.

-E se eu fosse você eu não encostaria na mão dele- resmungou Stall.

Carmen viu todo o sangue na mão de Bellks. Quando viu pela primeira vez pensou que era geléia de goiaba, mas quando viu que ele estava todo coberto pelo mesmo liquido, logo notou que era impossível ter tanta geléia pelo corpo.

-Pessoal?- disse Bellks- Vocês poderiam me fazer um favor?

-Sim- disseram todos.

-Me deixem sozinho com Carmen- disse Bellks.

-Por quê?- perguntou Gabriel.

-Porque sim- disse Carmen- apenas obedeça.

-Vai começar- disse High.

-Saiam logo- resmungou Bellks- é rápido.

-Tudo bem- disse High.

E assim fizeram e agora Bellks estava sozinho com sua melhor amiga.

-Que foi?- perguntou Carmen.

-Eu tive um sonho- disse Bellks- Packet estava grávida.

-Mais uma?- resmungou High detrás da porta.

-Saia High!-gritaram os dois.

-Que droga- resmungou High.

E High saiu detrás da porta e agora os dois estavam realmente sozinhos.

-Você acha que é verdade?- perguntou Carmen.

-Não sei- disse Bellks- nós estávamos usando proteção, mas depois que Elizinks me possuiu...

-Poderia ter se rompido- interrompeu Carmen.

-Sim- respondeu Bellks- e agora terei um filho.

-Ou uma filha- retrucou Carmen.

-Mas não é isso que eu quero falar para você- disse Bellks- eu quero te pedir que cuide de Packet e de meu filho caso alguma coisa aconteça comigo.

-Eu tenho o meu próprio filho para cuidar- disse Carmen.

-Não se preocupe- disse Bellks- quando digo isso é para vocês ficarem juntas.

-Mas você ainda não tem certeza de nada, certo?-perguntou Carmen.

-Não- disse Bellks.

-Então não se preocupe- disse Carmen.

Mas era exatamente o contrário o que Bellks estava pensando. Assim que viu Packet dentro da gaiola dourada com uma barriga do mesmo tamanho que a de Carmen, e, a voz de Packet ecoando pela sala escura falando que estava esperando um filho, Bellks simplesmente se petrificou.

-Ok- disse Bellks levantando da cama- me deixa tomar banho e tirar esse sangue de mim.

-Tudo bem- disse Carmen- irei me encontrar com os outros.

-Nem precisa informar sobre a novidade- disse Bellks- acho que High já disse para todo mundo.

Carmen deu uma risada e saiu do quarto.

Bellks entrou no banheiro, tirou a roupa e viu seu reflexo pelo espelho. Estava completamente ensangüentado com cara de acabado.

-Acho que um bom banho não mataria ninguém- disse a voz misteriosa novamente.

-Mostre-se- disse Bellks.

-Não precisarei- disse a voz- sou seu próximo desafio. Não estou tão distante.

-Estou pronto para você- disse Bellks.

-Não teria tanta certeza.

A voz sumiu e Bellks tomou seu banho tranquilamente. Demorado, mas tranquilamente. Desse modo, ele saiu da ducha, colocou uma toalha ao redor da cintura e se trocou no quarto e viu seu reflexo no espelho. Agora ele estava bonito, parecia um galã de novela.

-Agora sim- disse Bellks.

Assim que terminou de se trocar, Sky entrou no quarto.

-Você ficaria com raiva de minha pessoa se eu te falasse que seu desafio será agora?- perguntou Sky.

-Não- disse Bellks- estou confiante.

-Como assim?- perguntou Sky.

-Nada- disse Bellks- apenas me deixa comer um pão com alguma coisa...

-Aqui está- disse Sky mostrando um sanduíche- mortadela, presunto e queijo. É esse que você gosta, não?

-Sim- disse Bellks.

Sky ergueu a mão para dar o sanduíche à Bellks. Mas de repente ele deu um abraço no amigo.

-Parabéns- disse Sky.

-Obrigado- disse Bellks- e todos já sabem?

-Sim- disse Sky- High contou para todos.

-Que beleza- resmungou Bellks com um pedaço do sanduíche na boca.

-Vamos?- perguntou Sky.

-Sim- respondeu Bellks.

Assim que Bellks saiu do quarto, todos seus amigos estavam ao seu redor pulando em volta dele cantando “Ele é um bom companheiro”, e, ele comendo o sanduíche de mortadela, presunto e queijo. Assim que acabaram todos saíram do hotel.

-Vamos pegar uma carona- disse Sky.

-Como assim?-perguntaram todos, afinal não havia nenhum veículo na rua deserta com todas as lojas fechadas.

Sky pegou um pó e jogou em cima de todos.

-Eu sou alérgico- disse High.

-O que é isso?- exclamou Stall- estou voando!

E todos perceberam logo de cara o significado do pó mágico.

-Pensem...

-Numa coisa boa- responderam todos para Sky.

-Isso mesmo- disse Sky- sigam-me.

E todos começaram a voar e começaram a perceber coisas pela cidade. Passaram pelo barco pirata, com a mulher ainda grudada nele, viram o primeiro hotel e viram uma imensa montanha-russa.

-Isso é apenas um enfeite- gritou Sky- mas se quiserem podemos ir no parque depois do desafio.

-Acho que não!-resmungou High.

E eles voaram e viram as coisas mais bonitas desde que entraram na mente de Bellks: viram flores espalhadas por campos enormes, viram cavalos e outros animais andando para um lado e para o outro. E viram um belo lago com vários barcos navegando com nenhuma pessoa dentro dele Até que viram um local escuro. Parecia um...

-Um campo de futebol?- perguntou Juliet.

-Sim! Um estádio de futebol - gritou Sky- vamos.

E todos aumentaram a velocidade pousaram no gramado. Era exatamente como um estádio de futebol deveria ser.

-Bellks entre na quadra- disse Sky- ficaremos na arquibancada.

-Tudo bem- disse Bellks.

A quadra estava toda cercada por arame para que nada entrasse ou nada saísse. Bellks passou por um portão e seus amigos sentaram na arquibancada que estava próxima ao campo. Tudo ficou mais escuro e uma luz do estádio se focou numa figura feminina, a única coisa que conseguia ser vista.

-Olá Bellks- disse a menina.

Capítulo 10- Any

Uma linda menina negra com mais ou menos dezesseis anos estava coberta pela luz do estádio. Alta, bela e robusta, usando nada mais nada menos do que um vestido branco de casamento.

-Olá Any

-Faz muito tempo não Bellks?

-Sim- respondeu o mesmo.

-O que está acontecendo?- sussurrou Juliet para Stall.

-VOCÊ QUER MESMO SABER?- berrou Any.

-Não...

-Como assim Bellks? Não quer que seus amigos saibam a verdade? Problema seu fedelho!

Todas as luzes do estádio se apagaram.

-Éramos um lindo casal- berrou Any.

-Pare!- disse Bellks.

-Começamos a sair e ele não queria contar para ninguém sobre nosso relacionamento só porque eu era negra.

As luzes acenderam e Any estava ao lado de Bellks.

-Nosso amor era tão puro não era meu amor?- perguntou Any encostando sua cabeça no ombro de Bellks- Ficávamos noites e noites no telhado do teatro da minha rua observando o céu à noite.

-Eu tenho outra agora Any- disse Bellks se desgrudando de Any e dando alguns passos para trás.

-Disso eu já sei seu idiota, mas deixe-me continuar a história que seus amigos não sabem- disse Any dando alguns pulinhos- por favor? Deixa vai!

-Eu não escondia você porque você era negra. Eu não me importo com isso e se meus pais se importassem eu não ligaria. Eu parei de sair com você porque você era louca!- disse Bellks levantando a voz na última palavra.

-Hahahaha!- soltou Any uma gargalhada e parando de dar seus pulinhos- eu? Louca? Imagine só? Você ainda tem a marca na nádega direita Benjinho?

-Que marca?- sussurrou High para Juliet.

-Ha!- soltou Any uma nova gargalhada, mas penetrante que a anterior- eles não sabem? Pois eu conto...

-Na nossa primeira noite juntos Any fincou uma faca na minha nádega direita.

-Ele saiu correndo para o hospital dando a desculpa que estava em casa e sentou em cima do faqueiro. A verdade é que estávamos no carro do pai dele...

-Você roubou o carro do seu pai?- perguntou Stall.

-Você faz coisas idiotas por amor- disse Bellks.

-Ai! Que lindo- disse Any sarcasticamente- amor...

-Só me diga que isso foi antes de Packet- disse Juliet.

-Um ano anterior- disse Bellks- e cinco meses para ser mais exato. Nos conhecemos na sessão de um filme. Começamos a conversar e uma coisa levou a outra e começamos a sair.

-Três meses e ele nunca me apresentou à vocês- disse Any.

-Porque você não estava pronta- disse Bellks- e continua não estando.

-Mas vamos continuar a história?- perguntou Any implorando de joelhos- tem tanta coisa que você nãos sabe Bellks.

-Sei o que aconteceu depois- disse Bellks- você foi embora.

Any se levantou e deu um tapa na cara de Bellks. As luzes se apagaram novamente.

-Nunca pule detalhes numa história!- gritou Any- Mentiroso.

-O que mais eu teria que falar?- perguntou Bellks- que eu te deixei? Que eu não retornava suas ligações? Que eu me escondia de você?

-Sim- disse Any- era exatamente tudo isso que eu queria ouvir. E você sabe o que aconteceu comigo depois disso Bellks?

-Não- disse Bellks- eu nunca mais te vi.

-Exato!- disse Any- fiquei em total depressão. Não conseguia olhar para nenhuma pessoa, nem mesmo para os meus pais. Eles pensaram que era alguma coisa na escola, eu disse que não era. Eles pensaram que era alguma coisa em casa, mas eu disse que não era. Então...

-Vocês se mudaram- disse Juliet.

