24 de dezembro de 2012

O QUE ESPERAR PARA 2013: LES MISÉRABLES (OS MISERÁVEIS)

"Yeah baby, I'm back in business too!"


Eu disse para vocês que era um retorno, não disse? Então vamos começar a falar sobre o que o blog espera para 2013, ou melhor, o que 2013 tem para nos oferecer nos mais diversos setores (cinema, música, literatura, etc.) e que parece ser de boa qualidade. Por incrível que pareça, os musicais estão mais do que presentes na lista (que novidade, não?), mas não se preocupem porque os grandes blockbusters do cinema também estão garantidos como as "promessas do ano que vem". E nada melhor do que começar a lista com a junção dos dois: Les Misérables, que, embora já tenha estreado nos EUA (se não me engano), só chega ao Brasil em fevereiro de 2013.

A história de Os Miseráveis é muito complexa para ser resumida em apenas um parágrafo, principalmente pelo fator de que dentro da própria história vários anos se passam e muitos personagens adentram à ela ou se distanciam dela. A princípio, o foco está no ex-presidiário Jean Valjean e o militar Javert. Entre as desventuras e encontros de ambos, personagens como Fantine, Cosette, Marius, Éponine e Enjolras aparecem de modo que a presença e a existência deles seja fundamental para o engrenar da história.

O mais interessante de Les Mis, além da escolha do elenco (Anne Hathaway como Fantine, Hugh Jackman como Jean Valjean e Russell Crowe como Javert), é o modo em que o filme foi feito, sendo um dos motivos para que ele seja uma das "promessas de 2013". Normalmente, ao se fazer um filme musical, os atores gravam as músicas num estúdio antes das cenas serem gravadas propriamente, para que assim só seja necessário dublar. Mas esse formato acaba prejudicando o ator, já que ele acaba não tendo uma liberdade maior para cantar com emoção, já que tudo já está pré-gravado. E com Les Misérables a música é ao vivo! Os atores do filme tiveram a oportunidade de que o que irá para às telas do cinema ser exatamente o que eles cantaram nas gravações, algo que apenas melhora a atuação deles na cena e que transforma o filme em algo inédito em comparação os parâmetros adotados nos últimos anos para se fazer um filme ou uma série musical.

E, depois do grande sucesso de Susan Boyle ao eternizar "I Dreamed a Dream" no reality show Britain's Got Talent, chegou a vez de Anne Hathaway fazer o mesmo com sua versão para a música. É simplesmente surpreendente o que se pode fazer com a canção e a interpretação da atriz é arrebatadora, algo que para quem acompanha a divulgação da obra foi possível captar já nos primeiros trailers (e que a transformou numa das favoritas ao Oscar 2013). E não apenas Hathaway mostrou sua capacidade, como também várias pessoas do elenco, principalmente o ator Eddie Redmayne (mais conhecido pela minissérie Pilares da Terra e pelo filme Sete dias com Marilyn).

Depois de fazer O Discurso do Rei, Tom Hooper pode ter sido, afinal de contas, a melhor escolha para trazer um dos maiores musicais da Broadway e do West End para as telas do cinema. Mesmo não tendo admirado tanto assim seu primeiro trabalho (que embora excelente ainda acho um exagero ter ganho o Oscar de Melhor Filme), a versão de Les Misérables de Hooper tem o grande potencial de ser um filme merecedor de vários Oscar's e um dos grandes favoritos também. Este é o filme que provavelmente ficará marcado em sua carreira, ainda mais pela forma ousada em que foi feito. Tentar fazer com que atores cantem ao vivo requer um extremo cuidado e um trabalho difícil de ser feito de modo eficaz. Embora nós, brasileiros e meros mortais, só iremos ver o filme no ano que vem, lá fora quem já assistiu tem falado bem. Nos resta agora aguardar.

23 de dezembro de 2012

NATAL E FIM DO MUNDO FECHAM O QUE RESTA DE 2012



Estou tentando voltar a escrever com frequência. Depois de tanto tempo ausente é difícil retomar o costume de me sentar à frente do computador e esperar que as palavras surjam e o texto comece a fluir, ainda mais com as mudanças do Blogger, que apenas me afastam ainda mais e me irritam, já que não posso redimensionar as imagens do modo que eu quero e que ficam melhores em relação ao texto. Mas, como tudo na vida, não podemos esperar que as coisas aconteçam do nada, ainda mais para pessoas azaradas. Então, vamos começar logo com este retorno com dois assuntos que até agora não entendi, ou melhor, não aconteceram do modo que pensei que iriam: o fim do mundo e o Natal.

