25 de outubro de 2010

TROPA DE ELITE 2- Um filme obrigatório para essas eleições

O inimigo é o próprio sistema

O sucesso de Tropa de Elite foi tão grande que até irritou, embora eu tenha gostado do primeiro filme, e muito. Na minha sala, por exemplo, era quase impossível não ouvir alguém cantando "Tropa de Elite, osso duro de roer", ou o famoso "Parapapa", ou pior ainda ainda: ter um integrante de sala que só pensa em 24 Horas, Tropa de Elite, entre outros filmes e séries policiais. Sendo assim, a cabeça da gente fica de saco cheio de tudo isso, e assim que falam que terá uma continuação, você já pensa no pior: sofrer tudo isso de novo. Porém Tropa de Elite 2 foi uma surpresa, e muito boa.

Na história, o Capitão (agora tenente coronel) Nascimento se separa de sua mulher e volta para trabalhar no BOPE. Porém, em uma de suas missões, Nascimento e Matias acabam fracassando e saindo do BOPE. Enquanto Nascimento vai para um alto cargo, Matias volta para a polícia. Agora, Nascimento precisa enfrentar as milícias, que estão dominando as favelas do Rio, assim como os governadores e deputados, esses em busca de voto. Desse modo, Nascimento pretende bater de frente com o sistema, mesmo sendo algo "osso duro de roer".

Na sessão que fui o filme teve direito até a aplauso. José Padilha, o diretor do filme, me fez recordar porque eu achava o primeiro filme tão bom: falava sobre a realidade, mesmo sendo uma ficção. Porém, nesta continuação, percebemos uma evolução no roteiro, tanto que o filme passa voando por nossos olhos, ao contrário do primeiro. Nascimento, assim como os demais personagens, acabam crescendo e há um aprofundamento em cada um deles, sendo velhos ou novos.

Além disso, Padilha nos oferece algo que desejamos muito: socar a cara de um político corrupto. Foi nessa cena que o cinema aplaudio, e coitado do político que foi assistir ao filme numa sessão lotada, ou que não estivesse em Brasília. Em Tropa de Elite 2, os políticos, estes que deveriam cuidar da cidade, acabam deixando a violência da favela e o tráfico continuar do jeito que estão para conquistar votos. E não é isso que está acontecendo nessas elições? Governadores, deputados, prefeitos, presidentes, todos procuram a simplicidade do povo e o "populismo" para conseguir voto, prometendo acabar com tudo que na verdade fazem parte?

Além disso, Wagner Moura cria não apenas uma excelente atuação, mas como marca na história do cinema brasileiro o surgimento de um personagem histórico, sendo este o seu e só seu Capitão Nascimento. Claro, talvez este não seja tão marcante como o terrível Zé Pequeno de Cidade de Deus (ainda insuperável), mas seu lugar ainda está lá, intacto, como um grande herói e representante da poupulação brasileiro.


Porém, tem algo que não entendi, ou que entendi, mas não compreendi: o personagem do deputado Fraga defende a esquerda brasileira, com direitos humanos e tudo o mais, enquanto o Nascimento defende a direita, no qual a ação é rápida e dolorosa (considerado até fascista). Fraga, no início, é visto no filme como um defensor, e Nascimento um herói. No final, ambos estão juntos lutando pela justiça. Desse modo então, o filme defende que o único modo de existir um bom governo é deixar esquerda e direta "andarem" juntas? Se for isso mesmo, o filme defende exatamente o que penso: não se pode ser extrema direita ou extrema esquerda: deve haver um balanço entre os dois. Mas não sei. Preciso rever para não causar alguma gafe, se não vão falar que sou um merda e não presto e toda aquela história de novo.

Sem mais delongas, Tropa de Elite 2 é um filme obrigatório, principalmente para a época de elição. Sinto muito meu caro de leitor, mas quero te fazer uma pergunta: "Você votou no Tiririca?". Se sim, quero que você assista ao filme para perceber a cagada que você fez. Se você votou nele porque ele é simpático, o filme vai te mostrar para abrir o olho e ver que junto com ele vai entrar um monte de corrupto, entre eles uns que fizeram parte do Mensalão. Se votou nele como voto de protesto, te peço para não fazer mais isso, e que vote nulo. A solução não é votar na piada, porque desse modo, seu voto será uma piada também. A solução pode não ser o nulo, mas tão pouco é jogar o voto fora. E como diz o filme sobre o sistema: "isso não será algo rápido para solucionar". Resta para nós meros mortais a paciência. E claro: o Tropa de Elite 3.

4 comentários:

Mirella Santos disse...

Acho que na verdade é como se Nascimento passasse pra esquerda já que ele sempre defendia essa sua posição e acaba descobrindo que o o inimigo era outro e que a esquerda tinha razão. Mas eu prefiro nem discutir isso antes que pseudo-intelectuais venham falar de mim tb rsrs.

Bem o filme é ótimo, o amadurecimento fez parecer ser outro filme que não fosse Tropa de Elite o que me fez gostar ainda mais, porém, acho que foi pra ver mta violência não deve ter gostado.Abraços

alan raspante. disse...

Preciso ver "Tropa de elite 2" logo...

Luciano Carneiro disse...

Muito bom texto, mas discordo quando voce diz que Nascimento e um heroi. Essa e a visao (equivocada, perigosa) que o Brasil criou dele no primeiro filme: um heroi que mata vagabundo favelado. Heroi?! Ta ai o problema do primeiro filme. Ele da brexa pra gente crer que Nascimento, um fascista de carteirinha, seja heroi. Nesse segundo filme nao e que ele passe para a esquerda, isso nao! Mas ele reve e, talvez, se arrepende dos assassinatos que cometeu no passado. E Tropa 2 o apresenta como um ser humano cheio de defeitos, perdidaco, sem rumo... Nao um heroi.

Felipe Guimarães disse...

Mirella, mas não acho que ele tenha ido pra "esquerda". Acho apenas que ele percebeu que para ter um equilíbrio, esquerda e direita precisam governar juntos
Ah, eu achei esse mais violento que o outro! O outro era meio desfocado e rápido, e nesse a câmera está focada para a violência quando essa existe!

Alan, assista!


Luciano, pois é, mas nesse ele se "consagra" herói porque ele não apenas mata "vagabundo" (traficante), como agora persegue os políticos. Creio que ele não se arrepende, apenas percebeu que para acabar com o primeiro inimigo (traficante), precisa acabar com o superior (políticos e envolvidos). Quando falo em herói é exatamente isso que o "povo" quer: bandido preso e político na cadeia.