-Exatamente- disse Any- a coisa mais óbvia que meus pais queriam era sair daquele lugar. Afinal eu sempre fui a filha alegre, feliz por viver, agradecida por tudo que eles amavam. O que tinha acontecido comigo? Eles não sabiam e coloram a culpa no lugar que eu mais amava.

-Você era louca!- gritou Bellks- você me mandava cartas com ameaças de morte!

-Mas era porque eu te amava meu amor- disse Any chorando- eu não conseguia ficar longe de você.

As luzes se apagaram e logo ascenderam novamente e Any estava perto de Bellks, cerca de seis metros.

-Ainda não consigo ficar longe de você- disse Any.

-Mas eu consigo- disse Bellks dando um passo para trás- e o que aconteceu?

-Me mudei- disse Any- meus pais perceberam que eles tinham apenas piorado as coisas. Mudei-me para uma casa perto de um lago, sabia? No alto de uma montanha. Era só pegar o carro que em cerca de dez minutos eu já estava perto do lago.

Juliet soltou um grito agonizante. Ela sabia o que tinha acontecido.

-Me matei- disse Any- não conseguia ficar longe de você. Me joguei da montanha em direção aos rochedos.

-Isso pra mim pouco importa- disse Bellks- você era louca e isso não vai mudar minha opinião sobre você. Você merecia.

-Sério?- perguntou Any.

Todas as luzes se apagaram.

-E você poderia dizer isso na cara de seu filho? –berrou Any.

As luzes se ascenderam. Do lado de Any agora estava um menino usando um shorts preto e uma camisa preta. Ele não era muito negro, tinha puxado mais o pai do que a mãe.

-Ele seria assim com quatro anos- disse Any.

-Papai!- gritou o menino de felicidade por ver o pai pela primeira vez.

Bellks começou a desmoronar. Sentou no chão, colocou sua cabeça perto dos joelhos e começou a chorar. Seu filho ficou ao lado dele sem encostar no pai.

-Por que você está chorando papai?- perguntou o menino.

-Nada meu filho- disse Bellks saindo de sua posição fetal e dando um abraço no menino.

-Papai está aqui agora- disse Bellks com lágrimas saindo de seus olhos..

As luzes se apagaram. Bellks percebeu que estava dando um abraço no vazio e as luzes ascenderam novamente. O filho estava grudado ao lado da mãe.

-Agora você quer ser o pai?- perguntou Any- eu te telefonei, mandei cartas e você não respondeu nenhuma!

-Você me ameaçava de morte!- gritou Bellks- Você era uma vaca louca!

-Mas no final de todas as cartas eu dizia que eu tinha uma surpresa para o nosso futuro!- gritou Any com a voz rouca.

-Pensei que você queria me matar- disse Bellks com a voz fraca.

O filho de Bellks se soltou de Any e começou a correr em direção ao pai. Os dois deram novamente um abraço e Bellks percebeu que seu filho tinha colocado alguma coisa no bolso da calça de Bellks.

As luzes se apagaram e alguns passos foram ouvidos. As luzes se ascenderam e Any estava ao lado de Bellks e seu filho.

-Agora podemos ser uma filha feliz- disse Any abraçando os dois- unida por toda a eternidade.

O filho de Bellks segurou a mão do pai e começou a correr. Bellks começou a correr junto com o menino. Any ficou parada exatamente no lugar onde estava.

-Não faça isso papai- disse o menino- mamãe me maltrata.

-Como assim meu filho?- perguntou Bellks.

E as luzes apagaram. Quando as luzes ascenderam Bellks pode ver o braço do menino todo com cortes de faca.

-Me salve pai- disse o menino- me mate papai.

As luzes ascenderam. Any estava ao lado do menino. Agarrou-o e começou a correr.

-PAI!- berrou o menino.

Quando Bellks colocou a mão no bolso, ele pegou a faca que a mãe usava para torturar o menino. Bellks começou a correr tentando alcançar os dois.

-Hahaha!- soltou Any outra gargalhada- você nunca mais verá o menino Benjinho.

As luzes se apagaram, mas Bellks continuou a correr. As luzes ascenderam novamente e eles não estavam mais lá.

-Aqui!- gritou o menino- pai!

Bellks virou-se para a esquerda e viu os dois parados.

-Estou indo filho- disse Bellks.

As luzes se apagaram novamente. Bellks ficou parado.

-Pai!- gritou o menino!

Bellks começou a chorar e começou a correr no escuro do estádio. As luzes ascenderam de novo. Sabia que tinha que deixar seu filho longe de Any, mas não podia aceitar o pedido do filho, nem ao menos torná-lo realidade.

-Aqui idiota!- gritou Any soltando logo em seguida outra gargalhada- você nunca irá nos pegar.

As luzes se apagaram novamente e Bellks lembrou-se do pedido de Packet, ouviu os berros de seu filho em total desespero. Foi então que tudo estava entendido. Ele estava sofrendo, mas não tinha que ser assim. Aquele era seu mundo. Em seu mundo ele tinha que ser feliz, ele tinha que fazer tudo o que podia e tudo o que queria que acontecesse.

As luzes do estádio ascenderam.

-Como?- perguntou Any.

-Apenas use sua mente- disse Bellks.

-ISSO!- gritou Sky abraçando Juliet e todos- ele conseguiu!

-Conseguiu o que?- perguntou High.

-Eu que mando na minha mente!- gritou Bellks- e não você Any e nem mais ninguém.

Assim que essas palavras foram ditas, Any soltou seu filho que começou a correr em direção ao pai. Assim, Any começou a sentir uma leve coceira que começou a se espalhar pelo corpo. Quando percebeu, a pequena coceira era na verdade fogo. Em poucos segundos Any virou cinzas espalhadas pelo vento.

-Papai!- gritou o menino dando um abraço no filho- obrigado papai.

-Não se preocupe filho- disse Bellks nunca te deixarei. Isso é uma promessa. Mas filho, posso te pedir uma coisa?

-Qualquer coisa pai- disse o menino.

-Me diga seu nome.

Capítulo 11- O nascimento

Todos foram para o campo abraçar Bellks e seu filho, o qual ninguém conhecia, nem mesmo Sky.

-Isso, você conseguiu!- gritou Sky- Você está pronto!

-Calma! Gritou Bellks tirando seus olhos de Sky e olhando para seu filho- quero saber o nome do meu filho primeiro Sky. Filho?

-Pai- disse o menino- mamãe nunca me deu um nome.

-Como assim? Você ainda não tem um nome?

-Não pai. Mas você poderia me dar um não?- perguntou o menino com os olhos brilhando. O menino estava tão feliz que poderia esquentar um cubo de plástico com as próprias mãos e matar uma pessoa se o pai não lhe desse um nome.

-Bellks?- perguntou Sky.

-Calma- disse Bellks- você gostaria de Zacarias?

-Isso é um animal?- perguntou o menino.

-Bellks?- perguntou Sky um pouco mais alto.

-Jones?- perguntou Bellks, novamente sem criatividade.

-Pai? Eu poderia me dar um nome?

-BELLKS!- gritou Sky- Olhe Carmen.

E foi quando Bellks olhou. Carmen não estava com todos, não mesmo. Ela estava gritando. Era uma dor. Não era uma dor triste, mas sim uma dor miraculosa. Seu filho estava prestes à mascer.

-Bellks- disse Sky- olhe nos meus olhos.

-Fale

-Pai?

-Calma filho- disse Bellks olhando para o filho e voltando os olhos para Sky.

-Bellks imagine um hospital- disse Sky- ela precisa fazer o parto.

-Então traga Carmen para cá- disse Bellks.

Enquanto Sky e Gabriel ajudavam Carmen, Bellks voltou a falar com seu filho.

-Pai- disse o menino ansioso- pensei num nome. Você quer ouvir?

-Qual é filho?- perguntou Bellks ansioso.

-Speedo!- gritou o menino.

-Ok, você pode escolher qualquer nome, exceto este.

-Adidas?

-Não.

-Nike?

Não.

-Diadora?

-Não.

-All-Star?- perguntou o menino sem saber em qual outro nome pensar e sem esperança.

-De onde você tirou esses nomes?- perguntou Bellks.

-Mamãe me dava revistas esportivas.

-Explicado.

-Vamos Bellks- disse Gabrie- Carmen já está aqui.

Carmen estava apoiada nos braços de Gabriel e Sky. Juliet estava abraçava Stall. Um abraço apertado e amoroso.

-Como você está Carmen?- perguntou Bellks.

-Você realmente me fez esta pergunta?- perguntou Carmen.

-Não.

-Foi o que eu pensei.

-Pense logo no hospital Bellks!- gritou Juliet.

-Ela está um pimentão!- disse Stall.

Bellks começou a olhar para a face de Carmen. Suor e calor estavam evidentes e em plena ação. Dava para cozinhar um ovo fácil e ainda um pouco de bacon. Não era um alarme falso com certeza. A criança ia nascer.

-É verdade!- disse Bellks.

-Anda logo!- gritou Stall.

-Está bem- disse Bellks.

Bellks fechou os olhos e imaginou o mesmo hospital que ele tinha nascido. Ainda com os olhos fechados, Bellks podia ouvir passos, macas, gritos e pessoas com dor. Ele abriu os olhos: ele conseguiu e todos estavam em dentro do hospital.

-Qual seu nome querida?- perguntou uma enfermeira morena que parecia que tinha acabado de sair de uma capa de revista de moda. Stall não parava de olhar para ela, só faltava ele babar. Juliet para consertar, deu uma pisada no pé de Stall, na qual ele rapidamente reagiu com um grito.

-Carmen- disse Gabriel.

-Não o seu nome meu jovem- disse a enfermeira- o nome dela.

-Bellks- disse Sky.

-Está bem.

Bellks fechou os olhos e rapidamente focou na imagem de uma sala de parto. Carmen já estava deitada na cama. Seria um parto normal.

