22 de fevereiro de 2011

BRUNA SURFISTINHA- A personagem não descobre o que quer ser e nem seu diretor

Oi. Meu nome é Bruna.

Agora entendi o porquê de A Rede Social ser um dos filmes mais indicados para ganhar o Oscar esse ano, embora não mereça (Cisne Negro? Alguém? Só eu? Ok). Mesmo sendo um filme biográfico, o ritmo é acelerado, não linear e inteligente, um pacote perfeito para não deixar o espectador com sono e ver um filme com cinema de qualidade. E é mais do que apenas um filme biográfico: é um filme sobre amizade. Bruna Surfistinha também tem um tema por trás: uma menina tentando se encontrar. Porém, o filme não possui ritmo acelerado e nem é inteligente. Parece até que o filme está assim como Bruna: tentando se achar.

A história é baseada na vida de Raquel Pacheco. Após fazer sexo com um colega da escola e ter sua foto publicada na internet, Raquel decidiu fugir de casa. Embora a foto não seja o motivo que a fez fugir de casa, contribuiu para que assim o fizesse. Fugindo de casa ela começa a trabalhar como garota de programa, se tornando numa das mais famosas do Brasil e conhecida como Bruna Surfistinha.

O principal problema do filme é que ele não se acha. Na primeira parte parece um filme francês cult antigo que vemos nos Noitões do Belas Artes, com cenas lentas (quem for conferir o filme conta pra mim quantas vezes ela fala: "Oi, sou Bruna"?) e uma trilha sonora exagerada e desnecessária para a cena, mas com um momento bom: o primeiro programa de Bruna, que infelizmente não causa impacto por causa da narração exagerada. A cena teria ficado mais tensa e muito bem feita sem os comentários da protagonista. E finalmente, após essa fase, o filme ganha uma estrutura divertida e cômica, e ainda por cima inteligente (a cena do salão é um exemplo disso) durante uns 20 minutos. Mas o filme acaba capengando no final e acaba se tornando mais um filme biográfico.

Confere comigo: garota que quer se encontrar e realizar seus sonhos? Confere. Sai de sua casa? Confere. Batalha para isso? Confere. Fica extremamente popular? Confere. Acaba com sua carreira? Confere. Usa drogas? Confere. Dá a volta por cima? Confere. Ou seja, o filme tem todo o pacote para ser um típico filme biográfico de uma celebridade. Porém, a indecisão de ser cult, de encontrar uma raiz cômica ou de ser um filme sobre superação acabam atrapalhando o filme.

As cenas de sexo não são fortes. São cenas de sexo comuns, fato. Mas o problema delas é que são longas. Não é necessário mostrar cada sexo de Bruna por muito tempo. Cada um tem sua importância, com certeza, mas é desnecessário ter o tempo que dura. Aliás, a grande polêmica que existia no filme era como ele iria tratar o assunto da prostituição. Mas a realidade é que, embora tenha como personagem uma famosa garota de programa, não se foca nisso. Foca-se na ascensão e no declínio de sua carreira, como sempre vemos por aí.

Em requisitos de atuação, Secco se sai muito bem como a famosa Bruna Surfistinha (diferente e mais acabada do que sua personagem na nova novela da Globo), mas nesse elenco os destaques vão mesmo para Drica Moraes, excelente como a dona da casa de programa Larissa, Fabiula Nascimento como a garota de programa Jaqueline e Cristina Lago como amiga e secretária de Bruna.

Sendo assim pessoal, esperem chegar em DVD o filme da Bruna Surfistinha. Posso falar para vocês que não é nada demais. Se você quiser ver filmes bons sobre sexo veja De Olhos Bem Fechados, um cult sexual psicológico e último filme do meu diretor favorito, Stanley Kubrick, ou Kinsey- Vamos Falar de Sexo que fala sobre o interesse pelo sexo no início do século passado ou Bonequinha de Luxo, que mesmo não falando de sexo explicitamente possui como protagonista uma garota de programa. Bruna Surfistinha é apenas um filme biográfico qualquer (mesmo que tente fugir desse tipo de filme), cheios de erros e narração em excesso.

3 comentários:

Mirella Santos disse...

Poxa pelo visto mudaram o início do filme inteiro que é a única parte que interessa. Pelo menos no livro td depois que ela sai de casa fica mecânico e previsível, é, eu IA ver no domingo... Mas agora acho melhor não. Ótima crítica Felipe. Abraços.

Amanda Santoro disse...

Eu adoro Bonequinha de Luxo. Você sabe, né? "É preciso ser sensível para gostar dela, é preciso ter um 'quê' de poeta", já diria Truman Capote sobre a sua personagem. Boa, Fê, mandou bem!

Felipe Guimarães disse...

Mirella, realmente, tudo fica mecânico. Nunca li o livro, mas tenho muita vontade! Obrigado! ;D

Amanda, sei sim! Hahaha