13 de outubro de 2015

SER DE CENTRO É UMA MERDA E A CEGUEIRA ACABA COM O BRASIL



Muitas pessoas dizem que é difícil saber o que é esquerda e o que é direita no Brasil. Esta realidade condiz exatamente com a atual posição partidária dos últimos anos. O PT, por exemplo, apoiou muito mais as grandes corporações e seus próprios interesses do que a população brasileira no governo Dilma Rousseff, cada vez mais claro com a crise econômica atual e a postura do governo federal: vamos aumentar os impostos, aumentar os juros e fazer com que a população pague o pato, enquanto bancos e empresas que contribuíram para a atual crise saem ilesas (nada incomum e nada diferente do que acontece com o resto do mundo, pois aconteceu a mesma coisa com a crise norte-americana). O PSDB não é diferente: tomou a atitude de ser uma oposição que não é oposição. Contestam algumas coisas do governo federal, mas não tomam partido de nada, estão apenas vendo o circo pegar fogo, enquanto a população procura por uma oposição que defenda seus interesse e que lhes dê voz contra governo. E eu pergunto: o que faz uma pessoa que se diz não ser nenhum dos dois?

Sempre acreditei e continuo acreditando que não há como prevalecer apenas o povo, como também não tem como prevalecer apenas as empresas. Em minha visão, as empresas tinham que se preocupar com a sociedade em que vivem e, o governo, apoiar empresas que tem esse posicionamento. Se a empresa ajuda a sociedade e o governo ajuda a empresa, acredito que todos ganham com isso, pois é o crescimento na base de ajudar ao próximo e fazer com ele ou ela tenha condições boas de viver e atuar em sua sociedade. Claro, o governo deve garantir ao seu povo estrutura básica: educação, transporte, saúde, preservar o meio ambiente, entre outros. O governo tinha que ser, em outros palavras, o mediador entre as relações empresa-população e garantir o bem-estar de todos. Pode parecer utópico, mas é algo que acontece em diversos lugares do mundo.

Mas isso é bem aceito pela esquerda e pela direita? Muitas vezes não, e é exatamente sobre isso que quero conversar. Chega a ser irritante quando as pessoas olham apenas para elas e não conseguem ver o mundo ao seu redor, e quando digo mundo é no sentido de fazer com que todos cresçam junto. Além disso, esse estereótipo criado na época da Revolução Francesa, ao meu ver, esta mais do que datado e não há nenhum autor ou político que nos mostre outro modo de fazer política nos dias de hoje sem esse molde pré-estabelecido. Como não gosto de extremismos e tenho que me "posicionar", me considero uma pessoa de centro, embora muitos digam que sou de esquerda ou de direita, dependendo do grupo de amigos.

Para meus amigos de esquerda (que me consideram de direita), escuto muito o discurso de que "o que governo que está hoje no poder não pode sair. Nunca avançamos tanto em questões de direitos humanos, de igualdade, de trabalhadores, etc. A oposição vai tirar tudo isso da gente". Me desculpe, mas nunca tivemos tanto um Congresso e um Senado conservador como temos hoje, por muitos motivos que não falarei agora para este texto não ficar enorme e chato para ler. Este medo que a esquerda tem de perder os direitos não existe, pois já estamos perdendo vários com a crise política, reflexo do atual do governo. Além disso, foi neste governo que surgiram pessoas como Marco Feliciano, que foi líder da Comissão de Direitos Humanos e Minoria, um exemplo que simboliza exatamente o que quero dizer: a esquerda muitas vezes não vê que é no atual governo que mais estamos deixando debates importantes serem massacrados por governistas conservadores. 

Para meus amigos de direita (que me consideram de esquerda), o que escuto é "O PT é o câncer do país! Governo corrupto que fica oferecendo Bolsa Família para ficar ganhando voto! É o socialismo querendo dominar o Brasil!". Embora eu concorde que o PT é corrupto e que o Bolsa Família precisa urgente de fiscalização e que seja um programa para os pais incentivarem e participarem mais da criação dos filhos, digo uma coisa: a maioria dos partidos também é, e quando vou falar de algum escândalo de corrupção do PSDB, o pessoal da direita fica irritado e coloca a tucanada no pedestal. E os cartéis do metrô de São Paulo? E o mensalão tucano? Isso não vem para a imprensa e pior: a direita defende as ações do atual governo do estado de São Paulo! Como que defendem alguém que diz que não teria rodízio de água, sendo que ela já ocorreu e foi assumida pelo próprio governo do estado de São Paulo meses depois? Como defendem alguém que construiu um projeto caro que agora está parado porque teve problemas básicos na construção, como foi o monotrilho? Mas o pior mesmo é quando vão criticar pessoas que defendem a esquerda, falando que elas não tem instrução. E como alguém que tem instrução defende a corrupção da direita? E além disso, a atual esquerda é um socialismo que apenas se beneficiou, como também beneficiou bancos e empresários do país inteiro.

São algumas coisas que não entendo das pessoas quando elas tomam partido de ser de direita ou de esquerda. Elas não acabam vendo o todo, olham tudo segmentado, em partes, filtrado exatamente no que querem ver, no que querem acreditar. O problema no Brasil hoje é isso de cada um querer o seu e fod*-se o resto. Ninguém pensa em crescer junto, pensa apenas em crescer. Todo mundo adora falar da grama do vizinho, mas ninguém olha a própria grama. E quem vê o todo acaba sendo uma pessoa que "não vê a verdade". Muito pelo contrário: ver tudo é o que realmente faz você questionar para onde as coisas estão indo. Olhar para si só traz a cegueira e, com ela, a ilusão de uma realidade que resulta na ignorância. 