-Por favor, quero todos para fora- disse o médico que parecia um modelo de cuecas.

-Você imaginou os médicos daquela série?- perguntou Stall.

-Eu sabia em qual hospital imaginar- explicou Bellks- mas não sabia em quais médicos pensar.

-Saiam, por favor- insistiu o médico- fica apenas o pai.

-Ele é o pai- disse Sky apontando para dando um tapa amigo nas costas de Gabriel.

Gabriel ficou espantando. Era a hora H. Ele estava esperando por isso. Mas saber que Carmen estava ali e que seu filho ou filha estava prestes a nascer era a única coisa a qual ele poderia pensar.

-Todos para fora- disse médico- vamos.

-VAI!- gritou Carmen.

-Tudo bem- disseram todos.

E todos saíram. Havia uma sala de espera vazia, claro. Não havia pacientes no hospital, mas mesmo assim os médicos corriam para um lado e para o outro. Juliet ficava apertando a mão de Stall que estava apertando a mão de Juliet em retorno. Sky andava de um lado para o outro e High foi rapidamente pegar alguma coisa para comer. Bellks estava sentado ao lado de seu filho, cada um olhando nos olhos do outro.

-Então filho- disse Bellks- vamos continuar pensando no seu nome?

-Era isso que eu ia te pedir- disse o menino- que tal Pedro?

-Muito comum- disse Bellks.

-Felipe?- disse o menino.

-Não queira isso meu filho- disse o Bellks- os garotos que têm esse nome tem uma má fama.

-E que tal Leandro?- perguntou o menino.

-Acho que estamos perto- disse Bellks.

-Benjamin?- perguntou o menino.

-Este é o meu nome filho- disse Bellks.

-E?- perguntou o menino.

-Você realmente quer isso? Você não quer um nome novo e criativo?

-Não- disse o menino- eu quero o seu nome.

Uma pequena pausa foi dada. Os dois ficaram olhando nos olhos do outro e um médico saiu da porta do corredor. Todos levantaram, exceto Bellks e seu filho que ficaram olhando um para o outro.

-E então?- perguntou Juliet.

-Tenho péssimas notícias- disse o médico- Carmen não conseguiu.

E foi assim que Bellks desgrudou os olhos do filho.

-Como assim?- perguntou High deixando seu sanduíche cair.

-Ela não agüentou- disse o médico.

-Alguma coisa deve estar errada- disse Sky.

-MEU DEUS!- gritou Juliet começando a chorar nos braços de Stall, que também estava soltando lágrimas, mas numa quantidade menor que a de Juliet.

-Brincadeira- disse o médico- só queria ver a cara de vocês.

-Bellks- disse Sky com uma voz de fúria e indignação.

-Não se preocupe- disse Bellks.

E o médico virou pó. As roupas dele caíram em cimas da cinza, e, dessas mesmas cinzas surgiu um novo médico.

-Venham ver os três- disse o médico.

E todos andaram pelo corredor e entraram no quarto. Lá estava Carmen carregando o bebê e Gabriel abraçando Carmen. O bebê era lindo, parecia um Sol brilhando em pleno Verão. Tinha os olhos azuis, mas não tinha cabelo ainda.

-Que fofo!- soltou Juliet indo na direção de Carmen.

-Parabéns- disse High abraçando Gabriel.

-Obrigado- disse Gabriel.

-É um menino ou uma menina?- perguntou Benjamin.

-É uma menina- disse Carmen deixando uma lágrima de felicidade cair na sua face.

-Qual o nome dela?- perguntou Stall.

-Grace- disse Carmen.

-De onde eu lembro esse nome?- perguntou Stall para ele mesmo- deve ser de um filme antigo. Deixa quieto.

-Pai- disse Benjamin olhando para Carmen e para o bebê.

-Que foi filho?- perguntou Bellks.

-Eu terei uma nova mãe?

E foi quando Bellks se lembrou de Packet. Coitada da Packet. Ele nem sabia se ela estava grávida ou não e onde ela estava. Só sabia que o momento tinha chegado.

-Pessoal- disse Bellks- eu tenho que ir.

-Como assim?- perguntou Benjamin.

Bellks se ajoelhou e olhou nos olhos do filho, algo que ele tinha feito muito nas últimas horas.

-Filho eu tenho que salvar sua nova mãe. Eu tinha me esquecido dela completamente, algo que eu não poderia ter feito, por isso eu te agradeço. Mas agora eu tenho que ir.

-Pare de ser melodramático- disse Gabriel feliz- venha ver minha filha.

-Desculpe- disse Bellks- mas não consigo viver mais um momento sem Packet.

-Se você estiver indo, quer dizer que eu também vou- disse Sky.

-Adeus pessoal- disse Bellks andando em direção ao bebê de Carmen- Posso?

-Claro- disse Carmen agora chorando de tristeza.

E Bellks beijou a testa da pequena criança que tinha acabado de nascer e pegou na mão dela.

-Saiba que você tem um tio que te ama- disse Bellks.

-Pai não vai- disse Benjamin se ajoelhando e chorando na perna do pai.

-Filho eu tenho que ir- disse Bellks soltando uma lágrima.

-Você não pode, você não pode- disse menino.

Bellks se ajoelhou e olhou para o menino. Enquanto isso Sky beijou a testa de Grace.

-Entenda que eu tenho que fazer isso. Se alguma coisa acontecer comigo...

-Não- disse o menino chorando ainda mais quando o pai disse aquelas palavras.

-Ouça! Eu tenho que fazer isso. É minha obrigação e meu dever- disse Bellks e desviando seu olhar para Juliet- você poderia?

-Claro- disse Juliet.

-Adeus filho. Dê um abraço no seu pai.

Os dois se abraçaram, cada uma abraçando cada vez mais forte que podia.

-Você quer mesmo ir agora?- perguntou Sky.

-Sim- disse Bellks- quanto mais cedo eu acabar com isso melhor.

-Então vamos- disse Sky.

Bellks se levantou e os dois saíram do corredor. A única coisa que Bellks podia ouvir era o choro de seu filho. Assim que foram para fora do hospital. Bellks não tinha imaginado apenas o hospital, mas sim um hospital no próprio campo de futebol que estava antes.

-Quero fazer uma coisa antes- disse Bellks.

-Então faça- disse Sky.

Bellks tomou um grande impulso e voou. Estava nas alturas, pensando em nada, apenas aproveitando o momento. Quando ele percebeu Sky estava ao seu lado, voando como Bellks: como se todos os pensamentos ruins estivessem indo embora.

-Vamos?- perguntou Bellks.

-É só você imaginar- disse Sky.

Bellks fechou os olhos e imaginou Packet. Agora no chão e ainda de olhos fechados Bellks pode ouvir.

-Finalmente- disse Elizinski.

-BELLKS!- gritou Packet.

Bellks abriu seus olhos.

Capítulo 12- O último desafio

Bellks estava num campo de gladiadores, parecido com o Coliseu. O lugar estava vazio. A areia avermelhada no chão dava uma idéia dos tempos da Roma Antiga. O Sol estava lá, junto do céu azulado e estrelado, algo que seria impossível de se ver na Terra.

Packet estava na sua frente na tão conhecida gaiola dourada. Estava usando um belo vestido de noiva branco e cheio de flores nas bordas. Ela estava feliz naquele momento, mas sua face mostrava claramente que ela sofreu antes. E Bellks percebeu: a barriga dela se destacava no vestido, uma barriga de grávida.

-Bellks!-ela gritou.

Packet nem precisou dizer duas vezes. Bellks nem ouviu as palavras e rapidamente apareceu ao lado da gaiola.

-Agora me de um beijo- disse Packet irritada.

E os dois deram um profundo, mas rápido beijo apaixonante.

-Por que não funciona?- Bellks fez uma pergunta retórica.

-Como assim?- perguntou Packet.

-Não consigo destruir a gaiola.

-É claro que não- disse Elizinks.

“Claro” Bellks pensou. Como ele podia ter se esquecido de seu último desafio?

-Você!- gritou Bellks,virando-se e fuzilando Elizinks com os olhos.

-Nossa Bellks- disse Elizinks- Não sabia que seus olhos ficam vermelhos quando você fica com raiva.

Bellks se virou em pânico e olhou para Packet.

-Meus olhos estão vermelhos?

Packet ficou com paralisada. Os olhos de Bellks pareciam transmitir imagens do próprio Inferno. Era como se a chama viva e ardente estivesse presa naqueles olhos, agora penetrantes e aniquiladores.

-Isso não importa- disse Bellks se virando e olhando para Elizinks - o que importa é que este é o seu fim.

Elizinks ficou em pleno ar e começou a pegar fogo. Ele gritava e gritava de dor. Packet não sabia no que pensar: nos olhos vermelhos de seu namorado ou nas chamas que queimavam seu primo.

-Ai!- gritou Elizinks.

-Bellks- disse Packet- faça alguma coisa, ele ainda é meu primo.

-Socorro!- gritou Elizinks novamente.

-Você está louca?

-Brincadeira- disse Packet dando um sorriso maléfico- ele precisa morrer. Mas o que é uma morte rápida e indolor enquanto existe a possibilidade de uma morte lenta e dolorosa?

-Essa é a minha garota- disse Bellks orgulhoso.

-Posso parar agora?- Elizinks perguntou.

Os fogos cessaram. Elizinks estava com a roupa queimada e retornou ao chão.

-Você pode pensar que será assim fácil, mas não será.

Bellks começou a gritar. Elizinks estava usando novamente a dor mental que usou antes e Bellks podia sentir isso. Mas Bellks nem esperou dez segundos e começou a fazer o mesmo. Elizinks ficou no chão, ambos gritando.

-Pare!- gritou Elizinks.

Os dois pararam.

-Uma luta justa é mais do que o suficiente- disse Elizinks.

-Tem razão- disse Bellks.

