26 de setembro de 2011

UM NOVO DESPERTAR - Será uma esperança para Mel Gibson?

Brilho e ofusco. Que dilema!


Preconceituoso e agressor: esse é Mel Gibson fora das câmeras e dentro dos "bastidores da vida". Não é à toa que o ator é mal visto tanto pela crítica quando pelo público nos dias de hoje. Um dia na 2001 (acho que foi na sexta-feira), um cliente não quis locar o filme só porque Gibson estava presente nele. É uma pena, pois Um Novo Despertar é um filme muito bom e que foi ofuscado por causa do ator, mas que sem ele também não seria o que é.

A história é sobre um homem chamado Walter Black. Black está deprimido e não sabe mais o que fazer de sua vida. Numa tentativa de suicídio, ele apenas piora sua situação ficando ainda mais louco, decidindo assim usar um castor que usou no lixo como uma forma de lidar com seu psicológico (eis o sentido do título do filme em inglês: The Beaver). Assim, Black consegue reerguer sua vida com a família e com o trabalho, mas apenas com o fantoche em sua mão.

O título brasileiro nem ajuda e nem atrapalha. É clichê, mas não daria para colocar como título O Castor. É um filme que poucas pessoas pegam por se interessarem apenas pela sinopse. Primeiro por causa de Gibson e segundo porque o filme ganhou a fama de ser o "filme do castor". Mas por incrível que pareça é um bom filme. É a primeira direção que vejo da Jodie Foster e fiquei muito satisfeito com o resultado e infeliz com a repercussão que o filme ganhou do público e da crítica.

Podem falar mal do Mel Gibson por ser tudo aquilo pelo que ele é chamado, mas ainda é um grande ator em cena. Quando assisti Avenida Q aqui em São Paulo -- com o elenco original -- vi como era um trabalho difícil para o ator conciliar a sua atuação com o a do boneco, para que assim ambos transmitissem o sentimento certo na hora certa. E Gibson conseguiu fazer isso com maestria e não podemos negar. Em cena ele é um ator e é isso que temos que avaliar nesse momento.

O restante do elenco é muito bom. Foster, além de atuar muito bem -- mesmo tendo uma personagem com pouca influência na obra -- consegue dirigir com muito eficácia seus atores coadjuvantes. Jennifer Lawrence mostra novamente que é uma das promessas do cinema norte-americano (para quem não sabe, ela é a atriz indicada por Inverno da Alma e a Mística de X-Men: Primeira Classe). Anton Yelchin tem apenas 22 anos, mas mostra que pode ser um grande ator, mas somente se for se dedicar.

Portanto, gostei de Um novo Despertar (e minha irmã também, o que foi um grande alívio para mim). É curto (chega de filme "enrolantes" de 2 horas!), diz o que quer, possui um toque de non-sense e têm belos atores em cena. Agora, será esse um novo despertar para Mel Gibson? Acho difícil, mesmo com o ator brilhando em cena. Mas para Foster e os outros atores, com certeza é mais um novo despertar.

Um comentário:

Rafael W. disse...

O Mel Gibson está muito bem aqui e carrega o filme nas costas, mas o roteiro é por demais medroso, cheio de comodismos e clichês. É bom, não passa disso.

http://cinelupinha.blogspot.com/