26 de dezembro de 2014

RELÍQUIAS DA NETFLIX #1: "O mundo é dos jovens"


Como muitos sabem, os serviços da Netflix chegaram ao Brasil com um pequeno número de filmes e séries e muitos eram antigos. Hoje, o serviço está muito mais avançado e se aprimorando, principalmente no que se diz respeito ao lançamento de séries e de suas temporadas (How I Met Your Mother está praticamente inteira lá). Ainda há uma quantidade de filmes e de séries antigas muito grande e não digo isso como crítica, muito pelo contrário: muitas séries que eu achava que nunca mais veria na minha vida (inclusive com a dublagem original) estão disponíveis pelo serviço. Assim, decidi começar um novo bloco no blog chamado Relíqiuias da Netflix, que é exatamente para falar desses pequenos tesouros escondidos e que poucos (ou ninguém) conhece ou já ouviu falar. O primeiro deles é o seriado O Mundo é dos Jovens.

O Mundo é dos Jovens (no original, Boy Meets World) é uma série que foi transmitida no Brasil pelo Disney Channel entre a década de 1990 e o início dos anos 2000. A série gira em torno do jovem Cory Matthews - um jovem de onze anos - e das pessoas que vivem ao seu redor, como amigos, família, professores, entre outros. Na série, Cory aprende diversos elementos do mundo e do cotidiano, passando pelas coisas mais simples da vida até os momentos mais difíceis.

Embora o final da sinopse faça parecer que a série seja um drama, O Mundo é dos Jovens é uma comédia familiar de uma qualidade ímpar (ainda mais com as séries fracas que estão hoje por aí). E, mesmo sendo Disney e família, há diversos assuntos "adultos" ao longo das temporadas, como sexo, por exemplo, e que estão presentes mesmo sendo de forma subliminar (pelo que eu me lembre e do que vi até agora nas primeiras temporadas). Como eu disse antes, é uma sitcom simples que conta a vida desse garoto e das pessoas ao seu redor, tendo diversos assuntos abordados ao longo de 7 temporadas. É deliciosa e extremamente divertida (principalmente para assistir acompanhado por crianças).

O Mundo é dos Jovens fez parte da excelente coletânea de séries de sucesso dos anos 1990 que eram transmitidas pelo Disney Channel (e que já comentei anteriormente no blog aqui). Séries como Amor Fraternal, Gente pra Frente (que teve um sucesso semelhante ao de O Mundo é dos Jovens e época do ápice do comediante Tim Allen), Lizzie McGuire (com a Hilary Duff, para vocês terem uma ideia de como já estou ficando velho), Mano a Mana (com Shia Labeouf, que ninguém imaginava que ia se tornar no que ele é hoje), Gênio do Barulho, As visões da Raven (que ainda passa no SBT), entre outros. Era uma época em que se discutia as descobertas do mundo jovem, da linha tênue entre ser uma criança e um adulto, de forma respeitável, profunda e muito mais séria (e divertida) do que vemos hoje em dia. Sinto muita falta de séries que abordam esse período da vida entre ser criança e adolescente, pois hoje parece tudo mais superficial (não sei se vocês sentem a mesma coisa).

Hoje, O Mundo é dos Jovens possui uma continuação que é exibida no Disney Channel como A Garota Conhece o Mundo (péssima tradução. Parece que ninguém devia conhecer a série original). A história agora é centrada na filha de Cory e Topanga, Riley Matthews (uma decisão interessante de mostrar a adolescência por um lado mais feminino que a série original). A nova série já tem uma segunda temporada garantida e possui os mesmos atores e criadores da primeira versão (ainda preciso assistir para saber se a qualidade continua a mesma). E se você não conhece nenhuma das duas versões, está na hora de conhecer. Vamos torcer para que a Netflix libere as próximas temporadas em breve, pois será uma pena se apenas as duas primeiras temporadas estiverem disponíveis.  

