21 de abril de 2011

CREPÚSCULO DOS DEUSES - Norma Desmond sonha em voltar para casa


"Eu sou grande. Os filmes que ficaram menores"

Tenho certeza de que se alguém me perguntasse: "Fê, quero começar a ver filmes antigos. Você me aconselharia algum?", Crepúsculo dos Deuses não seria o primeiro filme que eu indicaria. Um Chaplin, provavelmente, um musical como O Mágico de Oz ou Cantando na Chuva, mas não Sunset Boulevard (título original do filme). E isso aconteceria porque Crepúsculo dos Deuses não é um filme para poucos apreciadores, mas sim para os apreciadores certos: os que conhecem, mesmo que vagamente, o cinema antigo. Uma pessoa que gosta de cinema mas que nunca tenha visto uma obra dos anos 30/40 ou 50 pode achar muitas cenas clichês, exageradas e o filme sem graça, e que são na verdade cenas memoráveis e um dos melhores filmes já feitos.

A obra de Billy Wilder gira ao redor de Norma Desmond, uma esquecida e rica atriz do cinema mudo que pretende voltar aos estúdios da Paramount e se tornar uma estrela novamente. Para tal feito, Norma pede - ou melhor, obriga- que o roteirista Joe Gillis ajude-a com seu roteiro, que na verdade é uma catástrofe.

Da obra inteira eu só tenho uma coisa a reclamar: a narração. Se muitos críticos ficavam implicando com a narração de Tropa de Elite, não sei porque colocam Crepúsculo dos Deuses num pedestal. É engraçado, ou melhor, contraditório que a personagem de Norma fique questionando o uso de tantas palavras no cinema falado e Wilder esbanje narração em seu filme até dizer chega. Mas acredito eles deixam que isso ocorra porque não é esse detalhe que impedirá do filme ser um dos maiores já realizados na história do cinema.

Mas tirando esse detalhe da narração, a obra de Wilder - a primeira que vejo - é um dos filmes obrigatórios para a coleção de muitos cinéfilos. Diálogos incríveis, fotografia perfeita (sendo as provas disso a cena do "cinema particular" e a última cena) e uma história que prende o espectador até o final. É cinema falando de cinema, e melhor: o antigo cinema, algo que para os cinéfilos que querem conhecer e se interessam pelo mundo cinematográfico é um prato cheio!

E não há dúvida: assim como Natalie Portman dominou Cisne Negro, Johny Deep marcou presença em Piratas do Caribe e Bette Midler domina Gypsy (1993), todos os refletores de Crepúsculo dos Deuses estão voltados para a imagem de sua atriz principal, Gloria Sawson, que assim como a personagem principal era uma estrela do cinema mudo e que ficou esquecida até retornar ao cinema com essa obra de Wilder. Coincidência? Claro que não. Sawson foi uma escolha do próprio Wilder pelo seu histórico, não há dúvida, mas ainda mais: por seu talento. Se a atuação de Sawson não é a melhor de todos os tempos, é uma das maiores e isso ninguém pode negar!

Se você já tem uma experiência em filmes antigos, pode ter certeza que Crepúsculo dos Deuses só está esperando para ser devorado por você. Mesmo com esse detalhe da narração, a obra de Wilder é cinema falando de cinema, é arte criticando arte, é simplesmente uma obra-prima que nunca será esquecida. Ou assim teria que ser. Se o filme mostra que antigamente as atrizes eram esquecidas, nos dias de hoje ocorre a mesma coisa, mas com os esquecidos diretores de grandes obras que nunca mais voltaram para a tela do cinema ou para o formato de DVD.

3 comentários:

Kahlil Affonso disse...

Realmente 'Crepusculo dos Deuses' é um filme para cinéfilos, para quem entende de cinema! Grande filme!

http://filme-do-dia.blogspot.com/

Julio C. Navas disse...

DISCORDO COMPLETAMENTE... Não sou expert em cinema e, mesmo assim achei o filme SENSACIONAL.

Julio C. Navas disse...

DISCORDO COMPLETAMENTE... Não sou expert em cinema e, mesmo assim achei o filme SENSACIONAL.