Alguém se lembra de como era o Natal no início dos anos 2000? Não lembro se, por ser um momento mais próspero, financeiramente falando (sem crises para atrapalhar a economia), e por ser um demônio que tinha entre os 7-10 anos, o Natal que eu via era muito "melhor" do que os dos dias de hoje. Lembro de quando eu contava os dias para o Natal para finalmente poder abrir meus presentes após a visita do bom velhinho, fechando a noite com uma janta familiar e uma deliciosa sobremesa. E até o dia 25 eu aproveitava ao máximo para assistir todas as maratonas possíveis sobre o assunto, principalmente no Cartoon Network. Mas hoje o Natal ficou tão superficial que nem sei o motivo que algumas pessoas têm para continuarem comemorando-o. Não há mais maratonas nos canais como antigamente e nem espírito natalino que era maior (melhor?) e mais envolvente do que hoje. Atualmente o Natal, para muitas casas, se resumiu ao Panetone e as próprias pessoas presentes na reunião, seja familiar ou não, postando sobre como tudo aquilo está sendo um porre (pior ainda é o tio ranzinza curtindo sua postagem no Face para puxar o saco). E para piorar tudo isso tem comerciais e programas falando direto e reto sobre Aquilo-Que-Não-Se-Pode-Dizer-Para-Uma-Criança-Sobre-O-Natal (fico imaginando como eu com 6 anos descobri sem toda essa divulgação e muitas crianças de hoje nem se tocam). Parece que o Natal virou um Batman do Nolan, só que sem Batman e sem quebra-cabeça, só o realismo mesmo, em que as pessoas não dão presentes porque querem, mas porque é "tradição" (eis um dos meus grandes problemas com essa palavra). Ainda bem que toda essa superficialidade não atingiu minha família (até agora).

E para melhorar ainda mais esse ano nós tivemos o fim do mundo (que não aconteceu), mas falarei breve sobre ele porque ninguém aguenta mais falar sobre. Creio que eram poucas as pessoas que acreditavam que o mundo realmente acabaria. Piadas no Facebook e no Twitter, inclusive feitas por mim, fazendo deboche do não-Apocalipse, eram mais do presentes. Mas e se o mundo realmente tivesse acabado? Creio que poucas pessoas pararam para pensar em como seus últimos não-momentos da Terra foram tão superficiais, ao invés de ter a possibilidade de estar com pessoas que você gosta e fazer aquilo que te agrada. Imagina se seus últimos momentos de vida fosse reclamar que a Carly Rose Sonenclar (é esse o nome da infeliz?) não ganhou o The X-Factor?

Curta, porém profunda (óh! Quanta reflexão!), a primeira postagem do que promete ser um retorno ao blog parece ser promissora. Mas não se preocupem porque não serei melodramático daqui pra frente, postando vídeos de música deprimente ou falando sobre coisas que não interessam. É que esses dois assuntos estavam entalados em minha garganta e eu precisava discuti-los com algum ser pensante.  Espero que muito em breve as postagens sobre filmes, músicas, livros e as mais variáveis fontes de cultura possam voltar com força total e com aquele humor ácido que #TodosPira. Feliz Natal e Feliz 2013 para todos.

2 de dezembro de 2012

TROCA ESPM NO AR!

Oi pessoal! A faculdade me consumiu a vida, mas finalmente estou de volta para divulgar algo que inclusive tem a minha participação: o Troca ESPM! Meu grupo e eu precisávamos fazer um trabalho sobre reality show. Então decidimos viver o próprio reality show! Um amigo meu e eu trocamos de casa no período de uma semana! Agora eu vou publicar o vídeo aqui para vocês ficarem por dentro! Nos ajudem dando "Curti"s e se inscrevendo no canal! Valeu pessoal!