Raios saíam das pontas dos dedos de Bellks e foram na direção do coração de Elizinks. Embora o mesmo recebesse uma quantidade de energia que poderia iluminar o mundo inteiro por dez dias, ele não estava ferido. Elizinks sofria a dor, mas não tinha conseqüências da mesma.

-Você jogou sujo!- gritou Elizinks.

Elizinks mirou em Bellks e bolas de fogo começaram da palma de suas mãos. Bellks rapidamente fez uma barreira invisível que cobria ele e Packet. As bolas de fogo se desfaziam assim que se encostavam à barreira.

Bellks pensou rapidamente e Elizinks estava no ar novamente, mas agora ondas de água caiam do céu azulado e formavam uma grande bola aquática, na qual Elizinks estava dentro.

-Quero vê-lo sofrer- disse Packet soltando uma risada maléfica e medonha. Parecia uma psicopata conseguindo sua vingança eterna.

Elizinks derreteu a bola aquática e retornou ao solo.

-Saia desta barreira!- gritou Elizinks.

Bellks obedeceu, mas ainda tinha deixado a barreira invisível proteger Packet.

-Não!- Packet gritou!

-Calma!- gritou Bellks- tudo vai dar certo. Eu te prometo.

-Ai!- disse Packet.

Packet caiu no chão de sua gaiola e colocava suas mãos em sua barriga. A dor vinha do bebê chutante.

Bellks se virou para tentar ajudá-la.

-Bellks!- gritou Packet.

Mas era tarde de mais. A lança tinha entrado no peito do nosso herói, deixando o mesmo de joelhos e olhando para sua amada. Agora, sua roupa estava ensangüentada com um vermelho ardente. Bellks estava pálido. Seus olhos estavam abertos com as chamas ainda vivas.

-Não!- gritou Packet.

-Isso!- gritou Elizinks.

-Você realmente achou que eu morreria por causa de uma lança?- perguntou Bellks se levantando e tornando a lança em pó.

-Eu te mato!- disse Packet.

-Depois você faz isso- disso Bellks dando um pequeno riso.

-Como? –perguntou Elizinks.

-Assim como você- disse Bellks se virando e olhando Elizinks nos olhos- posso mentir um pouco. Você acha que eu estava gritando pela dor mental? Vai sonhando.

-Luta justa- disse Elizinks- mas tenho que te matar.

Elizinks se transformou em pó.

-Nossa- disse Bellks sarcasticamente- pó machuca tanto.

Mas ele não sabia o que Elizinks planejava. O pó agora se juntava com o vento e Bellks agora estava num furacão. Packet ainda estava em sua barreira, intacta, no chão, mas Bellks estava voando pelo ar. Ele não podia parar simplesmente o furacão, porque poderia ser jogado para longe e Elizinks tentaria outra manobra enquanto ele estivesse indefeso. Então Bellks se tornou num enorme cubo de ferro, o qual nenhum furacão poderia mover, e, assim o cubo-Bellks começou a cair.

Assim que chegou ao solo, Bellks voltou ao normal e estava nu. O furacão tinha parado enquanto ele ainda estava no ar, mas ainda havia poeira pelo ar. Ele olhava para todos os lados, mas não via Elizinks. Quando percebeu que estava pelado, imaginou um jeans azul folgado, uma camisa branca e preferiu ficar descalço.

Bellks começou a ouvir assas e olhou para o céu. Um enorme dragão vinha em sua direção. Um dragão vermelho com olhos amarelos e com uma enorme assa marrom. A boca da criatura estava aberta e rapidamente engoliu Bellks.

-Não!- gritou Packet novamente- me sinto tão inútil nesta gaiola.

-Não se preocupe- disse o dragão com uma voz alta e grossa- daqui a pouco resolvo seus problemas priminha.

-O que é isso?- perguntou Packet.

Bolhas vermelhas começaram a surgir no corpo do dragão-Elizinks. O dragão começou a se coçar, mas cada vez mais as bolhas começavam a ficar maiores e o dragão começou a mudar de cor, começando a ficar branco-papel.

- O que é isso?- gritou o dragão em pânico com sua voz grossa e alta.

O dragão estava complemente branco nos espaços que ainda não estavam cobertos por bolhas. As mesmas, por sua vez, estavam ficando enormes, cada uma tinha o tamanho de mais ou menos um quarto de um campo de futebol.

As bolhas começaram a explodir, uma por um, soltando uma gosma verde-musgo.

Assim, o dragão explodiu completamente e na última bolha estava Bellks, coberto pela gosma.

-Um vírus pode prejudicar qualquer um- disse Bellks.

-Você conseguiu!- gritou Packet.

Bellks olhou para o chão. Uma grande chave dourada de mais ou menos trinta centímetros estava ali, parada.

-Abra à gaiola- disse Packet.

-Onde? Não tem fechadura.

-Está no teto!

Bellks tomou impulso e chegou ao topo da gaiola e colando a chave na fechadura. A gaiola se abriu como um cubo aberto.

O casal se abraçou e começaram a se beijar, ambos de olhos fechados. Era uma coisa que não faziam há muito tempo e tinham que aproveitar o momento. Tudo tinha acabado. Tudo.

Packet abriu os olhos e deu um grito. Ainda não havia acabado.

-Como?- ela perguntou e Bellks se virou para ver o que estava acontecendo.

Os restos do dragão estavam se juntando e em questão de segundos Elizinks estava de pé, pelado, coberto pela gosma verde.

-Tudo é uma questão de imaginação. A batalha não acabou.

-Acabou sim- disse Bellks.

-Eu ainda estou vivo- disse Elizinks.

-Mas você acabou de se entregar.

-Como?- perguntou Elizinks.

-Falando a palavra mágica: imaginação.

-E?- perguntou Elizinks.

-Eu não me lembro de você- disse Bellks.

Elizinks começou a rir. Na verdade nunca tinha rido tão alto antes. O estádio inteiro estava coberto por suas risadas.

-Não se lembra de mim?- perguntou Elizinks- Mas estou na sua frente.

-Mas você não existe- disse Bellks- Você é fruto da minha imaginação, mas não me lembro de você.

-Coitado- disse Elizinks se aproximando- mas agora você vai morrer.

Elizinks se aproximou do casal. Enquanto andava, ele não havia notado.

-O que é isso na palma de sua mão direita?- perguntou Packet dando uma pequena risada.

A palma de Elizinks estava sendo consumida por uma misteriosa sombra escura.

-O que é isso?- perguntou Elizinks.

-Quem é você?- perguntou Bellks sarcasticamente.

-Me ajuda!- gritou Elizinks enquanto a sombra começava a consumir seu braço direito e começando a surgir por todo o corpo.

-O que você faz aqui?- perguntou Bellks.

Elizinks tentavam empurrar a sombra com suas mãos, mas a sombra do esquecimento era algo que não poderia lutar: era um fato. Um fato da imaginação de Bellks. O corpo de Elizinks estava praticamente consumido pela sombra misteriosa, exceto pela sua cabeça.

- Por favor- suplicou Elizinks.

-Por acaso eu te conheço?- perguntou Bellks.

E a sombra misteriosa consumiu todo o corpo de Elizinks. Dentro da sombra, um pequeno fecho de luz começou a surgir, até que ela estivesse completamente iluminada.

Um borrão surgiu e Packet e Bellks se abraçaram. Ambos fecharam os olhos e esperaram pelo silêncio. Abriram os olhos e viram pequenos pedaços de vidro picotados caindo pelo chão. Agora tudo tinha acabado.

Capítulo 13- O segundo nascimento

Eu e Packet continuamos ali, parados como se o momento fosse único, e era realmente único. Era como ter tirado um grande peso de nossas costas. Só poderíamos comemorar de um único jeito: dando um beijo apaixonante.

Durante nosso beijo, algo inesperado aconteceu. Alguma coisa tinha saído de Packet e seu vestido agora estava manchado. Era muita coincidência para ser verdade: o bebê estava preste à nascer.

-Nada melhor para este dia- disse Packet dando um longo sorriso e começando a chorar.

-Antes de tudo eu tenho que te contar uma coisa.

-O que?- ela perguntou- estou meio sem tempo!

-Eu tenho um filho- assumi.

Se existiu uma cara de choque tão grande quanto à de Packet era a cara de uma pessoa que tinha acabado de ver Jesus Cristo ressuscitado, porque Packet não sabia de Any, ninguém sabia. Eram duas novidades, uma seguida da outra numa rápida explicação.

-Eu tive um relacionamento e meu filho está vivo. Aqui.

-Como assim?- perguntou Packet.

-Minha namorada se matou ainda grávida- tentei lhe explicar, embora aquilo fosse insano.

-Por que você me disse isso agora?- perguntou Packet.

-Porque estamos indo para o hospital. Todos estão lá. Nem eu sabia que tinha um filho. Estou tão chocado como você.

-Incluindo ele?- ela perguntou.

-Sim.

-Não tem problema- disse Packet- assumirei o cargo de mãe com total naturalidade.

-Assim espero.

-Você parou para pensar que ainda nem temos dezoito anos?- ela me perguntou.

-Na verdade, estou dando aleluia por isso ter acontecido.

-Por quê?- ela perguntou agora com uma curiosidade. Quem gostaria de ter toda aquela responsabilidade antes de ser adulto?

Antes mesmo que eu pudesse mentir, Packet começou a gritar. Eram as contrações. Era o momento exato de ir ao hospital. Fechei os olhos e imaginei novamente o mesmo hospital no campo de futebol.

-E agora?- ela perguntou se apoiando no meu braço.

-Um médico- respondi.

Imaginei o ator loiro, alto e musculoso que ela tanto gostava, como se fosse um presente para ela. Claro que dei mais alguns neurônios para o infeliz, senão meu filho ou filha poderia estar em perigo, além de minha namorada. Junto com o ator, uma cadeira de rodas foi rapidamente encomendada.

