25 de dezembro de 2014

O HOBBIT - A BATALHA DOS CINCO EXÉRCITOS: Nem parece o mesmo diretor de "O Senhor dos Anéis"


Peter Jackson foi um gênio no início dos anos 2000. Depois de alguns trabalhos da década de 1990, alguns que inclusive possuíam temas de comédia e trash, o diretor e sua equipe tiveram a coragem de transpor para as telas do cinema a obra mais aclamada e famosa de J.R.R Tolkien: a trilogia O Senhor dos Anéis, que já tinha dado errado em uma animação em 1978, com uma produção pobre, corrida e com um roteiro completamente quebrado (o final é a maior prova). O resultado de Jackson, porém, foi o contrário da animação: foi uma das melhores adaptações cinematográficas para o cinema e uma das melhores franquias que já existiram, criando uma nova legião de fãs. Até hoje eu pego O Senhor dos Anéis para assistir e é impressionante como os efeitos especiais superam até filmes criados nos dias de hoje. Assim, com o sucesso da trilogia, Jackson e sua equipe decidiram trazer, anos depois, outra obra de Tolkien para os cinemas, O Hobbit. E foi aí que tudo deu errado.


Antes de mais nada, como não fiz nenhuma crítica sobre nenhum dos outros filmes, farei uma breve de cada um e em apenas um parágrafo. O Hobbit: Uma Jornada Inesperada foi o que eu menos gostei da nova trilogia. Para o início da história, não havia nada de demais para ter a duração que teve, porém, foi o único filme em que o hobbit (Bilbo Bolseiro) teve um foco maior e realmente foi o personagem principal (além de contarem como ele encontrou o Um Anel). Tirando isso, o filme não tem nenhum conteúdo relevante, algo que foi guardado para o segundo e o terceiro filme. O segundo, O Hobbit: A Desolação de Smaug, por outro lado, foi o que mais gostei. Foi um filme mais rápido, com um bom clímax e que contém a aparição do grande inimigo de Bilbo e os anões: o dragão Smaug (na voz do incrível Benedict Cumberbatch), que é incrível e rouba a cena por completo. Com essa trama, A Desolação de Smaug acabou demonstrando ser um filme-chave muito maior do que o primeiro e que serviria de gancho para o último filme.


Agora, O Hobbit: A batalha dos cinco exércitos fica exatamente no meio entre os dois primeiros filmes, sendo melhor que Uma Jornada Inesperada e pior que A Desolação de Smaug. Em A batalha dos cinco exércitos, Bilbo deixa de ser o personagem principal para o foco ser nos anões (que já começaram a roubar sua cena no segundo filme) e da guerra contra os povos que querem conquistar a montanha (que já tinha sido roubada por Smaug dos anões). E, assistindo ao filme, me senti do mesmo modo quando li o último livro da Saga Crepúsculo, o Amanhecer: quando o subtítulo do filme é A batalha dos cinco exércitos você imagina a maior batalha desde As Duas Torres de O Senhor dos Anéis, ou pelo menos algo semelhante. Mas não. Foi uma batalha bem fraca e que, realmente, não é relevante nem pra história do O Hobbit e nem para a do Senhor dos Anéis (dá uma conferida depois no vídeo do pessoal do Omelete. É exatamente o que achei).

Foi criada uma expectativa que simplesmente não foi atingida. Se o subtítulo fosse diferente, como Lá e de volta outra vez, título inclusive do livro de Bilbo (em que ele conta sua jornada), a expectativa que as pessoas teriam do filme poderia ser outra e mais semelhante com a que foi criada no primeiro filme: uma aventura menor do que a de O Senhor dos Anéis, mas uma jornada divertida principalmente para as crianças e jovens, foco principal do livro. Mas não é o caso e muitas pessoas acabaram se decepcionando muito com o filme (dê uma pesquisada nas críticas do longa em pelo menos três ou quatro sites que vocês vão entender o que estou dizendo: o sentimento de decepção é o mesmo).

Infelizmente, creio que não há outra pessoa a quem culpar: seu nome é Peter Jackson. Desde a produção do O Hobbit, era visível que Jackson não estava tão animado com o projeto, pois já tinha contado o que queria em O Senhor dos Anéis. Além disso, a direção de O Hobbit estava nas mãos de Guilherme Del Toro, que deu pra trás com a ideia e Jackson teve que assumir. É importante ressaltar também o problema da divisão do filme, anunciado primeiramente que seria dividido em dois e depois passou para três (para o estúdio ganhar mais dinheiro, claro, mas que fez com que a trilogia se estendesse sem necessidade). Outro fato é que não há muita inovação. Parece que estamos assistindo ao Senhor dos Anéis em diversos momentos, pois algumas tomadas são praticamente iguais (no primeiro filme a cena da caverna, ao final, é o melhor exemplo). E, para concluir, Jackson criou um projeto estrondoso para um livro pequeno. O pessoal do Omelete, no Omelete Tv com o veredicto do filme, falou a melhor frase de todas: "O que a batalha significa na história da trilogia do Anel?". A resposta é: "nada". Criou-se uma expectativa para uma batalha e para uma trilogia que é uma aventura muito menor do que a principal e "verdadeira" trilogia de Tolkien.

Os atores, porém, merecem crédito por seu trabalho. Entre os destaques, Martin Freeman caiu como uma luva no papel de Bilbo, sendo extremamente simpático e trazendo para o filme o sentimento de aventura que precisava (e que foi esquecido nas sequências). Ian McKellen repete o papel de Gandalf com maestria (em O Senhor dos Anéis: A sociedade do Anel, o ator foi indicado ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante), Richard Armitage carrega o lado obscuro do filme nas costas com excelência, e Lee Pace novamente, mesmo fazendo uma ponta pequena (mesmo que importante) encarna seu papel e faz um ótimo trabalho (nem parece o bom moço de Pushing Daisies).

Melhor do que Uma Jornada Inesperada e Pior que A Desolação de Smaug, O Hobbit - A batalha dos cinco exércitos acaba sendo uma decepção. Não como filme em si, porque acaba sendo um entretenimento ok (principalmente para pessoas que estão buscando pancadaria), mas acaba sendo irrelevante para a trilogia do Anel e, cheio de erros, acaba sendo uma mancha no curriculum de Peter Jackson, claramente megalomaníaco e perdido como diretor. Embora a tecnologia dos 48 fps tenha sido uma experiência interessante, ela foi deixada de lado em nosso território, praticamente esquecida e não foi divulgada como foi no alarde do primeiro filme. Espero que, das obras de Tolkien, Jackson não faça uma nova adaptação (pois já dizem por aí em adaptações de novas obras), porque, dessa vez, ele não conseguiu contar a história.    

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