 

6 de outubro de 2012

VOCÊ VAI VOTAR NO DIA 7 DE OUTUBRO


Essa é uma postagem para todos os cidadãos da cidade de São Paulo, principalmente para quem vai votar neste domingo. Será um texto breve e indolor, prometo, pois sei que muitos de vocês não gostam do assunto. Porém, é preciso falar sobre ele, mesmo que você não acredite em política. Aliás, acho que se eu disser que o Brasil é um dos países mais democráticos do mundo eu receberia uma ovada coletiva. É impressionante como o brasileiro acha que, por seu candidato não ter sido escolhido, a nação inteira não pensa de forma consciente em quem a representará no período de 4 anos. Mas vamos nos focar um pouco nas eleições de 2012 para a prefeitura de São Paulo.

Não dá para falar sobre as eleições sem falar sobre os planos de cada um dos candidatos. No início das eleições apenas o candidato Celso Russomanno tinha em seu site os planos que tinha para a cidade, mesmo que de forma vaga. José Serra, Fernando Haddad, Gabriel Chalita, Soninha e outros ou não tinham seus planos bem divulgados ou nem tinham os planos em seus sites. Ainda hoje, Serra, Haddad e Soninha não apresentam de modo esclarecedor seus programas de governo. Quem evoluiu bastante foi o candidato Chalita, que tem em seu site todos os planos para sua gestão (e até agora o melhor site).

E infelizmente as eleições tiveram cunho religioso (de novo). É vergonhoso como um país que se diz laico tenha a adoração a Deus como uma das formas para conseguir votos dos eleitores, algo que afeta não apenas a liberdade religiosa como também a influência da religião na criação de leis e comportamento. E isso não é apenas para Russomanno, que possui um grande apoio das igrejas protestantes, mas para todos os outros candidatos (quem leu uma edição da revista Veja que fala sobre a aliança política e religiosa presente nas eleições sabe do que estou falando).

Outro assunto que foi pouco discutido foi a Copa de 2014 (comentada apenas no início dos debates). Aliás, é de extrema importância pensar, quando você for votar, em quem você quer que planeje a estrutura da cidade e sua recepção para o evento mundial. São Paulo é uma das cidades sedes e uma das cidades mais importantes do mundo. Seria vergonhoso uma estrutura precária, sem preparação (ainda temos 2 anos para a Copa) e falta de dedicação. Sem falar que, se o governo precisar investir mais dinheiro na Copa pela falta de planejamento da prefeitura, depois é o povo que pagará em impostos.

Creio que, de todos os assuntos discutidos, os mais falados foram a transformação de favelas em bairros e a educação. Nada mais justo. Do ponto de vista econômico, tirar uma pessoa da miséria é ter um novo consumidor dentro do mercado. Do ponto de vista social é um modo de integrar essas pessoas numa infraestrutura de qualidade, um melhor bem-estar social e acabar com a concentração do poder da classe A e B. Já sobre a educação, os candidatos que menos podem falar sobre o assunto são Serra, Haddad e Chalita. Serra e o PSDB devastaram a educação pública da cidade, Haddad e o PT fizeram o pior planejamento possível na hora de efetuar o ENEM no Brasil (casos de roubo da prova e de questões são apenas alguns exemplos) e Chalita fez pouco na sua gestão para resolver os problemas da educação.

Mas, de todos os candidatos, preciso falar essencialmente sobre três: Levy Fidelix, Paulinho da Força e Carlos Giannazi. Fidelix se mostrou um parasita. Sem se esforçar para ganhar a eleição, o candidato debochou das pesquisas, não atacou os adversários nos debates (pedindo apenas as opiniões dos mesmos) e acredita que todos os problemas de São Paulo podem ser resolvidos com a criação de um banco (maior falta de planejamento não há) e um monotrilho. Já Giannazi é o oposto: criticou tanto seus adversários que nem disse ao certo quais são seus planos para a cidade (vagos ainda em seu site). Paulinho da Força, por sua vez, acredita que todos os problemas podem ser resolvidos mudando tudo que existe para a periferia. Mover uma universidade para a periferia apenas vai intensificar mais o trânsito, uma vez que o problema não é o local da faculdade, mas sim o fato da periferia não fazer parte do grupo de pessoas que compõem o instituto (ainda dominado pela elite paulistana).