-Vamos querida- disse enquanto eu a ajudava a sentar na cadeira.

-Senhora qual o seu plano de saúde?- perguntou o médico.

-Bellks!- Packet deu um grito- não é hora de piadas.

-Sinto muito- admiti abaixando a cabeça.

Fechei os olhos e focalizei a sala de espera. Sabia que teria de ficar ali de qualquer jeito. Na verdade, eu podia arrumar um jeito de participar de tudo, mas queria que tudo mantivesse a maior naturalidade possível. Todos estavam lá, exceto Carmen que deveria estar dormindo, mas todos sentados e espantos. Tudo isso ao mesmo tempo.

-Mais um? E eu quero um milhão de dólares- disse High suplicando e apontando pela porta para o seu desejo se tornar realidade.

-Engraçadinho- disse Stall com sarcasmo.

-Que bom!- gritou Gabriel- nossos filhos! No mesmo dia.

-Eu sei- respondi entusiasmado. Só faltava Gabriel e eu pularmos como duas adolescentes quando são convidadas para o baile.

O médico ainda estava conosco. Assim que estávamos na sala ele saiu correndo com Packet na cadeira de roda para a sala do parto.

-Bellks!- ela gritou.

-Estou tentando tornar isso natural!

-Eu te mato! Não quero naturalidade! Eu estava sendo uma refém! Quero o rápido, prático e o indolor.

-É o nascimento do nosso filho! Tem que ser normal! Isso dói em mim tanto quanto em você.

-Então troque de lugar comigo! Tenha você o bebê! Vou te dar o maior apoio!

-Pai?- perguntou Benjamin.

-Oi filho- respondi olhando para baixo e vendo meu menino ali, sentado com os olhos esbugalhados de susto.

-Quem era aquela?- perguntou Benjamin com uma voz inocente.

-Aquela é sua nova mãe Benjamin.

-Que ótimo!- gritou ele ainda com sua voz de criança- você não sabe o quanto eu sofria com a minha Amy.

-Como assim?- perguntei.

Ela abaixou um pouco a camisa e pude ver uma cicatriz em forma de S.

-Tenho várias como essa.

-Por quê?- perguntei.

-Você quer que eu responda?- ele me perguntou.

-Ah!

-BELLKS!- gritou Packet.

-Naturalidade querida, naturalidade!- gritei de volta.

-Pai?

-Sim filho?

-O que vai acontecer agora?

-Agora seu novo irmão ou sua nova irmã vai nascer- respondi tentando mudar o assunto.

- Mas e depois disso?- ele perguntou.

Eu já sabia a resposta, mas não queria respondê-la naquele exato momento. Era um momento impróprio e tinha que ser um momento feliz. Menti só para ele não ficar triste. A realidade seria muito dura. Sky já sabia a resposta, mas não se intrometeu, o que eu achei nada mais nada menos do que justo.

-Vamos para casa.

-Sério?

-Não- menti.

Foi uma brincadeira de mau gosto e ele logo começou a chorar.

-Brincadeira filho- supliquei para que o choro cessasse.

-Bom mesmo- respondeu ele dando um grande sorriso. Tudo era fingimento.

-Você é esperto como seu pai.

-Um pouco mais eu diria- ele respondeu.

Demos uma risada que foi rapidamente cortada por um choro. Sabia que esse choro era do bebê. Chorei ao mesmo momento de felicidade e de tristeza. Era um sinal. Sky embora já imaginasse minha decisão, não falou nem se moveu. O momento estava chegando e meu tempo estava se esgotando.

Capítulo 14- O casamento

Corri para a sala e lá estava ela: Packet estava suada, vermelha e cansada, mas ainda assim eu a achava a menina mais bonita do mundo. Em seus braços estava o meu bebê, o nosso bebê. Aproximei-me para ficar ao lado de Packet e ver o bebê.

Antes de perguntar qualquer coisa, Packet me deu um tapa na cara com a mão direita enquanto a mão esquerda segurava o bebê. Era merecido, eu acho.

-Naturalidade é isso- disse Packet.

-Eu mereci- admiti.

-Eu sei- ela respondeu.

Rimos.

-E então?- perguntei.

-Que foi?- ela perguntou.

-É o que?

-Um... Bebê- ela disse.

Fiquei com cara de parede. Talvez dessa maneira Packet entendesse o que eu queria dizer.

-Ah!- ela exclamou.

-Ah!- a imitei. Ela não gostou nenhum pouco.

-Para com isso- ela disse- é uma menina.

Uma menina. Perfeito, agora eu tinha um casal. Quer dizer, nós tínhamos um casal.

-Qual será o nome dela?- Packet me perguntou.

-Não sei- respondi- eu estava lutando com meu inimigo uns momentos atrás e não pude ler um livro de nomes para bebês.

Packet ficou com uma cara brava para mim, fuzilando meus olhos.

-Desculpe

-Tudo bem- ela disse- eu estava pensando...

-Em qual?- perguntei.

-Talvez...

-Fale!

-Não sei não...

-Fala logo!- gritei.

-Não me trate assim, sou sensível- disse Packet me mostrando a língua.

-Então, como eu estava tentando dizer, gostaria que o nome dela fosse Yera.

-Diferente- admiti.

-Não gostou- ela disse.

-Gostei- menti.

-Bellks, para uma boa pessoa você é um péssimo mentiroso.

-Eu sei- admiti novamente- Que tal Clara?

-Clara?- perguntou Packet- farão tantas piadas com ela na escola.

-Não importa- eu disse- ela é linda.

E era mesmo. Clara tinha a pele parecida como a neve. Seus olhos eram azuis e era loira, como a mãe. Mas tinha uma coisa minha: o olhar e as orelhas. Ela olhava fixamente para minha pessoa e pude reconhecer o olhar escondido no olho esquerdo, o olho que sempre ficava em alerta.

-Que foi?- Packet perguntou.

-Estava pensando...

-No que?

-Em nos casarmos.

Bomba! Alguém chame os bombeiros, Packet está chocada! Ela ficou paralisada na minha frente e não sabia o que dizer. Todas as coisas que aconteciam com nós eram rápidas, talvez aquilo ela gostaria de esperar.

-Sim- ela disse.

Cai de joelhos. “Sim ela disse! Sim! Sim! Mil vezes sim! Era um momento perfeito” pensei.

-Quando?- ela perguntou.

-Amanhã- eu disse- é só você me dizer como você quer tudo que materializo para você.

-Nossa você é multifuncional!- disse Packet.

Não gostei de sua piada, nem um pouco.

-Descanse- eu disse- amanhã será um novo dia.

-Para nós.

-Sim. Para nós.

E Packet adormeceu com Clara em seus braços.

O dia amanheceu todo escuro no hotel que criei para todos, algo que solucionei rapidinho. Queria um casamento bem iluminado, essa seria minha única escolha de todo o casamento.

Embora eu quisesse que tudo continuasse natural, Packet me pediu forças quando ela acordou. Ela estava realmente cansada. Perguntei se queria adiar o casamento, mas logicamente ela me disse um “não” abafado. Então fizemos a lista das coisas que ela queria.

Como um casamento normal, batidas foram ouvidas da porta.

-Bellks! Acorda!- disse Juliet empolgada.

-Mais dois minutos- respondi ainda deitado na cama e tentando dormi.

-Já está tarde e está escurecendo. Bem, pelo menos estava antes.

-Que horas são?- perguntei.

-Oito horas- disse Carmen atrás da porta.

-Ainda falta...

-Da noite!- disse High.

Tinha dormido isso tudo? Eu estava morto de cansaço. Bem, não seria muito diferente...

-Anda!- disse Gabriel.

-Tudo já está pronto!- disse Stall.

-Como assim?

-Você não se lembra?- perguntou High- você organizou o casamento!

Mentalizei tudo no salão do hotel antes de dormir para não ter nenhum trabalho no dia seguinte, ou seja, hoje.

-Estou indo!- respondi- como está Packet?

-Se arrumando!

-E Clara?

-Está comigo!- disse Juliet.

-E Benjamin?

-Vai logo pai!- disse o menino.

-Está bem. Cadê minha roupa?- perguntei para mim.

“Idiota” pensei, e logo imaginei o smoking preto e todo o conjunto. Uma roupa branca, um colete preto, a calça, as meias e um sapato circular. Não gostava de sapatos de bico.

-Podemos entrar?- perguntou High- estamos grudados na porta e meu sanduiche já está se despedaçando.

-Olhe onde você encosta esse sanduiche!- gritou Juliet.

-Olha o que você fez!- disse Carmen.

-O que aconteceu?- perguntei enquanto estava escovando os dentes e passava um perfume.

-High deixou cair todo o sanduiche em Benjamin!

-Foi mal!- disse High.

-Aposto que você é o tio idiota que todo mundo tem.

Todos começaram a rir, inclusive eu, e rapidamente consertei o erro de High. Benjamin estava brilhando novamente. Intacto.

- Está faltando alguma coisa- eu sussurrei para mim.

É claro pensei e coloquei a rosa no lugar que faltava. Estava pronto.

-Podem entrar.

Nem precisei falar duas vezes. Todos entraram em menos de dois segundos num empurra-empurra. Juliet estava com um vestido rosa magnífico e Carmen estava com um vestido azul que a deixava deslumbrante, e, ela colocou uma linda roupa em Grace. Todos os outros estavam iguais: todos com roupa de pingüim.

-Vamos?- perguntei.

-Bellks você está lindo!- disse Carmen dando alguns pulinhos.

-Vamos?- perguntei novamente.

-Sem graça- disse Carmen.

-Você terá que esperar a noiva.

-Claro. Que novidade.

-Opa! Ela está pronta!- disse Juliet do corredor segurando Clara. Pelo visto os quartos eram no mesmo andar- Não sai.

-Não irei.

Esperei alguns momentos com todos. High chegou perto de mim.

-Então Bellks.