25 de dezembro de 2014

O HOBBIT - A BATALHA DOS CINCO EXÉRCITOS: Nem parece o mesmo diretor de "O Senhor dos Anéis"


Peter Jackson foi um gênio no início dos anos 2000. Depois de alguns trabalhos da década de 1990, alguns que inclusive possuíam temas de comédia e trash, o diretor e sua equipe tiveram a coragem de transpor para as telas do cinema a obra mais aclamada e famosa de J.R.R Tolkien: a trilogia O Senhor dos Anéis, que já tinha dado errado em uma animação em 1978, com uma produção pobre, corrida e com um roteiro completamente quebrado (o final é a maior prova). O resultado de Jackson, porém, foi o contrário da animação: foi uma das melhores adaptações cinematográficas para o cinema e uma das melhores franquias que já existiram, criando uma nova legião de fãs. Até hoje eu pego O Senhor dos Anéis para assistir e é impressionante como os efeitos especiais superam até filmes criados nos dias de hoje. Assim, com o sucesso da trilogia, Jackson e sua equipe decidiram trazer, anos depois, outra obra de Tolkien para os cinemas, O Hobbit. E foi aí que tudo deu errado.


Antes de mais nada, como não fiz nenhuma crítica sobre nenhum dos outros filmes, farei uma breve de cada um e em apenas um parágrafo. O Hobbit: Uma Jornada Inesperada foi o que eu menos gostei da nova trilogia. Para o início da história, não havia nada de demais para ter a duração que teve, porém, foi o único filme em que o hobbit (Bilbo Bolseiro) teve um foco maior e realmente foi o personagem principal (além de contarem como ele encontrou o Um Anel). Tirando isso, o filme não tem nenhum conteúdo relevante, algo que foi guardado para o segundo e o terceiro filme. O segundo, O Hobbit: A Desolação de Smaug, por outro lado, foi o que mais gostei. Foi um filme mais rápido, com um bom clímax e que contém a aparição do grande inimigo de Bilbo e os anões: o dragão Smaug (na voz do incrível Benedict Cumberbatch), que é incrível e rouba a cena por completo. Com essa trama, A Desolação de Smaug acabou demonstrando ser um filme-chave muito maior do que o primeiro e que serviria de gancho para o último filme.


Agora, O Hobbit: A batalha dos cinco exércitos fica exatamente no meio entre os dois primeiros filmes, sendo melhor que Uma Jornada Inesperada e pior que A Desolação de Smaug. Em A batalha dos cinco exércitos, Bilbo deixa de ser o personagem principal para o foco ser nos anões (que já começaram a roubar sua cena no segundo filme) e da guerra contra os povos que querem conquistar a montanha (que já tinha sido roubada por Smaug dos anões). E, assistindo ao filme, me senti do mesmo modo quando li o último livro da Saga Crepúsculo, o Amanhecer: quando o subtítulo do filme é A batalha dos cinco exércitos você imagina a maior batalha desde As Duas Torres de O Senhor dos Anéis, ou pelo menos algo semelhante. Mas não. Foi uma batalha bem fraca e que, realmente, não é relevante nem pra história do O Hobbit e nem para a do Senhor dos Anéis (dá uma conferida depois no vídeo do pessoal do Omelete. É exatamente o que achei).

Foi criada uma expectativa que simplesmente não foi atingida. Se o subtítulo fosse diferente, como Lá e de volta outra vez, título inclusive do livro de Bilbo (em que ele conta sua jornada), a expectativa que as pessoas teriam do filme poderia ser outra e mais semelhante com a que foi criada no primeiro filme: uma aventura menor do que a de O Senhor dos Anéis, mas uma jornada divertida principalmente para as crianças e jovens, foco principal do livro. Mas não é o caso e muitas pessoas acabaram se decepcionando muito com o filme (dê uma pesquisada nas críticas do longa em pelo menos três ou quatro sites que vocês vão entender o que estou dizendo: o sentimento de decepção é o mesmo).

