11 de outubro de 2010

ENSINA-ME A VIVER: Como um filme cria uma obra teatral!

É tão bom viver!


Acho que uma das piores escolhas que já fiz, falando de teatro, lógico, foi ter esperado quase três anos para assistir Ensina-me a Viver. Desde que vi uma entrevista e um vídeo sobre a peça eu fiquei louco para assistir, mas nunca sabia onde estava em cartaz, e na época nem ligava tanto para teatro como hoje. Quando descobri que a peça tinha voltado para São Paulo, no Teatro Tucca, não pude perder esta oportunidade. Mesmo subindo uma ladeira enorme, chovendo, e com uma camisa branca que fez com que desse para ver tudo, consegui meu ingresso, e vi a peça no sábado. Uma divertida tragicomédia que consegue ser bem melhor do que o filme na qual foi baseada.


A peça e o filme possuem o mesmo nome, mas algumas adaptações diferentes, ou melhor dizendo, cenas adicionais. Harold é um jovem adulto de 20 anos que nunca teve amigos, adora realizar atentados suicidas para chamar a atenção de sua mãe e que aproveita seu tempo livre para ir a funerais. Num desses funerais, Harold conhece a simpática Maude, uma senhora de quase 80 anos de idade. Graças a Maude, Harold começa a se interessar pela vida.


Um dos principais fatores que chamaram a atenção do público para assistir a peça foi a presença da atriz Glória Menezes no papel da simpática "velinha" Maude. Sempre gostei da Glória Menezes e em Ensina-me também não foi diferente, onde a atriz conquista o público com seu carisma e talento. Meu maior medo era na verdade o papel de Harold, pois o filme não apresenta um bom ator, que realmente parece morto por dentro e por fora até nos momentos em que deveria haver felicidade. Porém, a atuação de Arlindo Lopes era exatamente do Harold que eu desejava: um personagem de puro humor negro! Lembrando em certos momentos até o humor do personagem Moritz de O Despertar da Primavera.


Mas, além disso, a peça contém outros bons atores. Stella Maria Rodrigues, que interpreta a mãe de Harold, também está excelente e consegue tirar grandes risadas. Fernanda Freitas, mesmo possuindo um papel pequeno, também consegue cativar o público e tirar risos e sorrisos. E, para quem gostou do diretor esnobe da minissérie Som e Fúria, saiba que o ator, Antônio Fragoso, também está presente em Ensina-me a Viver. Embora muitas pessoas não gostem de atores "repetindo" papéis (é quase impossível não reconhecer alguns gestos semelhantes do ator em Fúria e em Ensina-me), eu aprecio, desde que o primeiro papel tenha sido muito bem feito, como é o caso do ator.


Uma tragicomédia que fala sobre o amor, a quebra de tabus, a burocracia dos adultos, entre outros, Ensina-me a Viver é uma deliciosa peça que passa voando por nossos olhas, graças ao seu texto divertido e rápido, e claro, seus talentosos atores. E não se preocupe se você perdeu a peça! Ela voltará em janeiro no Teatro das Artes do shopping Eldorado. Se eu fosse você, eu não perderia por nada, nem mesmo por uma chuva, uma ladeira enorme e com a possibilidade de todo mundo no ponto do ônibus ficar olhando para você como se você tivesse pulado dentro de um rio e decidido pegar um ônibus para ver como era. Agora, tenho que me planejar para os próximos espetáculos: A Gaiola das Loucas, a volta de Avenida Q (com novo elenco), o último dia de Gypsy e a estreia de Mamma Mia. E lembrando sempre pessoal: comentem!

6 comentários:

S disse...

Nossa deve ser MUITO bom!Q raiva que eu num fui ainda!!!Ontem eu tava na cultura da paulista e pra todo lugar que eu olhava tinha "ensina-me a viver" ou o livro da peça ou o dvd do filme nos destaques >.<"

Mas janeiro está aí e terei minha chance hehe

Pedro Godoy disse...

Não sei porque tenho a impressão que nunca serei surpreendido com seus textos, mas, sempre me equivoco. Como de costume, você me surpreende com a forma que estrutura seus textos.

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"Acho que uma das piores escolhas que já fiz, falando de teatro, lógico, foi [...]"
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Iniciou com uma frase negativa, que logo me deu um susto. Achei que você tivesse detestado Ensina-me a Viver. "Ufa! Que susto..." você apenas estava sendo criativo. (hehehe)

Enfim, eu adoro a forma com que você escreve. De todos os jovens que conheço, você é um dos que melhor se expressa na linguagem escrita. Sem falar na riqueza dos detalhes que você apresenta em seus textos, o conhecimento de outras obras entre outros elementos presentes, que fazem parte da estruturação das resenhas críticas e dissertações argumentativas. O que tanto insisto para os meus alunos aprenderem a fazer, em você é nato.