11 de outubro de 2015

MESMO COM FRAGILIDADE, GAMEFLY STREAMING CHEGA AO BRASIL PARA FICAR



Vocês se lembram quando eu falei que a Playstation Now foi um grande acerto da Sony (clique aqui para ler a postagem)? Pois é, não retiro nada do que disse nessa postagem: esta nova geração precisa pensar em streaming. Netflix e Spotify já são referências hoje para filmes/séries e música, respectivamente. Mas e games? Acredito que ainda não se estabeleceu de forma definitiva uma empresa que esteja se destacando ao oferecer este tipo de serviço para diversos aparelhos (celular, tv, console, tablets, entre outros), mas algumas já começaram a mexer os pauzinhos. A Sony, com o Playstation Now, está demorando demais para expandir o serviço ao redor do mundo, inclusive para o Brasil. Eis que, de forma inusitada, a Samsung surge com a parceria com a Gamefly e chegam ao Brasil com o Gamefly streaming.

Antes de mais nada, eu preciso explicar como que descobri que essa bagaça existia: descobri pela internet, simples assim. Se não me engano vi uma notícia que vinha junto com o comercial do Gabriel Medina (o famoso surfista) anunciando o serviço para os televisores da Samsung. Contudo, eu pensava que não poderia ter acesso ao serviço, já que apenas algumas Smart TV's específicas da Samsung são capazes de oferecer o Gamefly no Brasil, e pensei que a minha estava de fora dessa lista. Ligando a TV ontem, verifiquei que ela tinha sido atualizada e que o aplicativo estava disponível para download e baixei na hora.

Para iniciar o aplicativo já tive um primeiro problema: por causa da nossa conexão aqui no Brasil não ser muito eficiente (claro, generalizando as operadoras aqui presente e a velocidade que elas nos oferecem), tive que esperar um dia para encontrar e conectar o cabo da internet na televisão para melhorar a velocidade. Depois disso, o serviço aceitou a velocidade da minha internet e iniciou normalmente. Mas aí surgiu o segundo problema: tinha que ter um controle compatível. Ok, pensei: "Nossa, não deve ser caro um controle compatível". No final das contas tive que pagar cem reais por um controle de Xbox 360 com fio (wireless não funciona), já que o do PS4 não tem compatibilidade, e detalhe: era um dos mais baratos da lista de controles homologados da Samsung. Só depois disso tudo é que tudo começou a andar, mas mais ou menos.

Vou explicar para vocês de forma extremamente rápida como funciona: ao ter o controle compatível e a internet com a velocidade necessária, você terá acesso à biblioteca de jogos do Gamefly, podendo jogar dez minutos de cada jogo sem custo algum. Após o tempo expirar, você precisa assinar um dos pacotes de assinatura mensal disponíveis (que possuem valores compatíveis com o mercado de sobra). Pelo que testei até agora, jogar no Gamefly é muito bom. Os gráficos e o áudio estão em boa qualidade (720p, considerando que é tudo feito pela televisão), similar com a de um PS3 e Xbox 360 (no momento os jogos são da geração passada, o que é normal quando lembramos da chegada da Netflix ao Brasil). Assim, o Gamefly está cumprindo aquilo que prometeu e o serviço em si é de qualidade.

Porém, até conseguir chegar na parte de jogar é quase um parto, como vocês puderam notar. O aplicativo do Gamefly para a televisão ainda é muito rudimentar, tendo apenas a lista de jogos disponíveis e sem qualquer "Minha Conta", "Como funciona", "Assinaturas", "Pesquisa" com ícones visíveis de forma fácil para o usuário utilizar o aplicativo. Não, você tem que ir caçando. E nem o Gamefly e nem a Samsung (contando que é uma parceria) oferecem para os consumidores um site digno para poder se informar. O site da Gamefly só tem a versão norte-americana e a Samsung apenas mostra em seus sites os pacotes que existem, qual a proposta do serviço e a lista de jogos, sem qualquer preocupação em ensinar com um guia básico como que funciona o serviço até o momento de poder começar a jogar. É um descuidado gritante para uma empresa como a Samsung ao lançar este tipo de serviço, oferecendo para nós algo tão inovador e que dá aos gamers vontade de experimentar a novidade e, ao final, fazer com que a experiência seja algo impaciente demais, demorado e nada prático.

Claro, ainda tem muito chão pela frente, já que o serviço foi lançado em Agosto e, querendo ou não, é mérito da Samsung e do Gamefly: eles chegaram ao Brasil antes da Sony começar a fazer alguma coisa com a Playstation Now e está demorando muito para a Sony tomar atitudes com as suas atividades no Brasil (chegada do PS4 é um exemplo claro, chegando no pior momento possível de uma crise econômica). E é evidente: ainda tem muito arroz e feijão para o Gamefly e a Samsung conseguirem ter corpo para começar a cutucar a Sony, mas essa cutucada já está dando início. É só a Samsung e o Gamefly correrem para melhorar e aperfeiçoar o que pode ser um grande atrativo para as Smart TVs para os próximos anos. Tem gente que fala que os próximos consoles não existirão e que tudo passará a ser por streaming. Disso eu ainda não sei, mas que há mudanças ninguém pode negar, e quem não quiser enxergar acabará ficando para trás.