Infelizmente, creio que não há outra pessoa a quem culpar: seu nome é Peter Jackson. Desde a produção do O Hobbit, era visível que Jackson não estava tão animado com o projeto, pois já tinha contado o que queria em O Senhor dos Anéis. Além disso, a direção de O Hobbit estava nas mãos de Guilherme Del Toro, que deu pra trás com a ideia e Jackson teve que assumir. É importante ressaltar também o problema da divisão do filme, anunciado primeiramente que seria dividido em dois e depois passou para três (para o estúdio ganhar mais dinheiro, claro, mas que fez com que a trilogia se estendesse sem necessidade). Outro fato é que não há muita inovação. Parece que estamos assistindo ao Senhor dos Anéis em diversos momentos, pois algumas tomadas são praticamente iguais (no primeiro filme a cena da caverna, ao final, é o melhor exemplo). E, para concluir, Jackson criou um projeto estrondoso para um livro pequeno. O pessoal do Omelete, no Omelete Tv com o veredicto do filme, falou a melhor frase de todas: "O que a batalha significa na história da trilogia do Anel?". A resposta é: "nada". Criou-se uma expectativa para uma batalha e para uma trilogia que é uma aventura muito menor do que a principal e "verdadeira" trilogia de Tolkien.

Os atores, porém, merecem crédito por seu trabalho. Entre os destaques, Martin Freeman caiu como uma luva no papel de Bilbo, sendo extremamente simpático e trazendo para o filme o sentimento de aventura que precisava (e que foi esquecido nas sequências). Ian McKellen repete o papel de Gandalf com maestria (em O Senhor dos Anéis: A sociedade do Anel, o ator foi indicado ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante), Richard Armitage carrega o lado obscuro do filme nas costas com excelência, e Lee Pace novamente, mesmo fazendo uma ponta pequena (mesmo que importante) encarna seu papel e faz um ótimo trabalho (nem parece o bom moço de Pushing Daisies).

Melhor do que Uma Jornada Inesperada e Pior que A Desolação de Smaug, O Hobbit - A batalha dos cinco exércitos acaba sendo uma decepção. Não como filme em si, porque acaba sendo um entretenimento ok (principalmente para pessoas que estão buscando pancadaria), mas acaba sendo irrelevante para a trilogia do Anel e, cheio de erros, acaba sendo uma mancha no curriculum de Peter Jackson, claramente megalomaníaco e perdido como diretor. Embora a tecnologia dos 48 fps tenha sido uma experiência interessante, ela foi deixada de lado em nosso território, praticamente esquecida e não foi divulgada como foi no alarde do primeiro filme. Espero que, das obras de Tolkien, Jackson não faça uma nova adaptação (pois já dizem por aí em adaptações de novas obras), porque, dessa vez, ele não conseguiu contar a história.    

24 de dezembro de 2014

MÚSICA DA SEMANAL (ESPECIAL DE NATAL) - Friend Like Me

Olá pessoal! Desculpa a ausência, mas eu estava em processos de entrevistas e dinâmicas para achar um estágio em marketing (em breve manterei vocês mais informados de tudo que aconteceu). Mas hoje eu não poderia deixar a data passar em branco. Não sei onde vocês vivem, mas o Natal está extremamente "obscuro" em São Paulo. Antigamente havia decorações de Natal espalhadas pela cidade e as pessoas mudavam e ficavam mais generosas e gentis. Agora nada disso acontece: a Av. Paulista está "pelada" e as pessoas se esqueceram do espírito de Natal. Então, para hoje, faço uma homenagem ao grande Robin Williams (que nos deixou  esse ano) e também deixo a mensagem de uma das coisas que mais valorizo: a amizade. Então, lembre-se dos amigos que você tem um extremo carinho e que também se preocupam com vocês, pois são estes que provavelmente você levará para a vida. Com vocês, Friend Like Me,  musical Aladdin.


