26 de maio de 2010

ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS- Burton não gosta de esquecer de "segundos" livros

Só a Helena pode cortar a minha cabeça!



Não há dúvida de que Tim Burton além de ser o diretor mais cult de nossos tempo, e é tolo quem nega isso até a morte, ele é um diretor que consegue criar e "vender" sua idéias mirabolantes. Claro, seus primeiros filmes não fizeram tanto sucesso quando lançaram, tanto que apenas nos dias de hoje que ele é aclamado tanto assim. Antigamente, muitos de nossos pais achavam que o diretor era louco e viajava demais em sua imaginação. E dessa vez, a viagem foi profunda e escorregadia.


A história de Alice no País das Maravilhas é mais do que perfeita para a mente Burtiniana. Alice agora está com quase 20 anos e está prestes a se casar com um lorde asqueroso, embora ela não queira. Durante sua festa de noivado (que ela descobre o que é apenas na hora), Alice encontra um coelho de agasalho andando pelos arbustos da mansão do noivo. O que acaba acontecendo é exatamente a história do pesadelo de Alice tinha quando era pequena: ela cai num buraco e a história acontece novamente.


Mais do que perfeita a história de Alice já sabemos que é. Um gato que fala e desaparece? Uma lagarta azul que fuma e fica "locona"? Uma rainha com uma cabeça gigante e que seu exército é composto por cartas de baralho? Essa é a história de Alice que conhecemos, a Alice do clássico Disney de 1951. Mas Burton não queria apenas a animação como fonte. Ele queria o livro. E é nesse momento que Burton escorrega, pois ele insiste em colocar a continuação do livro dentro de seu filme, assim como fez com a Fábrica de Chocolate. As cenas de lutas com o dragão e Alice, por exemplo (que se não me engano estão presentes no segundo livro), poderiam ser descartadas facilmente, pois a partir do momento da batalha, o filme não sabe se vai ou fica ou para onde vai (odiei o final no mundo real. Só para vocês saberem).


E eis aqui um momento para fazer a comparação entre dois filmes do diretor: A Fantástica Fábrica de Chocolate e Alice. O título de Fábrica se fosse traduzido ao pé da letra seria Charlie e a Fantástica Fábrica de Chocolate (no antigo não era Charlie, mas sim Willy Wonka, o que faz mais sentido já que a história é sobre a fábrica e não sobre o Charlie) e possui o nome do personagem principal, assim como é o título de Alice no País das Maravilhas. Embora esteja presente o nome dos protagonistas das histórias, estes não possuem destaque nem aprofundamento. A Alice de Alice consegue até ser irritante em alguns momentos quando ela começa a falar com si mesma sobre o que está acontecendo. No mínimo ela falou a frase "é apenas um sonho" umas 15 vezes, e isso irritou profundamente o pequeno preguiça alcoólatra que vive em minha cabeça. Não deu para engolir, assim como sua atriz.


Embora o roteiro tenha pecado e muito, Burton tenta compensar nos efeitos especiais. Os castelos são deslumbrantes! A cena da queda do buraco com certeza é a melhor do filme, em questões de entretenimento e diversão, sendo a única cena que realmente nos leva à Alice (e olha que fui no Imax!). As cenas finais são muito bem trabalhadas, assim como cada animal ou personagem. Mas não é o bastante, pois Burton também não se aprofunda nos efeitos. Ele tem o poder do País das Maravilhas! É um lugar bizarro! Queremos ver muitas bizarrices!


Nas atuações/dublagens: Helena Bronham Carter como a Rainha de Copas é excelente! Ácida, resmungona, inocente, divertida, com certeza a melhor "coisa" de Alice sem ser efeitos especiais (exceto sua cabeça enorme!). Uma pessoa que todo mundo meteu o pau, mas que eu adorei, foi a Anne Hataway como a Rainha Branca! Existe um clichê e uma crítica contra o mesmo em sua atuação, o que a torna não apenas engraçada, mas ácida, assim como a Helenna, só que com um jeito diferente. Já Deep é louco! Encarnou o Chapeleiro em suas veias! E das adaptações de Burton, a única que gostei foi a de mostrar este lado sombrio do Chapeleiro. Afinal, se ele é louco, deve ter um lado sombrio de sua loucura. A lagarta também é excepcional! Ouvir aquele ser azul com a voz do Snape é ótimo! Só queria que o gato fosse mais sarcástico. Esse é muito bom pro meu gosto.


Alice realmente foi a única pecadora (o Valete é razoável, mas ele não é o protagonista e nem tão importante assim, né?) nas atuações, mas será que isso é culpa da falta de talento da atriz ou de seu desenvolvimento? Acho que um pouco dos dois. Ok, a Alice é uma mulher forte, luta, não quer casar com uma pessoa que não ama, não quer usar algo que a incomode, mas é só isso! Parece uma revoltada com a vida e que caiu num mundo de aventuras e que quer sair daquele sonho de uma vez por todas! Entre as peronagens femininas fortes, prefiro as rainhas!