Então tome muito cuidado na hora de votar neste domingo. Não pense que só porque você vota no PSDB você tem que votar no Serra ou só porque você vota no PT você tem que votar no Haddad e assim vai. Hoje é muito mais importante você votar num político por causa de suas propostas do que pensar em que partido ele está, pois nem sempre o fato de uma pessoa estar num partido quer dizer que ela vá defender os mesmo ideais.

10 de setembro de 2012

WEBSÉRIE "CÁPSULA" ESTREIA DIA 13/09


Nunca vi em peso o poder de webséries no Brasil. Já ouvi falar de umas e outras, mas nenhuma que teve um grande efeito e chamado a atenção do grande público. Pelo menos, até agora. Com uma produção formada principalmente por alunos de cinema da FAAP e do AIC (Academia Internacional de Cinema), a websérie Cápsula estreia essa quinta-feira.

Pouco se sabe sobre ela. Com uma ideia que surgiu no ano passado, a série será de suspense/ficção científica e a história será sobre dois jovens que acordam em uma sala sem saber quem é o outro e muito menos o motivo deles estarem ali. Pelo que foi apresentado, Cápsula é muito mais pretensiosa do que o piloto apresenta e abordará dois temas que nunca foram discutidos em séries e/ou filmes brasileiros. Pelo que foi indicado até agora, promete. Mas só quinta-feira teremos a resposta.

Para mais informações sobre Cápsula, clique no link para acessar a página do Facebook: www.facebook.com/webseriecapsula

4 de setembro de 2012

CHARLES MÖELLER E CLAUDIO BOTELHO INSPIRAM



Todo mundo que lida com criação enfrenta um problema complexo, instigante e em determinados momentos desanimador: o bloqueio. Porém, após essa barreira, normalmente nós conseguimos desenvolver os maiores projetos e aspirações de nossas profissões (Felinni é um exemplo perfeito com sua obra 8 1/2). Nos muitos momentos em que sofro de bloqueio fico desanimado, perdido, sem saber o que fazer. Mas o trabalho de um grande artista é o suficiente para me colocar de volta nos eixos. Foi assim com Bastardos Inglórios (Tarantino) em 2010, Cisne Negro (Aronofsky) em 2011 e Hair no início desse ano. Contudo, existem dois grandes artistas brasileiros que conseguem fazer com que uma simples entrevista ou vídeo de divulgação de um novo espetáculo me tire de um bloqueio severo: essas pessoas são Charles Moeller e Claudio Botelho.

Existem "N" motivos para explicar porque esses dois artistas são importantes para mim, mas é inútil descrever. Cada ser humano possui sua própria referência, seja ela profissional, artística ou pessoal, e, portanto, é única a experiência vivida por cada um de nós. É o básico "eu gosto, mas outra pessoa pode não gostar". Contudo, existem fatos práticos para mostrar como eles podem inspirar qualquer pessoa. Primeiro: eles são considerados os melhores no que fazem. Segundo: eles investiram numa profissão que na época estava esquecida no Brasil e acreditaram nela mesmo em momentos difíceis. Hoje fazem sucesso com o trabalho que desejaram exercer em suas vidas. Não existe sentimento mais prazeroso do que poder fazer o que você gosta e melhor ainda: com tudo dando certo. 

Mas cada um é importante por me inspirar particularmente. Quando Charles Moeller começa a falar pela primeira vez sobre um novo projeto é um momento único. Quem lida com criação vê em Moeller não apenas uma estrutura profissional, mas uma filosofia de vida e trabalho mais do que brilhante. Pensar do modo que ele pensa para cada espetáculo, na ideia de "ter que morrer para renascer", como a fênix que nasce das cinzas, e assim conseguir entender toda a complexidade de uma nova história e se desligar do trabalho anterior é arrebatador. É uma emoção impossível de descrever e uma capacidade de versatilidade única.   

E Claudio Botelho então é um mestre com algo que eu lido diariamente aqui: palavras. E não é somente na precisão de cada palavra escolhida para sua versão de um musical. É em seu humor ácido, seja em entrevistas ou em seus textos, na suavidade de como cada palavra é dita e às vezes na inocência (e na falta da mesma) ao falar sobre algo que me identifico com esse gênio. Sempre quando vejo uma entrevista, parece que Botelho se apresenta como um livro aberto, como se "não tivesse nada para esconder". 

