4 de setembro de 2012

CHARLES MÖELLER E CLAUDIO BOTELHO INSPIRAM



Todo mundo que lida com criação enfrenta um problema complexo, instigante e em determinados momentos desanimador: o bloqueio. Porém, após essa barreira, normalmente nós conseguimos desenvolver os maiores projetos e aspirações de nossas profissões (Felinni é um exemplo perfeito com sua obra 8 1/2). Nos muitos momentos em que sofro de bloqueio fico desanimado, perdido, sem saber o que fazer. Mas o trabalho de um grande artista é o suficiente para me colocar de volta nos eixos. Foi assim com Bastardos Inglórios (Tarantino) em 2010, Cisne Negro (Aronofsky) em 2011 e Hair no início desse ano. Contudo, existem dois grandes artistas brasileiros que conseguem fazer com que uma simples entrevista ou vídeo de divulgação de um novo espetáculo me tire de um bloqueio severo: essas pessoas são Charles Moeller e Claudio Botelho.

Existem "N" motivos para explicar porque esses dois artistas são importantes para mim, mas é inútil descrever. Cada ser humano possui sua própria referência, seja ela profissional, artística ou pessoal, e, portanto, é única a experiência vivida por cada um de nós. É o básico "eu gosto, mas outra pessoa pode não gostar". Contudo, existem fatos práticos para mostrar como eles podem inspirar qualquer pessoa. Primeiro: eles são considerados os melhores no que fazem. Segundo: eles investiram numa profissão que na época estava esquecida no Brasil e acreditaram nela mesmo em momentos difíceis. Hoje fazem sucesso com o trabalho que desejaram exercer em suas vidas. Não existe sentimento mais prazeroso do que poder fazer o que você gosta e melhor ainda: com tudo dando certo. 

Mas cada um é importante por me inspirar particularmente. Quando Charles Moeller começa a falar pela primeira vez sobre um novo projeto é um momento único. Quem lida com criação vê em Moeller não apenas uma estrutura profissional, mas uma filosofia de vida e trabalho mais do que brilhante. Pensar do modo que ele pensa para cada espetáculo, na ideia de "ter que morrer para renascer", como a fênix que nasce das cinzas, e assim conseguir entender toda a complexidade de uma nova história e se desligar do trabalho anterior é arrebatador. É uma emoção impossível de descrever e uma capacidade de versatilidade única.   

E Claudio Botelho então é um mestre com algo que eu lido diariamente aqui: palavras. E não é somente na precisão de cada palavra escolhida para sua versão de um musical. É em seu humor ácido, seja em entrevistas ou em seus textos, na suavidade de como cada palavra é dita e às vezes na inocência (e na falta da mesma) ao falar sobre algo que me identifico com esse gênio. Sempre quando vejo uma entrevista, parece que Botelho se apresenta como um livro aberto, como se "não tivesse nada para esconder". 

Existe inspiração mais prazerosa do que o dom da palavra e do visual? Como descrever uma filosofia não apenas de vida, mas também uma estrutura profissional? Não é à toa que esses dois nomes são importantes não apenas para mim, mas para muitas pessoas que admiram o teatro musical, o trabalho dessa dupla e para o próprio mercado da comunicação e da arte. E pode ter certeza: para as pessoas que lidam diariamente com a área de Criação, os "Reis dos musicais" são um prato cheio para pensar no passado, no presente e principalmente no futuro da arte no Brasil.

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