Burton provou em Alice no País das Maravilhas que ele se importa mais com personagens coadjuvantes, escorregou no roteiro por causa da fusão de dois livros e tentou compensar o erro em efeitos especiais, assim como fez em Fábrica. Quero só ver mesmo o que ele fará com o meu Mágico de Oz, outro prato cheio para ele e que dizem ser seu próximo filme. Mas Alice será apenas entretenimento do diretor, do bom, mas apenas isso.
OBS: O que foi aquela cena da dança? (comentário por favor levado ao lado negativo). Burton, estamos ficando preocupados com você! Queremos um novo e fresco trabalho como Peixe Grande, Edward, seja o que for! Sabemos do que você é capaz menino!
OBS2: Olhem no poster de Alice a porta por onde ela sai. Olha como o Burton é! Ele faz uma homenagem a ele mesmo! É a mesma porta de Os Fantasmas se Divertem!

6 comentários:

Gustavo A. disse...

É verdade, onde está a Loucura?? Talvez a gente que estivesse esperando demais, não? (Alice + Tim Burton = totally crazy) e acabamos por nos decepcionar um pouco...
E Alice então? Ela chega a irritar certas vezes. Porém, eu acabei gostando do filme pelos efeitos.

Alice só é Alice pelas loucuras que aconteciam lá. Essa era sua caractrística. Acho que Burton se daria melhor se regravasse um dos clássicos da Disney ao invés de apostar na sua continuação.

Porém, temos que tirar o chapéu para Johnny Depp e Helena Bonham... realmente ótimos! Sem falar no Gato :D Se você assistir no IMAX, da vontade de ter um daqueles em casa! Ele é muito bem feito!
(Parabéns pelo blog! Abraço)

Ps: Já assistiu O imaginário do Doutor Parnassus? Certo amigo meu disse que o que falta de loucura em Alice, se encontra nesse filme! Eu ainda não assisti, mas pretendo!

Roberto F. A. Simões disse...

Por acaso ainda não conferi se escorregou. Mas quero muito ver.

Cumps.
Roberto Simões
» CINEROAD - A Estrada do Cinema «

Visão disse...

Eu nem vi este filme. Faltaou-me ânimo para ver uma história que nunca me agradou. Fato!
Mas como sempre, vc escreve maravilhosamente bem. Envolvente diria.

Mirella Santos disse...

Ah, Felipe você foi muito cruel com o filme, parece até que Burton errou em 90% dele. Sim, a dancinha foi bem ridícula mesmo, mas acho que aquilo era pra provocar risadas no caso de crianças estarem assitindo, mesmo assim ela não deixa de ser esquisita.

Já o filme eu gostei Helena Bonham Carter o salva e muito bem, só por causa dela eu veria mais vezes esse filme. Johnny Depp está estranho e brilhante como sempre, resumindo eu gostei do filme, apesar de sua falhas.

Eduardo Henriques disse...

Oi Felipe,

Enfim sua opinião a respeito do famigerado Alice!
Vi que a recepção por tua parte, em muito, se assemelha a minha e a de outros cinéfilos fãs da obra de Tim Burton em todas as suas idiossincrasias maravilhosamente absurdas.
Alice me foi uma frustração, pois tinha a plena certeza de que era uma estória feita sob encomenda para o mestre eclodir seu universo encantadoramente mágico, o universo burtuniano, como jamais se vira antes. Ledo engano.
=(

Saber que ele fará O Mágico de Oz me alegra e me aflige ao mesmo tempo. Alegra por saber que poucos diretores tem a habilidade que o Tim possui para trabalhar Dorothy como se deve, mas assusta pelo medo de que uma nova frustração venha me abater.
Infelizmente, são os percausos da vida.
É esperar para ver!

Abraço!

Felipe Guimarães disse...

Gustavo, acho que não era o caso de esperar demais. Afinal, Sweeney Todd é bem louco, não? Alice simplesmente não teve essa loucura, e nem vou comentar da personagem, bem chata!
Burton não deveria só ver os filmes, mas ver o que pode ser alterado ou não. "Cena do dragão", por exemplo. CORTA! CORTA! CORTA!
O gato eu acho que deveria ser mais louco! Esse é muito bom pro meu gosto..
Quero assistir Dr. Parnassus! Mas não esou louco ao ponto de pular de uma gangorra para assistir...

Roberto, nas sessões do Cinemark das 15:00 em alguns cinemas, o filme está por 2 reais!!

Visão, muito obrigado pelo elogios novamente! Eu apenas fui assistir porque me chamaram de última hora. Aposto que eu não teria assistido se não me chamassem...

Mirella, com certeza errou em 60% do filme, porque até mesmo quem o admirava saiu decepcionado. Quem não gostava dele mais ainda! A dança, se era pra agradar as criancinhas, então o Burton se vendeu. Ele não precisava de cenas de luta e nem de danças marotas. O que ele faz é o que as pessoas gostam...
Eu gostei do filme, mas é fraquinho...

Eduardo, muitos fãs ficaram decepcionados! E quando meu amigo foi assistir ao filme e me disse que era uma decepção e não sei o que eu não acreditei! Mas só depois vi que era verdade...
O Mágico de Oz, para o Burton, deveria ser descartado. Sei que ele irá dar uma olhada no livro e isso é o que me causa maior aflição!