Existe inspiração mais prazerosa do que o dom da palavra e do visual? Como descrever uma filosofia não apenas de vida, mas também uma estrutura profissional? Não é à toa que esses dois nomes são importantes não apenas para mim, mas para muitas pessoas que admiram o teatro musical, o trabalho dessa dupla e para o próprio mercado da comunicação e da arte. E pode ter certeza: para as pessoas que lidam diariamente com a área de Criação, os "Reis dos musicais" são um prato cheio para pensar no passado, no presente e principalmente no futuro da arte no Brasil.

28 de agosto de 2012

"PRA VER, LER E OUVIR" AGORA TEM PÁGINA NO FACEBOOK!

Além da conta do Twitter, o blog agora está presente no Facebook (\o/) no seguinte link: https://www.facebook.com/PraVerLerEOuvir. Curtir a página é bem legal principalmente para quem gosta do blog (dã) e que não vê muitas postagens por aqui. A ideia é de divulgar notícias rápidas, imagens diversas, novas postagens e novidades de todos os tipos. É só curtir a página que vocês terão acesso à tudo. Obrigado pessoal e até a próxima (que eu tenho quase certeza que será na postagem do filme Rock Of Ages)!

27 de agosto de 2012

A FAMÍLIA ADDAMS - ELENCO E VERSÃO BRASILEIRA GARANTEM SUCESSO DO ESPETÁCULO


Só dessa vez eles te levam pro bom caminho



Fazia muito tempo que eu não ia ao teatro, principalmente para assistir a um musical. Cursinho, estudos, faculdade, exército, tudo aquilo que vocês já estão cansados de saber sobre mim. Mas se não estou enganado, o último espetáculo que assisti (e que foi de excelente qualidade) foi Cabaret no ano passado e que reestreia agora no Procópio Ferreira. E esse ano comecei com A família Addams que está em cartaz no Teatro Abril e feito pela T4F. E olha: vale a pena.

A história sobre uma das famílias mais conhecidas ao redor do mundo está com uma novidade: Wandinha está noiva de um menino "normal" e teme contar a verdade para sua mãe, o que faz com que ela solicite a ajuda de seu pai. Então, as famílias dos noivos decidem se reunir num jantar casual para poderem se conhecer melhor (e Mortícia nem faz ideia de que Wandinha está noiva). E lógico que tudo vira de cabeça para baixo.

Com certeza a versão brasileira criada por Claudio Botelho e o grande elenco é o que fazem a peça. A história é leve mesmo, sem nenhuma complicação ou diferencial. Porém, as referências aos costumes e à cultura brasileira e o humor negro que Botelho deu ao texto conseguiram fazer com que o musical não apenas tivesse um jeito brasileiro, como também conseguiu ser superior ao texto original da Broadway. Lógico, falhas estão mais do que presentes no enredo. Como uma história que se propõe a falar sobre o noivado de Wandinha pode se focar muito mais em Gomez? No compreendo.

E o elenco do musical é de excelente qualidade. Daniel Boaventura tira risos da plateia com extrema facilidade (como tem feito durante toda a sua carreira com seu timing perfeito). Laura Lobo, Iná de Carvalho e Rogério Guedes são os grandes nomes que se destacam dentro do cast (mesmo com pouca participação nas falas, Guedes é um dos que mais dá humor para a peça pelos jeitos e ações de seu personagem). Porém, quem realmente surpreende em cena é o ator Claudio Galvan! Ele é um show man dentro do próprio musical e de primeira qualidade! Eu não conhecia o trabalho do ator e fiquei com receio quando ele foi anunciado como Tio Fester. Mas levei um tapa na cara durante o musical e Galvan é uma das grandes estrelas do espetáculo.


Mesmo com um cenário precário, que dá sensação de que não existe espaço no palco nem para os próprios atores, uma história mais do que superficial e o péssimo serviço da T4F em explicar o porquê da substituta / alternante da Marisa Orth, Sara Sarres, ter saído do musical (e a empresa não dar nenhuma nota ou satisfação para quem paga quase mil reais em ingressos, paga uma alta taxa de conveniência por um serviço meia boca no qual você não escolhe os assentos que quer comprar porque o "site já escolhe os melhores lugares para você" [uma ova]),  A família Addams possui uma comédia excelente, um grande elenco e uma versão brasileira que dá orgulho. É um musical superior ao da Broadway e que até quem não gosta do gênero possui grandes chances de gostar.


