10 de março de 2012

KONY 2012: UMA CONQUISTA MUNDIAL

Mas agora ele é famoso


Muitas pessoas viram nesses últimos dias que a Uganda e o evento Kony 2012 bombaram nas redes sociais, mas poucos sabem realmente sobre o que o assunto se trata e isso não é à toa. Poucas mídias repercutiram o fato, tanto que só recentemente a Rede Globo decidiu divulgá-la e alguns jornais nem ao menos fizeram isso. Então vou explicar um pouco para vocês o que é tudo isso de forma rápida e prática.


Josephy Kony é um rebelde da Uganda, líder do Lord's Resistance Army, que sequestra crianças (usa os meninos para formar um exército e as meninas para serem escravas sexuais), e mutilam amigos e familiares dessas crianças há mais de 20 anos. Kony é o criminoso número 1 da lista de criminosos de guerra mais procurados do mundo. Eis que então, a ONG norte-americana Invisible Children, que trabalha muitos anos contra o líder e sobre a divulgação de seus atos, lançou este vídeo (clique aqui para ver o vídeo completo e legendado) com o seguinte objetivo: tornar Kony famoso.


Eis o motivo do vídeo fazer tanta repercussão nas redes sociais. A tese é a seguinte: ninguém liga para Kony já que ele não é famoso. Então, vamos torná-lo famoso. Para isso, as pessoas estão chamando a atenção das celebridades, que começaram a informar seus seguidores sobre Kony e o projeto da ONG e foi assim que surgiu esse boom sobre o assunto (e no dia 20 de Abril de 2012, várias cidades do mundo vão se manifestar para toda a mídia repercutir o assunto). Eis a sensação de tudo isso: a ONG conseguiu chamar a atenção do público, que quer chamar a atenção da mídia e, vamos dizer assim, "manipular" a divulgação do líder rebelde para pressionar as autoridades mundiais. Uma ideia sincera e genial.


Claro, existem críticas ao projeto. Eu, por exemplo, defendo a ideia de que os EUA não podem intervir sozinhos se houver uma intervenção em Uganda. A guerra do Afeganistão e do Iraque futuramente não vão resultar em nada. Embora Saddam e Bin Laden tenham sido sentenciados, após a saída do exército norte-americano, os terroristas vão tomar o poder (tradução: mais uma guerra que não resolveu muita coisa para a população, apenas para o interesse norte-americano). Creio que, se é para intervir, que seja uma decisão mundial, com um exército formado por vários países (algo como a OTAN faz hoje). Uganda passou de um assunto norte-americano para um assunto global.


O segundo fato e o mais importante é a situação das crianças da Uganda assim que Kony for capturado. As crianças precisam de uma nova educação, tratamentos para amenizar tudo o que ocorreu e oportunidades para crescer (frase clichê, mas que funciona muito bem no momento), como trabalho, comida, educação decente, saneamento básico etc. Além disso, os seguidores de Kony devem ser capturados e seus aliados serem presos e julgados (não adianta fazer tudo isso se há a possibilidade de existir um novo Kony ). Só assim que realmente acontecerá uma revolução e uma mudança na Uganda.


A causa é muito legal e inovadora. Em São Paulo, haverá no dia 20 de Abril (o que é pedido pelo vídeo) uma manifestação na frente do MASP (onde mais seria? Mais informações sobre o evento clique aqui). Acho bacana participar. Eu mesmo estou pensando em ir. Não é uma luta apenas pela África, é uma luta e conquista da própria população global: todos estão se manifestando para que os governos locais se posicionem sobre o assunto. Não há fato mais legal do que o povo controlando os líderes mundiais pela primeira e tomando suas próprias decisões pelo bem global numa região.

2 comentários:

Stéfani Miranda disse...

temos que ajudar né

Stéfani Miranda disse...

Adoreeei , vou vim mais vezes