10 de março de 2011

MINHAS MÃES E MEU PAI- Embora pareça "normal", Lisa Cholodenko faz um filme fresco e atual

Sim, somos uma família problemática normal!

Desde que Pequena Miss Sunshine concorreu ao Oscar em 2007 e ganhou os prêmios de Melhor Roteiro Original e por Melhor Ator Coadjuvante para Alan Markin, as comédias "alternativas", ou também feel good movies, começaram a receber um destaque maior na cerimônia. Esse ano, Minhas Mães e Meu Pai foi o escolhido e concorreu ao Oscar de Melhor Filme e outras três categoria, sendo elas Melhor Atriz para Annette Bening, Ator Coadjuvante para Mark Ruffalo e Melhor Roteiro Original. E não existe dúvida: é um grande filme.

A história é sobre uma família quase comum, exceto pelo fato de não haver um pai, mas sim duas mães que ficaram grávidas, tendo cada uma um bebê, através de um mesmo doador de esperma. Eis então que o filho, rodeado por mulheres, vai em busca do pai biológico para tentar se identificar com alguma figura masculina, ausente na casa. Eis então que o problema da família começa.


Por que Minhas Mães e Meu Pai não possui uma família normal? Existe uma mãe trabalhadora (que sustenta a família e tenta aproveitá-la enquanto ainda há tempo), uma mãe liberal (e que passa pela crise de meia idade) e um pai (que percebe que o tempo passou e decidi lutar contra o tempo). O filho segue tudo que os amigos falam e fazem (embora depois encontre a verdade dentro de si, aprendendo com a própria vida) e a filha, pronta para ir para a faculdade, é quieta e estudiosa, mas procura ao mesmo tempo a liberdade e o conforto familiar. Enfim, parece uma família problemática normal. Mas mesmo sendo algo quase que "normal", Minhas Mães e Meu Pai consegue ser fresco e atual.


Os diálogos com certeza são o ponto alto do filme, o que o torna dinâmico e com tons de comédia, assim como Pequena Miss Sunshine tem. Em determinada cena, quando as mães estão emocionadas e o filho pergunta: "Por que vocês estão chorando?" e uma das mães responde: "Nossa, como queria que você fosse gay para ser mais sensível" é apenas um exemplo do que o filme é capaz. Se A Origem não estivesse indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Original, Minhas Mães e Meu Pai seria mais do que meredor do prêmio, ao contrário do verdadeiro vencedor: O Discurso do Rei.


E por favor: alguém me explica por que eu nunca tinha ouvido falar na Annette Bening antes?! Nem lembrava que ela era a mãe de Beleza Americana (no qual eu também aprecio e muito sua atuação). Se Natalie Portman não estivesse indicada ao Oscar de Melhor Atriz, Bening seria minha vencedora. Embora todo mundo pense que ela é o "pai" da casa (sempre dizem que casais gays sempre têm o "homem" e a "mulher" da relação), a atriz consegue mostrar que não é apenas o pai. Ela é a mãe, ela é o pai, ela é o pilar da família e que, no decorrer do filme, tenta não deixar a família desmoronar.


Claro, o papel da mãe moderna tinha que estar nas mãos de Julianne Moore, sempre presente com seu tradicional cigarro e de sua estupenda atuação. Mia Wasikowska mostra uma atuação bem superiora do que vemos na versão do Tim Burton de Alice no País das Maravilhas (hoje odeio com todas as minhas forças o filme, mesmo que a obra possua uma fotografia impecável. Foi um trabalho porco do Tim Burton, e olha que eu adoro o diretor). Josh Hutcherson não precisou se esforçar, pois seu papel não possui muito destaque e não requer muito esforço, embora o ator tenha mostrado um avanço em filmes "fortes" como Ponte para Terabítia. Já o Mark Ruffalo nunca achei um excelente ator, mas sempre está bem em seus filmes. Em Minhas Mães não seria diferente.


Mesmo que pareça uma história contada novamente, Minhas Mães e Meu Pai consegue ser um filme moderno, com diálogos que, embora não tenha a intenção de causar humor, traz para o público muitas risadas e sorrisos. Assim como Pequena Miss Sunshine, "Minhas Mães..." é exatamente o tipo de feel good movie que adoramos rever. E claro, por ser uma história composta praticamente por mulheres, nada melhor do que a excelente direção feminina de Lisa Cholodenko.

2 comentários:

Kahlil Affonso disse...

um filme gostoso de assistir... atuação fantásticas!

http://filme-do-dia.blogspot.com/

Felipe Guimarães disse...

Kahlil Affonso, muito bom, né?