18 de agosto de 2012

THE NEWSROOM - MAIS UMA SÉRIE DE QUALIDADE HBO


Será que a HBO já fez algum fracasso? Pela minha memória a resposta é não. Desde Sex and the City, a qualidade das séries da emissora apenas melhoraram. Hoje, True Blood (mesmo decaída), Mad Men e Game of Thrones são exemplos de séries de excelente qualidade e que receberam avaliações positivas tanto da crítica quanto do público. E agora mais uma série da HBO chega à televisão brasileira: The Newsroom.

Will McAvoy é um dos principais âncoras da televisão dos EUA. Liderando o News Night, McAvoy conseguiu se tornar famoso e rico e fazer um noticiário de grande audiência. Porém, com seu produtor sendo transferido para um novo jornal da mesma emissora, McAvoy terá que lidar com sua nova equipe, principalmente com sua nova produtora que é também uma antiga paixão.

Do mesmo criador de The West Wing e roteirista de A Rede Social, Aaron Sorkin realiza seu trabalho da mesma forma que confeccionou seus trabalhos anteriores. Assim, monólogos e diálogos rápidos entre os personagens estão mais do que presentes. Aliás, roteiro inteligente é o que não falta. Uma crítica interessante que eu li da Variety escrita pelo Brian Lowry explica exatamente o que é a série: Sorkin tenta salvar a América dela mesma e, embora ele não consiga, é "fascinante e irritante vê-lo tentar".

E antes de tudo, The Newsroom é uma série que questiona toda a cultura norte-americana (só a cultura dos Yankees?), desde a realização dos jornais e revistas baseados em fofocas e noticiários sensacionalistas até o conservadorismo moral republicano e a falsa mudança liberal do Partido Democrático. Além de tudo isso, a série tira seus espectadores da zona de conforto já nos primeiros dez minutos de um excelente texto de Sorkin e interpretação do ator Jeff Daniels no qual ele diz claramente que "os EUA não é o melhor país do mundo", criticando a terra do tio Sam por se achar o umbigo do mundo. Só de Sorkin falar isso para os norte-americanos já dá para saber o que a série propõe.

E uma das melhores coisas que a série questiona é a imparcialidade ou pseudo-imparcialidade das emissoras, das revistas e dos jornalistas (se é que existe imparcialidade total). É fácil para alguém dizer que Veja é uma revista de direita, Carta Capital de esquerda e a Globo e a Band serem corinthianas, mas elas nunca diriam isso, óbvio. Precisam do maior número de audiência possível, e para isso a imparcialidade é um prato cheio. E é aí que The Newsroom entra. A série atira para todos os lados e crítica os âncoras (incluindo McAvoy no início) por não tomarem partido dos fatos que ocorrem no país e sem dizer algo para a população (algo visto claramente no programa do âncora William Boner).

Portanto, mesmo que tenha recebido críticas negativas (algo raro para a emissora), The Newsroom é mais uma série de qualidade HBO: excelente roteiro, direção e elenco. E não ache que por ser uma série sobre política o ritmo seja lento e o assunto desinteressante, pois ocorre exatamente o contrário. Já no segundo episódio é possível ficar viciado no programa e querer mais e mais, e isso é algo que somente a HBO consegue fazer já nos primeiros episódios numa grande escala de séries. Vale a pena conferir.


28 de julho de 2012

A EVOLUÇÃO E "JOGOS VORAZES"



Creio que assim como muitos de vocês eu apenas descobri que existia Jogos Vorazes quando o filme foi anunciado. Realmente, faz muito tempo que não vejo as novidades da literatura infanto-juvenil e a razão é simples: ou os livros tentam copiar a ideia de seres mitológicos e mágicos, que ganharam força desde o lançamento de Harry Potter, ou acaba sendo uma história muito fraca para os jovens (dale Crepúsculo, Eragon, Percy Jackson e assim vai). E então descubro a existência de Hunger Games. Creio que, do mesmo modo que Harry Potter tem um significado para a literatura da década de 90/00, Jogos Vorazes será um dos livros juvenis mais importantes da década 00/10.

