11 de julho de 2013

UNIVERSIDADE MONSTROS: Pixar volta a fazer filmes de qualidade


"É um filme da Pixar". Antigamente, falar sobre filmes da Pixar e qualidade era praticamente falar sobre a mesma coisa. Porém, com o passar dos anos, a Pixar deu seus primeiros tropeços. Embora não tenha sido um filme realizado pela empresa, o diretor Andrew Stanton  - responsável por diversas animações como Toy Story, Vida de Inseto, Procurando Nemo e Wall-e - derrapou feio ao fazer John Carter: Entre Dois Mundos, que alguns consideram o primeiro filme live-action da Pixar. Tivemos também Carros 2 (pra mim, o primeiro Carros já tinha sido o primeiro tropeço da Pixar), um fracasso de crítica e que não trouxe satisfação para o público. Mas agora parece que a Pixar está voltando a ser o que era. Com Universidade Monstros, a empresa retorna aos cinemas com um filme de qualidade.

A história acontece antes da que foi apresentada no primeiro filme. Mike Wazowski é um jovem monstro que sonha em fazer parte da Universidade Monstros e tornar-se em um dos grandes nomes do Susto e, para isso, estuda e se esforça para conseguir atingir suas metas. James P. Sullivan ("Sully") é de uma família reconhecida pela sociedade dos monstros e usa seu talento para chamar a atenção de todos. A história do filme contará como os dois amigos se conheceram e como chegaram à Monstros S.A.

Algo que foi bastante comentado por todos foi o fato de Monstros S.A ter sido um dos poucos filmes da Pixar que não deu brecha para uma possível continuação, fechando "bonitinho", com chave-de-ouro e com um roteiro "redondinho", sem precisar de uma possível sequência. Mesmo assim, a Pixar conseguiu fazer com que Universidade Monstros fosse tão bom quanto o original. Fazer uma continuação, mesmo sendo um prelúdio, torceu o nariz do público e da crítica, mas deu certo.

A animação consegue se apropriar de diversos assuntos que já foram repetidos em diversas obras - que estão mais do que desgastados - e ainda dar credibilidade para o que vemos de forma bastante natural. O bullying, por exemplo, não é mostrado da forma: "Oh Meu Deus! Sofremos bullying". Ao contrário de diversos filmes que mostram essa perspectiva, Universidade Monstros mostra exatamente como enfrentar o bullying de uma das formas mais simples: acreditando em você mesmo, tendo paciência e fé e mais do que tudo: se esforçar. Claro, para algumas situações é até clichê pensar dessa forma, mas do modo que o bullying é mostrado no filme - e que acontece com diversos jovens ao redor do mundo - se esforçar e acreditar em você pode ser uma das melhores soluções.

O bullying, embora seja um dos temas que gira ao redor do filme, é apenas a ponta do iceberg. Amizade, conflitos, descobertas, fracassos, sucessos, empenhar-se para conseguir as coisas, buscar o que sonha, são tantas as lições que Universidade Monstros proporciona que é impossível listar. Além disso, o novo filme da Pixar se apropria de um dos recursos utilizados pela empresa em Toy Story 3: fazer ligações com os filmes anteriores. Se em Toy Story 3 eles fizeram essa ligação para encerrar a trilogia, em Universidade Monstros ela é usada para enriquecer o filme de diversas maneiras - do riso ao drama-, fazendo assim um roteiro riquíssimo para quem assistiu ao filme anterior e é capaz de fazer as associações.

Espero que, com Universidade Monstros, a Pixar possa voltar a ser o que era. Em um futuro próximo, no ano que vem ou no próximo, haverá uma das sequências mais esperadas e temidas pelo público: Procurando Dory. Assim como Monstros S.A, Procurando Nemo foi um filme que fechou de modo que uma possível continuação fosse impensável, mesmo que desejada. O medo agora é menor. Universidade Monstros não apenas faz a associação de Pixar e qualidade voltar como também indica um cuidado maior da empresa com as suas produções. Resta agora esperarmos o próximo longa-metragem.