3 de janeiro de 2011

OS SONHADORES- Sonhar não é impossível, mas tornar em realidade é mais desafiador

Tá difícil sonhar nessa posição...

Quantas vezes eu não falo no twitter ou em qualquer outro lugar esses assuntos de ditadura, política, governo injusto e tudo o mais? Afinal, falar é a cosia mais fácil que tem, e isso eu sei fazer muito bem. Quando meus amigos e eu discutimos sobre a ditadura no Brasil nós nos perguntamos se faríamos alguma coisa para tirar o governo da mão dos militares. Não sei de que jeito, mas que eu faria alguma coisa faria, nem que fosse me mudar e alertasse o mundo do que ocorria no Brasil. Pegar em armas, assaltar bancos não acho legal. É terrorismo contra terrorismo e quem paga é a população. Tenho certeza que meus amigos vão discordar, mas relaxa. Entendo. É na hora H que sabemos o que e quem somos. Em Os Sonhadores, por exemplo, a realidade e o sonho sempre se confrontam.

O cenário é Paris, 1968. Matthew, um jovem norte-americano, decidi ir para Paris para aperfeiçoar o seu francês e estudos. Matthew, por sinal de tudo, é cinéfilo e adora ir ao cinema. Porém, o famoso cinema é fechado e durante um protesto Matthew encontra dois irmãos gêmeos, Isabelle e Theo. Aproveitando que os pais estão se preparando para viajar, Isabelle e Theo convidam Matthew para morar com eles ao invés de viver no hotel em que morava. E a partir desse momento que o filme começa a ficar apimentado.

Que o filme é polêmico disso não tenho nenhuma dúvida. Aliás, tenho certeza que muitas pessoas de bom coração e de alma pura tiraram o DVD e começaram a gritar: "Capeta! Sai desse DVD que não te pertence!", ou algo do tipo, porque é cada coisa que aparece com religiosos extremistas... Mas continuando: o filme é repleto de cenas de sexo, nudez tanto feminina quanto masculina, incesto, entre tantos outros. Na cena em que Matthew vê Isabelle beijando seu irmão na boca o coitado arregala os olhos com sua visão ocidental. Embora a França fique no meio termo, sua cultura é bem diferente da norte-americana, ainda mais quando falamos de pessoas. Mas o filme também apela, por exemplo, na cena em que a irmã duvida que o irmão se masturbe na frente de um poster como fez na noite passada e que ninguém viu.

O filme em si fala de sonhos e se um dia iremos enfrentá-los para se tornarem realidade. O apartamento é como se fosse um refúgio, um esconderijo, onde lá tudo é possível! Amor, maoísmo, sexo, amor, nudez, cinema, tudo. Mas o que acontece quando o sonho acaba? Ou melhor: o que acontece quando temos que crescer e ver o mundo lá fora? Embora em todo o filme vemos que Isabelle e Theo parecem crianças, com medo do mundo, no final vemos que Matthew é quem amarela. Claro, tudo por uma questão de opinião. Na verdade até entendo o ponto de vista do personagem. Se o maoísmo conseguiu usar um livro, um, e conseguiu fazer uma revolução cultural, porque outros países não podem? Porque não podemos educar as jovens mentes do nosso jeito?

Embora tudo isso, Os Sonhadores tem seus acertos e erros como qualquer filme (exceto meu favorito? Não sei! Preciso revê-lo!). O acerto, claro, é o fabuloso e talentoso elenco. Mesmo não gostando tanto do Michael Pitt em Violência Gratuita do Michael Haneke (ainda não entendi o propósito do remake se o filme é do próprio diretor), dessa vez o ator se sai muito bem, assim como Eva Green no papel de Isabelle. Mas quem é a estrela do filme mesmo é Louis Garrel, que já se mostrou mais do que capaz de fazer filmes originais e desafiadores, como fez em Canções de Amor, mas sendo Sonhadores ainda mais ousado.

Mas claro, como eu disse antes, nem tudo é um mar-de-rosas. O problema de Sonhadores é entrar e acabar rápido com a revolução. Nem sabemos por que está acontecendo uma revolução. Claro, na história existe todo um clímax e uma intenção, mostrados muito bem na cena em que uma cadeira entra pela janela para quebrar a barreira entre apartamento e mundo, mas para o público que desconhece a história política do momento fica confuso, sem falar que é estranho, para não falar outra coisa, ver os protagonista saindo na rua e gritando sem saber ao certo o que defendem.

Não recomendo nem morto Os Sonhadores para quem não gosta de cinema. Na verdade nem recomendo para pessoas que gostam desse tipo de filme, que gosta de discutir diversos assuntos, entre eles sexo. Já chega meu magnífico De Olhos Bem Fechados sendo massacrado até os dias de hoje sendo considerado um filme pornográfico, e não duvido que Sonhadores tenha conseguido tal fama quando foi lançado. É difícil pra sociedade entender o que é pornografia e o que é arte, poesia em cena. Pois é, ai do mundo que me espera...

3 comentários:

Diego Lanza disse...

Discordo um pouco quanto ao filme entrar e sair rápido com a revolução, sempre achei q o maior mérito do filme é ambientar sua história sem esquecer o contexto político. Os personagens e as situações estão ali e por trás, lá fora da janela, estão outros acontecimentos que influenciam na história sem serem o foco. Por todo o tempo eles vivenciam aquela paixão mútua no apartamento isolado totalmente do mundo, distanciado da conturbação da França (1968). Porém, o relacionamento aprofundado entre eles é interrompido de forma abrubta quando percebem o enorme estardalhaço vindo das ruas de Paris. Então percebem que Havia "estourado uma grande rebelião de estudantes e, como que se acordassem de um sonho, decidem unir-se ao movimento.", como diz a sinopse oficial.

Película Criativa disse...

Eu também gosto muito desse filme, ele consegue trabalhar diversos temas com maestria. Mas concordo, é um filme para quem gosta de cinema.

http://peliculacriativa.blogspot.com/

Luciano Carneiro disse...

Fico feliz que você tenha gostado. É um dos meus filmes favoritos de sempre. Como to em Dores, com uma internet meia boca, ando sem tempo e sem condições de comentar. Mas vou deixar aqui o link do meu texto sobre esse filme belíssimo.
http://cineeeu.blogspot.com/2010/10/os-sonhadores-sonho-revolucionario-mas.html

Abraço!