A história muitos de vocês conhecem por causa do filme (que por sinal eu não assisti e ainda não chegou às locadoras. Desespero? Claro que sim!) e se não conhecem é melhor ficar sem conhecer. Sério, falar qualquer detalhe sobre o livro é estragar todo o prazer que ele contém. Mas de modo bem superficial e sucinto para vocês terem uma noção sobre o que se trata: a história é sobre jovens que são servidos como tributos para se matarem nos famosos Jogos Vorazes. Ponto. É isso que vocês precisam saber.

Quando digo que Jogos Vorazes é tão importante para a literatura quanto Harry Potter há uma explicação: do mesmo modo que a saga de J.K Rowling ressuscitou os mundos mágicos que já tinham sido propostos em As crônicas de Nárnia e O Senhor dos Anéis, Jogos Vorazes é uma evolução na literatura infanto-juvenil. Faz quanto tempo que não vemos um livro tão forte com crianças e jovens tendo que se gladiar para sobreviver?  Faz quanto tempo que um livro juvenil não discute sobre política e rebelião? E mesmo tendo romance, este faz parte do jogo e da complexidade do mundo criado por Suzanne Collins e o que se passa no contexto histórico do livro e de seus personagens.

"Então é um livro para adultos"? Não! Sabe porquê? Porque a verdade é que os livros infanto-juvenis ficaram "infanto" demais. Não que isso seja ruim, mas, em determinado momento, a literatura precisa amadurecer ou mudar! E isso não acontecia desde a saga do menino bruxo. Jogos Vorazes é exatamente isso: o amadurecimento da literatura infanto-juvenil dos dias atuais. Se em Harry Potter e as Relíquias da Morte a escritora J.K Rowling escreveu um último livro mais forte para as pessoas que cresceram lendo sua obra e que hoje estão mais maduras (fazendo com que o livro fosse escrito do modo que foi), Suzanne Collins escreveu um livro para crianças, jovens e adultos que gostam de um livro mais, vamos dizer assim, "sério", mas que não deixa de ser voltado para o público jovem.

Assim, Jogos Vorazes é um livro que tanto crianças, jovens e adultos podem se interessar. Como eu disse antes, é um livro que envolve política, matança, romance e muita ação. Ainda não li os outros dois livros da trilogia, mas o primeiro livro por si só já é uma grande mudança no cenário literário atual.

25 de julho de 2012

FALANDO UM POUCO SOBRE SOMBRAS DA NOITE


Tim Burton está se tornando um diretor realmente detestável, mesmo sendo uma figura cult. Ok, não nego que a fotografia de seus filmes e seu estilo de criação sejam impecáveis, porém, nem mesmo seus mais fiéis seguidores aguentam mais a falta de vontade do diretor, os  roteiros fracos de seus filmes e sua direção porca (salva muitas vezes pela fotografia e pelos atores). Onde está o diretor de Edward: Mãos de Tesoura? Os Fantasmas se Divertem? Peixe Grande? Pois é. Burton perdeu muitos fãs em Alice (o pior filme de sua carreira) e o próprio Sombras da Noite não ajudou muito para que sua situação melhorasse.

Mas de tanto falarem mal de Dark Shadows, nem achei o filme tão ruim assim. Claro, o filme não tem ritmo, os personagens uma hora são essenciais e em outra parecem desnecessários para a trama e nos últimos 20 minutos do filme o roteiro simplesmente vira de cabeça para baixo, principalmente com os personagens das crianças. E para piorar a situação, nem mesmo os atores conseguem desempenhar bem os seus papéis. Então por que achei o filme mediano? Ainda não sei, bem provável por já saber que ele seria fraco e que Burton me desapontaria mais uma vez.

É um filme fraco, ponto final. Mesmo que tenha raros momentos engraçados e um pouco de desejo de "quero mais", o novo filme de Tim Burton fica apenas no desejo. Espero que com seu novo filme, Frankenweenie, Burton possa voltar para suas origens e tentar se achar como diretor, pois se é para ser um diretor vendido e que faz filme porco, como sua versão de Alice que serve apenas para ganhar dinheiro para o estúdio, por favor: que ele se aposente (assim como Michael Bay já deveria ter feito há muito tempo. Mas isso é outra história).