 

12 de dezembro de 2014

PITTY E ANITTA: Como transformar uma discussão saudável em uma briga



Já faz quase uma semana que as pessoas estão falando sobre a discussão da Pitty e da Anitta no programa Altas Horas e já ouvi de tudo, desde os comentários relevantes até aqueles comentários os quais você apenas repugna o que a pessoa escreveu. Mas, o que mais me intriga é de como as pessoas querem transformar uma discussão tranquila em uma briga completamente desnecessária. Acredito que ambas as cantoras estão falando de visões diferentes do papel da mulher na sociedade e ambas estão certas.

O que a Pitty disse está mais do que correto. Não é por causa da atitude ou pela roupa que a mulher está utilizando que o homem tem o direito de "achar" que ela seja, pela ditado popular, uma "vagabunda", e que ele pode "pegá-la" e "usá-la" como se fosse um simples objeto sexual. Toda mulher tem o direito de se vestir e agir como quiser no seu cotidiano e o cara não tem o direito de achar nada. Se a mulher não lhe deu permissão de tocá-la ou não quiser ficar com ele, deixa de ser ignorante e, novamente, pelo ditado popular, pare de ser um imbecil. Além disso, sim, mulheres brasileiras não tem a mesma igualdade que os homens em diversos aspectos, como representação na sociedade, salários iguais, entre muitos outros, e ainda precisa ganhar essa igualdade (até hoje não entendo a razão pela qual essa igualdade ainda não existe, ainda mais em países desenvolvidos).

Porém, a Anitta também está corretíssima. Querendo ou não vivemos em uma sociedade (não estou dizendo machista) em que somos julgados por aquilo que somos, por aquilo que construímos e representamos. Então, caso uma mulher comece a dançar ou agir como, novamente, pelo ditado popular, uma "vagabunda", pegue cinquenta caras em uma noite e fique com um cara pelo dinheiro dele, ela acabará sendo taxada como tal, porque ela será julgada assim pela sociedade, tanto os homens quanto as mulheres. Sim, vivemos em uma sociedade machista e conservadora, mas mais conservadora do que machista. Explico: as pessoas gostam de culpar que brasileiro é machista. Mas, neste caso em particular, muitas mulheres acabam chamando a própria mulher de "vagabunda", piranha", entre outros tantos adjetivos, porque simplesmente não condiz com aquilo que a maioria das mulheres se vê representada, acreditam e defendem. Claro, os homens não são julgados da mesma forma que as mulheres (que são julgadas praticamente o tempo todo), mas sim, há também um julgamento do cara que quer pegar todas, já chega querendo apalpar a mulher e que quer ficar com uma mulher só porque ela é bonita e tem dinheiro. E não apenas os homens vão taxar esse cara de "galinha", como a maioria das mulheres próximas a ele provavelmente nunca "ficarão" com ele, pois sabe como ele é "galinha" e "interesseiro", pois foi aquilo que ele construiu e representa.

O pior é de que essa discussão, completamente saudável, de como deve ser o papel da mulher e de seu comportamento na sociedade, saiu dos trilhos e cada vez mais as pessoas colocam as artistas (Pitty e Anitta) e seus fãs um contra o outro. É algo completamente desnecessário. Claro que isso gera dinheiro, óbvio (e não achem que não gera, pois gera muito), mas a briga é tão desnecessária que quem acaba se prejudicando nisso tudo é a própria mulher. Uma pena.

8 de dezembro de 2014

MÚSICA DA SEMANA: CHILDREN WILL LISTEN

Into The Woods (que recebeu uma péssima tradução no Brasil, Caminhos da Floresta) será um dos primeiros filmes de 2015, com estreia marcada para 08 de Janeiro. Ainda tenho medo do que pode vir desse filme, mas acho é coisa boa, principalmente por parte do elenco, simplesmente incrível. Agora, resta saber o que a Disney e o Rob Marshall (diretor de Chicago e Nine) fizeram com o musical de Stephen Sondheim - um dos maiores gênios do teatro musical.