-Sim?

-Gostaria de fazer um pedido.

-Faça.

-Eu poderia casar vocês?

-Você sabe alguma coisa sobre casamento?

-É só dizer o porquê de estarmos ali, dizer alguma coisa bonita e o noivo e a noiva fazem seus votos e felizes para sempre.

-É. Felizes para sempre. Pode.

-Eba!- gritou High- Falei que eu conseguiria.

-Oi?- perguntei.

-Você deixou?- perguntou Stall.

-Sim. Se você estiver com inveja pode ser o padrinho.

-E eu?- perguntou Gabriel.

-Você já vai levar a noiva.

-É verdade.

-Pode sair- disse Juliet- todos para o saguão!

Descemos as escadas do hotel e entramos no salão principal que era coberto por pinturas e paredes de madeira. Ao lado esquerdo estava o salão do casamento.

Fiquei parado. Tomei fôlego e continuei a andar.

Entrei no salão e estava tudo como Packet pediu: bancos de madeira para os lugares, embora não tivessem convidados. O tapete vermelho. Os enfeites de rosas espalhados pelo são e o lugar aonde iríamos nos tornar marido e mulher: após o final do tapete vermelho havia um pequeno degrau, o lugar de High para nos declarar marido e mulher. Havia uma pequena oesquestra nos fundos do salão, cheios de violinos e instrumentos que se pode imaginar, e, havia uma cantora e um cantor. Havia também uma escada para o segundo andar, um pedido de Packet. Provavelmente...

-Vamos?- High.

-Sim.

E eu e High ficamos no final do tapete, esperando como num casamento tradicional.

A música começou. Assim que começou a tocar Seasons Of Love. Juliet estava de braços dados com Stall, meu padrinho, e no outro braço estava segurando Clara. Assim que eles chegaram ao final do tapete, Juliet e Clara foram para o lado esquerdo e Stall para o direito.

Em seguida, Carmen estava de braços dados com Benjamin e no outro braço estava segurando Grace. Eles andaram. Gabriel ficou parado, esperando Packet. As luzes se apagaram e a música também. Isso era novidade para mim, mas a música começou a tocar novamente, mas desta vez tocando Somewhere Over The Rainbow. Deveria ser algo planejado por Packet ou Juliet, imaginei. As luzes se ascenderam e a porta do andar de cima se abriu. Packet se deslizava pelo tapete vermelho com buquê lindo de margaridas e rosas na mão. Ela estava num belo vestido branco, com detalhes de formatos de diversas flores. Ela desceu as escadas com muito cuidado e deu seus braços para Gabriel. Os dois começaram a andar. Assim que ela viu High no pequeno degrau...

-O que?- ela sussurrou espantada.

-Relaxa.

Gabriel me entregou Packet e olhamos um nos olhos do outro e olhamos para frente. High estava parado esperando a música acabar.

-Meus queridos convidados.

Dei uma pequena risada que apenas Packet escutou. Afinal, não havia ninguém ali e essa era a graça. Packet pisou com força no meu pé, mas segurei a dor.

-Desculpa- sussurrei.

-Estamos aqui para celebrar a união deste lindo casal. Devo lembrar para vocês que o amor é algo único nessa vida. Achar a alma gêmea, assim rápido como esses dois, é algo mágico. Embora eu não tenha achado ninguém ainda...

Tossi para High para de falar aquilo.

-Desculpe. O amor é algo para ser lembrado, é algo para sentirmos. O amor, a amizade, a união, o nascimento, tudo. Embora...

-High- sussurrei.

-Então! Vamos aos votos!- disse High com empolgação.

-Bellks você primeiro.

Nem tinha pensado nessa parte. Bem, achei melhor falar o que eu sentia. Seria mais rápido e mais prático.

-Packet, você me fez o homem mais feliz do mundo. Não precisaríamos desse casamento para oficializar nosso amor, mas queria algo para poder te mostrar o quanto eu te amava e a prova disso. Sei que o casamento não é a prova, mas sim a minha e a sua presença. Estamos mostrando para todos o quanto realmente nos amamos.

Antes de terminar de falar os choros já começaram. Carmen estava se derrubando em lágrimas, mas não podia fazer nada para secar as lágrimas, ela estava segurando Grace. Juliet a mesma coisa, só que estava segurando minha pequena Clara. Uma lágrima saiu do olho direito de Packet e secou rapidamente. Mas o destaque mesmo foi High começando a chorar.

-Você é um palhaço–sussurrei.

-Eu sei- disse High- Packet.

-Meu Bellks, o casamento não importa para mim também, mas saber que estamos aqui para provar o nosso amor é a mesma coisa que mostrar um milagre para o povo. Estamos aqui. Eu e você. Até a morte.

Engoli em seco. “Até a morte não”, pensei.

-Bem, sem mais delongas, Bellks, você aceita Packet como sua fiel esposa até que a morte os separe?

-Prefiro que você use “enquanto o sentimento de ambos ainda queimarem em seus corações”- sussurrei.

-O.K, O.K- disse High- Bellks, você aceita Packet como sua fiel esposa enquanto o sentimento de ambos ainda queimarem em seus corações?

-Sim.

-E você Packet? Aceita Bellks como seu fiel marido enquanto o sentimento de ambos ainda queimarem em seus corações?

-Sim.

-Então eu os...

Nem deixei High terminar de falar e beijei logo Packet. Ela fez o mesmo.

-Declaro marido e mulher. Já ta beijando nem vou terminar de falar. Embora...

Paramos o beijo.

-Fique quieto- eu e Packet dissemos.

-Desculpa.

A música voltou a tocar com My Heart Will Go On e voltamos para nosso beijo. Éramos marido e mulher.

Capítulo 15- Adeus

Assim que o casamento e a festa do mesmo acabaram, Packet e eu fomos para o nosso quarto. Ela ainda com o vestido de noiva pensaria provavelmente que teríamos nossa noite de núpcias. Infelizmente, havia uma surpresa. Tinha medo de que com essa surpresa viesse o divórcio.

-Me carrega!- disse Packet.

-Oi?

-Estamos na frente da porta. Me carrega no colo meu cavalheiro.

-Claro minha dama- disse fazendo uma referência.

E assim, pulando em meus braços, peguei Packet nos meus braços e ela juntou suas mãos e colocou seus braços em meu pescoço e apoiou sua cabeça em meu peito. Medo de cair, imagino.

-E agora?- perguntei.

-Como assim?

-Alguém tem que abrir a porta!

-Calma...

-Espere que já resolvo o problema...

-Não!- Packet me interrompeu- essa é a minha naturalidade.

-Está bem. Duvido que você consiga abrir a porta sem cair. A chave está no meu bolso.

Claro que Packet não conseguiu. Assim que tirou a primeira mão ela já estava em pé novamente.

-Te odeio!

-Eu sei.

-Me de a chave!

Coloquei as mãos no bolso e entreguei para Packet. A mesma abriu a porta do quarto.

-Agora me carrega de novo.

-Como?

-Vai logo!

-Nossa você é muito pesada.

Nem precisei falar que levei um tapa por isso. Mas era esse o objetivo que eu queria: irritar Packet.

-Você mereceu.

-Eu sei. Brincadeira de mau gosto.

-Sim. Agora me carrega logo!

Novamente ela pulou em meus braços, segurou suas mãos e colocou seus braços no meu pescoço e a cabeça no peito. Ela parecia uma linda preguiça vestida de noiva naquele momento. Passei a cabeça dela pela porta e já contei os votos de aleluia.

-Que bom!- disse enquanto continuava a andar.

-Ai!- soltou Packet.

Esqueci-me dos pés dela.

-Você vai ver só!

-Acho que não- disse soltando uma pequena risada.

Joguei delicadamente Packet na cama e fiquei por cima dela. Claro que quando encostamos-nos à cama apoiei minhas mãos para não esmagar a mesma com meu peso. Nem preciso dizer duas vezes que começamos a nos beijar.

-Feche a porta.

Porta fechada. Sem se levantar.

Voltamos ao nosso beijo.

-Me ajude a tirar a roupa.

-Já?

-Não tivemos uma excelente primeira vez. Quero que agora seja perfeito.

-Hã...

-Sabia!

-Que foi?- perguntei.

-Você me esconde algo.

-Sim escondo.

-O que então?

-Estava tentando prolongar isso ao máximo.

-Bellks, quero uma resposta sem mais nem menos.

-A verdade?

-Sim, a verdade.

A verdade. Fora essa tantas vezes usada para o bem como para o mal. Para a alegria e para a tristeza. Para a saúde e para a doença. Embora eu soubesse que tudo que eu falaria seria para o bem, com o assunto doentio, a tristeza estava próxima.

-Packet...

-Sim?

-Tenho que ficar.

Nem preciso dizer que Packet se levantou e eu a acompanhei.

-Ficar?

-Sim.

-Por quê?

-Para salvar as pessoas enquanto ainda há tempo.

-Tempo de que?

Expliquei para Packet que assim que saíssemos de lá, uma guerra nuclear começaria, tudo explicações de Rash, o mordomo de Packet. Em dois anos, ou mais ou menos isso, uma guerra atômica começará. Expliquei para ela também todo o meu plano.

-Você pode ir- eu disse.

-Como assim?

-Se quiser pode ir embora. Não quero que você faça este sacrifício. Você pode ter uma vida lá fora. Eu quero que você tenha uma vida lá fora.

-Do que me importa quarenta anos lá fora enquanto posso passar os melhores dois anos da minha vida com você? Entenda que isso é uma escolha minha e não sua. Não obedeço a ordens de homens que não sejam meu pai, e você sabe disso.

-Mas...

-Mas nada! Ficarei.

-Tem certeza?

-Sim. É uma decisão minha.

-Pense novamente.

-Bellks, minha opinião está feita

-E nossa Clara?

