9 de novembro de 2014

A CULPA É DAS ESTRELAS: Filme emociona mesmo com clichês



Quantos filmes que retratam o câncer existem na história do cinema? Milhares provavelmente. Quantos desses filmes falam sobre adolescentes? Alguns. Um amor para recordar, um "clássico" juvenil do início dos anos 2000 foi um dos maiores sucessos sobre o tema, trazendo à tona não apenas o nome de Nicholas Spark para o cinema, como também o nome de Mandy Moore (para alguns já uma desconhecida). Além do filme baseado na obra de Spark, Uma prova de amor foi um filme que mostrou ambos os lados, o maternal e o juvenil, e é um dos melhores filmes de drama da carreira de Cameron Diaz. Porém (podem me matar se quiserem), acredito que A Culpa é das Estrelas foi um filme que não apenas encontrou seu lugar nesse universo, como também seu espaço na geração atual (calma. Leia tudo que você vai entender).

A história é narrada e vivida por uma jovem norte-americana chamada Hazel Grace. Com câncer ainda jovem, o câncer de Hazel faz parte de seu dia-a-dia: precisa carregar uma máquina de oxigênio, vai a reuniões de grupo de apoio, realiza exames nos hospitais e assim vai. Querendo ou não, Hazel lida com a doença como fato do seu cotidiano, entediada, sem vontade nenhuma de viver. Em uma das reuniões do grupo de apoio, Hazel encontra um menino charmoso chamado Augustus Waters. Ambos começam uma amizade que os leva por diversos caminhos, como uma viagem à Europa, amor por livros e claro: mais câncer.

Claro, A culpa é das estrelas possui diversos clichês, desde a concepção da obra em si até alguns fatos que não foram retirados/modificados do livro original, o qual eu também li. A cena em que eles visitam o esconderijo de Anne Frank, por exemplo, é a maior prova disso. O aplauso que ocorre no lugar é desnecessário e apelativo. A cena do garçom, aliás, creio que tenha o diálogo mais apelativo de todos. E também há a questão que muitos levam em conta: a história da menina entediada, sem ter vontade de fazer nada até surgir o homem "perfeito" que vira sua vida do avesso. Porém, alguns clichês até que se encaixam com naturalidade impar em alguns diálogos do filme, como é o caso da última cena na igreja (o diálogo dos infinitos). Isso ocorre apenas pela química e pela força entre os dois atores, Shailene Woodley (como Hazel) e Ansel Elgort (como Augustus), que carregam todas as atuações necessárias do filme nas costas. Afinal, querendo ou não, são os protagonistas da obra.

Outro fator que me faz defender A culpa é das estrelas é sua trilha sonora. Não havia uma trilha sonora indie tão bem encaixada no cinema desde o excelente feel good movie (500) Dias com ela, pra mim uma das melhores trilhas pensadas para um longa-metragem. São trilhas que não necessariamente são impecáveis e todas as músicas são excelentes, mas que possuem uma ligação muito forte entre elas e se encaixam perfeitamente no filme. Não são músicas soltas para serem usadas apenas como fundo ou para concorrer ao Oscar no ano que vem. Elas ajudam a criar o clima indie que o filme pretende ter para inclusive possuir uma pegada mais jovem.

Além da trilha, o próprio visual do filme lembra um pouco (500) Dias com ela. Lembra dos momentos em que aparece as imagens de mudança de dias no filme com o Joseph Gordon-Levitt? Quando assisti A Culpa é das estrelas eu lembrei na hora de (500) quando Augustus troca mensagens com Hazel. Há quem não goste do modo como as mensagens foram transpostas para a tela e respeito quem não tenha gostado. Porém, acho que é uma ideia adequada para a obra em si e para o público o qual a história é dirigida. Querendo ou não, muita clichê presente em A Culpa é das Estrelas faz sentido.

Para aqueles que adoram o blog e sabem que nunca chorei num filme, saibam: chorei com A Culpa é das Estrelas. Não sei se foi pelo fato de estar passando por um momento específico da minha vida ou se foi por causa do filme em si, mas creio que foi por causa da segunda opção. Além disso, não é um filme apenas para chorar. O que eu ri quando fui assistir ao filme no cinema (e em casa)! Rachei o bico em diversos momentos. E creio que um bom filme é feito assim. É um feel good movie? Não sei. Particularmente eu o colocaria nessa classificação, mas não sei muitos de vocês. O que achei no final das contas é que A Culpa é das Estrelas é um filme sincero sobre como é a vida com câncer, tem uma boa história de amor e além de tudo faz você rir e se sentir vivo. Melhor que isso atualmente não existe.

(PS: não assistam a versão estendida. O filme apenas fica longo e não agrega em nada #ficaadica).

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