E, como Música da Semana, escolhi uma canção do filme chamada "Children Will Listen", pois é uma música que fala de algo que acredito: hoje, mais do que nunca, os pais não se importam tanto com a vida e a educação dos seus filhos, deixando tudo na mão de outras pessoas e de outras instituições, como a escola. Acabamos criando uma geração abandonada que aprende vendo e ouvindo o que os adultos fazem e dizem, sem ter alguém que possa ser um mentor em suas vidas. Confira a canção na voz de ninguém menos do que a grande Barbra Streisand.


6 de dezembro de 2014

O REI LEÃO - O MUSICAL: Se você ainda não viu é melhor correr


Em 2014, pelo que me recordo, vi apenas dois musicais em cartaz em SP: O Rei Leão e O Homem de La Mancha (o qual também farei uma postagem em breve). Ainda preciso ver Cazuza: Pro dia Nascer Feliz e infelizmente perdi Todos os Musicais de Chico Buarque em 90 minutos. Sei que muitos outros musicais foram lançados esse ano em São Paulo, mas estes foram os que mais chamaram a minha atenção. E é inegável: o espetáculo do Rei Leão é um marco em diversos sentidos e realmente foi um marco para a cidade de São Paulo, permanecendo quase dois anos em cartaz e sendo um dos maiores sucessos do teatro musical brasileiro dos últimos anos.

A história é a mesma que todos conhecem do clássico desenho da Disney. Todos os animais se reúnem na Pedra do Reino para presenciar o nascimento do herdeiro do trono, Simba. Anos depois, seu pai, Mufasa, passa para Simba tudo que ele precisa aprender para ser um bom rei. Enquanto isso, o irmão de Mufasa e tio de Simba, Scar, deseja o trono mais do que tudo. Após um trágico acidente, Simba foge e Scar assume o trono, destruindo o reino. Anos se passam e Simba precisa retornar para o reino e tomar seu lugar como herdeiro legítimo.

Com certeza O Rei Leão é o musical mais diferente da Broadway e da Disney para os palcos. Prova disso é o fato de muitos musicais da Disney serem, nada mais, nada menos, do que adaptações bem fiéis do que ocorre nos desenhos (o que pode explicar o péssimo espetáculo da A Pequena Sereia, que simplesmente não funciona nos palcos). Assim, tudo o que ocorre no desenho é apenas transportado para os palcos. Mas não O Rei Leão. Primeiro pela decisão dos figurinos, simplesmente incríveis e que faz o musical único na Broadway. Segundo pela decisão dos cenários, criados exatamente para interagir com os figurinos. Enfim, foi uma adaptação baseada em diversos elementos da cultura africana e uma excelente escolha da diretora, Julie Taymor, pois faz com que a montagem do espetáculo seja impecável e bastante orgânica, em que tudo se interage.

Porém, nem tudo são maravilhas e alguns números ficaram a desejar para a versão dos palcos. Por exemplo, "Se Prepare" (Be Prepared). O número é excelente até o momento dos dançarinos de hip-hop (vulgo, hienas dançando hip-hop), pois simplesmente não se encaixa na história e nem no número. Depois o próprio "Hakuna Matata", que ficou, ao meu ver, um número simplista até demais. Por outro lado, alguns números que foram acrescentados para a história dos palcos ganharam destaque e melhoraram a história em si, como é o caso de "Está em Mim" (They Live in You / He Lives in You), um número belo e emocionante de se ver. E, infelizmente, a versão brasileira, realizada por Gilberto Gil, ficou a desejar em diversos números, como "Hakuna Matata", "Jantar" e "Ciclo da vida", pois diversas partes da letra simplesmente não se encaixam na métrica. Houve, por outro lado, acerto no texto, como é o caso da Carmen Miranda e do momento em que Zazu está preso cantando. Mas a versificação das músicas ficou a desejar. 

