14 de dezembro de 2010

EVITA- Melhor evitar

- Meu palco me espera!
-Ainda bem que não são as câmeras...


Pelo que eu entendi até agora em minha pequena existência existem três tipos de musicais. O primeiro é o que através das músicas mostra os sentimentos dos personagens, como é o caso de Canções de Amor e O Despertar da Primavera. A maioria dos musicais é feito no estilo do segundo tipo: as músicas são misturadas entre as falas, como Rent- Os Boêmios e Hairspray. E o terceiro tipo que simplesmente não tem falas, como é o caso de O Fantasma da Ópera. Este terceiro tipo de musical é "dominado" pelo famoso versionista Andrew Lloyd Webber, criador do próprio O Fantasma da Ópera e Cats. Porém, dessa vez falaremos de um outro trabalho do compositor: Evita!


A história do musical é baseada na história verídica da atriz Eva Duarte, futura Eva Perón, que se casou com o ditador da Argentina, Juan Perón. Eva possui uma mesma imagem que temos da Princesa Daiana: amada por uns, detestada por outros. E assim como Daiana, Perón ficou famosa como uma das mulheres mais importantes e controversas da história da política internacional.


Andrew Lloyd Webber pode ser considerado um dos maiores criadores de musicais que já existiu, mas mesmo tendo criado os famosos Cats (não engulo até hoje esse musical) e O Fantasma da Ópera, o compositor não chega nem perto do potencial de Stephen Sondheim (Gypsy, Sweeney Todd, West Side Story), Jonathan Larson (marcado por Rent- Os Boêmios), Sthephen Schwartz (fez as músicas de O Corcunda de Notre Dame, Pocahontas e O Príncipe do Egito e do aclamado musical Wicked). Sabe por quê? Webber não tem noção de timming, pelo menos em Evita. Até quem ama musicais quer um pouco de fala de vez em quando. O filme acaba se atropelando todo o momento por causa das músicas! É como se elas tivessem que ser encaixadas de qualquer jeito! Nenhuma música pode faltar. Claro, não estou dizendo que o filme precisa ter falas, mas nem ao menos uma música explicativa Evita tem! As falas poderiam servir, pelo menos, para falar o que está acontencendo. Resumindo: as músicas atropelam a história. Isso é o que importa!


E esse jeito de musical, além de ficar atropelado no cinema, como se o filme todo parecesse uma música só, o próprio enredo acaba sendo prejudicado. Qual a doença dela? Qual a história da Argentina? O marido dela não estava no poder? Ele saiu no poder em algum momento? A história acaba perdida durante tantas músicas e imagens que, embora possua uma boa fotografia, não é explicativa.


E quanto às atuações, Alan Parker errou feio fazendo Evita. Não sei se vocês sabem, mas no cinema as músicas são gravadas antes dos filmes, para que assim os atores não tenham um desgaste enorme e só precisem dublar. Claro, existem exceções como Merly Streep que simplesmente não se acostumou com a ideia de dublar e cantou no gogó mesmo. No caso de Evita, todos os atores decidiram dublar, ok. Mas nenhum deles parece estar realmente cantando! A boca de Banderas e Madonna nega a canção e parece que os atores na verdade estão falando ao invés de cantando! Parece até um dos episódios da segunda parte da primeira temporada de Glee. Erro feio de Parker ao filmar! Sem falar que, com o excesso de músicas, Madonna e Banderas ficam com os mesmos olhares e jeitos, já que nem dublar direito conseguem.


Evita é exatamente isso: um exagero de músicas que poderiam ser cortadas para explicar a história não apenas da própria Eva Perón, mas da Argentina da época. Além de atrapalhar o enredo, o excesso prejudica a fotografia do filme, que, com mais calma, poderia agradar mais o público com a paisagem e imagens, ao invés de ser tudo tão rápido que nem dá tempo para digerir. Espero que a peça seja completamente diferente, porque se depender da versão cinematográfica, muita gente vai evitar Evita.

6 comentários:

Anônimo disse...

Não sei de onde você tirou que Jekyll and Hyde não tem falas, hahaha. E essa história de dizer que musical precisa de falas é besteira. Miss Saigon não tem, Les Mis não tem, enfim, tantos outros. E se fosse assim, óperas nunca teriam dado certo.

João Sarti disse...

Jekyll and Hyde tem falas o tempo todo!

E concordo com o "anônimo": musical não precisa ter falar pra ser atrativo. O exemplo de Miss Saigon é o melhor! =D

E o filme é baseado na peça. Ou seja, sim...a peça será toda cantada!

Mas é aquela história de gosto. Conheço um monte de gente que adorou o filme Evita, e quer muito ver no teatro.

Eu, particularmente, não perco por nada! rsrs

De qualquer maneira, parabéns pelo texto, até porque é uma opinião.

Kahlil Affonso disse...

madonna faz um bom trabalho, mas o filme é chato pra caralho!

http://filme-do-dia.blogspot.com/

FM disse...

Tb concordo q musical não precisa ter falas, mas Evita é mesmo muito cansativo.

Eu não consigo parar pra assistir sem sair da sala, fazer um lanche, olhar meu twitter.. =P

Ele cansa e não te prende. Como fãs de musicais odeio admitir, mas as músicas em Evita são chatas e estragam o filme. Vendo Evita eu sei como uma pessoa q não gosta de musicais se sente vendo um.

Mas tem Don't Cry For Me Argentina q é um clássico e ficou muito bom na voz da Madonna.

Mas ainda assim, Evita e Xanadu estão na minha lista negra dos musicais. Não odeio, mas não tenho paciência para rever mil vezes como faço com os outros.

Luciano Carneiro disse...

Coincidencia vc escrever sobre Evita, já que vi o filme pela primeira vez na semana passada. Com receio, já que "chato" é o menos terrível dos adjetivos que ouvi sobre ele. E não é que amei com todas as minhas forças? Fiquei paralisado, arrepiado por todas as duas horas. Falas são para os fracos. Evita não precisa delas, com tanta música boa. Filme tão forte e marcante quanto a figura de sua personagem.

Felipe Guimarães disse...

Anônimo, desculpe, defendi minha opinião de forma errada. Não precisava ter falas, mas sabe, pelo menos uma música que nos diga o que está acontecendo, historicamente, na Argentina. J&H tem muitas músicas que poderiam ser falas bem curtas. Não vi nem Miss Saigon nem Les Mis...

João, nossa, eu fico com a impressão de que J&H tem muitas músicas que poderiam ser falas, como aquela da reunião. Fale pro anônimo que defendi minha opinião de forma errada. Não precisava ter fala, mas pelo menos uma música que nos mostre como está a Argentina historicamente. Obrigado por tudo!

Kahli, hahaha, é a opinião de cada um, certo?

FM, como já disse pra quase todo mundo, defendi minha opinião de forma errada. Poderia ter uma música que falasse como estava a Argentina naquela época. Eu senti a mesma coisa quando assisti ao filme: parecia que não acabava! Me senti como vc falou: uma pessoa que não gosta de musicais. Xanadu ainda tenho que ver!

Luciano, pois é, já falamos sobre isso... Não precisa ter fala mas ainda acho atropelado demais para poder gostar...