12 de dezembro de 2014

PITTY E ANITTA: Como transformar uma discussão saudável em uma briga



Já faz quase uma semana que as pessoas estão falando sobre a discussão da Pitty e da Anitta no programa Altas Horas e já ouvi de tudo, desde os comentários relevantes até aqueles comentários os quais você apenas repugna o que a pessoa escreveu. Mas, o que mais me intriga é de como as pessoas querem transformar uma discussão tranquila em uma briga completamente desnecessária. Acredito que ambas as cantoras estão falando de visões diferentes do papel da mulher na sociedade e ambas estão certas.

O que a Pitty disse está mais do que correto. Não é por causa da atitude ou pela roupa que a mulher está utilizando que o homem tem o direito de "achar" que ela seja, pela ditado popular, uma "vagabunda", e que ele pode "pegá-la" e "usá-la" como se fosse um simples objeto sexual. Toda mulher tem o direito de se vestir e agir como quiser no seu cotidiano e o cara não tem o direito de achar nada. Se a mulher não lhe deu permissão de tocá-la ou não quiser ficar com ele, deixa de ser ignorante e, novamente, pelo ditado popular, pare de ser um imbecil. Além disso, sim, mulheres brasileiras não tem a mesma igualdade que os homens em diversos aspectos, como representação na sociedade, salários iguais, entre muitos outros, e ainda precisa ganhar essa igualdade (até hoje não entendo a razão pela qual essa igualdade ainda não existe, ainda mais em países desenvolvidos).

Porém, a Anitta também está corretíssima. Querendo ou não vivemos em uma sociedade (não estou dizendo machista) em que somos julgados por aquilo que somos, por aquilo que construímos e representamos. Então, caso uma mulher comece a dançar ou agir como, novamente, pelo ditado popular, uma "vagabunda", pegue cinquenta caras em uma noite e fique com um cara pelo dinheiro dele, ela acabará sendo taxada como tal, porque ela será julgada assim pela sociedade, tanto os homens quanto as mulheres. Sim, vivemos em uma sociedade machista e conservadora, mas mais conservadora do que machista. Explico: as pessoas gostam de culpar que brasileiro é machista. Mas, neste caso em particular, muitas mulheres acabam chamando a própria mulher de "vagabunda", piranha", entre outros tantos adjetivos, porque simplesmente não condiz com aquilo que a maioria das mulheres se vê representada, acreditam e defendem. Claro, os homens não são julgados da mesma forma que as mulheres (que são julgadas praticamente o tempo todo), mas sim, há também um julgamento do cara que quer pegar todas, já chega querendo apalpar a mulher e que quer ficar com uma mulher só porque ela é bonita e tem dinheiro. E não apenas os homens vão taxar esse cara de "galinha", como a maioria das mulheres próximas a ele provavelmente nunca "ficarão" com ele, pois sabe como ele é "galinha" e "interesseiro", pois foi aquilo que ele construiu e representa.

O pior é de que essa discussão, completamente saudável, de como deve ser o papel da mulher e de seu comportamento na sociedade, saiu dos trilhos e cada vez mais as pessoas colocam as artistas (Pitty e Anitta) e seus fãs um contra o outro. É algo completamente desnecessário. Claro que isso gera dinheiro, óbvio (e não achem que não gera, pois gera muito), mas a briga é tão desnecessária que quem acaba se prejudicando nisso tudo é a própria mulher. Uma pena.

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