11 de fevereiro de 2012

MILLENNIUM - OS HOMENS QUE NÃO AMAVAM AS MULHERES

Millennium é um prato cheio para o diretor David Fincher


Acho que foi no ano passado que tudo começou. Os amigos dos meus pais não paravam de comentar sobre a instigante trilogia Millennium e eu fiquei com o queixo caído, pois é muito estranho ver seus tios, acostumados com filmes blockbuster, discutindo sobre um filme sueco! Mas, por incrível que pareça, não tive a mínima vontade de ver o filme. Foi só no mês passado que decidi alugar o filme e serei sincero: a versão sueca não possui ritmo nenhum! É maçante demais! E quando soube do remake americano já fiquei com o pé bem atrás. Mas o diretor da vez é ninguém menos que David Fincher (A Rede Social, Clube da Luta), que conseguiu melhorar o ritmo do filme em sua versão de Millennium - Os Homens que não amavam as mulheres e ainda dar um toque seu à obra.



A história é sobre o desaparecimento de uma menina na década de 1960. Seu tio, Henrik Vanger, acredita em seu assassinato, porém, não consegue descansar até saber a verdade. Para desvendar esse mistério pessoal, Vanger contrata Mikael -- editor da revista "Millennium" acusado de calúnia e difamação -- em troca de informações que podem livrar a barra do editor. Do outro lado temos Lisbeth, uma investigadora particular que no futuro se juntará à Mikael para achar o paradeiro da menina desaparecida.



Nem se compara o ritmo entre as duas versões. Só pela abertura fantástica já sabemos que Fincher fez a sua versão da história de Millennium e não um simples remake que qualquer diretor barato consegue fazer. Infelizmente os primeiros minutos do filme continuam maçantes, mas o diretor conseguiu suavizar ao máximo. Além disso, Fincher dá um show com os ângulos, com a fotografia e com a trilha sonora. Todos estão impecáveis. Aliás, é possível falar que essa versão do filme não seria exatamente um remake convencional, pois todos os remakes convencionais são piores que os filmes originais. No caso de Millennium é exatamente o contrário.



E se a Lisbeth sueca já era muito bem interpretada por Noomi Rapace (que na minha modesta opinião É o filme sueco), a atriz norte-americana também não fica atrás. Indicada ao Oscar de Melhor Atriz, Rooney Mara faz uma Lisbeth ácida, forte e ainda mais "freak". E não adianta: mesmo que Daniel Craig esteja bem em cena e deixe o papel de Mikael mais interessante nesse remake, Lisbeth continua sendo a alma da história.



Não é um filme fácil de engolir. Além da falta de ritmo da própria história, os assuntos tratados são bem impactantes, como, por exemplo, estupro (tanto para homem quanto para mulher), liberdade sexual, mutilação, entre outros. É um filme bem dark, bem no estilo que David Fincher está acostumado desde Clube da Luta. É uma história forte e impactante com uma protagonista liberal que não liga para a opinião da sociedade. E com o axúlio que o diretor deu para ajudar a melhorar a história, Millennium - Os Homens que não Amavam as mulheres é o filme mais pesado do Oscar desse ano e um dos poucos que merecidamente deveria estar concorrendo ao Oscar de Melhor Filme.

5 comentários:

Maiara Tissi disse...

Fe, realmente seria um dos poucos merecidamentes indicados, mas pode surtar porque Millennium não está na categoria Melhor Filme. Chega a ser revoltante ver certos filmes no lugar deste que é tão incrível e marcante!

Felipe Guimarães disse...

Ma, obrigado por ter falado! Eu vi outro dia e vi que tava! Devo ter me confundido. Esse Oscar viu!? Tá muito xoxo!! Tá horrível!

Luciano Carneiro disse...

Toda a tramoia do crime sendo resolvido nao passa de um grande pano de fundo pro que realmente importa - a personagem da Rooney Mara (que esta fantastica!). Muito intrigante mesmo, cheia de nuances, uma mulher cansada de viver num mundo em que todos os homens parecem odiar as mulheres e, para sobreviver, tem que 'deixar' de lado sua feminilidade. Pelo menos, essa foi a interpretacao que eu tive, dentre tantas outras possiveis nesse filme super polemico. abs.

Caio McFearless disse...

Pois é, também acho bem esquisito The Girl with the Dragon Tattoo ter ficado de fora em outras categorias do Oscar, como melhor filme, melhor diretor e melhor roteiro adaptado. Mas por outro lado, a indicação de Rooney Mara foi uma agradável surpresa. Na minha opinião, parecia ser a indicação mais difícil de acontecer entre as possibilidades (já apontadas pelas premiações dos sindicatos).

Mas anyways, eu particulamente nem vejo o filme do Fincher como um remake do sueco, mas sim como mais uma adaptação do romance de Stieg Larsson. E se for para falar de roteiro adaptado, o que foi feito para a versão do Fincher tem mais personalidade e mais profundidade, bem ao contrário do sueco, que mais aparenta ser um resmumão do livro.

O filme sueco é bem interessante, sendo a atuação da Noomi Rapace como seu ponto alto. Gostei bastante da fotografia e dos planos também, mas ainda acho que lhe faltou personalidade e na adaptação.

David Fincher é um senhor contador de histórias. A marca autoral dele é fortíssima. Ver a história de Stieg Larsson nesses moldes que definem o estilo do Fincher foi superlegal.

Resumindo, o filme do Fincher me agradou bem mais que o sueco (que também não é de se jogar fora, na boa).

Abraços!

Caio McFearless disse...

Esqueci de dizer (bem típico, yeah!) que a Lisbeth Salander é uma personagem maravilhosa e que, infelizmente, no formato do audiovisual, fica difícil de abordá-la com a mesma profundidade que a palavra escrita pode fornece lá no romance - aparentemente, o roteiro de ambos os filmes tentaram, na medida do possível, levar consigo pelo menos boa parte dessas informações que funcionaram tão bem no livro e encontraram dificuldade de participarem do perfil da Lisbeth dos filmes.