As atuações do musical no Brasil estão muito boas. Tiago Barbosa convence muito bem e emociona como o Simba adulto, assim como os pequenos Simbas. César Mello, Claudio Galvan e Felipe Carvalhido estão muito bem em seus papéis de Mufasa, Zazu e Scar, respectivamente, principalmente Mello como Mufasa. Embora a personagem esteja apagada da história, a atriz Josi Lopes consegue achar seu espaço para o papel de Nala. Porém, a melhor surpresa da peça é a atriz Ntsepa Pitjeng que interpreta o babuíno Rafiki, que conquista o público logo no primeiro número. 

Se você ainda não conferiu o espetáculo, é melhor correr, pois em breve O Rei Leão deixará o palco do Teatro Renaut para que o musical "Mudança de Hábito" (o clássico filme de comédia com a Whoopi Goldberg) chegue em março de 2015. Então, aproveite a chance. Sim, o preço é extremamente salgado, mas vale cada centavo. É uma experiência única e com certeza você sairá do teatro satisfeito ao ter assistido a um excelente musical. É o que é: um marco, tanto para os musicais quanto para a Disney.

4 de dezembro de 2014

INTERESTELAR: Um dos trabalhos mais cuidadosos de Christopher Nolan


Fazia muito tempo em que eu não assistia a um filme de ficção-científica tão bom. Dito isso, preciso me defender. Nos últimos anos tivemos ótimos filmes de ficção-científica, como Além da Escuridão: Star Trek e Gravidade (na verdade os único que vêm à minha mente). Mas, o que faz de Interestelar, novo filme do diretor Christopher Nolan, ser tão bom? Não sei explicar, mas tem algo que consigo afirmar: é um filme que me levou de volta para um clima de ficção-científica que era explorado pelo cinema nos anos 1980 e 1990, trazendo a mesma sensação que tive ao assistir o excelente Contato (ótimo filme de Robert Zemeckis, estrelado pela excepcional Jodie Foster, em um de seus melhores trabalhos, e com a presença de ninguém menos do que Matthew McConaughey, protagonista de Interestelar).

Mas vamos falar de Interestelar (e já aviso que vou dizer pouca coisa sobre o que acontece para não perder a graça do filme). A história se passa após o século XXI, numa época em que é difícil de se dizer exatamente o que aconteceu com a humanidade. A única coisa da qual podemos ter certeza é de que uma praga está devastando as plantações da Terra e, como uma possível solução, exploradores estão procurando novas galáxias para achar um novo planeta para os humanos, viajando por meio de buraco de minhocas.


Uma das coisas que mais falavam sobre o filme de Nolan era de que é o "novo" 2001: Uma Odisseia no Espaço (clássico de Stanley Kubrick). Concordo e discordo. Sim, há muitas referências kubrickianas na obra de Nolan e algumas semelhanças na produção visual, mas o modo que cada um aborda cada tema, tanto em seu conteúdo como o modo que escolheram para representar o que queriam para as telas dos cinemas, são diferentes. Kubrick utiliza muito mais as imagens, usa poucos diálogos e explica (quase) nada para o público. Nolan é exatamente o contrário, mesmo que tenha usado o "silêncio" em diversos momentos. Mas há uma semelhança crucial em ambos os filmes: ambos falam de uma "odisseia no espaço", em que há uma jornada e uma trilha a ser seguida por nossos heróis (ou no caso de 2001, da própria humanidade).


No caso de Interestelar, toda a jornada está na vida do personagem vivido por Matthew McConaughey: tirar o personagem da zona de conforto (um homem de família que precisa deixar seus filhos na Terra para poder salvar suas vidas), colocá-lo diante de um mundo novo a ser explorado, pensar e decidir sobre as coisas "certas" que precisam ser tomadas e o desejo de voltar para casa. Isso tudo num clima de "aventura" e ficção-científica é o que faz do filme tão bom. O personagem de McConaughey, como ele mesmo diz, é um "explorador", então carrega um sentimento de querer conhecer mais sobre o mundo lá fora. E quantos filmes hoje tem essa mesma energia que víamos em filmes como Indiana Jones, Star Wars e, agora, com Interestelar? Quase nenhum. Hoje é mais explosão para todos os lados.

