12 de agosto de 2011

MELANCOLIA - O novo filme de Lars Von Trier

Vivendo sem esperança...


Lars Von Trier é um diretor para poucos. Seus filmes possuem muitas metáforas, são pesados, normalmente lentos e focam-se nos cinéfilos, atraindo dificilmente o público tradicional. Se você quer saber se pode gostar ou não de um filme do diretor é só assistir Dogville e Anticristo. Se você gostou desses filmes, garanto que qualquer outro filme do diretor irá lhe agradar. E assim é Melancolia.


nos primeiros minutos a fotografia é espetacular e com certeza uma das melhores da história do cinema atual. A probabilidade de você chorar com as imagens -- caso você seja um cinéfilo que fica emocionado com facilidade -- é alta. Não choro em nada (coração de pedra), mas são cenas espetaculares! E o final é um dos melhores de filme apocalípticos! Bem no estilo do diretor: sem esperança.


Sem falar nos personagens de Trier, bem definidos e estruturados. Justine (Dunst) poderia ter tudo que uma mulher casameteira sonha em ter: um esposo e um bom trabalho, mas ela na verdade vive uma vida infeliz, pois não é aquilo que realmente quer. Já Claire tem tudo na vida que desejou: esposo, filho, uma linda casa, dinheiro, porém não consegue alcançar a salvação. Michael é o noivo bobo que apenas segue os passos que a maior parte da população segue, sem ao menos saber e sentir o que sua noiva realmente quer e deseja. John é o típico patriarcal que cuida de tudo, mas é só algo que acontecer que sua fortaleza de moralidades e coragem dessaba.

Kristen Dunst ganhou o prêmio de melhor atriz em Cannes com mérito! E para ser sincero é uma das melhores do ano até agora, ganhando fácil uma indicação ao Oscar ou ao Globo de Ouro. Charlotte Gainsbourg convence muito bem no papel da irmã. Alexander Skargard -- o Eric de True Blood -- infelizmente está apagado, mas é bom ver que seu trabalho na série tenha ganhado repercussão.


Não posso mais falar sobre o filme, caso o contrário eu espalharia muitos spoilers para explicar as metáforas -- eis a causa dessa "crítica" não ter sinopse. Melancolia é muito bom, uma vez que você conheça e aprecie as obras do autor. Caso o contrário, será um filme sem ritmo e "muito pensante", algo que o público tradicional evita quando procura o cinema como forma de entretenimento. O cinema de Trier pode ser resumido como pesado e "sem esperança" para finais ou personagens felizes.

Um comentário:

Luciano Carneiro disse...

As questões colocadas em foco (a insignificância de nossas dores perto do cosmos, a "cabana" que aprendemos a criar para esconder nossa melancolia frente à ausência de sentido e perspectiva da vida, a crueldade humana, a falsidade, a hipocrisia, etc etc) não são nenhuma novidade. No entanto, tudo é filmado de forma tão genial, com tantas cenas emblemáticas que, goste-se ou não, de uma coisa é certa: tem-se um filme inesquecível. Por que a personagem da Kristen Dunst estava tão deprimida, afinal? Por que ela sabia o número exatdo de feijões? As duas perguntas podem ter a mesma resposta: porque ela tem um dom especial. Ela vê mais do que nós vemos. Daí a melancolia.