18 de setembro de 2017

PRECISAMOS FALAR SOBRE PABLLO VITTAR

Linda, livre, leve e solta. É isso aí. 

Se você ainda não sabe quem é Pabllo Vittar, provavelmente não está acompanhando o atual cenário da música pop brasileira ou acompanhando o Rock In Rio 2017 (mas tudo bem, é para isso que o blog existe). Vittar chamou a atenção e marcou presença no evento ao cantar em um stand do Itaú, chamando e entretendo mais pessoas do que os tradicionais palcos da edição deste ano do Rock In Rio. Não à toa, Vittar levou todos ao delírio. Com polêmicas envolvendo a saída de Lady Gaga e o fato de Anitta não estar participando do Rock In Rio, tudo parece ter sido esquecido com a presença de Vittar, que também cantou ao lado de Fergie e esquentou o Palco Mundo. Resultado: uma das aparições mais marcantes da edição de 2017. E a justificativa está clara para quem a acompanha: Vittar surgiu como um respiro e se firma como uma das maiores cantoras atualmente em nossa música pop.

Antes de mais nada saiba: Pabllo Vittar não gosta de se rotular. Justo. Phabullo Rodrigues da Silva não precisa de definição: homem, mulher, drag queen, compositora, cantora, basta respeitar o modo que ela deseja ser tratada com respeito. Com 22 anos, Vittar é um dos maiores sucessos de nossa música pop e funk com ícones como Sua Cara, K.O, Todo Dia, entre outras tantas músicas. Todas as letras exprimem um sentimento que, embora possa parecer clichê, Vittar carrega de forma fresca e revigorante: liberdade, ser quem você é. Além disso, a cantora também enaltece o respeito à mulher. Não é por usar uma mini-saia que a mulher "atiça" os homens para ser estuprada. Mulher não é "vadia" por dançar como ela quer. É o empoderamento de forma atual, revigorante, afirmativa, impondo seu espaço no mundo.

Você já leu comentários que têm em reportagens, entrevistas, clipes, o material que for, sobre Pabllo Vittar? Pois é, eu já e gostaria de falar de uma do Rock In Rio que particularmente chamou a minha atenção. Um homem, fã de rock dos anos 60/70/80, falando sobre como a cantora "é moda e quer chamar a atenção no evento, se vestindo como se veste e agindo como age". Impressionante como as pessoas colocam juízo de valor sem pensar em si e em sua própria identidade. Parece que, este sujeito, esquece de lendas como Freddie Mercury, Elton John, Kiss, tantos cantores "homens" que já se vestiram como mulheres e são ícones até hoje (e julgam Vittar por sua aparência e música?). No mesmo comentário, havia ainda uma montagem de "Como ser homem e se vestir como mulher", em que colocavam Vittar com um "X" (o errado) e Freddie Mercury com uma mão com o dedão pra cima (o correto). Dito isso: esse fenômeno (homens se produzindo como mulheres) não é algo que nunca vimos nas artes antes. Inclusive, na Idade Media, muitos papéis femininos eram interpretados por homens. Se Mercury foi e é repeitado até hoje por sua arte, Vittar merece o mesmo tratamento. Não gostar de sua música é a real questão, não aquilo que a cantora é e defende.

Eu gosto de compartilhar a experiência que meu primo teve ao descobrir a "origem" da cantora porque ela exemplifica exatamente o que tem que ocorrer: nada. Ele foi para a Califórnia e retornou no segundo semestre em um momento em que Vittar já estava bombando e vinha com uma música nova a cada mês (semana? Dia?). Ao chegar na cada dele, estava tocando as músicas da cantora e falei "caraca! Você tava lá fora e já conhece as músicas do Pabllo" e ele respondeu que gostava das músicas. Meu primo desconhecia o fato dela ser drag queen e sabe o que aconteceu quando ele descorbiu? Continuou gostando da mesma forma. Infelizmente vejo, em muitas pessoas de nosso país e que presenciaram a ascensão de Vittar desde o começo, muito juízo de valor e preconceito ao invés de ver o que a cantora tem para nos mostrar.

Vittar ainda tem muito caminho pela frente, pois são seus primeiros trabalhos que estão sendo lançados e muita coisa ainda deve estar por vir. Pop, funk, pop funk, Vittar chega ao cenário brasileiro com letras que defendem a liberdade e a aceitação de uma forma longe do clichê. Em um Brasil que infelizmente está vivendo em extremos, a artista mostra exatamente o contrário: você pode ser quem você quiser ao respeitar o outro. Saiba que do outro lado há um ser humano como você. E rótulos? Perda de tempo. O ser humano é muito complexo para termos definições para tudo. Construa sua personalidade e pegue as definições para ser você.

E gostaria de fazer uma observação neste novo parágrafo: para você, leitor, ter uma noção do quanto entender isso tudo é importante: escrevi a postagem no dia 17/09. Hoje, dia 18/09/2017, a Justiça Federal concedeu uma liminar que pode abrir brecha para psicólogos tratarem a homossexualidade como doença, O Conselho Federal de Psicologia repudiou, em nota, a decisão da justiça (leia mais sobre aqui). Você pode não gostar do estilo das músicas, mas as letras cantadas por Vittar remetem ao nosso cotidiano mais do que muitos pensam. Reflita e não deixe que os extremos permitam fazer coisas como essa.

Veja abaixo a aparição de Vittar no stand do Rock In Rio.


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