Quanto às atuações, é inegável: McConaughey rouba a cena completamente do filme. Aliás, desde Clube de Compras Dallas e O Lobo de Wall Street, o ator só fez boas escolhas e atuou com extrema competência em todos os trabalhos citados. Acho que uma indicação ao Oscar não acontecerá, mas caso aconteça, concordaria plenamente. Já com Anne Hathaway não posso dizer a mesma coisa. Gosto muito da atriz, mas ela está sendo ela mesma há muito tempo, o que, para a idade dela, é cedo de mais. Michael Caine, por exemplo, também está no automático, mas é um deleite vê-lo em cena, e com Hathaway o mesmo não acontece. Mas, de forma geral, Interestelar tem as melhores atuações de um filme de Nolan.

Dito isso, aproveite para ir ao cinema e conferir o filme. Creio que será um daquelas filmes que te fará pensar sobre ficção-científica, sobre a "verdade lá fora" e ainda será um entretenimento de qualidade. Claro, lembre-se que é um filme de Christopher Nolan: tudo é explicado, desde a ponta do dedinho do pé até o fio de cabelo do couro cabeludo. Porém, ainda assim, creio que é um filme ímpar no gênero, trazendo uma sensação que não se via há muito tempo.

PS: Muitas coisas ficaram de fora do post. Se vocês quiserem, no futuro faço uma nova postagem falando mais sobre o filme.


2 de dezembro de 2014

CANAL NOSTALGIA: Tudo que um nerd precisa saber e assistir



Hoje em dia vejo muitas pessoas falando que a "Era dos Vloggers" acabou. Acho completamente o contrário. Cada vez mais aparece na internet canais no Youtube que falam sobre os assuntos mais diversos (os quais abordarei futuramente no blog). O que realmente aconteceu é que as pessoas estão exigentes: querem rir, aprender, procuram boas produções para assistir e, querendou ou não, é difícil para muitos vloggers manterem essa qualidade, trazer assuntos novos, inovar e criar novos projetos além dos canais. Portanto, sou uma pessoa otimista e creio que cada vez mais surgirão canais ricos em conteúdo e de extrema qualidade. Hoje, um dos canais que mais percebo essas qualidades da atual fase da "Era dos Vloggers" é o Canal Nostalgia.

Para quem não sabe, o Canal Nostalgia é um canal que surgiu em 2011 e que fala sobre tudo que ocorre no mundo nerd: cinema, games, séries, entre outros. A história de Zelda? Tem. A teoria da Pixar? Tem também. E, além disso, têm animações produzidas pelo pessoal do próprio canal, de extrema qualidade e divertidos, e que torna o vlog diferente de outros presentes e que falam sobre o mesmo assunto. Aliás, a produção visual do canal é ímpar. Que eu me lembre (e dos canais os quais já assisti), nenhum tem a mesma qualidade de produção que o Nostalgia tem. 

Quem aparece na frente das câmeras para falar com o público é o Felipe Castanhari (esse cara aqui da foto do lado e que se parece muito com um amigo meu). Ele é extremamente dinâmico e é muito claro em tudo o que diz na frente da câmera. Por exemplo, mesmo que a história de Zelda seja extremamente complexa, Castanhari a explica com calma para que seu público entenda, e o público entende. Além disso, ele é engraçado e sabe divertir como ninguém, o que é essencial, já que muitos dos vídeos do Nostalgia podem ter mais de 20 minutos. Mas eu garanto: serão 20,30,50 minutos de pura nerdice e diversão.