Sobre a peça, realmente ela é fantástica. A atuação da Glória Menezes e do Arlindo Lopes são belíssimas, entrosaram-se muito nos papéis e viveram momentos de cumplicidade na peça. Relendo seu texto pude visualizar cada uma das cenas relatadas. É tão bom quando um texto se abre em nossas mentes, em mil imagens coloridas, e nos faz sentir as mesmas emoções vivenciadas naquele momento tão mágico de se estar no teatro. Obrigado!

Arlindo Lopes disse...

Felipe!

Como vai?

Vim aqui para ler a sua visão sobre o nosso espetáculo.

Fico muito feliz que tenha gostado. Principalmente por você ter essa visão sendo tão jovem. Já tinha lido alguns de seus textos quando vim aqui e confesso que fiquei anisoso pra saber o que achou. É impressionante que a gente ainda fique nervoso com críticas...rsrs

De qualquer forma, quero lhe agradecer pelo espaço, porque vc deve saber muito bem o quanto o Teatro acaba prejudicado, quando se trata de divulgação e... patrocínio....rs...e por aí vai...

Vou encaminhar pra toda a nossa equipe e tenho certeza de que irão adorar.

Obrigado também Pedro Godoy.

Eu sou um completo E.T. quando se trata de internet, mas uma amiga me disse que era muito bacana o retorno das pessoas que assistiam a peça através do Twitter. E foi assim, pesquisando sobre a peça que cheguei até aqui. Já tinha visto também o que o Pedro tinha escrito anteriormente.

É sempre muito gratificante ler algo que escrevem a respeito de nosso trabalho, principalmente quando a gente percebe que o teatro pode ser esse lugar de reflexão, transformador, seja arrancando sorrisos ou tocando os corações...mesmo que rapidinho...20segundos, 20 minutos, 2 horas...2 anos.... rs...ou a vida inteira.

Que bom que vc insistiu em conseguir as entradas. Mesmo que tenha ficado encharcado né..rs

Até breve!

anote meu e-mail arlindolopesjr@gmail.com

Boa Sorte!

Um grande abraço,

Arlindo.

Pedro Godoy disse...

Caro Arlindo Lopes,

Você e a Gloria Menezes são arrasadores no palco. Um ator jovem contracenando com uma das mais lindas estrelas. Eu amo a Gloria, adoro muito e, sinceramente, não esperava que você fosse me surpreender na peça. Fui mesmo pela Glória.

Saí da peça impressionadíssimo, sem acreditar que você fosse me emocionar tanto quanto emocionou. Segundo Santo Agostinho "Somos o que amamos!" Acredito que isso em você é muito presente.

Você como o Felipe Guima, são jovens que sonham e batalham pelos seus objetivos. Você em especial conseguiu me encher de vida... o engraçado, que na peça o Harold fala da morte, mas... você conseguiu me encher de vida. Chorei, ri... foram mil emoções. Saí da peça muito feliz.

Para uma primeira produção, você demonstrou uma competência além do normal. Você tem um carisma maravilhoso, é muito humilde... didático. Quando ouço você falar, sinto que sua fala flui, é cristalina.

Um sonho de 9 anos de idade, se transformou nessa maravilhosa peça. Só pode ser por Deus! Desejo muito sucesso na sua carreira. Desde Ensina-me a Viver virei seu fã!

Felipe Guimarães disse...

S, o filme eu não gosto tanto porque eu não gostei nem um pouco do ator que faz o Harold. Veja em Janeiro com o Arlindo no papel de Harold que é muito melhor!!

Pedro, eu faço essas coisas por acaso na verdade, naturalmente. Acho que das mínimas coisas que gosto da minha escola está a preparação para trabalhos de texto. Isso eu tenho que agradecer. E a peça é linda, não? Ah! Eu que agradeço!

Arlindo, haha, eu não me declaro crítico, porque crítico sempre crítica sem saber de nada. Eu sou um... bem, não sei o que sou, quem sabe um aconselhador.
Ah, sei como é isso! Ontem mesmo fui na coletiva do "Gaiola" e o Falabella, que deve ter uma boa grana, falou o quanto é difícil sustentar uma peça! Mas isso eu já sabia com o caso de "O Despertar da Primavera".
E com certeza em Janeiro eu vou de novo!

Lucas disse...

A peça está em cartaz novamente, no Teatro das Artes, como prometido, em temporada popular.

Assisti ontem à peça e, atendendo ao pedido da Glória Menezes no final da peça (hehe) estou aqui recomendando que todos vão assistir! Vale muito a pena! A harmonia que existe entre as interpretações de Gloria e Arlindo Lopes é incrível! A sobriedade e elegância da iluminação e dos cenários também são notáveis, além da genialidade das artimanhas suicidas do Harold. Sem dúvida, um dos melhores espetáculos em cartaz atualmente na cidade!!!!