5 de maio de 2011

NÃO À PIRATARIA, SIM À ACESSIBILIDADE!

Um dos melhores modos para comprar arte legal


Vocês se lembram que eu tinha prometido publicar no blog uma postagem que fiz pra Folha sobre pirataria? Não? Ok, não tem problema! Estou postando agora para todos vocês. Se você quiser ver no formato original, é só clicar aqui. Espero que gostem!

"Imagine que você, pronto para prestar vestibular, deseja se tornar um advogado, por exemplo. Para isso, você entra numa excelente faculdade e é um dos melhores alunos do curso de Direito. Porém, no futuro, ninguém vai precisar mais de você. Tudo o que uma pessoa precisa fazer é entrar na internet e baixar seu trabalho. Você não seria mais útil e ficaria desempregado. Essa é a atual situação dos artistas brasileiros.


Legalizar a pirataria, como pretende o Partido Pirata, é mais do que errado. É um tiro no coração de diferentes indústrias, como a cinematográfica e a fonográfica, por exemplo. Os prejuízos nas vendas acabam com o surgimento de novos artistas. Afinal, sem retorno financeiro, acaba o patrocínio. E então, do que sobreviverá o artista se ele não vende o que produz? A única solução acaba sendo mudar de emprego ou se mudar para outro país.

A solução não é legalizar a pirataria, mas sim disponibilizar o produto para a população e torná-lo acessível, diminuindo os preços, por exemplo. Um álbum, como “Spring Awakening” --musical da Broadway que teve sua versão brasileira realizada por Charles Moeller e Claudio Botelho-- custa US$ 10 nos EUA e chega ao Brasil no preço assustador de R$ 80 ou até mais. Filmes que não foram lançados em território nacional, como “Cabaret” --vencedor de oito Oscar-- custa US$ 10 lá fora e aqui custa aproximadamente R$ 67. Um jogo de videogame que custa US$ 50 chega ao Brasil no valor altíssimo de R$ 300 reais e assim vai. O alto custo, impostos e indisponibilidade dos produtos no Brasil são os principais motivadores da pirataria.

O preço do cinema em família também é um deles. Para nós, adolescentes, é fácil assistir a um filme que custa de R$ 4 até R$ 10. Porém, quando estamos em família, a situação muda. Se os seus pais não pagam meia-entrada, o ingresso deles chega ao valor de aproximadamente R$ 20 cada um. E, então, surge a pergunta: “Para que pagar quase R$ 50 para toda a família assistir ao filme se é possível comprar o mesmo filme por R$ 10 e assistir em casa?”. É um erro que as indústrias brasileiras cometem até mesmo em grande parte da economia: vender menos por valores altos do que vender em maior quantidade por valores baixos. No Brasil não se fala em quantidade, mas sim em custo.

E o cidadão pode fazer sua parte pressionando o governo, como ambiciona a campanha “Preço justo já!”, realizada pelo vlogueiro Felipe Neto. Porém, a situação só mudará se grande parte da população pressionar o governo ao ponto dele não poder mais resistir e ter que acatar a decisão da população, como é o caso do “Ficha Limpa”, que mesmo assim não foi acatado completamente.


Logo, o cidadão não tem culpa de comprar produto pirata. Ele procura o que é mais fácil, acessível e econômico, e não está errado disso. Cabe às indústrias ou ao governo mudar esse pensamento ou acabar com cada um dos artistas que tentam emergir e se manter em suas respectivas indústrias. É duro para quem quer seguir essa carreira ver policiais comprando DVD’s piratas em pleno dia na rua Augusta, em invés de fiscalizar os produtos piratas em geral. Não adianta surgir um cineasta atrás do outro se eles não conseguirem permanecer no mercado de trabalho. Resta apenas o fim de sua carreira e o início de outra carreira."

2 comentários:

FM disse...

Acho que essa situação está muito longe de mudar. A campanha do Felipe Neto pode até servir para conscientizar, como um primeiro passo, mas não vai dar em nada, infelizmente.

Compro meus DVDs originais, (e agora com Blu-ray, nem tenho mais opção de pirata) mas ainda baixo algumas coisas da internet (como músicas e séries).

Mirella Santos disse...

É um ótima ideia, mas do jeito que é devo concordar com o FM que a situação está longe de mudar, mas a mudança começa por nós mesmos se ficarmos parados e apenas "digerindo" esses preços depois vai ficar pior a situação. E como assim a trilha Spring Awakening ta 80 reais? Só pq eu já ia comprar, agora desisto =/