Pelo visto, Packet se esqueceu da própria filha, embora esta estivesse nos planos. Começou a chorar nem mais nem menos. Sentei-me ao lado dela na cama e ela começou a chorar em meu peito.

-Tudo por uma causa maior, certo?- disse ela com a voz fraca.

-Sim.

-Quando você pretende fazer?

-Amanhã.

-Tão depressa?

-Sim, amanhã eles têm que ir.

-E o que acontece antes disso?

-Teremos nós e apenas a nós.

-Teremos muito tempo para isso- disse Packet.

-Concordo.

-Nossos filhos então?

-Sim, nossos filhos.

E Packet começou a chorar novamente. A triste realidade jazia em seus olhos molhados. Agora era só esperar. Ela sabia que era por uma causa maior. Queria a felicidade de amigos e filhos e muito mais do que isso: impedir o fim do mundo. Se ela queria ficar era para ser feliz. Se ela queria ficar era para o bem de nossa Clara e seu futuro. Era a decisão dela.

O dia chegou. No dia anterior, brincamos com nossos filhos. Claro que eu passei meu maior tempo com Benjamin, enquanto Packet passou seu maior tempo com Clara. Disse tudo para Clara quando carreguei a mesma em meus braços. Soltei algumas lágrimas enquanto falava, confesso.

-Lembre-se: pai biológico só tem um. Saiba que te amamos, mesmo que o tempo desde amor tenha sido pouco. Te amo minha filha.

E terminei dando-lhe um beijo na testa. Packet e eu tivemos nossa noite de núpcias, embora esta tenha sido bem tarde, quase de manhã. Nem preciso dizer que o fogo era mais intenso do que antes e a paixão também. O dia amanheceu e aproveitamos mais alguns momentos.

-É hoje o dia, certo?- perguntou High durante o almoço. Todos estavam sentados numa mesa redonda.

-Sim, é hoje- eu disse.

Gabriel me olhava meio torto. Parecia que ele sabia o que acontecia com uma pessoa se ela pertencesse ao portal e quisesse sair. Talvez Sky tenha dito alguma coisa.

-A noites vos espera- disse Sky para todos.

Passamos mais tempo com nossos amigos e filhos. Aproveitei e brinquei um pouco com Grace, a menina que eu nunca veria de novo. Na verdade, eu não veria ninguém de novo.

-Você está chorando papai?- perguntou Benjamin.

A visão do pôr-do-sol apenas apertou meu coração. A hora era essa.

-Pessoal, vamos- disse Sky- hora de voltar para casa.

Todos berraram e se abraçaram, exceto Packet e eu, lógico. A felicidade deste fato não nos atingiu.

-Me sigam- disse Sky.

Saímos do hotel e fomos para um grande campo, deserto de flores e árvores, apenas um gramado verde escuro belíssimo. Havia apenas uma coisa neste campo: uma porta amarela com uma maçaneta dourada.

Assim que chegamos perto da porta...

-Parem- eu disse.

Todos obedeceram.

-Temos algo a dizer. Packet e eu.

Assim que disse estas frases, Packet me abraçou e ficou com sua cabeça em meu peito novamente. Todos olharam para nós.

-Diga- disse Juliet.

-Não vamos embora.

-Como?- perguntou High.

-Não vamos- disse Packet já soltando algumas lágrimas.

-Por quê?- perguntoi Stall.

-Tudo é para Benjamin e Clara.

-Explique Bellks! Isso está me matando- disse Juliet.

-Quando alguém que pertence ao portal sai daqui, sem ser autorizada, essa pessoa virão cinzas, ou seja, Benjamin e Clara se tornarão cinzas.

-E a solução para isso?- perguntou Juliet.

Imaginei a larga cela de ferro e a mesma apareceu. Todos estavam presos lá dentro, exceto Packet, Sky, que estava segurando Clara, e eu. Já tinha falado com Sky antes sobre o assunto.

-Está com você?- perguntei.

-Sim- disse Sky.

Dos bolsos de Sky eu vi dois pequenos frascos com um líquido vede dentro. Era o veneno.

-Não façam isso!- disseram as vozes de meus amigos.

Packet e eu pegamos nossos frascos e tiramos a tampa.

-Pai!- gritou Benjamin.

Não poderia ser fraco agora. Não agora. Packet e eu cruzamos nossos braços.

-Ao amor maternal e paternal- disse Packet.

-Sim- eu disse.

E bebemos o veneno. Enquanto o mesmo ardia em nossas veias, que estavam cada vez mais saltadas e roxas, perdíamos nossas vidas. Assim, eu estava deitado ao lado de Packet.

-Não!- gritava Gabriel.

Alguns segundos depois nossos espíritos saíram de nossos corpos, iguais ao modo que morrermos. A cela foi desfeita. Éramos visíveis para todos. Parecia que réplicas nossas foram feitas: tinha dois Bellks e duas Packets. Dois estavam de pé, dois eram apenas corpos no chão.

-Você é um cretino! Olha o que você fez com seu filho!- gritou Juliet.

Ela tentou me estapear, mas não conseguiu. Sua mão atravessou meu rosto. Era a hora da explicação.

-Assim que Bellks e eu nos matamos, demos nossas vidas para Clara e Benjamin. Eu dei minha vida para Clara, enquanto Bellks dava sua vida para Benjamin.

-Oi?- perguntou High.

-Se eles saíssem daqui, eles se tornariam cinzas. Como nosso sacrifício, eles podem sair tranquilamente e ter uma vida.

Os choros foram tantos, mas não podíamos nos consolar nossos amigos, porque não podíamos nos encostar com os mesmos. Talvez esse seria o modo dos espíritos: não poderíamos nos encostar nos humanos.

-Papai! Por quê?- disse meu filho se ajoelhando na minha frente.

-Filho fiz isso para você ter um futuro. Você e sua irmã.

-Meus pais irão ajudar os dois- disse Packet.

-Fizemos uma carta de suicídio que explica tudo. Nos matamos para sermos felizes juntos.

-E Clara?

-Colocamos que Packet já estava grávida, o motivo pelo qual fomos para a casa no campo e ninguém saber.

-E Benjamin?

-Encontramos uma pessoa na cidade que reconheceu uma foto minha. A mesma foto pertenceu à Benjamin e sua mãe lhe dissera que este menino da foto era seu pai.

-E eles simplesmente vão acreditar nisso tudo como?- perguntou Stall.

-Meu corpo e o de Packet são a prova de tudo. Como meu espírito está aqui, meu corpo pode ser levado, sem virar cinzas. Sem dizer quantas coisas em minha casa dever ter meu DNA.

-É melhor vocês irem agora- disse Packet.

-Como?- perguntou Carmen fazendo uma pergunta retórica e olhando para sua filha Grace, que estava em seus braços.

-Fizemos isso pelo futuro de nossos filhos. Você e Gabriel fariam o mesmo.

Carmen ficou em silêncio e Gabriel também. Eles sabiam que aquilo era verdade.

-Nem podemos dar um abraço- sussurrou High.

-Não podemos abrir mais a ferida- disse Packet.

-Sky, entregue Clara para Juliet.

-Levarei Clara para a casa de quem primeiro?

-Acho que dos meus pais. A polícia investigará o caso também. Tudo em seu devido momento- eu disse.

-Adeus meus amigos.

-Adeus Bellks.

-Adeus pessoal.

-Adeus Packet.

A porta amarela se abriu e vimos como estava o mundo lá fora pelo portal: tudo estava congelado.

-Todos de uma vez- eu disse.

-Sim- disseram todos.

-Não se esqueçam do meu corpo e o de Packet. Gabriel? High? Poderiam?

High pegou o meu corpo enquanto Gabriel pegou o corpo de Packet.

-Adeus- disse Packet e eu.

E eles se foram. O mundo agora era apenas eu e Packet. Viveríamos nossos dois anos de modo apaixonante e alegre, usando a minha imaginação e a dela. Como ela era um espírito agora, podia materializar as coisas. Mas a parte final do plano, que ficou oculta, ainda estava para acontecer.

Epílogo- A salvação


Eu e minha irmã estávamos na casa de nossos avos. Depois de tantas disputas, ficamos na casa dos pais de nossa mãe. Não seriamos um incômodo financeiramente e ainda podíamos trazer um pouco de felicidade para eles, já que eles pensaram que sua única filha tinha se matado.


Eu estava feliz pelo fato dos pais de minha mãe terem me aceitando como neto, mesmo não sendo o neto biológico. Eles queriam Clara por perto, pois ela tinha feições da mãe, mas eles não nos tratavam de modo diferente.


-Você vai para o parque?- perguntou minha avó.


-Sim. Vou levar Clara comigo.


-Cuidado que ela ainda é um bebê.


-Não se preocupe vovó, tio Stall está vindo nos buscar.


Era uma reunião praticamente. Embora eu tivesse meus seis anos de idade, minha maturidade parecia de alguém de doze. Mas eu ainda era uma criança. Gostava de brincar, mas em certos assuntos de responsabilidades, poderia ser mais responsável que o tio High.


-Que bom que vocês são amigos dos amigos dos seus pais- disse vovó com a voz um pouco fraca. Claro que a lembrança de minha mãe veio em sua cabeça.


-Sim. Adoro todos.


Tio Gabriel me mostrava todas as tecnologias de ponta e comprava algumas para mim no meu aniversário. Tia Carmen adorava me emprestar livros, e eu devorava todos. Tia Juliet e tio Stall adoravam me levar para o cinema e eu adorava ver filmes. Tio High me levava para parques de diversão e me levava no parque. Mas isso acontecia de vez em quando: eles estavam na faculdade e não tinham todo o tempo do mundo.


-Vovó?


-Sim?


-O que meu pai gostava de fazer?


Minha avó ficou pensando. Franziu a esta e colocou a mãe na cabeça, algo que me fez rir. Ela estava preparando um bolo e agora tinha calda de chocolate em seu cabelo.