E assim fica a dica: se você nunca assistiu a um vídeo do Canal Nostalgia, creio que chegou sua hora, principalmente se você é um nerd assumido como eu. É um lugar para debater diversas coisas que ocorre no mundo nerd, em vídeos de alta qualidade e com um apresentador que sabe dizer as coisas de forma clara e ainda divertir. É um canal que explica o motivo para a "Era dos Vloggers" ainda existir: ela nunca deixou de existir, apenas ficou mais exigente. E o Nostalgia é a resposta para a qualidade que muitos procuram.

O canal tem vídeos novos nas quartas e nos domingos.

Para acessar o canal, clique aqui.

1 de dezembro de 2014

PAUL McCARTNEY - "OUT THERE": OS BEATLES AINDA VIVEM


É engraçado como as coisas mudam com o passar do tempo. Quando eu era pequeno, meu pai ligava o rádio do carro, colocava na emissora dele (Kiss FM) e deixava por alguns minutos até que, logo em seguida, minha irmã e eu reclamávamos de que a música era muito chata e não dava para entender nada (com quatro anos de idade eu quase não entendia muita coisa de inglês). Foi com os anos que os Beatles começaram a fazer parte de nossas vidas e, após descobrirmos que os integrantes John Lennon e George Harrison não estavam mais entre nós (isso já na juventude), o sonho de ver o grupo reunido ficou apenas como um sonho. Mas eis que agora, ao presenciar pela primeira vez Sir Paul McCartney em sua tour "Out There", a sensação é de que os Beatles ainda estão aí para quem quer ver, vivos e fortes.

Antes do show é importante destacar aquilo que já foi dito sobre o Allianz Parque em alguns meios, mas não por todos: sim, o estádio possui uma infraestrutura incrível e o som não vaza (deu para escutar tudo com perfeição), porém, ainda é preciso fazer alguma parceria com a prefeitura e com os prédios da região (shopping Bourbon e condomínios) para resolver os problemas de alagamento ao redor do estádio. A região da Turiaçu sempre teve alagamento e não é com placas (cof cof prefeitura) que vai resolver o problema. Será que toda vez que chover o público será prejudicado, ficando do lado de fora do estádio, embaixo de chuva e com a rua alagada? No primeiro dia, as pessoas entraram no estádio somente às 20h30. No segundo dia, foi aproximadamente perto das 19h e, enquanto os portões não abriam, o pessoal ficava tomando chuva (o que acabou sendo a realidade da noite inteira para quem ficou na pista, como eu).

Mas vamos falar do show em si. Gostei muito da playlist que McCartney fez para o segundo dia em que se apresentava no estádio. A divisão entre as músicas mais "lentas" e as músicas mais "animadas" que seriam tocadas ao longo do show ficou bem melhor. E que show! Tocar por quase três horas mostra a capacidade e a vontade de McCartney de ser um entertainer de primeira, ainda mais falando em português em diversos momentos, fazendo piadas o tempo todo e agradando o público que vinha com placas e homenagens. É algo que falta em muitos músicos hoje em dia.

E se alguém não estava animado dentro do estádio, com certeza passou a cantar junto em "Live and Let Die", o ápice da apresentação. Com fogos do lado de fora e efeitos dentro do palco, a música ganhou uma força que mexeu com todo o estádio. "Blackbird", por outro lado, foi a apresentação mais linda da noite. A ideia de colocar como cenário uma casa de interior, com a lua no alto e Paul cantando à frente foi incrível, sem palavras. "Hey Jude" também foi um dos grandes momentos da noite, principalmente por ser minha música favorita do grupo e todos no estádio estarem cantando junto.

Mesmo que não seja o artista que sou mais fã, é impossível negar: o show de Paul McCartney da tour "Out There" foi o melhor show da minha vida e creio que será por bastante tempo. Qual será o show em que um artista estrangeiro cantará grandes músicas por quase três horas, fará piadas com o público e ainda terá vontade de falar em português? É, creio que vai demorar mesmo, pois alguém como Paul é difícil de encontrar nos dias de hoje. Essa "molecada" do exterior precisa trabalhar muito para chegar perto dele.