15 de dezembro de 2010

A REDE SOCIAL: Um filme pós-parto

Consegui mexer com você até fora da sala do cinema?

Calma meu caro leitor, tudo será explicado em seu devido momento. Logo mais eu explicarei o sentido desse título mais do que estranho, mas já começo dizendo uma coisa: esse deve ser o melhor trabalho de David Fincher. Nem parece que é o mesmo diretor de Clube da Luta (declarado por muitos seres humanos do sexo masculino como "animal véio") e de Benjamin Button, que é bom só e unicamente na primeira vez. Dessa vez, Fincher criou seu grande filme. Na verdade, ele criou o filme que representa a nossa década.

E a história do filme poderia ser facilmente levada ao colapso. Afinal, estamos falando de uma história conhecida como "a história do Facebook". Além disso, poderíamos facilmente nos confundir com os flashbacks que montam o enredo. Mas graças a Deus a história do filme quase nem chega perto do Facebook, mas sim de seus criadores, Mark Zuckerberg e o brasileiro Eduardo Saravein, e dos problemas que vieram com o Facebook. Na verdade, o foco verdadeiro do filme são os processos que Mark recebe de dois irmãos e do próprio Eduardo, surgindo a partir disso todo o enredo do filme. E os flashbacks servem para, além de apimentar a história, deixar o filme em pleno dinamismo.

nos primeiros diálogos do filme já vemos duas coisas bem importantes. O primeiro é o modo como Mark fala com sua namorada, numa velocidade rápida, esperta e sem organização. Isso é nada mais do que o efeito colateral da nossa "era da velocidade e informação" em ação. A busca pela velocidade já passou de ser um desejo da sociedade. Hoje é um vício frenético. Todos precisam estar conectados o tempo todo de forma organizada, ou do contrário ficará para trás. Sei disso muito bem, pois sou um ciberholic (viciado em internet). A segunda coisa é como o criador do Facebook, um site de relacionamentos que conecta o mundo todo, não consegue se relacionar.

E se tem algo que Fincher acerta em cheio em seu mais novo filme é mudar completamente o modo como os nerds são tratados no cinema. Quem não se lembra de praticamente todos os nerds de American Pie serem mijados, ou zuados de alguma maneira pelo internacionalmente famoso Stifler? Mas dessa vez os nerds na verdade são os que mandam. Enquanto os atletas e "bacanas" estão se divertindo, Mark e seus amigos ganham fortunas e são recebidos pela sociedade como "Os caras".

Quanto as atuações: nada de demais. Muitos elogios estão surgindo para Jesse Eisenberg, mas apenas quem já viu o ator em outros filmes, como por exemplo, Zumbilândia ou Férias Frustadas de Verão (com a Kristen-muito-vesga-Stewart), sabe muito bem que Eisenberg não está interpretando ninguém menos que ele mesmo, misturado com um pouco de insanidade mental, sendo as probabilidades de ganhar o Globo de Ouro ou o Oscar bem pequenas. Dos vários rostos que aparecem na tela, Andrew Garfield (hehe) pode chegar a algum lugar um dia e Justin Timberlake arrasa como Sean Parker.

Embora seja um filme muito bom, praticamente milimetricamente perfeito, estável e que marca a nossa década, A Rede Social não é um filme merecedor de Oscar, mas vale seu reconhecimento, e muito. Na verdade, saindo do cinema eu comecei a ver as pessoas de um jeito diferente. Ao mesmo modo que eu olhava para cada pessoa de um jeito diferente eu ficava imaginando como juntar todas as pessoas num mesmo clima ou assunto e como me destacar nesse mundo tão populoso. Foi uma situação estranha e que nenhum filme me fez passar antes. Foi um sentimento pós-parto.

4 comentários:

Mirella Santos disse...

Eu quero ver agora, não tava interessada pq soh ouvia críticas ruins a respeito. Além disso é filme que ta retratando mesmo os tempos que vivemos, então parece ser interessante

Isa Fernandes disse...

Nossa, desde a primeira vez que vim aqui, o blogo evoluiu bastante. Parabéns!

Ricardo Martins disse...

Assisti hoje (finalmente) esse mega filme. E que diálogos ein, quase me perdi em momentos, principalmente no começo. Mas depois que se adaptamos ao ritmo vai que é uma beleza...

O Mark é um exemplo de nerd-success! Mas que ele foi sacana em diversos momentos, isso sim, ele foi. Fiquei revolts com o que ele fez com o Eduardo.

Sobre as atuações destaco Andrew 'Aranha' Garfield e Jesse Eisenberg, eles estavam ótimos! Torço para que o filme ganhe uns prêmios nesta temporada, porque a crítica no geral já o premiou. Mas nos moldes do Oscar é quase impossível estatuetas, acho né!

Concordo que este filme deve ser o melhor trabalho de David Fincher.

*Cyberholic, essa eu ainda não conhecia! Sou também então!

*Foi um sentimento pós-parto. [genial isso]!

Felipe Guimarães disse...

Mirella, sério? Eu só ouvia gente falar bem do filme! É bem interessante mesmo! Assista que provavelmente vai ganhar algum Oscar...

Isa, pois é né!? O blog evoluiu muito! Obrigado por ter feito parte de tudo isso!

Ricardo, sim, os primeiros diálogos são tão rápidos, mas é facilmente entrar no ritmo depois. O Mark não foi o único que já fez isso. O Bill Gates sabe muito bem do que estou falando... hehehe. Ah, acho que vai ganhar algum Oscar sim, porque todo o filme que eu falo que não vai ganhar o Oscar acaba ganhando...