-Não sei. Seu pai gostava de fazer tantas coisas.


-Vovó?


-Sim?


Fiz o mesmo gesto que ela, colocando a minha mão na cabeça. Ela percebeu agora o que tinha feito.


-Droga!


Eu comecei a rir. Ela ficou preocupada.


-Finja que você não ouviu nada.


-Como das outras vezes?


-Sim. Agora me deixa tomar banho.


O interfone tocou.


-Coloque sua irmã no carrinho do bebê. Não deixe seu tio esperando.


-Ela já está no carinho. Ela está dormindo.


-Bom passeio- disse minha avó me dando um beijo e seguindo para a sala.


-Obrigado!


-Vamos- disse para Clara levando-a no carinho.


Descemos pelo elevador e fomos para a rua. Tio Stall estava esperando ao lado da porta de seu carro luxuoso prateado. Tia Juliet estava do seu lado.


-Oi tio! Oi tia!


Tio Stall e eu fizemos o nosso gesto de “Olá”. Dei um beijo na bochecha de tia Juliet.


-Tudo bem com vocês?- tia Juliet perguntou.


-Sim. Clarinha está dormindo.


-Me deixe colocar o carinho no porta-malas. Juliet carregue Clara nos seus braços. Pode sentar no banco de trás Benj.


-Valeu tio.


Sentamos no carro e depois de cinco minutos estávamos no parque. O parque era verde e tinha um belo lago azul. Havia alguns brinquedos espalhados pelo parque, com crianças brincando nos mesmos, mas eu queria ter a presença dos meus tios naquele fim de semana.


Avistamos num banco de madeira Tia Carmen sentada segurando o carinho de prima Grace. Tio Gabriel estava abraçando tia Carmen. E lógico, tio High estava de pé comendo um cachorro-quente.


Todos se cumprimentaram. Tio High perguntou se eu queria um pedaço de seu sanduiche, mas recusei. Não sabia por onde aquela boca tinha passado, nem mesmo se ele tinha escovado os dentes naquele dia.


-Como você está indo na faculdade?- perguntou tio Gabriel.


-Ótima- disse tia Juliet.


-E você Carmen?- perguntou tio Stall.


-Ótima. Já estou até sendo estagiária- disse minha tia soltando um largo sorriso branco.


-Que bom que todos estamos na faculdade- disse tio Ganriel.


-E você Benj, já sabe o que fazer de faculdade?- perguntou tio High.


-Ainda não. Nem tenho idade para isso. Mas sempre gostei de voar.


Nas férias, nas minhas e de Clara, nossos avos nos levavam para muitos lugares ao redor do mundo. A parte que eu mais gostava da viagem era a do avião. Adorava o jeito da máquina de sair do solo e pousar no mesmo.


-Se prepara para estudar então- disse tio High.


-Para com isso High- disse tia Carmen- ele é apenas uma criança.


-E minhas notas são altas!- eu disse com orgulho- ainda mais a de xadrez!


Todos começaram a rir, menos eu é claro. O que tinha de engraçado naquilo? Eu era um excelente aluno em xadrez.


Do nada a terra começou a tremer. Era algo que eu nunca tinha presenciado antes, mas sabia o nome do fenômeno.


-Terremoto!- gritaram meus tios.


Tia Juliet pegou Clara do carinho e a segurou em seus braços. Tia Carmen fez a mesma coisa com Grace. Tio Stall segurava os braços de tia Juliet e tio Gabriel fez a mesma coisa com tia Carmen. Tio High saiu despachando em nossa frente.


-Verei um lugar seguro!- gritou High.


-Não tem lugar seguro!- gritou tio Gabriel.


-É melhor ficarmos parados!- gritou tio Stall.


-Tem razão!- gritou tia Carmen.


-Por quê?- gritou tio High.


-Não tem edifícios por perto!- gritou tia Juliet.


A terra parou de tremer.


-Será que acabou?- perguntou tia Carmen.


Clara e Grace começaram a chorar.


-Está tudo bem filha- disse tia Carmen.


Tia Juliet começou a cantar para Clara. Isso acalmava as duas.


-O que é aquilo?- perguntou tio High.


-Onde?- perguntaram todos.


-No céu!- gritou um homem do nosso lado.


E vimos. Havia uma lua nova no seu. Algo estranho porque estava um belo dia. Depois que vimos que não poderia ser uma lua porque era azul. “Era uma nova Terra então”, pensei. Esse novo planeta não estava distante de nós. Parecia que estava mais perto do que a Lua.


-É o fim!- gritou um homem.


-Cala a boca Bel!- disse a mulher que estava do lado do homem lhe dando uma tapa na cara.


-Mas como...?- perguntou outro homem.


-O que está acontecendo?- perguntou outro homem.


A arma dele que estava em seu cinto saiu voando em direção ao novo planeta numa velocidade mais rápida do que a da luz.


-O que está havendo com aquilo?- perguntou tio Gabriel.


O planeta começou a girar numa velocidade rápida. Vimos várias coisas indo a sua direção.


-Precisamos de informações!- gritou tio Stall.


-Tem o rádio do celular- disse tio Gabriel.


Tio Gabriel tirou o celular do bolso e deixou o rádio no alto-falante.


“Um novo planeta surgiu de uma região rural da África. O planeta saiu de nossa Terra e surgiu rapidamente longe de nós, numa velocidade desconhecida por nossos cientistas. Não sabemos por que este planeta está girando tão rápido! A única coisa que sabemos é que ele está atraindo coisas bélicas numa velocidade incrível!” disse a mulher do rádio


Tia Carmen começou a chorar.


“Usinas nucleares, tanques de guerra, todos os objetos bélicos estão sendo atraídos para este novo planeta sem explodir. Seria este nosso Deus?” disse a mulher do rádio.


Aquele planeta, em cima de todos nós girava cada vez mais rápido. Era um borrão no céu! Parecia como uma bola de tênis girando rapidamente em nossa frente.


“Alguma coisa está acontecendo” disse a mulher. “Algumas pessoas também estão sendo atraídas para planeta!”.


No parque vimos um homem de paletó e gravata sendo atraído. A mulher dele começou a chorar desesperadamente.


-Chegou o momento- disse tio Gabriel.


-Que momento?- perguntei.


-Seu pai não ficou apenas para te salvar meu jovem- disse tia Juliet.


-Mas para nos salvar também- disse tio High.


-E para salvar o ser humano dele mesmo- disse tio Gabriel.


O planeta começou a diminuir sua velocidade. Assim, de um borrão o planeta começou a ficar extremamente visível. Seu tamanho triplicou ficando do tamanho de Júpiter ou algo maior. O planeta começou a se aproximar da Terra.


“É agora meus queridos que eu vou me despedir. O apocalipse chegou.”.


O novo planeta parou e ficou tão perto da Terra que dava para ver tudo, parecia um avião no céu! A superfície do planeta estava coberta por armas e coisas bélicas. Havia apenas uma parte de verde. Nessa parte tinham três pessoas.


-Pai! Mãe!- gritei!


As pessoas que estavam em nossa volta pararam e começaram a observar aquele grande planeta e puderam ver aqueles três jovens.


-O que eles estão fazendo ali?- perguntou uma mulher.


-Aposto que isso é coisa dos Estados Unidos- disse um homem.


Os três jovens começaram a acenar. Embora as pessoas que estavam ao nosso redor tenham respondi acenando de um modo de boas-vindas, os mesmo não sabia que era um aceno de despedida.


-Adeus pai- eu disse. Lágrimas começaram a escorrer de meus olhos úmidos.


-Adeus- disseram meus tios.


E rapidamente algo começou a cobrir o planeta, como se fosse um tipo de proteção transparente. Fachos de luz surgiram e explosões vieram logo em seguida. Nem consegui ficar em pé. Cai no chão e comecei a chorar mais ainda. As explosões só mostravam que meu pai e minha mãe agora estavam mortos em espírito.


Meus tios começaram a chorar e lágrimas saíram dos olhos das pessoas do parque. Aquilo era para mostrar do que todas as armas que havia em nosso planeta eram capazes de fazer. As explosões só pararam depois de trinta minutos. Quando tudo parou não havia mais nada e a proteção ficou em pedaços. As migalhas da proteção começaram a avançar em direção à Terra.


-Corram!- disse tio High.


O parque ficou rapidamente vazio. Estávamos numa loja perto do mesmo para não perder o que estava acontecendo.


Os pedaços da proteção atingiram a Terra e não podíamos ver nada: poeira e terra embasavam nossas visões. Gritos e desesperos estavam incorporando as pessoas. Depois de alguns minutos a poeira abaixou e agora era visível. Havia algumas chamas no gramado do parque, mas as chamas estavam detalhadas.


-Vamos!- disse Juliet.


Fomos os únicos a correrem para o encontro das chamas.


-Olhe- disse tio Gabriel.


Olhei para o chão. As chamas vermelhas estavam nos dando uma mensagem.


O sacrifício da sobrevivência da raça humana tem que ser feita por uma pessoa da mesma. Meu sacrifício e de minha mulher deram para vocês novas esperanças neste mundo tão cruel. As guerras terão que acabar. Vocês agora têm a prova do que aconteceria com todos. A vida pode continuar em paz agora”.


Este dia ficou marcado por muitos tempos que se passaram. Desde então o homem nunca mais fez uma guerra e viveu pacificamente. Depois de crescidos, minha irmã e eu riamos do fato de surgir uma nova religião que venerava nossos pais e nosso tio Sky. Dentro de todos que os conheceram, o sentimento de felicidade e de honra só trazia felicidade, principalmente para meus avos, depois de saberem de toda a verdade. Dentro de mim e de minha irmã a chama desse orgulho nunca acabou. Depois de reunir os papéis do diário de meu pai, de minhas lembranças e lembranças de meus tios, escrevo este livro em memória de meus pais, os quais amei, mesmo que tenha sido por um breve período de tempo.

FIM

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