19 de novembro de 2010

TRATAMENTO DE CHOQUE E SEXO? TUDO VISÃO DA SOCIEDADE!

Viva a sociedade alternativa!



"Hoje a sociedade pode estar mais aberta para falar sobre sexo, tanto que existem programas em redes de televisão aberta que falam sobre o assunto. Porém, ver um filme que fala sobre a psicologia do sexo em seu modo mais complexo ainda está longe de ser aceito pela sociedade que declara o filme como pornografia.


Além do exemplo do filme De Olhos Bem Fechados (1999), o recente filme do cineasta Lars Von Trier, Anticristo (2009), mostra a culpa do casal em fazer sexo, já que o filho caiu da janela durante a relação sexual do casal. A cena da personagem principal cortando seu clitóris para nunca mais sentir prazer foi considerada pela dona de uma locadora como pornográfica.


Por outro lado, um filme que fale de sexo como prazer, e o que fazer para melhorá-lo, a sociedade aprova. Dois exemplos são a série, que depois de tanto sucesso se tornou num filme, Sex And The City, e a obra cinematográfica Kinsey- Vamos Falar de Sexo?. Em Sex and The City, a personagem Samantha Jones, interpretada pela atriz Kim Cattrall, é praticamente uma amante do sexo e fala abertamente sobre ele com suas amigas. Em Kinsey- Vamos falar de sexo? o personagem principal, interpretado por Niam Lesson, fala de sexo do modo cientifico. Como vivemos numa sociedade científica, com uma visão cientifica, o filme é aprovado.


Numa determinada cena em O Povo Contra Larry Flynt (1996), o personagem verídico e dono de uma revista pornográfica acaba sendo caçado pelo governo norte-americano e colocado numa cadeira de rodas. Durante um discurso para a sociedade do século XX, uma sociedade libertina e que se diz moderna, Flynt demonstra que a sociedade acha o sexo feio, um tabu, mas que vê a guerra como algo patriota e honra. Nesse momento, Flynt mostra à sociedade norte-americana a censura sobre o sexo, do prazer, e a idolatria da guerra, da violência.


Assim, a sociedade atual não gosta de discutir sobre o lado mais complexo do sexo, que é a sua psicanálise e sua liberdade prazerosa, que acaba sendo vista como um tabu, ao contrário da violência, que é idolatrada e livre. De Olhos Bem Fechados (1999) levará ainda muito tempo para ser aceito como deveria ser pela sociedade, que no futuro poderá ver o sexo de modo mais abrangente.


em Laranja Mecânica (1971), o problema é o tratamento de choque, algo redondamente desumano. Em Réquiem Para um Sonho (2000), por exemplo, a personagem fica viciada em remédios para emagrecer, pois vai aparecer num programa de televisão. Assim que chega ao hospital é declarada louca e começam a realizar tratamentos de choque nela, sendo o verdadeiro problema os remédios que tomava. Assim, o tratamento de choque é visto como uma saída da sociedade para evitar o transtorno e o motim de seus pacientes.


Em Um Estranho no Ninho (1975) o único jeito que encontram para acabar com a natureza do presidiário Randle McMurphy, personagem interpretado por Jack Nicholson, é o tratamento de choque. Assim como em Laranja Mecânica (1971), a sociedade usa o tratamento de choque para acabar com o “mal” que vive dentro da pessoa, e acaba matando a sua natureza junto com ela. Além disso, em Um Estranho no Ninho, McMurphy não é louco, apenas finge ser. Mesmo sabendo a verdade, o hospital realiza o tratamento.


Embora Laranja Mecânica (1971) não possua um tratamento de choque em si, o tratamento Ludovico chega ao mesmo resultado. Ao invés de levar choques, Alex recebe remédios para assimilar a violência com o mal-estar. Mas, o resultado desse tratamento é o mesmo: a natureza da ultraviolência de Alex, assim como o uso da própria violência para se defender, é morta.


Portanto, o tratamento de choque usado de modo indevido na sociedade, não apenas traumatiza uma pessoa, mas também acaba matando a sua natureza, como é o caso do protagonista de Um Estranho no Ninho (1975) e isso, pela visão da sociedade, declara a pessoa como uma ameaça contra os seus dogmas, e assim extermina seu inimigo."


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