8 de fevereiro de 2011

BURLESQUE: A influência da música pop tirou o erotismo do teatro burlesco

Ihhh....

Para quem não sabe, o teatro burlesco era conhecido como um local de strip tease. Mas as dançarinas nunca tiravam as roupas ao ponto de ficarem nuas. Não. Elas chegavam nos palcos com muita roupa e acessórios como luvas, brincos e colares de pérolas para serem tirados enquanto elas seduziam a sua plateia até o ponto em que ficavam apenas de sutiã e calcinha. E talvez esse seja o problema de Burlesque: parece que os roteiristas não sabem praticamente nada sobre a origem desse tipo de teatro e simplesmente decidiram criar um novo estilo para ele. E não existe desculpa para falar que não existe material para o assunto já que existe até uma peça musical (considerada por muitos como a melhor) sobre uma das maiores estrelas do teatro burlesco: Gypsy.

A história é sobre uma menina de Iowa, Ali, que decidi sair de sua cidade e realizar seu sonho de subir aos palcos para cantar e dançar. Chegando em Los Angeles, Ali encontra um clube chamado "Burlesque", no qual, além de comida e da bebida, um palco está presente e no qual as dançarinas dublam as vozes de canções famosas, como por exemplo o clássico Diamonds Are The Girl's Best Friend. Porém, o clube não está em suas melhores condições, com a possibilidade de venda para pagar os custos. Mas Tess, a dona do clube, não vai desistir tão fácil e Ali também não vai desistir até realizar seu sonho, mesmo começando como uma garçonete.


A proposta de Burlesque é meio que óbvia: criar um novo estilo burlesco. Se for olhar por esse ângulo, o filme pode se sair melhor, mas se for olhar pelas origens do burlesco, o filme simplesmente capenga. Não há praticamente nada de burlesco além do ambiente. Nos números realizados nos palcos as mulheres chegam já praticamente com pouca roupa ou com uma bem curta. Toda aquela tensão e erotismo para seduzir o público desaparece, assim como a sua magia.

Mas também não é um bicho de sete cabeças. Uma cena, por exemplo, uma das melhores, Ali tira sua roupa e cobre seu corpo com plumas. Essa cena sim é burlesca! E a única também. Outras cenas também acabam caindo, ainda mais por causa direção. A última cena musical de Cher, You Haven't Seen The Best Of Me, tinha tudo para ser arrebatadora. Uma excelente atriz com uma música expetacular. Sem falar que a cena é mais do que perfeita: Tess está quase perdendo seu clube. Mas a verdade é que Cher não engata e nem a cena. O diretor simplesmente decidiu ignorar e achou que estava tudo bom, mas a verdade é que Cher está fria em um dos momentos mais sentimentais e desesperadores de sua personagem.

Talvez esse seja o maior problema de Burlesque: sua direção. A cena inicial do clube, na qual Cher canta: "Bem vindo ao Burlesque" simplesmente não tem carisma. Ela fica parada, sem cativar. Isso não é o papel de um apresentador. Tal papel deve ser como o Mestre de Cerimônicas do clássico Cabaré. Aliás, Burlesque se inspira bastante em Show Bar (história praticamente idêntica), Chicago e principalmente Nine. A preguiça de Steve Antin de criar algo novo está mais do que evidente quando vemos efeitos mais do que parecidos com os que foram utilizados no último filme de Rob Marshall.

Sem decolar e sem se lembrar da origem do teatro burlesco, Burlesque pode facilmente cair no esquecimento, mesmo que possua grandes vozes em seu elenco. Antes o teatro era erótico, mas agora é apenas cheio de vibrados, música alta e danças rápidas girando a cabeça. A alma do burlesco se foi.

7 comentários:

Alan Raspante disse...

Quero assistir pelo fato de gostar de musicais e só. Não sou fã da Aguileira e a Cher, idem. Enfim, é... isso. rs

deborah disse...

Gostei da crítica. Concordo com vários pontos, principalmente no que tange a tradição do Teatro Burlesco. Mas, a voz da Cristina Aguillera acaba inebriando!"Preenche" a sala do cinema como se você estivesse dentro de uma autêntica igreja Gospel....sabe?? Vale pelos arrepios...;-)

deborah disse...

Vale lembrar que trata-se do Burlesco de 2011...pode ser entendido como releitura...mabe.

Felipe Guimarães disse...

Alan, também só assisti porque era musical...

Deborah, confesso que Aguillera tenha uma grande voz, mas sabe quando você vê um filme que poderia ser bom mas não é? É mais ou menos isso que sinto. Mas mesmo sendo um burlesco 2011, parece que o teatro regrediu e não avançou... Sei lá, é assim que eu penso...

Quintanilha disse...

"Aliás, Burlesque se inspira bastante em Show Bar (história praticamente idêntica)", por gentileza, discorra a respeito. Like I was 5.

Felipe Guimarães disse...

Alice, ó a sinopse de Show Bar (já vi o filme, mas só pra mostrar a sinopse): "Abençoada com uma linda voz, a jovem de 21 anos Violet Sanford (Piper Perabo) vai para Nova York em busca do sonho de se tornar compositora e acaba se tornando uma garçonete do bar Coyote Ugly. Uma casa noturna nova e diferente, o Coyote Ugly é o local mais badalado da cidade, com um time de mulheres sensuais, jovens e empreendedoras". A trajetória de Ali assim como a de Violet são praticamente idênticas. Os ambientes são diferentes ;D

Thami Silva disse...

Não sei por que.. mas sinto que já vi esse filme em "Molin Rouge", por conta dos clichês e cenas bem parecidas. Mas enfim, o filme é bom, do tipo razoável e eu amo musicais.